Série vinícolas chilenas: Terranoble

A vinícola foi fundada em 1993 e instalou-se inicialmente no Vale do Maule, maior região produtora de vinhos no Chile, expandidndo-se depois para o Vale de Colchágua. Em seus 190 hectares, Terranoble busca produzir vinhos com sabores e aromas frutais bem definidos e represntativos de cada variedade de uva. Importador: Decanter

Mandolin Cabernet Sauvignon 2005

” Com a sua influência marítima, a “Central Coast”, região da Califórnia, produz vinhos com o desenvolvimento pleno do sabor e equilíbrio da acidez. As uvas para este Cabernet Sauvignon foram provenientes de vinhedos da Costa Central, onde há  ventos fortes, dias secos e nevoeiros. Estas condições são ideais para o cultivo de uvas como Cabernet Sauvignon,  transmitir sabores de frutas e acidez ideal. As uvas foram colhidas num ponto de equilíbrio ideal de açúcares e o vinho foi fermentado em aço inox. Após concluída a fermentação maloláctica em barricas de carvalho francês (20% novo), estagiou durante 14 meses antes do engarrafamento”. Fonte: portal do produtor.
 

Mandolin, significa Bandolim instrumento da família do alaúde que é anunciado por seu tom brilhante e grande potência sonora. Este mandolim foi muito bem recebido pela crítica especializada na época de seu lançamento (safra 2005). É um vinho que reflete as características do generoso terroir da Costa Central da Califórnia, que tem influência marítima, onde o longo período vegetativo produz vinhos frutados e de acidez ideal. A safra 2006 recebeu 86/100 pts. da Wine Enthusiast Magazine. A safra 2008 acaba de chegar na Wine Lovers.

 

Degustação

Mandolin Cabernet Sauvigon 2005 – álcool: 13,5% – Região: Central Coast/Califórnia/EUA – preço:  R$ 98,00 (safra atual 2008)Importador: Wine Lovers – (11) 5531-0081 / 8439-3392 – e-mail: contato@winelovers.com.br - Vermelho rubi violáceo intenso e profundo.  Aromas de ameixa preta, cereja, amora e pimenta do reino moída. E na boca, a fruta segue até o final, complementada por um toque de baunilha e carvalho. Taninos finos, boa acidez, concentrado e profundo. Madeira bem integrada. Persistente, termina harmonioso, macio e redondo.

Central Coast AVA na Califórnia cobre a longa extensão de costa de San Francisco Bay para o sul de Santa Barbara e atinge o interior na altura do Oceano Pacífico até as fronteiras do Vale Central. O clima e a topografia variam enormemente em toda esta imensa região, o que torna impossível generalizar sobre condições vitícolas. Basta dizer que todos as AVAs da Costa Central são afetadas pelo resfriamento do Oceano Pacífico até certo ponto o que resulta na produção de alguns vinhos notáveis. Pequenas vinícolas boutique são abundantes, enquanto as grandes, bem-respeitados produtores usam a AVA Central Coast para os vinhos produzidos com uvas cultivadas em mais de um município.

Série vinícolas chilenas: Tabalí

 

Localizada em uma das regiões produtoras mais ao norte do Chile, no Vale de Limarí, que voltou a descoberta para a produção de vinhos de qualidade de pois de séculos dedicadà à produção de frutas e vinhos de mesa. Situada a apenas 25 km do Pacífico, a geografia da região propicia influência marítima, que reduz a amplitude térmica e origina a “Caramanchaca”, uma névoa matutina que atenua o calor do Verão. Dessa forma, as uvas são produzidas num ambiente sem grande spicos de temperatura ou, como a própria vinícola coloca, “em fogo brando”. Importador: Grand Cru

Mais um vinho do “Bota-Fora” de uma grande importadora de SP: Ervideira Branco Reserva 2007

 

O Alentejo é uma vasta zona rural de planícies extensas salpicadas de sobreiros e de oliveiras, a planura perturbada pelo ocasional “monte” no cimo do qual se encontra uma grande propriedade ou uma pequena aldeia. A região é quente, muito quente, no Verão implicando a irrigação das inúmeras e vastas vinhas. O Alentejo está na linha de frente da revolução do nível dos vinhos em Portugal, adotando métodos modernos de produção com excelentes resultados e conseguindo a consagração por parte da crítica internacional. Uma região famosa graças a vinhos tintos geralmente encorpados, frutados e adequados para envelhecimento. As suas regiões DOC são Portalegre, Borba, Redondo, Vidigueira, Reguengos, Granja/Amareleja, Moura e Évora. Os VRA – Vinhos Regionais Alentejanos são cada vez mais populares. Os vinhos brancos não são uma tradição na região (exceto Vidigueira) mas, com a ajuda de tanques de fermentação com controle de temperatura, estão a surgir brancos de grande qualidade, igual ao escolhido para este post. 

 Contrarrótulo

“Este vinho vem de retomar uma tradição familiar de constituir um Reserva, feita dos melhores lotes da casta Antão Vaz. Apresenta aromas de frutos tropicais, especiarias e baunilha. É aveludado e untuoso, possui uma acidez equilibrada e taninos suaves”. 

Ervideira Reserva branco 2007 - degustado pela segunda vez em menos de seis meses, desta vez o vinho se apresentou evoluído, mas graças a sua estrutura poderá ser bebido ao longo de 2012 sem grandes preocupações.

 

Ervideira Branco Reserva DOC Alentejo 2007 – R$ 77,00 (World Wine, tel. 011 – 3383-7477)  -  preço premocional: R$ 30,80 – este vinho já foi analisado em 17.09.2011  e se mostrou bastante diferente, senão vejamos: Elaborado com uma das melhores castas brancas portuguesas, a Antão Vaz, este vinho  comprova que Portugal também produz brancos de elevada qualidade. Exibiu cor amarelo com reflexo dourado intenso denotando evolução. Aroma de pêssego e damasco maduros, algum cítrico sobre um fundo defumado. Na boca confirmou os aromas e se destacou por seu acento mineral e frutado, com alguma untuosidade e sugestões de maracujá. Não exibiu o mesmo frescor do exemplar anteriomente provado, todavia, poderá ser bebido ao longo de 2012 sem problema. Termina macio e fresco. Avaliação: 87/100 pts.

Como nascem aromas inusitados nos vinhos?

 

Crédito da imagem - aromasdovinho.com.br

 

Um dos pontos altos das formas de expressão de auto-afirmação vazia de alguns seres humanos, é tentar mostrar uma pseudo-intimidade com objetos capazes de representar modalidades culturais historicamente bem estabelecidas, associadas às “partes nobres” de quaisquer formas de estruturas hierárquicas sociais. Aí se inserem as artes em geral e outros símbolos de status dentre os quais, o vinho se transformou a certo tempo. Espero que isso mude, pois ao escrever este tipo de texto não faço mais do que buscar timidamente dissolver estas diferenças (que todos que desejarem possam ter uma taça de vinhos à mão e um livro de Michel Serres à outra!). Antes de me perder na filosofia, devemos admitir que o esnobismo no vinho é uma destas formas de auto-afirmação. Alguém que afunda o nariz na taça e desfila aromas imaginários! Mas o vinho permite isso, pois ele não atrela a sua “realidade química” à realidade subjetiva (e livre) da linguagem, conforme expliquei em um dos meus primeiros textos publicados aqui, quem leu sabe! Todavia, alguns aromas que para os iniciantes parecem também elementos de expressão de uma personalidade pernóstica, tem lá a sua justificativa química. Poderia dizer que “A Química é o teste de DNA que ao mesmo tempo desmascara e permite a falácia”! Vamos aos aromas? ALGUNS AROMAS QUE GERAM “ESTRANHEZA” Animal, vegetal e mineral! Os três reinos que compõem o planeta. Que a videira é vegetal, tudo bem, mas de onde inventam que os vinhos possuam aromas animais e minerais?

AROMAS ANIMAIS

Esta família possui alguns aromas esdrúxulos como o couro e xixi de gato. Vamos explicá-los: 1. Couro: em primeiro lugar um aroma de couro é um aroma de “pele”, certo? E o que é a pele? Um conglomerado de proteínas que por sua vez se compõem de aminoácidos. O couro para perder seus aromas desagradáveis é preciso ser curtido e isso se faz quimicamente com o uso de cromo ou “naturalmente” com o uso de taninos! A “tanagem”, que utiliza taninos vegetais de cedro, castanheira e carvalho, é o processo preferencial e menos poluente de evitar que uma pele animal apodreça e se transforme em couro. Assim, nos vinhos em que se misturam taninos e aminoácidos o resultado aromático é quase idêntico. De onde vem os aminoácidos? Das membranas das leveduras. Os vinhos tintos atuais que usam vinificação “sob as borras de leveduras” (borras são as membranas rompidas – a autólise), acentuam as notas de couro sobretudo em vinhos de castas tânicas como Cabernet Sauvignon, Tannat, Mourvèdre.  2. Xixi de gato: este aroma apesar do nome, não é considerado um odor de urina stricto sensu, porque é observado na natureza sobretudo em vegetais, como algumas famílias de plantas européias (como o cassis) e arbustos africanos. Sua origem química vem dos “tióis”, substâncias à base de enxofre derivadas de álcoois que propiciam aromas de frutas tropicais sobretudo o maracujá, a toranja (grapefruit) e notas vegetais intensas lembrando a babosa. Por excelência a casta que mais expressa isso é a Sauvignon Blanc, pois é rica em precursores aromáticos que podem se transformar nos tióis voláteis específicos que geram o odor. Mas é preciso que não amadureçam demais no pé, sob risco de perderem os precursores e consequentemente sua tipicidade. Hoje em dia, existem até leveduras selecionadas específicas para gerarem aromas de Sauvignon! Isso, infelizmente, pode servir para disfarçar tratamentos sanitários das plantas, que são à base de cobre, que além de potencialmente tóxico é capaz de degradar todos os tióis. Recado óbvio: se beber um vinho de Sauvignon de vinhedos orgânicos ou biodinâmicos, de aromas típicos e de acidez notável, fique tranquilo: é mesmo fruto da terra e não do laboratório!

AROMAS MINERAIS

Notas minerais não são sempre fáceis de se puxar pela memória, não são intuitivas e mesmo a explicação para elas incitam controvérsias, já que não parece ser tão óbvio quanto parece, querer associar o teor do sub-solo com o aroma (nunca vi alguém sugerir prospecção de petróleo embaixo de pés de Riesling!). Os aromas ditos minerais ocorrem tanto em brancos como em tintos, mas são bem mais identificáveis nos primeiros. Os descritores clássicos são a “pedra-de-isqueiro” (variante da sílex) e as notas de querosene ou petróleo de uvas como a citada Riesling. Algumas vezes lembram “talco”, mas haja memória olfativa (eu me lembro de manipular pedras de esteatita ou talco, na 7ª série do ginásio). Partindo do princípio que os elementos minerais de um solo perfazem 40-60% de sua composição e a maior parte do restante é de água, deveríamos pressupor que qualquer vinho tivesse nuances minerais. NÃO é o que ocorre. Todavia, na maioria dos vinhos “minerais” há predominância de calcário e ardósia em lugar de argila e areia, por exemplo. Segundo dados da Escola Agrícola de Montpellier, na França tão reputada quanto a de Bordeaux, a videira de alguma forma, através de alguns orgãos como as folhas e os bagos mimetizam o ambiente em que vivem, ou seja, isso indica que podem se expressar de maneira “mineral” em solos minerais. Mas as escolas francesas também afirmam que estes aromas podem se dever à compostos específicos sulfurados ou por fenômenos redutivos de determinados compostos químicos do vinho. Dentre eles, as pirazinas, que classicamente são os responsáveis pelos aromas de pimentão associados aos vinhos de uvas não completamente maduras de castas como a Cabernet Sauvignon. O aroma de petróleo dos velhos vinhos de Riesling tem origens no composto chamado TDN, abreviação de Trimetil Diidro Naftaleno, um derivado carotenóide. Os carotenóides estão entre as principais famílias geradas pelas vias químicas de sintetização de substâncias odorantes das uvas (basicamente à partir da molécula de acetil-CoA se formam diversos álcoois terpênicos e os derivados carotenóides, também classificados como norisoprenóides que também geram aromas de frutas tropicais, violetas, menta, canela entre outros). Dentre várias teorias possíveis, o TDN está associado de modo diretamente propórcional ao grau de trituração das colheitas: quanto mais as uvas são prensadas, mais TDN surgirá. Outras teorias foram aventadas, algumas publicadas há poucos meses na revista ADEGA. Para terminar, estes estudos fazem parte de uma “Teoria global da maturação da uva”, que tenta explicar o comportamento da planta que funciona como se tivesse uma memória genética muito vasta que lhe permite sobreviver.

Texto de André Logaldi.

Série a produção do vinho: chaptalização e separação de sólido e líquido

A chaptalização é um processo inventado pelo cientista francês Chaptal. Consiste em acrescentar açúcar ao mosto. Isso é feito para compensar a eventual falta de açúcar natural da uva. Às vezes, algumas safras são tão fracas, que o açúcar natural da uva não é suficiente para que o vinho atinja um teor alcoólico mínimo. Nesse caso, para não perder toda colheita, utiliza-se a chaptalização. Esse método é permitido (e controlado) em algumas regiões do mundo e proibido em outras. No Sul do Brasil é muito comum. Recentemente foram baixadas novas regras sobre esse procedimento. Fonte: Adega Veja do Vinho – volume 8

 

 

 

Após a fermentação/maceração, a parte líquida, que já pode ser chamada de vinho, será separada da parte sólida, que será prensada para extração de vinhos secundários, para produção de destilados ou mesmo vinagre.

 

Brunello e Porto da California

www.winelovers.com.br

 

Luigi Anania, proprietário do Brunello di Montalcino Azienda Agrícola La Torre 2005,  em decorrência de convite que lhe foi feito pela importadora Wine Lovers, esteve no Brasil no começo do ano passado  para apresentar seu Brunello e  também os vinhos da Azienda Agrícola Val di Toro (um Sangiovese 100%, de Maremma e um corte de Sangiovese e Montepulciano) e da Azienda Agrícola Fofanni. Desta última, a curiosidade é o Ter Vinum 2009, um Merlot vinificado em branco (chegou também a versão tradicional, o Merlot Riserva 2006). A Wine Lovers recebeu ainda novos vinhos da californiana Bogle, que já representa. Entre eles, o Petite Syrah Porto. Como o nome indica, é um vinho ao estilo dos Porto, que pode ser uma opção diferente para acompanhar chocolate amargo, puro ou como base de sobremesas. Fonte – Revista Wine Style 32.   

Série vinícolas chilenas: Viña Errázuriz

 

Viña Errázuriz é parte do grupo Caliterra, um dos mais importantes grupos vitivinícolas do Chile. Seu fundador, Don Maximiano, em 1870, lançou a missão com o lema “da melhor terra, o melhor vinho”. Hoje Viña Errázuriz possui vinhedos no Vale de Aconcágua, Casablanca e Curicó. No Aconcágua, 140 hectares são divididos em cinco blocos plantados com Cabernet Sauvignon, Merlot, Shiraz, Carménère, Petit Verdot e Cabernet Franc. Ali, algumas viderias possuem quase quarenta anos e um bloco é inteiramente dedicado á agricultura orgânica. Já o Vale de Casablanca é dedicado às variedades brancas para maximizar o potencial de seu terroir. Importador: Vinci

 

 

Os tintos “glocais”

“Será que dá para preservar a tipicidade e ser moderno ao mesmo tempo? Eu aposto que sim”

Adicionei uma palavra ao meu vocabulário: “glocal”. A definição é: uma espécie de fusão entre o que é global e o que é local.

Isso depois de ler um artigo de Mike Veseth, especialista em economia política internacional e mercado de vinhos. O título era: “Flying Winemakers and the Glocalization of Wine” (os “enólogos voadores” e a “glocalização do vinho”).

Nele, Veseth criticava uma estratégia que se tornou bastante comum entre alguns produtores de regiões vinícolas emergentes: a de se valer de enólogos badalados internacionalmente para chamar a atenção.

Mas eu, que andava encantada com uma descoberta na cena cultural -fotógrafos, artistas plásticos, cineastas e chefs paraenses que se alimentam da sua autêntica realidade e de seus ingredientes mais castiços para exibir criações supercosmopolitas-, encarei o adjetivo “glocal”, transportado ao mundo do vinho, de maneira positiva.

E fiquei puxando pela memória os exemplares que combinam esses dois elementos: o global e o local.

Que são modernos, sem trair a origem. Seja porque respeitam as variedades autóctones, seja porque conseguem expressar uma personalidade muito própria.

Logo eu me lembrei dos ricos malbecs argentinos da Achaval-Ferrer, assinados pelo italiano Roberto Cipresso. E de um syrah chileno, o Falernia, elaborado a partir de uvas cultivadas em um terroir de um clima frio. Resgatei ainda um piemontês 100% barbera.

O Porto Quinta do Noval LBV é um “plus” porque, só de abrir a garrafa, você já consegue perceber que dali virá um Douro puro, sem máscaras e sem rodeios.

 

Batasiolo – Barbera D’Alba DOC Sovrana 2007

Denso, com fruta madura que evolui para couro

ORIGEM Itália

ONDE Wine Store Baby Beef Morumbi

tel. 0/xx/11/3758-5152

QUANTO R$ 60

 

Quinta do Noval LBV 2000

Aroma de fruta cozida, noz-moscada e um toque achocolatado

ORIGEM Portugal

ONDE Grand Cru

tel. 0/xx/11/3062-6388

QUANTO R$ 120

 

Falernia Syrah Reserva 2006

Aveludado, tem taninos finos e acidez vibrante

ORIGEM Chile

ONDE Premium

tel. 0/xx/11/2574-8303

QUANTO R$ 69

 

 

Achaval-Ferrer Malbec 2010

Nariz explosivo, com frutas vermelhas e uma nota mentolada

ORIGEM Argentina

ONDE Vinoteca

tel. 0/xx/11/4306-4554

QUANTO R$ 79

Artigo de autoria de Patrícia Jota, na coluna “Vinhos – o prazer de beber sem altas viagens”, publicado em 25.01.2012 -  Caderno comida, página F6 -

Pinot Noir Californiano

A região de Russian River Valley é a de cor turquesa. Crédito do mapa: site Pinot File

Os Estados Unidos da América, já há bom tempo ocupa o posto de 4º maior produtor de vinhos do mundo (dados OIV 2007 – apesar da data é o mais recente parâmetro estatístico oficial), atrás apenas do “trio de ferro” europeu (França, Itália, Espanha). E a viticultura na América continua crescendo, subindo em 9% contra uma tendência global de queda de -0,3%. O consumo também está em alta, com 9,2 litros per capita/ano, número ainda modesto quando comparado aos do Velho Mundo.

Mas a história dos EUA é a história de um “Novo Mundo”, por isso recente, ainda mais num país que viveu quase 14 anos sob repressão severa ao consumo de álcool.

A HISTÓRIA

Num dos mais notáveis territórios dedicados à uva Pinot Noir, Russian River (Sonoma Valley), tudo começou após a “Corrida do Ouro” no século XIX, a princípio com a uva Zinfandel, e em 1880 com a Pinot Noir. Mas após a “devastação política” que foi a “Lei Seca”, que vigorou de janeiro de 1920 a dezembro de 1933, as plantações foram retomadas com timidez por heróis como Inglebrook, Beaulieu e Beringer, que por volta de 1936 passaram a replantar uvas como Cabernet e Pinot Noir em lugar de Petite Sirah, Palomino e Alicante.

Pode-se dizer que o espírito de Baco só não morreu definitivamente porque a “Prohibition Act” (Lei Seca) permitia a vinificação não-industrial (“home winemaking”). À partir de 1960, tudo se acelerou.

O vinho que sempre recordo ser mais que um hábito, mas um elemento da sociologia, seguiu paulatinamente na América as normas de condutas sociais baseadas em seus preceitos religiosos e também abraçou com ardor as “verdades” científicas vigentes sem relativizá-las!

Vejam a sequência dos fatos que culminaram na Lei Seca:

  • · Dr. Magnus Huss reconhece o alcoolismo como doença em 1849 (Suécia)
  • · “Epidemias de comportamentos anti-sociais”: correntes proibicionistas
  • · 1851: Maine estabelece restrição ao álcool
  • · 1855: primeira “cidade-seca” da história: Evanston-Illinois

TERROIR RESUMIDO

  • · Napa Valley (North Coast): Clima morno e seco (com insolação similar à Bordeaux); grande variedade de solos, área de Cabernet Sauvignon
  • · Sonoma Valley (North Coast): de clima mais frio em Russian River e Los Carneros (favoráveis para Pinot Noir e Chardonnay); Solos finos, forte influência de ventos marítimos, névoas matinais
  • · Central Coast (San Joaquin Valley): Região mais quente; Monterey e Santa Barbara: vinhos brancos, Pinot Noir
  • · South Coast (San Diego): dias quentes, noites frias, brisas oceânicas.

 

OUTRAS REGIÕES

Vou brevemente comentar a seguir mais duas áreas de viticultura (AVA) relativamente recentes, com pouco mais de vinte anos de reconhecimento, citando duas respectivas notas de degustações de vinhos que são achados para a compra no Brasil (um deles é de “vinhedo único”).

MENDOCINO COUNTY

AVA desde 1984, ocupa a Costa Norte, vizinha de Sonoma County e tem na sub-região de Anderson Valley, clima altamente propício ao cultivo de Pinot Noir.

Vinho: Willowbrook Mendocino 2007 (Wine Lovers) – R$119

100% Pinot Noir com passagem de 11 meses em carvalhos franceses de grão ultra-finos.

Varietal corretíssimo, com cor rubi de média concentração, diferente dos pinots chilenos/argentinos que tem cor muito profunda. Aromas deliciosos de fruta confitada, notas terrosas, minerais (lembra alcatrão), floral, fino tostado remetendo a café. Elegantíssimo na análise olfativa. Na boca tem corpo médio, acidez refrescante, álcool levemente saliente, taninos de boa qualidade, notas de frutas frescas e média a boa persistência. Nota: 90/100 pts.

MONTEREY – SANTA LUCIA HIGHLANDS

 

AVA desde 1991, são cerca de 2380 hectares de vinhedos dos quais 46% são de Pinot Noir, 34% de Chardonnay e o restante de outras castas, com algum interesse maior na Syrah. Altitude e noites frias tornam o terroir receptivo às castas da Borgonha.

 

Vinho: Siduri Rosella’s Vineyard 2007 (Smart Buy Wines) – R$257

 

Uma mistura de clones de Pinot Noir (como Dijon e Pommard) nas terras altas de Monterey, California, passa 10 meses em carvalho francês, 80% novos. Pinot Noir típico, dos melhores exemplares “novomundistas”, sobretudo Austrália e Estados Unidos. Rubi translúcido, brilhante, lágrimas numerosas e rápidas. Aromas intensos de frutas vermelhas frescas e finamente confeitadas, especiarias, notas florais, tostado elegante e algo de cogumelos. Boca macia, prima pelo equilíbrio perfeito entre álcool e acidez, taninos de ótima qualidade, boa persistência em meio à notas frutadas e terrosas, sob fundo empireumático. Nota: 92/100 pts.

Avaliações e texto de André Logaldi.