Monthly Archives: fevereiro 2009

Santa Helena Selección Del Directório – Sauvignon Blanc e Cabernet Sauvignon

A vinícola Santa Helena produz vinhos há mais de sessenta anos e figura atualmente entre as dez principais exportadoras de vinhos chilenos em mais de cinqüenta mercados nos cinco continentes. Sua adega principal se localiza em San Fernando, no Vale de Colchágua, em noventa hectares de vinhedos que superam noventa anos de idade.

 

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A linha de vinhos premium denomina-se “quatro estações” , composta pelos segtes. rótulos: Selección  Del Directório, Vernus, Notas de Guarda e D.O.N. Pois bem, vamos nos deter acerca de dois vinhos da primeira linha, um deles regularmente importado pela Interfood/SP e o outro não, eis que foi lançado recentemente no CHILE. O primeiro é o “Gran Reserva” Selección Del Directório Sauvignon Blanc 2008, produzido com uvas oriundas dos Vales de Leyda (85%) e Elqui (15%). É um dos primeiros vinhos produzidos após a assunção de MATÍAS RIVERA na direção enológica da vinícola em 2008 com o firme propósito de “fazer coisas diferentes de verdade” e que durante muitos anos foi o principal enólogo da Cousiño-Macul e apontado como responsável pelo êxito na modernização dos produtos dessa vinícola.

 

Sobre o vinho. O “Gran Reserva” Selección Del Directório SB 08 denuncia a sua juventude e a sua boa acidez através do simples exame de sua cor palha quase límpida/transparente com muito brilho. No nariz também surpreende agradavelmente com uma profusão de aromas florais (flores brancas) e em menor intensidade com tons cítricos e herbáceos, destaque para maracujá e lima. Na boca, as sensações olfativas são plenamente subscritas no estilo que privilegia a elegância em detrimento da potência (13,5% de álcool integrado com a acidez e doçura), resultando num vinho fácil de beber (chega a ser guloso), untuoso, no qual a expressão da fruta é o seu maior destaque ao lado de seu frescor e que apesar do estilo próprio se assemelha aos bons sauvignons da Nova Zelândia, com a vantagem de que se um dia for regularmente importado para o Brasil, custará bem menos (torcemos para isso) em razão da distância. Tem estrutura para ser bebido até 2010. Preço: $ 3890 (pesos chilenos – adquirido na Loja El Mondo Del Vino) o que dá aproximadamente R$ 15,00 em fevereiro de 2009.

Avaliação: 90/100

 

Agora o também “Gran Reserva” Selección Del Directório CS 06.
Cor vermelho rubi com reflexos violáceos denotando juventude. Nariz fechado com notas herbáceas, leve cassis e frutas vermelhas. Boca macia e aveludada com taninos em evidência de ótima qualidade, álcool integrado, acidez mediana, nuances frutadas e madeira equilibrada com moderada concentração de sabor, corpo e estrutura adequados e ausência de rusticidade ou de qualquer amargor no fim de boca. Faltou-lhe um pouquinho mais de “pegada”, porém, seu estilo foi modificado nas últimas safras porque deixou de lado a sua habitual “força” e evoluiu para um estilo mais “gentil e elegante”.

Preço: R$ 38,23 no Carrefour (em promoção)

Avaliação: 87/100 +

Cremaschi Furlotti 2004, um Nebbiolo chileno

É fato inconteste que o Chile produz alguns dos melhores Cabernets Sauvignons do mundo. Não será exagero dizer que em determinadas faixas de preços seus vinhos continuam imbatíveis, apesar dos avanços qualitativos de outros países na produção de vinhos, notadamente do seu maior rival, a Argentina, que a cada dia nos surpreende com tintos de elevada qualidade. Pois bem. Os chilenos não deixam por menos e num país com mais de 4.000 km de extensão e uma infinidade de terroirs, onde vem sendo produzidos syrahs espetaculares em regiões frias como os Vales de Casablanca e San Antonio (sem olvidar do Vale de Colchágua, terroir apontado como ideal para o cultivo dessa cepa no Chile), carignans do Vale do Maule, cabernets do Alto Maipo (Pirque, Huelquén e Macul), chardonnays do Vale de Limari, sauvignons dos Vales de Casablanca, Leyda, San Antonio e Elqui e ainda outros projetos e que estão por vir e que pretendem mostrar ao mundo o verdadeiro vinho chileno.

 

Nesse contexto e talvez até como resposta aos exigentes consumidores ávidos por novidades, os chilenos estão experimentando de tudo (e, não será exagero dizer com sucesso), desde a prolífica carignan plantada no sul da França e Espanha (cariñena) até nebbiolo plantada no distante e esquecido Vale do Maule, berço de alguns dos parreirais mais antigos existentes no Chile, onde estão plantadas videiras muito velhas de malbec, tannat, carménère, cabernet sauvignon, etc.

 

Atualmente somente dois produtores chilenos se aventuram com essa difícil cepa originária do Piemonte italiano: Botalcura – Nebbiolo 2005, Valle Del Maule e Cremaschi Furlotti – Reserva Privada Nebbiolo 2004, da mesma região. E, dentro da melhor tradição chilena de nos oferecer vinhos honestos por preços justos, o segundo vinho que tem custo de $ 10.000 pesos chilenos (aprox. R$ 39,00 em 02/09), se mostrou uma opção menos onerosa e viável para se conhecer a cepa. Seu contra-rótulo nos informa que: “Nebbiolo é uma uva antiqüíssima originária dos Vales do Piemonte, na Itália. Seu nome vem da palavra “nebbia” que em italiano significa neblina, em referência à bruma que envolve a cidade de Alba, durante o outono. Trata-se de um vinho de grande caráter, encorpado, de cor roxa rubi com tons marrons alaranjados. Tem aromas de cerejas secas, perfumado com toques florais de rosas e de folhas de tabaco. No paladar, apresenta grande estrutura e profusão de taninos que permitem uma longa permanência na garrafa. Recomenda-se servir este vinho com carnes vermelhas”.

 

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Degustação
Cremaschi Furlotti Reserva Privada Nebbiolo 2004 – Preço: R$ 68,90 (em promoção por R$ 51,67) – Importador: Carrefour Comércio e Indústria Ltda.-  vinho de cor rubi violácea sem muita concentração e sem halo de evolução. No olfato apresenta notas florais (rosas), tabaco, cedro, algum terroso e frutas secas. Como foi decantado por mais de duas horas apresentou também aromas de fruta em compota (goiabada). Na boca, seus taninos viris, austeros e bem trabalhados se destacam porque encontram contraponto na acidez salivante, no álcool elevado (13,5%) que aquece o palato e que te convida para o próximo gole. Sem nenhuma doçura, é longo e termina com alguma adstringência que se suavizará com mais alguns anos na garrafa. Servido às cegas (pirata) numa degustação de barberas italianos, se saiu muito bem e obteve pontuação mais elevada do que alguns vinhos da bota. Apenas um degustador ao ser informado de que havia um “pirata” se atreveu e acertou se tratar de um vinho chileno, porque a par de ter apresentado alguma tipicidade aromática, mostrou um traço característico dos chilenos produzidos em regiões quentes que são os aromas de fruta em compota.  É apropriado para acompanhar a cozinha italiana (ossobuco, perna de cabrito, etc.) e obrigatoriamente deverá ser decantado por no mínimo uma hora e meia antes da degustação. Avaliação: 87/100++

Visita à vinícola Cousiño-Macul: degustamos um vinho que não é tinto, nem branco e nem rosado

A segunda vinícola visitada na nossa viagem para o Chile foi a moderna e tradicional Viña Cousiño-Macul, estabelecida em Peñalolén, nas cercanias de Santiago e que contou, desde 1991, com a importante assessoria do enólogo chileno Matías Rivera (enólogo do ano de 2006) até recentemente e que foi responsável pelo lançamento de alguns rótulos bastante conhecidos entre nós (Antiguas Reservas Merlot e o Super Premium Lota).

 

Logo no início da visita, debaixo de trinta graus em pleno meio-dia, o simpático guia Josué começou o tour pela vinícola me servindo um esquisito (exquisito também) vinho de cor acobreada bastante aromático. Com toda naturalidade perguntei-lhe: “é um rose??” Com firmeza, Josué respondeu-me que “não”. Explicou se tratar de um novo vinho, comercializado somente no Chile, denominado Gris (cinza), um cabernet sauvignon da safra 2008, Vale do Maipo, vinificado como vinho branco (as cascas não ficam em contato com o mosto durante a fermentação) e muito fácil de beber. 

 

Não me agüentei e durante o tour pelas frias caves velhas dessa vinícola de mais de 150 anos, onde pude visualisar garrafas com plaquinhas indicativas de safras “mucho antíguas” (p.ex. 1937 – uma inconteste prova de que também nos países do chamado Novo Mundo do vinho também são produzidos vinhos de longuíssima guarda), para pedir ao guia mais uma tacinha desse curioso vinho, que de plano não me foi negada.

 

Pois bem. O contra-rótulo informa-nos o seguinte: “Este cabernet sauvignon elaborado como vinho branco foi fermentado em baixas temperaturas e possui uma leve cor damasco resultante da maceração das uvas. É um vinho com aromas de frutas maduras e na boca é ligeiramente doce, com acidez bem balanceada e suave. Ideal bebê-lo gelado como acompanhamento de aperitivos e de sobremesas”.

 

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Degustação
O Gris Cabernet Sauvignon 2008 é um vinho festivo, ótimo para o verão, eis que apresenta uma convidativa cor salmão brilhante com tonalidade levemente acobreada, de aromas simples com destaque para as frutas vermelhas e muito leve na boca, onde o frescor e uma discreta mineralidade dão o tom. O álcool elevado (13%) está bem entrosado com a acidez. É um vinho alegre, sem amargor e sem a doçura enjoativa apresentada por alguns rosés (apesar de não ser definido por seu produtor como rosé, se assemelha muito). Seu sabor quase neutro faz dele um coringa como acompanhamento de aperitivos e sobremesas, por isso está correta a sugestão indicada no contra-rótulo. Elaborado para ser bebido ao longo de 2009. Tudo indica que será comercializado no Brasil brevemente.

Preço: $ 1900 (pesos chilenos em 02/09) – aproximadamente R$ 7,40

Avaliação: 85/100