Nebbiolo chileno

É fato inconteste que o Chile produz alguns dos melhores cabernets sauvignons do mundo. Não será exagero dizer que em determinadas faixas de preços seus vinhos continuam imbatíveis, apesar dos avanços qualitativos de outros países na produção de vinhos, notadamente do seu maior rival, a Argentina, que a cada dia nos surpreende com tintos de elevada qualidade.

 

Pois bem. Os chilenos não deixam por menos e num país com mais de 4.000 km de extensão e uma infinidade de terroirs, onde vem sendo produzidos syrahs espetaculares em regiões frias como os Vales de Casablanca e San Antonio (sem olvidar do Vale de Colchágua, terroir apontado como ideal para o cultivo dessa cepa no Chile), carignans do Vale do Maule, cabernets do Alto Maipo (Pirque, Huelquén e Macul), chardonnays do Vale de Limari, sauvignons dos Vales de Casablanca, Leyda, San Antonio e Elqui e ainda outros projetos e que estão por vir e que pretendem mostrar ao mundo o verdadeiro vinho chileno.

 

Nesse contexto e talvez até como resposta aos exigentes consumidores ávidos por novidades, os chilenos estão experimentando de tudo (e, não será exagero dizer com sucesso), desde a prolífica carignan plantada no sul da França e Espanha (cariñena) até nebbiolo plantada no distante e esquecido Vale do Maule, berço de alguns dos parreirais mais antigos existentes no Chile, onde estão plantadas videiras muito velhas de malbec, tannat, carménère, cabernet sauvignon, etc.

 

Atualmente somente dois produtores chilenos se aventuram com essa difícil cepa originária do Piemonte italiano: Botalcura – Nebbiolo 2005, Valle Del Maule e Cremaschi Furlotti – Reserva Privada Nebbiolo 2004, da mesma região. E, dentro da melhor tradição chilena de nos oferecer vinhos honestos por preços justos, o segundo vinho que tem custo de $ 10.000 pesos chilenos (aprox. R$ 39,00 em 02/09), se mostrou uma opção menos onerosa e viável para se conhecer a cepa. Seu contra-rótulo nos informa que: “Nebbiolo é uma uva antiqüíssima originária dos Vales do Piemonte, na Itália.

 

Seu nome vem da palavra “nebbia” que em italiano significa neblina, em referência à bruma que envolve a cidade de Alba, durante o outono. Trata-se de um vinho de grande caráter, encorpado, de cor roxa rubi com tons marrons alaranjados. Tem aromas de cerejas secas, perfumado com toques florais de rosas e de folhas de tabaco. No paladar, apresenta grande estrutura e profusão de taninos que permitem uma longa permanência na garrafa. Recomenda-se servir este vinho com carnes vermelhas”.

 

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Degustação
O Cremaschi Furlotti Reserva Privada Nebbiolo 2004 é um vinho que tem cor rubi violácea sem muita concentração e sem halo de evolução. No olfato apresenta notas florais (rosas), tabaco, cedro, algum terroso e frutas secas. Como foi decantado por mais de duas horas apresentou também aromas de fruta em compota (goiabada). Na boca, seus taninos viris, austeros e bem trabalhados se destacam porque encontram contraponto na acidez salivante, no álcool elevado (13,5%) que aquece o palato e que te convida para o próximo gole. Sem nenhuma doçura, é longo e termina com alguma adstringência que se suavizará com mais alguns anos na garrafa. Servido às cegas (pirata) numa degustação de barberas italianos, se saiu muito bem e obteve pontuação mais elevada do que alguns vinhos da bota.

 

Apenas um degustador ao ser informado de que havia um “pirata” se atreveu e acertou se tratar de um vinho chileno, porque a par de ter apresentado alguma tipicidade aromática, mostrou um traço característico dos chilenos produzidos em regiões quentes que são os aromas de fruta em compota.  É apropriado para acompanhar a cozinha italiana (ossobuco, perna de cabrito, etc.) e obrigatoriamente deverá ser decantado por no mínimo uma hora e meia antes da degustação.

Preço: R$ 68,90 (em promoção por R$ 51,67)

Importador: Carrefour Comércio e Indústria Ltda.

Avaliação: 87/100++

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