Monthly Archives: agosto 2009

Sauvignon Blanc do Vale de Bio Bio

Sauvignon Blanc Gracia Luminoso 2008

Sauvignon Blanc Gracia Luminoso 2008

 

O vinho escolhido para este post é um sauvignon blanc chileno denominado “Luminoso Reserva 2008”, da “Gracia de Chile”, elaborado com uvas de umas das regiões mais distantes do país andino: o promissor Vale de Bío Bío, o mais austral dos vales produtores chilenos porque está situado a 500 km ao sul de Santiago e que demonstra que a cepa tem plenas condições de evoluir nessa região de clima ameno, de invernos suaves e chuvosos. Os verões são mais frescos que outros vales do país devido à sua latitude. Isso faz com que as uvas atinjam seu ciclo lentamente, conservando seu frescor, intensidade de sabores e de aromas. O solo da região contém uma expressiva quantidade de areia e de pedras, o que permite obter de maneira natural rendimentos baixos. A altura da Cordilheira dos Andes baixa consideravelmente com menores temperaturas a determinar que a colheita ocorra duas semanas depois das verificadas nas regiões mais quentes e o resultado do cultivo principalmente de uvas brancas como riesling, gewürztraminer, sauvignon blanc e chardonnay são bastante animadores. A pinot noir também é cultivada com algum sucesso.

 

 

 

 

A vinícola “Gracia de Chile” faz parte do conglomerado “Corpora Viñedos e Bodegas” ao qual pertence as Viñas  Agustinos, Canata e Veranda.  O atual importador é a rede de supermercados “Wal-Mart”, onde esse vinho pode ser encontrado com alguma facilidade por preço acessível: R$ 14,98. A característica principal da Gracia de Chile segundo Hugh Johnson (Guia de Vinhos de Bolso – edição 2008), é “possuir vinhedos desde Aconcágua até Bío Bío”, e entre outros vinhos,  o renomado expert britânico cita este Sauvignon Blanc como um dos “melhores”.

 

O contra-rótulo informa que: “as uvas para nosso Sauvignon Blanc Luminoso foram colhidas nas primeiras horas da manhã, para preservar seu caráter de fruta fresca. Aromas dos verdes da floresta e de melão destacam-se pelas notas cítricas de limão de pomelo no paladar, que é suave e bem equilibrado, com um final fresco. Ideal para beber como aperitivo e no acompanhamento de peixes e mariscos em geral. Beber entre 8 e 10°C”.

 

Degustação.

Atraente cor amarelo verdeal intenso e brilhante. No nariz, os 13,5% de álcool estão integrados e o aromas que se destacam são os florais, com uma pontinha de dama-da-noite e mel. Depois de algum tempo as tradicionais notas verdes da casta e a  fruta cítrica aparece, mas o perfil aromático lembra um sauvignon de clima quente por conta do predomínio das notas florais ocupando o espaço das vegetais. Na boca é um vinho que se destaca por seu frescor que lhe dá alguma suculência e nesse particular  se aproxima dos vinhos de Casablanca, San Antonio e Leyda, porém, fica a dever na mineralidade. Redondo, pleno, macio, persistente, dá espaço para a fruta com sugestões cítricas – destaque para grapefruit (toranja). Termina com pequeno amargor vegetal dentro do limite do aceitável. Seu retrogosto também é ligeiramente herbáceo.   

O Sauvignon Luminoso é um vinho franco, direto, fácil de beber, de boa tipicidade porque consegue exprimir o caráter varietal da cepa e que conta com um fator atraente para o consumidor: sua relação preço-qualidade é bastante favorável, porque se hipoteticamente for comparado com outros sauvignons da mesma faixa de preço irá se destacar por conta de sua qualidade. Não vai ganhar complexidade na garrafa, todavia, poderá ser consumido despreocupadamente nos próximos doze meses. Por fim, destaco que harmonizou bem com a cremosidade de um quiche de alho poró.

Avaliação: 86/100  pts.    

Preço: R$ 14,98 (03.08.2009)

Wal-Mart Supercenter Granja Vianna – Rod. Raposo Tavares nº 23.033 (sentido SP)

 

Vinho do mês de agosto de 2009: Casa Valduga Cabernet Franc Premium 2005

Valduga Cabernet Franc 2005

Valduga Cabernet Franc 2005

 

É a terceira uva vermelha de Bordeaux e sua reputação se deve à sua participação no denominado “corte bordalês”, porque é mais leve e não tem os taninos nem a acidez nem a estrutura da Cabernet Sauvignon, mas oferece aromas frescos e frutados e um gosto característico de fruta madura (groselha e amora). Pode ter alguns aromas da Cabernet Sauvignon, como pimenta verde e folhas de groselha, porque amadurece mais cedo e em condições frias, mais completamente do que sua prima distinta. A Cabernet Franc é muito importante na margem direita do Rio Gironda, em Bordeaux, principalmente em St. Emilión, onde é a principal uva do Château Cheval Blanc. Também é cultivada com sucesso no Vale do Loire e na Itália, especialmente no Friuli. No Novo Mundo é cultivada na maior parte dos países produtores, utilizada sempre em cortes, porém, também é vinificada sozinha e aqui no Brasil desempenhou papel importante nas décadas de setenta e oitenta e até hoje é produzida.

  

Eduardo Viotti, autor do “Guia dos Vinhos Brasileiros – 2006 assinala que: “uma das primeiras francesas a dar vinho varietal no Brasil. Embora não tenha a consistência da Cabernet Sauvignon, vai bem: só tem menos corpo, menos cor, menos tudo. No Brasil, funciona para vinhos jovens, leves e frutados e é muito disseminada. As características que a Cabernet Franc assume aqui são mais parecidas com aquelas  que tem no Loire do que as que exibe em Bordeaux, porque seus vinhos são mais leves, de médio corpo para magriço, com pouca estrutura, ideais para serem bebidos jovens, sem muito compromisso com complexidade, sem ficar procurando muita coisa. Vinhos para beber na hora em que chegam às mãos, não guardar”.

 

Pois bem. A sugestão do 32º vinho provado para a Confraria Brasileira de Enoblogs partiu do Confrade Gil Mesquita, do “Vinho para Todos” (vinhoparatodos.blogspot.com).  A Confraria recebeu a adesão de dois novos importantes confrades: Chiquinho Badaró e Fabiana Andrade, respectivamente  do “Vinhos e Vinhas” e “Vim, Vinho, Venci”.  

 

O contra-rótulo informa que: “Premium Casa Valduga são vinhos finos com origem em vinhedos próprios, elaborados obedecendo ao critério de rígida seleção manual das uvas com produção média de 3 kg por planta. Somente disponíveis em safras especiais e premiadas internacionalmente. Um vinho pleno, aveludado e encorpado, de coloração vermelho rubi intenso. Possui bouquet frutado, lembrando framboesas silvestres, licor de cassis com traços florais harmoniosamente mesclados aos aportes de madeira. Longa persistência gustativa. Consumo: 16° – 18° C.”

 

DEGUSTAÇÃO

Casa Valduga Cabernet Franc Premium 2005

Cor rubi violáceo intenso com reflexos púrpuras de tingir a taça, a demonstrar boa extração. Aroma inicial terroso bem característico de alguns vinhos da Serra Gaúcha, secundado por uma leve sugestão mentolada e de eucalipto. Depois de algum tempo na taça, a fruta que estava “escondida” da o ar de sua graça através de uma leve nota de compota de ameixas e de amoras, muito bem distribuída. Álcool generoso (14%). Na boca um vinho forte, de boa presença, taninos presentes de qualidade e com alguma maciez. Mostrou um conjunto bem equilibrado, com a acidez se destacando e com razoável espaço para a fruta, porque a madeira ainda a encobre um pouco mas nada que não possa ser resolvido com mais algum tempo na garrafa onde deverá ganhar complexidade. Outra qualidade é a sua tipicidade, porque se mostrou um vinho denso, que exibe as características da cepa e ao mesmo tempo fácil de beber. Tivesse um pouco mais de fruta e concentração de sabor sua nota seria ainda maior, mas já é um bom começo, porque foi degustado pela terceira vez e mostrou consistência. Dos três varietais tintos dessa linha se mostrou o mais equilibrado. Provar também o chardonnay “Gran Reserva” 2008.

Avaliação: 86/100 pts. +    Preço em SP: R$ 39,90 (em junho de 2009 no Sacolão Obatel 011 3083 2669) ou  www.casavalduga.com.br