Duelo de espumantes no Le Tire-Bouchon

 

Desta vez quem se ausentou (justificadamente) foi o Glauber substituído por Salvador. A coordenação coube ao Sérgio. A reunião ocorreu na noite de 17 de setembro de 2009, no Le Tire-Bouchon, estabelecido na Rua Barão de Tatuí, 285, Santa Cecília, tel 011 3822 0515, sob o comando do sempre atencioso Jean Raquin, para degustação de oito espumantes de diversas procedências.Participaram: Marcos, Julio, Paulo Guerra, Miguel, Waldir, Glauber e Sérgio. 

 

 

Abaixo o menu sugerido pelo Coordenador do mês :

 

 

Entrada – Crostinis de cogumelos com salada verde
e vinagrete de mostarda e como opcional uma taça do Espumante Cave Geisse Brut 2007 – Vale dos Vinhedos – Brasil – R$ 8,00 como acompanhamento.

 

Prato Principal – Confit de pato com mousseline de batata
e alho, manga grelhada e molho de tamarindo e como opcional Château Sulauze Cuvée Prestige 2004 – Provence – R$ 33,00 como acompanhamento.

 

Sobremesa – Panacota de café com creme
de caramelo e amêndoas e uma taça do tinto de sobremesa Mavrodaphne of Patras por R$ 9,00 como acompanhamento.

 

Couvert, entrada, prato principal e sobremesa.
Por pessoa – R$ 72,00

 

 

O tema escolhido “Duelo de Espumantes” não poderia ter sido melhor e isso pôde ser notado pela elevada qualidade dos vinhos trazidos pelo Confrade Sérgio, alguns tão raros que nem contam com importador regular, caso do italiano Franciacorta Cavalleri e do Chandon argentino Baron B.

 

Antes de iniciar os trabalhos o Le Tire-Bouchon serviu um espumante catarinense: Cave Pericó Brut, 12% de álcool, feito de cabernet sauvignon e merlot vinificadas em branco que se mostrou leve, equilibrado, médio frescor e um pouco rústico e de final amargo (84/100 pts.).

 

A degustação transcorreu normalmente e o serviço do vinho foi considerado acima da média porque o sommelier da casa se desincumbiu muito bem ao servir os vinhos na ordem pré-estabelecida (às cegas) com presteza, cuidado e atenção.  A comida também estava boa e o menu degustação foi servido da forma como proposto e aprovado unanimemente pelos comensais. Rendo aqui as minhas sinceras homenagens à equipe do Le Tire-Bouchon Restaurante, que nos proporcionou uma noite inesquecível e que certamente se repetirá. Vale à pena conhecer esse misto de importadora de vinhos, bar à vin e restaurante que tem preços corretos, comida boa e ótimo atendimento com destaque para o serviço do vinho.

 

Abaixo segue a lista dos espumantes em ordem decrescente de escolhas:

 

Cave Geisse Brut  - Brasil

Alma Negra Chardonnay Brut – Argentina

Chandon Excellence Cuvée PrestigeBrut – Brasil

Crémant de BourgogneLouis Bouillot Grande Reserve Brut  - França

Cavalleri Franciacorta Brut – Itália

Baron B  Unique BrutNature – Argentina

Cava Juvée y CampsBrut Nature – Espanha

Champagne Louis Roederer Brut – França

 

 

 

8º – Cave Geisse Brut

Origem: Brasil – Região: Bento Gonçalves – RS – Safra: 2005 – Álcool: 12,5% – Enólogo: Mario Geisse – Uvas: Chardonnay e Pinot Noir – Método de produção: Clássico – Local de Produção: Pinto Bandeira (Bento Gonçalves – RS)- preço: R$ 43,75 (11.08.2009)

Avaliação: 85/100 pts.

 

 

 

 

Alma Negra Chardonnay Brut

Origem: Argentina – Região: Agrelo e Tupungato (Mendoza) – Safra: 2007 – álcool: 12,5% – Enólogo: Alejandro Vigil – Uva: Chardonnay – Método de Produção: Clássico – Local de Produção: Mendoza  - preço: US$ 33,50 (R$ 61,54) – Importadora: Mistral

Avaliação: 86/100 pts.

 

 

 

6º – Chandon Excellence Cuvée PrestigeBrut

Origem: Brasil – Região: (Garibaldi – RS) – Safra: não safrado – Álcool: 12% – Enólogo: Philippe Mével – Uvas: Chardonnay e Pinot Noir – Método de produção: Charmat – Local de Produção: Garibaldi – preço: R$ 85,00

Avaliação: 86,5/100 pts.

 

 

 

Crémant de BourgogneLouis Bouillot Grande Reserve Brut 

Origem: França – Região: Nuits-Saint-Georges – Safra: 2007 – Álcool: 12,5% – Enólogo: Mélanie Mauvage – Uvas: Pinot, Chardonnay, Aligoté e Gamay – Método de Produção: Clássico – Local de Produção: Nuits-Saint-Georges – preço: R$ 89,00 – Importadora: World Wine

Avaliação: 87/100 pts.

 

 

 

Cavalleri Franciacorta Brut

Origem: Itália – Região: Erbusco/Brescia – Safra: 2002 – Álcool: 12,5% – Enólogo: Giampaolo Turra – Uva: Chardonnay – Método de Produção: Clássico – Local de Produção: Erbusco/Brescia  - preço: 32 Euros (Milão – 29.06.2009)  Importador: não tem

Avaliação: 87,5/100 pts.

 

 

 

Baron B  Unique BrutNature

Origem: Argentina – Região dos Vinhedos: Tupungato (Mendoza) – Safra: 2001 – Álcool: 12,3% – Enólogo: Renauld Poirier – Uvas: Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%) – Método de Produção: Clássico – Local de Produção: Agrelo/Lujan de Cuyo (Mendoza) – preço: $ 195 (Buenos Aires – 09.08.08) – Importador: não tem

Avaliação: 88/100 pts.

 

 

 

Cava Juvée y CampsBrut Nature

Origem: Espanha – Região dos Vinhedos: Espiells (Sant Sadurni d’Anoia) – Safra: 2005 – Álcool: 12% – Enólogo: Antonio Orte – Uva: Macabeo (40%), Parellada (40%) e Xarel.lo (20%) – Método de Produção: Clássico – Local de Produção: Sant Sadurni d’Anoia – preço: 13 Euros (Madrid – 30.06.2009) – Importador: Península

Avaliação: 89/100 pts.

 

Champagne Louis Roederer Brut

Origem: França – Região: Reims – Safra: não safrado – Álcool: 12% – Enólogo: Jean-Baptiste Lécaillon – Uvas: Pinot Noir (66%) e Chardonnay (34%) – Método de Produção: Clássico – Local de Produção: Reims – preço: R$ 185,00 (11.08.2009) – Importador: Maison Lafite

Avaliação: 91/100 pts.

 

 

Com base no painel é forçoso concluir que:

 

 

1.- A degustação possibilitou a realização do confronto Brasil X Argentina, aventado pelo especialista José Osvaldo Albano do Amarante no livro “Os segredos do vinho para iniciantes e iniciados”, eis que o ícone platino Barón B Unique Brut enfrentou o Excellénce Reserve Brut, ambos da Moet & Chandon e deu…Argentina!!!

2.- o que se depreende do resultado (degustação às cegas) é que além de não superar o espumante argentino, os espumantes brasileiros não levaram vantagem alguma sobre os europeus fora de Champagne (e estão longe dos champanhes…).

3.- a quarta colocação ficou com o Cavalleri Franciacorta, que confirmou a boa reputação italiana na produção de espumantes, eis que normalmente é apontada como uma das mais respeitadas da Europa. Franciacorta é a única DOCG que regulamenta a produção de espumantes pelo método clássico. É originária da província Lombarda de Brescia. As uvas autorizadas são Chardonnay, Pinot Bianco (Blanc) e Pinot Nero (Noir).

4.-  A Espanha é o segundo maior produtor mundial de espumantes pelo método tradicional e justificou sua fama amealhando a segunda colocação. O Cava Juvée y Camps se destacou por conta de sua mineralidade e equilíbrio gustativo.

5.- Os Champagnes Louis Roederer são provenientes de uma grande extensão de grands crus priviliegiados e normalmente são elegantes, complexos, sutis e longevos. Amiúde, o Champagne Louis Roederer Brut não-vintage tem desempenho superior aos demais de sua categoria. A casa ainda produz o emblemático Cristal (ícone da denominação e divide esse título somente com Dom Perignon e Grande Cuvée da Krug). Ainda produz um destacado Blanc des Blancs Vintage.

6.- Portugal poderia ter participado porque produz bons espumantes. Os das marcas Vértice Super Reserva Bruto Método Clássico e o Herdade do Esporão Brut são conhecidos e relativamente fáceis de encontrar.

 

 

O Confrade Sérgio, além da esmerada seleção de espumantes criteriosamente escolhidos, ainda trouxe dois vinhos tintos adquiridos no exterior para acompanhamento do jantar, a saber:

 

 

 

 

1º) Cornalin – Noble Cépage, Charles Bonvin, Appellation d’Origine Controlée Valais (SUI), safra 2007, 750 ml, 13%, comprado na loja Shop Vin, em Zurique (Suíça), em 09/06/2009. Segundo o Sérgio, “essa loja é enorme e muito sofisticada, com muitas opções do mundo inteiro, especialmente da França e Itália (tinha muito mais vinho francês ou italiano do que austríaco mesmo, embora houvesse muitas opções de vinhos nacionais (deles)”. A Cornalin é considerada a casta tinta típica mais interessante da Suiça (o Sergio disse que tomou outro vinho tinto de outra casta que só existe por lá, chamada Humagne Rouge, leve e aromático, menos frutado que a Gamay e menos complexo que a Pinot Noir).

 

 

2º) Nittnaus Zweigelt Blaufränkisch – Heidelboden Selection, Burgerland (AUT), safra 2007, 750 ml, 13%, comprado pelo Sérgio no supermercado Billa, em Graz (Áustria), em 23/06/2009. Segundo ele, “Esse supermercado faz parte de uma grande rede na Áustria, que trata muito bem os vinhos, todos colocados deitados, salvo um, que ficava num pedestal na frente de cada prateleira, para o comprador poder ler bem o rótulo”. Havia muitas e boas opções, por preços pra lá de acessíveis.

 

 

 

 

 

Por fim, o Sérgio esclarece que “A casta Zweigelt é um cruzamento das castas St. Laurent (também nativa da Áustria) e Blaufränkisch, que vem a ser a tal “resposta austríaca à Cabernet Sauvignon” (não confundir com Blauburgunder, o nome que os austríacos e os suiço-alemães dão à Pinot Noir; “Blau”, em alemão, quer dizer “azul”, “fränkisch” quer dizer “franco”).

 

 

 

Lista dos portais das casas produtoras dos espumantes da degustação, que são os seguintes:

 

http://www.almanegrawines.com.ar/

http://www.cavalleri.it/home.html

http://www.bodegaschandon.com.ar/

http://www.amadeu.com.br/BR/index.html

http://www.champagne-roederer.com/dispatch.html

http://www.chandon.com.br/website/#/variedades/reserve-brut/?

http://www.juveycamps.com/castellano/index.htm

http://www.boisset.fr/fr/corp-familles/m-sit-louis-bouillot.php

 

 

2 Responses to
Duelo de espumantes no Le Tire-Bouchon

  1. Muito boa noite!
    Trabalho em uma loja em São Paulo e tenho uma cliente que está procurando muito o espumante Argentino Baron B, quem importa esse espumante ou onde posso encontrar?
    Grato

    André Santos

    • André,

      O empório mercantil é uma das minhas lojas prediletas. Tem sortimento com preços justos. Sempre que posso a indico.

      Quanto à sua pergunta a resposta é negativa.
      O espumante da degustação foi trazido da Argentina, porque não conta com importação da LVMH, que produz os espumantes Chandon no Brasil e na Argentina. Lá, o Baron B é considerado o melhor ou um dos melhores.

      Veja: 3º – Baron B Unique Brut Nature

      Origem: Argentina – Região dos Vinhedos: Tupungato (Mendoza) – Safra: 2001 – Álcool: 12,3% – Enólogo: Renauld Poirier – Uvas: Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%) – Método de Produção: Clássico – Local de Produção: Agrelo/Lujan de Cuyo – preço: $ 195 (Buenos Aires – 09.08.08) – Importador: não tem
      Avaliação: 88/100 pts.

      Abraço

      Jeriel

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