Monthly Archives: outubro 2009

Finca Altorfer: vinhos de qualidade por preços acessíveis elaborados em escala reduzida com assessoria de Roberto de la Mota

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No dia 28 de outubro, Cátia Betta e Giselda Badelucci, da importadora Wine Lovers, realizaram um almoço para apresentação  dos vinhos argentinos da Finca Altorfer – Viñas Don Martin S/A.

 

 

 

Essa vinícola está situada a 1.000 metros de altitude na região de Alto Agrelo (Luján de Cuyo) em Mendoza e pertence a um grupo suiço. Conta com 60 hectares de vinhedos. O distrito de Luján de Cuyo é muito conhecido por possuir um terroir privilegiado para o cultivo de Malbec e, inclusive, abriga uma DOC.

 

Felix Martin Altorfer, um dos proprietários da vinícola, esteve presente e sempre atento às observações dos presentes e afável no trato, contou um pouco de sua história e apresentou dois de seus vinhos: o varietal Malbec e o corte Malbec/Cab.Sauvignon, que são elaborados de forma artesanal, com uvas cuidadosamente selecionadas e colhidas manualmente.

 

Os dois vinhos foram produzidos com assessoria do enólogo Roberto de La Mota, filho do grande enólogo argentino Don Raul de La Mota (que trabalhou na tradicional Bodega Weinert), ambos internacionalmente conhecidos. Raul foi discípulo de Emile Peynaud e Ribereau-Gayon, estudiosos de enologia preocupados com a produção de vinhos bem elaborados. Já Roberto trabalhou no grupo Chandon da Argentina e foi o responsável pelo sucesso do Cheval des Andes, vinho resultado da parceria da Terrazas de Los Andes e o Chateau Cheval Blanc. Atualmente, além de sua própria vinícola – Mendel Wines – Roberto assessora quatro vinícolas e a Viña Don Martin é uma delas.

 

 

 

O objetivo da Viñas Don Martin S/A é produzir em escala reduzida para alcançar melhores níveis de qualidade. E isso pôde ser notado no estilo dos vinhos, marcados pela influência de Roberto de La Mota.  Ambos apresentaram invejável equilíbrio gustativo privilegiando a fruta, tanto no aroma como no paladar. Os dois vinhos (malbec como o malbec/cabernet sauvignon) têm álcool elevado, mas integrado com os demais elementos. A passagem por madeira é muito curta, apenas três meses, justamente para não encobrir a fruta. O malbec foi mais aromático e intenso no palato, ao passo que o blend foi mais plano nos aromas e não menos complexo por isso. Deu para sentir uma nota mentolada característica da Cabernet Sauvignon no Novo Mundo. Segundo Don Martin, o malbec tem bastante aceitação na sua terra natal – Suíça – onde a versão “Rosé de Malbec” também conta com importante aceitação.  

Don Martin também revelou que no ano que vem pretende lançar um Chardonnay e a linha reserva. Além dos dois vinhos degustados, ainda há três varietais: Syrah, Cabernet Sauvignon e um Rosé que serão degustados noutra oportunidade..

Sobre a região: Alto Agrelo é uma região fria de Mendoza, que faz parte de Luján de Cuyo, região na qual a malbec encontra a sua máxima expressão na Argentina (inclusive foi elevada à condição de DOC). O solo pobre, bem drenado, rico em minerais tem composição ideal e as características geográficas da região concorrem positivamente para o cultivo de videiras. A região também se destaca pela amplitude térmica e as condições climáticas especiais de que se beneficia (seu clima é temperado continental seco, com poucas precipitações durante a época de outono e inverno e mais expressiva durante o verão), são perfeitas para as videiras, que se expressam através de uvas de ótima qualidade, das quais resultam excelentes vinhos que justificam a fama da região.

Nessa primeira degustação foram degustados os seguintes vinhos:

Finca Altorfer – Malbec 2008

Finca Altorfer Malbec/Cabernet Sauvignon 2007

 

 

A linha completa compreende cinco vinhos (safras 2008 e 2009), a saber:

 

Finca Altorfer – Cabernet Sauvignon

Finca Altorfer -Syrah

Finca Altorfer – Malbec Rosé

 

 

 

Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados:

 

 

FINCA ALTORFER – VIÑAS DON MARTIN S.A.

Origem: Argentina – região: Alto Agrelo/Mendoza – safra: 2008 – álcool: 14,9% – uva: Malbec (100%) – preço: R$ 48,00

Rubi intenso de media profundidade com reflexos violáceos. No olfato apresentou muito boa expressão aromática com frutas vermelhas, ameixas e uma leve nota de baunilha com sustentação desses aromas na taça. Na boca se mostrou macio e complexo, com taninos presentes de ótima qualidade e ausência de amargor, acidez na medida, corpo bom, discreta presença de frutas vermelhas e final longo e suave com retrogosto frutado. Vinho que se destaca por sua tipicidade, bem feito, sem excessos e portanto equilibrado. Na sua faixa de preço tem tudo para se constituir numa opção certa porque cresceu à mesa ao acompanhar o famoso “arroz de pato” .

Nota: 88/100 pts. +

 

 

FINCA ALTORFER – VIÑAS DON MARTIN S.A.

Origem: Argentina – região: Alto Agrelo/Mendoza – safra: 2007 – álcool: 14,1% – uvas: Malbec e Cabernet Sauvignon (50% de cada) – preço: R$ 48,00

Rubi violáceo intenso, profundo com leve halo de evolução. No olfato também apresentou ótima complexidade, porém, com menos intensidade com uma pitada herbácea (Cabernet Sauvignon), chocolate, fruta madura, especiarias, ameixas e madeira sem exagero.. Na boca subscreveu integralmente as sensações olfativas porque se mostrou elegante, de taninos macios no seu melhor momento de evolução, corpo delicado com boa integração do álcool, acidez, madeira e fruta. É menos concentrado do que o anterior, porém, se mostrou ligeiramente mais elegante. Termina suave e sem adstringência.

Nota: 87,5/100 pts.

O melhor dos dois lados da Cordilheira: Argentina x Chile

  Reunidos no restaurante paulistano Rosmarino, na noite de 21 de outubro de 2009, os Confrades Waldir, Paulo, Glauber, Miguel, Júlio, Sérgio, quem escreve essas linhas e os convidados Gilberto e Salvador tiveram a oportunidade de aferir a qualidade atual … Read more »

Degustação na Enoteca Decanter – SP conduzida por Guilherme Corrêa: vinhos de Jean-Luc Colombo, apontado como “Revolucionário do Rhône”

Palestra de guilherme Corrêa durante a degustação: didática e objetividade

Palestra de Guilherme Corrêa durante a degustação: didática e objetividade

 

 

Na noite de 20 de outubro, o Sommelier Guilherme Corrêa, realizou nas dependências da Enoteca Decanter em São Paulo, localizada na Rua Joaquim Floriano 838, Itaim Bibi, telefone 3073 0500, uma degustação de vinhos da região francesa do Rhône do festejado produtor Jean-Luc Colombo.

 

Sobre Guilherme Corrêa: natural de Belo Horizonte, recebeu o título de sommelier da Associazione Italiana de Sommeliers – AIS, na Toscana, Itália.  Em 2006, foi escolhido o melhor sommelier do Brasil e repetiu essa façanha em 2009.  Por isso, foi o representante do Brasil no concurso “Concurso Panamericano de Sommeliers”, realizado em maio ultimo na Argentina e chegou a ser finalista. Atualmente, é Diretor Técnico da Importadora Decanter, redige catálogos, “garimpa” novos produtores, organiza cursos, conduz degustações e jantares harmonizados. Tornou-se referência no tema enogastronomia.

 

Sobre o Vale do Rhône: É uma região produtora francesa de grande disparidade climática. Enquanto que o Norte é mais frio (clima temperado de influência continental com bruscas mudanças de temperaturas) e uma única cepa responde por sua produção (Syrah), o Sul é quente, fértil e nele pontificam diversas castas como a própria Syrah, Grenache, Mouvèrdre, etc. No Norte o solo é predominantemente rochoso e por conta do declive e da erosão, são necessários terraços de rocha e estacas de madeira para as treliças. A Syrah, como supramencionado, é a cepa protagonista e o seu cultivo se dá nos cinco “Crus”, a saber:  Côte-Rôtie, Hermitage, Cornas, St-Joseph  e Crozes-Hermitage. Ela apresenta nuances específicas de acordo com a denominação. Na ala das brancas, as principais uvas são a Viognier, Marsanne e Roussanne.  Já o Sul do Rhône responde por 95% da produção e a principal apelação é Châteauneuf-du-Pape, seguida por Gigondas, Vacqueyras, Tavel, Lirac e em nível de produção Cotes-du-Rhône e Cotes-du-Rhône Villages se destacam, assim como Cotes-de-Ventoux. Os vinhos são marcados pelo estilo vigoroso, cálido e se assemelham aos do Languedoc-Roussilon e Provence do que propriamente aos elegantes vinhos do Norte. O clima é mediterrâneo e os verões são secos, quentes e os invernos chuvosos. A Grenache é a base dos tintos em parceria com diversas outras uvas (supracitadas). Os brancos tem menor participação e costumam ser cheios e frutados.

 

Sobre Jean-Luc Colombo.  É apontado, com justa razão, como produtor revolucionário do Rhône. Fixou-se em 1984 na região de Cornas e adotou, logo no início, técnicas modernas de vinificação contrariando o tradicionalismo da região. Usou leveduras cultivadas, desbaste de cachos, desengaço, fermentação curta com longa maceração, envelhecimentos em barricas novas, etc. Utiliza garrafas bordalesas e os seus vinhos possuem estilo mais acessível, portanto, não precisam envelhecer, mas ganham complexidade se isso acontecer. Seus opositores contestam seu estilo, mas na realidade os vinhos de Jean-Luc Colombo procuram expressar o que de melhor pode oferecer o terroir dessa importante região e possuem uma inequívoca proposta gastronômica.

 

 

Sobre a degustação. A qualidade e a tipicidade dos vinhos foram justificadas. Vinhos concentrados, minerais, com boa fruta e principalmente com muita força ligadas à elegância. A região notabilizou-se, no passado, por elaborar vinhos tânicos, mas os vinhos de Jean-Luc Colombo, de estilo moderno ainda carregam a tipicidade da região, com mais fruta madura do que o habitual. São caldos potentes e a maior presença de fruta serve para arredondar os taninos. Conservam a mineralidade transmitida pelos solos predominantemente graníticos, xistosos, etc. Não são baratos mas valem como opção para eventos especiais. Numa faixa de preço mais acessível, o Cotes-du-Rhône se mostrou correto, mas sob a ótica da relação preço-qualidade os destaques são os dois Crozes-Hermitages. Tanto o branco como o tinto esbanjam tipicidade e são superiores a seus congêneres.  Os demais confirmaram a supremacia e o Cornas o mais denso de todos.

 

Cabe salientar que a organização do evento foi impecável e o destaque ficou por conta da rica palestra do Sommelier Guilherme Corrêa e também do serviço do vinho muito elogiado pelos participantes. Aproveito a oportunidade para externar o meu sincero agradecimento aos Srs. Adolar Hermann, Cézar França e João Renato.

 

Nessa degustação, conduzida com singular maestria por Guilherme Corrêa, foram degustados os seguintes vinhos:

 

Viognier La Violette Languedoc VdP d’Oc 2007
Crozes-Hermitage Les Gravières 2007
Côtes du Rhône Les Abeilles Rouge 2006 -
  88/100 pontos e Best Buy na Wine Enthusiast
Crozes-Hermitage Les Fées Brunes 2006 -  89/100 pontos na Wine Spectator
Hermitage Le Rouet 2005 -  91/100 pontos na Wine Spectator
Côte-Rôtie La Divine 2005 -  91/100 pontos na Wine Spectator
Cornas Les Ruchets 2004 -  92/100 pontos na Wine Spectator e 92 pontos na Wine & Spirits

 

Consoante explicação de Guilherme a Syrah é uma uva redutiva e por isso os vinhos necessitam de decantação.

Consoante explicação de Guilherme a Syrah é uma uva redutiva e por isso os vinhos necessitam de decantação.

 

Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados:

Viognier La Violette Languedoc VdP d’Oc  – Jean-Luc Colombo – Origem: França – região: Rhône/Languedoc – safra: 2007 – álcool: 13,5% – uva: Viognier – preço: R$ 56,00
Amarelo palha. Aromas com suaves notas florais (flores brancas) e frutadas com damasco e pêssego. Na boca apresentou corpo médio, madeira integrada (20% do mosto passa por barrica e fermenta “sur lie” por seis meses), alguma mineralidade e ligeira untuosidade. A acidez  baixa é um traço característico dessa casta. Tem caráter particular  com uma leve nota amendôada, fruta madura e termina com um discreto amargor.
Nota: 86/100 pts. 

 

Crozes-Hermitage Les Gravières  –  Jean-Luc Colombo – Origem: França – região: Rhône/Languedoc – safra: 2007 – álcool: 13% – uvas:  Marsanne (70%) e Roussanne (30%) – preço: R$ 95,00 – Palha esverdeado brilhante. Muito perfumado e sedoso no olfato com flores brancas em profusão e uma forte sugestão amendoada. O solo aluvial e pedregoso (seixos rolados) imprime um rico caráter  mineral que cede espaço para fruta madura (damasco, apricot). Sua acidez delicada lhe confere um bom frescor e um bom volume de boca. Termina com uma leve nota cítrica e um discretíssimo amargor que não incomoda. Segundo Guilherme, tem potencial de guarda de até cinco anos.
Nota: 88/100 pts. +

 

Côtes-du-Rhône Les Abeilles Rouge   – Jean-Luc Colombo – Origem: França – região: Rhône/Languedoc – safra: 2006 – álcool:  – uvas: Grenache, Syrah e Mourvédre – preço: R$ 56,00 – Vermelho-púrpura intenso. No olfato apresentou aromas com boa fruta (vermelha) e um leve frescor herbáceo. Na boca o corpo é médio, taninos delicados fundidos na estrutura sólida na qual a acidez se impõe, boa presença de fruta e madeira discreta (20% amadurece seis meses em barricas de carvalho) com média concentração de sabor  e uma pontinha de alcaçuz. Deve crescer com comida e apresentou boa tipicidade. Boa relação preço-qualidade.
Obteve  88/100 pts. e Best Buy na Wine Enthusiast.
Nota: 87/100 pts. 

 

 

Crozes-Hermitage Les Fées Brunes (As Fadas Negras) – Jean-Luc Colombo – Origem: França – região: Rhône/Languedoc – safra: 2006 – álcool: 13% – uva: Syrah – preço: R$ 95,00 – Rubi violáceo intenso. No olfato apresentou especiarias em profusão (pimento-do-reino, cardamomo), nuances vegetais e uma sugestão de alcaçuz. Boca no mesmo diapasão, tânica (qualidade acima da media), robusta e com acento mineral, acidez salivante a prometer um vinho gastronômico. Termina frutado com suavidade. Seguramente o melhor Crozes-Hermitage provado por este escritor e provavelmente um vinho de destaque na sua categoria. À conferir. Para ser bebido já como acompanhamento de carnes de caça, assados, queijos maduros e rabada. Obteve 89/100 pts. na Wine Spectator.
Nota: 88/100 pts. +

 

 

Hermitage Le Rouet – Jean-Luc Colombo – Origem: França – região: Rhône/Languedoc – safra: 2005 – álcool: 13,5% – uva: Syrah (97%) e Marsanne (3%) – preço: R$ 379,00 – com produção de apenas 5000 garrafas anuais e passagem por carvalho francês novo por dezoito meses, apresentou cor rubi intensa com reflexos violáceos sem evolução.  Paleta aromática com notas de caça, couro, defumado e alcaçuz. Na boca a sua entrada é quente e ao mesmo tempo exibe  taninos maciçamente sedosos que provocam intensa salivação com boa presença de fruta madura. Longo e intenso termina com leve adstringência. Tem no mínimo uma década de vida pela frente quando ganhará complexidade, todavia, já pode ser bebido e recomenda-se sua decantação por no mínimo uma hora, já que a Syrah é uma cepa redutiva consoante observação de Guilherme Corrêa. Obteve 91/100 pts. na Wine Spectator.
Nota: 90/100 pts. ++

 

Côte-Rôtie La Divine Jean-Luc Colombo – Origem: França – região: Rhône/Languedoc – safra: 2005 – álcool: 13,5% – uva: Syrah (95%) e Viognier (5%) – preço: R$ 379,00 – Côte-Rôtie significa “encosta tostada ou assada”. A Viognier foi fermentada com a Syrah e o vinho clarificado com clara de ovo para separação dos colóides (que são gelatinosos) que não são depurados apenas com a filtração. Produção de 8000 garrafas. Intensos aromas defumados e florais (jasmim) aportados pela Viognier. Em seguida uma nota de frutas negras e especiarias (Syrah). Majestoso na boca com camadas de taninos densos e aveludados secundados por ótima acidez que lhe confere frescor. Acento mineral com longa persistência gustativa. Final de prova suave e interminável. Verdadeiro paradigma porque concilia de forma absolutamente harmônica potência e elegância. Vinho para ocasiões especiais. Estimativa de guarda 10/20 anos. Obteve  91/100 pts. na Wine Spectator.
Nota: 91/100 pts.++ 

 

Cornas Les RuchetsJean-Luc Colombo – Origem: França – região: Rhône – safra: 2004 – álcool: 14,65% – uva: Syrah – preço: R$ 478,00 – Para alguns Cornas é a ovelha negra do norte do Rhône. Este vinho é a exceção que confirma a regra. É um verdadeiro  “primus inter pares”.  Segue sua descrição. Púrpura intransponível na cor que não apresenta halo de evolução. No olfato apresentou refinadas notas de zimbro, alecrim, jasmim e frutas secas. Álcool generoso. Boca quente, intensa e profunda com taninos mastigáveis e solidamente potentes. A fruta aparece na forma de cerejas e ameixas maduras.  Repetição do acento mineral percebido nos vinhos anteriores e deliciosa acidez gastronômica contrabalançada pelos taninos surpreendentemente  finos e refinadamente poderosos. Termina com alguma rigidez que se esmaecerá com o amadurecimento na garrafa nos próximos 10 anos.  Obteve 92/100 pts. na Wine Spectator e 92 pontos na Wine & Spirits.
Nota: 92/100 pts. ++

 

 

Tabalí Sauvignon Blanc 2006, Fenton 1998 e Santa Júlia Torrontés Tardio 2007

Vinhedos de Cabernet Sauvingon em Waiheke - NZ

Vinhedos de Cabernet Sauvingon em Waiheke - Nova Zelândia

 

Parafraseando uma amigo que também dedica algumas linhas ao vinho:  “escrever sobre vinhos também significa compartilhar experiências”. Abaixo três vinhos do Novo Mundo interessantes nas suas respectivas categorias.

 

 

Tabali Sauvignon Blanc 2006 – Região: Limarí/Chile – álcool: 13% – importador: Grand Cru – Preço: R$ 49,00 (safra atual 2008)

Cor: amarelo pálido com tons esverdeados.

Olfato: apresenta um aroma frutoso, cítrico, de pouca intensidade denunciando o peso dos anos. A tipicidade é boa com toques vegetais típicos da casta no Novo Mundo. Baixa persistência olfativa.

Boca: o destaque fica por conta de sua mineralidade e ausência de amargor. O frescor é razoável e apresenta sugestões cítricas. Corpo pleno e boa profundidade gustativa. Termina sem arestas.

Nota: 87/100 pts.

 

 

Fenton Waiheke – Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc 1998 – Região: Waiheke Island/ Nova Zelândia – álcool: 13% – importador: Premium – Preço: R$ 154,00

Cor: rubi intenso e profundo com halo de evolução

Olfato: fino e elegante com sugestões tostadas, café torrado, licor de cassis e ligeira compota.

Boca: volumosa, densa, marcada pela madeira, taninos na sua melhor fase de evolução e ótima acidez salivante. Largo no meio de boca, com intensidade e profundidade gustativa. A fruta, meio escondida, aparece na forma de compota. Termina com alguma aspereza dentro do aceitável. O seu ponto alto é o equilíbrio do álcool/acidez e taninos (às cegas parecia um vinho europeu), com destaque para sua acidez e taninos balanceados. Não vai evoluir e foi degustado no momento oportuno.

Nota: 90/100 pts.

 

 

Apenas por curiosidade, transcrevo seu longo contra-rótulo: “The Twin Bays Vineyard, owned by Barry & Mef Fenton, is nestled between two lovely north-facing beaches on the Island of Waiheke. Consisting of only a few acres, twin bays is committed to producing a high-quality, small volume Bordeaux style red wine. This 1998 blend is their fifth vintage. 1998 was one of the finest vintages for Bordeaux style red wines Waiheke Island has ever seen. Spring came early and the summer was warm and dry. This meant  that Merlot and Cabernet Franc portion of this wine were harvested in excellent condition. Al three portions were ripe and flavour some and showed excellent colour and structure. A deeply coloured wine, almost black at the centre  with a bright  crimson rim. The nose exhibits ripe cassis notes interming with toast and vanilla from oak aging. The wine is weighty with  na impeccable tannin/acid/fruit balance and  a lengthy finish. A good prospect for the cellar.”

 

Sta. Julia Torrontés Late Harvest safra 2007: mais equilibrado do que nas versões anteriores

Sta. Julia Torrontés Late Harvest safra 2007: mais equilibrado do que nas versões anteriores

 

 

Santa Julia “Tardio” Last Harvest Torrontés 2007 – Região: Maipú/Mendoza – álcool: 9,5% – importador: Ravin – preço: R$ 39,00

Cor: amarelo palha na transição para o dourado.

Olfato: típico da casta com notas florais, abricot e uma ponta cítrica com boa sustentação na taça.

Boca: o ataque inicial é doce, todavia, é um vinho equilibrado e mesmo o seu baixo teor alcoólico não assusta e a sua correta acidez evita o efeito “empalagoso” de que falam os argentinos. Degustado em versões anteriores não mostrou tanta harmonia como nesta versão. Sua concentração de sabor o torna guloso, porque tem profundidade gustativa e boa permanência no palato. Uma nota cítrica se faz presente no fim de boca. A torrontés também possibilita a produção de bons vinhos de sobremesa como este. Seguramente, na sua categoria,  um dos melhores “late harvest” produzidos na Argentina na atualidade.

Nota: 88/100 pts.

 

Contra-rótulo: “A delicate, sweet wine with pear, apricots and citrus aromas. It will drive your taste buds nuts with fresh fruit and honey flavours. Serving suggestions: In Argentina  we enjoy  it with dulce de leche pancakes, vanilla ice cream or cheeses.” 

 

“Familia Zuccardi have spent over 40 years establishing word class vineyards in Mendoza. Today, ou Santa Julia range – named  after José Zuccardi’s only daughter – is a testament in your dedication, passion and energy,  compled with  with the innovattion and experience of ou winemaking”.

Abruzzo by Tradebanc na SBAV-SP, próxima terça, 20.10, às 20:00 horas

 

tradebanc

 

 

A jovem importadora Tradebanc, instalada em São Paulo desde novembro de 2008 e contando com o apoio da Câmara do Comércio de Abruzzo, está trazendo para o Brasil vinhos da Itália com exclusividade. Com diversos rótulos em seu catálogo, além da região do Abruzzo a importadora conta com vinhos de excelente qualidade da região de Trento, Sicilia e outras.


Serão apresentados na noite de 20 de outubro de 2009, na SBAV-SP, vinhos de procedência DOC e DOCG de excelente relação preço/qualidade e  vinificados com modernidade, sem perder a tradição cultural em torno da Itália. 

 

Serão degustados os vinhos abaixo, sob a batuta do Sommelier Alexandre Furniel:
 
Castel FirmianMüller Thurgau 2007  DOC – região: Trentino
Castel FirmianPinot Grigio 2007  DOC – região: Trentino
Azienda San LorenzSirio DOC – Montepulciano d`Abruzzo 2008
Azienda MarramieroInferi DOCG – 2007
Azienda AgricolaMontori  DOCG – Montepulciano d’Abruzzo 2004
Azienda MarramieroDama DOC - Montepu -lciano d’Abruzzo 2007
Azienda San LorenzoOinos DOCG – Montepulciano d’Abruzzo 2005
 
Sócios: R$ 30,00
Não Sócios: R$ 60,00
Jantar: R$ 30,00

 

 

Reservas com Nelson pelo telefone 011 3814 7905 ou pelo e-mail vinho@sbav-sp.com.br

Al. Gabriel Monteiro da Silva 2586 – Jd. Paulistano – SP/SP.

A Evolução dos Vinhos no Oriente Médio – Yatir Forest 2006

Vinhedos da Vinícola Yatir

Vinhedos da Vinícola Yatir em Israel

 

Yatir é uma vinícola israelense relativamente nova, fundada no ano de 2000. Está localizada aos pés de Tel Arad (um monte com uma fortaleza de mais de 3000 anos de idade) no deserto do Neguev, uma região seca e desértica ao sul do país. As uvas utilizadas no Forest provém de uma região mais alta, o deserto da Judéia, nos arredores de Jerusálem. Por isso a vinícola também escolheu o Leão de Judá como símbolo. O Forest, vinho TOP e ícone da vinícola é um corte bordalês, basicamente de Cabernet e Merlot e que pode ser acrescido de Syrah e/ou Petit Verdot, dependendo da safra. Foi o vinho israelense que recebeu a maior nota de um crítico influente – 93/100 pts. da Wine Advocate – safra de 2003.  Provamos o da safra de 2006, composto de 50% CS, 38% Merlot e 12% Petit Verdot.  Passou 16 meses em pequenas barricas de carvalho francesas (1/3 novas) e mais algum tempo em garrafa antes de ser lançado ao mercado. Esse vinho recebeu 94/100 pts. de Daniel Rogov, mais famoso e influente crítico de vinhos israelense, que o considerou como dos melhores israelenses de todos os tempos. É um vinho Kosher, sendo que a única diferença dele para um vinho comum é a de ser supervisionado e manuseado apenas por judeus religiosos.

 

 

Vinhos Yatir

Vinhos Yatir

 

 

 

Degustação –  Yatir Forest 2006

Purpura escuro e límpido. Aromas complexos com destaque para frutos negros (amoras, cassis), floral e café. Em boca revela-se intenso, expansivo e generoso ao mesmo tempo demonstrando elegância e alguma finesse. Taninos em profusão, macios, álcool generoso (14,5%), acidez na medida e boa fruta harmonizando o conjunto. Ainda novo, tem bom potencial de evolução apesar de já agradável de se beber. Final de médio a longo. Um vinho guloso, fácil de beber por seu equilibrio e frescor. Convem decantar.  www.royalwines.com/yatir_forest.jpgTexto e avaliação  de autoria de Carlos Hakim.

Nota: 90/100 pts.

 

Inniskillin Icewine Riesling 2007

Inniskillin Riesling, Vidal e Cabernet Franc

Inniskillin Riesling, Vidal e Cabernet Franc

 

 

 

Icewine é o vinho elaborado com uvas congeladas, como acontece com o Eiswein na Alemanha. Nele, pontificam as uvas Vidal, Riesling e Cabernet Franc (não são as únicas, contudo, são as mais importantes) colhidas tardiamente sendo necessário três dias com oito graus negativos para tal; pode ser um menor período, mas com temperaturas ainda mais baixas. As uvas são prensadas e a água congelada é separada do mosto, que ao ser fermentado produz um vinho de sobremesa de extrema concentração de sabor. Importante destacar que há necessidade de fiscalização de órgão competente na colheita para certificação. O vinho pode passar por madeira e existe também Icewine espumante.

 

O Canadá, na década de 1970, produzia vinhos alcoólicos e doces, todavia, com a fundação da Vinícola Inniskillin no distante ano de 1974, houve modificação desse quadro porque o foco passou a ser a qualidade, eis que o clima canadense é rigoroso, com invernos longos, muitas geadas e a época da colheita curta. Os principais vinhedos estão próximos aos lagos que atuam como moderadores das temperaturas e aqui o clima concorre favoravelmente para torná-lo o maior produtor desse vinho por conta do inverno extenso, maior do que na própria Alemanha.

 

As principais regiões viníferas são a Península de Niágara (Ontário) e o Vale de Okanagan, na Colúmbia Britânica.

 

 

Contra-rótulo

“Inniskilin Icewine, recognized as one of the world’s great wines, is truly winter’s gift to wine lovers. Harvested at the pinnacle of Canada’s crisp winter, the grapes are naturally frozen on the vine and picked when the temperature  drops – 10 C. Only a few drops  of luscious néctar can be  squeezed from each bunch, which is then expertly guided through fermentation to achieve this rich and  alluring specialty wine known as Icewine. Serve chilled with dessert or after a fine meal. Residual sugar  approx.  242 g/litre. Brix at harvest, 38,6 ”

 

 

 

Degustação – Inniskillin 375 ml

Palha brilhante com notas verdeais. Intenso nos aromas com sugestões cítricas (laranja em calda), damasco, pêssego e mel. Um toque de pierre à fusil (pedra de isqueiro) completa a sua convidativa paleta aromática. Na boca, apresenta um forte acento mineral e pleno equilíbrio do álcool (9%), da acidez rica e da fruta sentida no olfato. Untuoso, profundo e longo, destacou-se por conta de seu sabor concentrado e de seu frescor que lhe confere personalidade única. O  destaque fica por conta do equilíbrio álcool/acidez/açúcar. Longe de ser cansativo, é tão concentrado que apenas uma tacinha satisfaz. No retrogosto a repetição das notas cítricas. Deve ser bebido bem gelado e acompanha sobremesas, porém, é tão untuoso que poderá ser a própria sobremesa.

Nota: 92/100 pts.

Registro a colaboração do expert José Luiz G. Pagliari na elaboração deste post.

Nicolas Feuillatte Brut, Terrunyo CS 2003, A Sirio 2001 e Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2006

Nicolas Feuillatte Brut: a tinta pinot meunier participa com 40% do corte. As demais com 40% (pinot noir) e 20% (chardonnay)

Nicolas Feuillatte Brut: a tinta pinot meunier participa com 40% do corte. A pinot noir entra na mesma proporção e a branca chardonnay é minoritária, com 20% apenas.

 

Neste fim de semana prolongado tive a oportunidade de degustar alguns vinhos por conta da efeméride que tem como personagem quem escreve essas linhas…

 

O primeiro é um champagne: Nicolas Feiuillatte Brut “Reserve Particuliére”
Origem: França – região: Chouilly/Épernay – não safrado – álcool: 12% – uvas: Pinot Noir (40%), Pinot Meunier (40%) e Chardonnay (20%) – preço: R$ 162,00

Três são as uvas que normalmente integram o Champagne com a prevalência de duas: Pinot Noir (casta tinta, que atribui características de corpo, profundidade, estrutura e longevidade) e Chardonnay (branca: atribui frescor, delicadeza, cremosidade e elegância). Mas a expressiva participação dessas duas castas no assemblage não é regra absoluta, a escolha vai depender do produtor. Porém, ainda há uma terceira casta tinta importante que às vezes é minoritária: Pinot Meunier (prolífica e de fácil cultivo, harmoniza o assemblage amenizando o caráter marcante das outras duas castas e contribui nos aromas e na formação do bouquet perfumado de alguns exemplares). Há quem sustente que essa última casta em proporções maiores resulta em curta persistência aromática e baixa complexidade gustativa. Todavia, isso não se verificou no exemplar degustado eis que houve uma boa sustentação do bouquet na taça com prevalência de toques frutados e de brioches, provavelmente em decorrência da ampla participação da Pinot Meunier no corte (cerca de 40%). A boca está razoavelmente estruturada, existe harmonia de seus componentes (álcool, açúcar e acidez) e o final é suave. Enfim, um champagne de estirpe apropriado para refeições leves.

 

Degustação
Coloração palha claro de boa intensidade e brilho. Perlage intenso com bolhas pequenas e numerosas. Aroma intenso com notas frutadas (cítrico evidente), florais, algum tostado, brioche e notas de fermento. Corpo médio, boa acidez traduzida no ótimo frescor, repetição do cítrico. Faltou-lhe um pouco de amplitude e profundidade, porém, sobrou-lhe qualidade. Média persistência aromática e gustativa. Tipicidade muito boa. Final tostado e retrogosto com notas

de frutas secas.

Avaliação: 89/100 pts.

 

 

 

Terrunyo Cabernet Sauvignon 2003: até o lançamento da versãor 2006 a melhor safra da década,

 

 

O segundo é um chileno: Terrunyo Cabernet Sauvignon 2003, Vale do Maipo/Pirque, 14,5% álcool, Expand R$ 148,00 – uvas: 10% de Merlot e 10% de Carménère e o restante Cabernet Sauvignon.

Degustação

No portal “90pluswines.com” a safra melhor avaliada desde 1999 foi essa com média  92/100 pts. Muito conhecido no Brasil e desaparecido das prateleiras da “Expand”, este potente cabernet sauvignon do Maipo recebeu 92/100 pts. da Wine Spectator em 31.06.2006. Também arrancou 91/100 pts. da WE e 93/100 pts. da W & S. Segundo informação obtida no portal do produtor, as uvas utilizadas foram plantadas há mais de 30 anos, em 1978. Oitenta por cento do mosto passa dezessete meses em barricas novas de carvalho francês e o restante de primeiro uso. Descrição: Rubi violáceo intenso e profundo com bordas discretamente atijoladas. Nariz aberto com sugestões de cassis, ameixas, eucalipto e baunilha sobre um discreto fundo herbáceo. Boca que subscreve o nariz com sabores que remetem à casta estampada no rótulo. Taninos firmes lhe conferem sólida estrutura. Álcool incorporado com os demais elementos, acidez média, madeira por se integrar, frutas negras com profundidade. Retrogosto vegetal e final longo sem arestas. Apresenta plenas condições de evolução na garrafa nos próximos três anos.

Avaliação: 90/100 pts. ++

 

O terceiro é um Super Toscano: A Sirio IGT 2001, 14% de álcool, uvas: Sangiove (95%) e Cabernet Sauvignon (5%), Zahil – R$ 149,90  

O A Sirio é um verdadeiro Super Toscano, por preço relativamente acessível

O "A Sirio" é um verdadeiro Super Toscano, por preço relativamente acessível

 

 

 

Em curtas palavras, Super Toscano na defininição de Hugh Johnson é o “termo cunhado para vinhos inovadores da Toscana, os quais com freqüência envolvem exclusivamente Sangiovese ou variedades internacionais; barris de 225 litros e preços elevados.” No portal do importador consta a seguinte informação: “A Sirio” é uma homenagem ao avô de Luca Tomasini, o proprietário e enólogo. Com grande riqueza aromática, este vinho muda continuamente, surpreendendo com a quantidade de aromas que surgem aos poucos. Um discreto defumado é perceptível de imediato, enquanto as frutas vermelhas e pretas se mostram fresquíssimas. Na boca é sedoso, com boa acidez e sabores de ervas como alecrim e anis e ainda mais fruta. Em função da busca pela excelência do vinho, é produzido em reduzida quantidade, cerca de 900 caixas anuais. Obteve 88/100 pts. na WS em 15.10.2004

 

 

Degustação

Cor rubi violáceo intenso e profundo com discreto halo de evolução. Nariz complexo com notas de especiarias, chocolate, alcaçuz, baunilha e frutas negras. Boca potente com taninos mastigáveis, acento mineral, ótima acidez, adequada carga de fruta secundada por madeira de boa qualidade. Álcool generoso (14%) absolutamente integrado com os demais elementos (taninos, acidez e madeira). Previamente decantado se mostrou longo, intenso, frutado e terminou com levíssima aspereza.  Untuoso e de longa vida (5/10 anos a contar da safra), ainda vai evoluir arredondar na garrafa nos próximos anos (3/5 anos). Seguramente o Super Toscano mais acessível do mercado e que, degustado às cegas, costuma surpreender.

Avaliação: 91/100 pts. ++

 

 

Quinta do Crasto Reserva: um dos vinhos portugueses mais modernos da atualidade

Quinta do Crasto Reserva: um dos vinhos portugueses mais modernos da atualidade

 

 

O quarto é um português: Quinta do Crasto Reserva Douro 2006, 14,5% de álcool, Vinhas Velhas, R$ 188,00 (safra 2007).

O conceito de vinhas velhas no Douro significa que dezenas de castas foram plantadas misturadas e não apenas as mais famosas como a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. O próprio contra-rótulo esclarece que “o Quinta do Crasto Douro Reserva 2006 foi vinificado  a partir de uma rigorosa seleção de uvas provenientes de vinhas com uma idade média de 70 anos. A sua grande complexidade e concentração resulta das baixas produções das vinhas velhas e do envelhecimento durante dezoito meses em barricas de carvalho francês e americano. Foi engarrafado, sem qualquer colagem ou filtração, estando sujeito, durante o seu envelhecimento, a formar um ligeiro sedimento.   

 

Costumeiramente recebe notas altas da Wine Spectator e de Robert Parker e essa safra não é exceção porque recebeu 91/100 de RP em 31.12.2008 e a safra 2005 ocupou a terceira colocação no Top 100/2008 da WS com 95/100 pts.

 

 

Degustação

Rubi com intensos reflexos violáceos nas bordas. Expressivo nos aromas com frutas vermelhas frescas (cerejas e morangos), forte pitada de baunilha, tostado e o tradicional toque de violetas aportado pela Touriga Nacional. Boca a subscrever o olfato, com taninos finos e ligeiramente adocicados, álcool, madeira, fruta e acidez integrados, excelente concentração de sabor com muita profundidade de fruta – chega a ser guloso – corpo pleno, acidez balanceada e final longo e muito suave, sem nenhuma adstringência. Às cegas costuma surpreender, inclusive derrotando caldos bem mais caros. É um vinho hedonista que não custa barato mas vale cada centavo empregado. Tem ótimas perspectivas de evolução na garrafa nos próximos cinco/oito anos. Decantar por mais de uma hora antes de servir.

Avaliação: 92/100 pts. ++

Vinho do mês de outubro de 2009: Miolo Seleção 2008

Miolo Seleção Tinto 2008

Miolo Seleção Tinto 2008

 

 

Inicialmente faço uma justificativa pela demora na edição deste post. Ocorre que moro na zona oeste de São Paulo e tive dificuldade de comprar meia garrafa do vinho supramencionado. Seu preço nos supermercados é elevado para a sua proposta: numa das grandes redes chega a custar quase R$ 20,00 !  Tal preço exagerado não se compatibiliza com o público-alvo desse vinho. Com algum esforço logrei encontrá-lo no Pão de Açúcar do Shopping Villa Lobos por R$ 13,14 - versão meia garrafa.

 

 

Em nova apresentação e com um rótulo mais bonito, destaco a correta adoção da tampa de rosca, que facilita sobremaneira o serviço do vinho cuja proposta é a de ser bebido o mais jovem possível para preservação de suas características. No corte, tivemos apenas a manutenção da Cabernet Sauvignon cortada juntamente com a Merlot. Lembro-me do lançamento desse vinho numa extinta rede de supermercados aqui de São Paulo (Big/Sonae). O Miolo Seleção era um vinho tão valorizado que vinha embrulhado numa folha de papel com o logotipo do produtor. Recentemente degustei a última garrafa da safra 1996 e apesar de bastante evoluído, ainda estava potável. No contra-rótulo ostentava as castas de então  Cabernet Sauvignon, Merlot, Alicante Bouschet e Pinot Noir.  Apesar do corte inusitado, tinha sabor muito mais concentrado do que a versão atual.  Tinha mais cor, mais aromas e durante muitos anos foi o vinho nacional de carregação que melhor relação preço-qualidade apresentava. Amiúde, nas cantinas paulistanas, era o escolhido porque acompanhava bem massas por conta de seu equilíbrio entre acidez, taninos e álcool. Todavia, o vinho foi vítima de seu próprio sucesso e por conta do lançamento de novas linhas, a sua qualidade inexplicavelmente caiu, como se vê da avaliação constante no final deste post.

 

 

Agora vamos a uma das principais atividades dos enoblogs, que o comentário do Miolo Seleção Tinto 2008, vinho do mês de outubro, e que desta vez foi escolhido pelo Confrade Laércio, do blog Avaliador de Vinhos – http://avaliadordevinhos.blogspot.com, vinho de larga distribuição nas principais redes de supermercados e lojas afins.

 

 

 

Degustação

Rubi médio com reflexos violáceos. Sua paleta aromática lhe confere um perfil unidimensional com pouca expressão de fruta e uma destacada nota terrosa, facilmente sentida em alguns vinhos do Vale dos Vinhedos. Ao final surge um nota adocicada. No palato a sua entrada é suave e, relativamente à versão anterior, parece ter um pouco mais de corpo, mais ainda assim a classificação adequada é de um vinho magro. Os taninos, escassos, são macios. O álcool (12,5%) está controlado, mas a concentração de sabor não é das melhores (como no nariz, faltou fruta), baixa acidez e persistência curta. Termina com alguma rusticidade e um ligeiro amargor, mas é inegável que está melhor do que nas safras anteriores, mas muito distante do que foi no início, porque já chegou a ser uma das melhores opções do mercado.

Nota: 82/100 pts.

Preço sugerido pelo produtor – R$ 15,50 (garrafa 750 ml)

Preço do Supermercado Pão de Açúcar/SP – R$ 13,14 (garrafa de 375 ml)

SP Gourmet Vinhos/Bodega Tacuil: uvas cultivadas a quase 3.000 metros de altitude em Salta, na Argentina, produzem vinhos com 93/100 pts. dados por Wine Advocate de Robert Parker em agosto último

Bodega Tacuil - Salta/Argentina

Foto acima:  Vale de Calchaquíes – Salta

A Provincia de Catamarca está localizada no noroeste da Argentina e possui cerca de 300.000 habitantes. Faz divisa ao norte com Salta, ao nordeste com Tucumán, ao leste com Santiago del Estero, ao sudoeste com La Rioja, ao sul com Córdoba e ao oeste com Chile. A capital é San Fernando do Vale de Catamarca (1.121 km de Buenos Aires), que tem vôos diretos para a capital Argentina. Sua gastronomia é rica e pode ser provada na capital provincial e nos diferentes povoados. Há a possibilidade de organizar visitas a estabelecimentos para o aprendizado do processo de elaboração de doces, queijos de cabra, óleos e principalmente vinhos, porque é uma provincia historicamente produtora de vinhos de mesa, eis que conta com 2.200 hectares de vinhedos. Hoje em dia, todas as esperanças estão postas no Vale de Fiambalá, onde se trabalha seriamente no cultivo de diversas castas nobres com destaque para Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. A Malbec e a Bonarda também são cultivadas mas de acordo com a crítica especializada os melhores resultados são alcançados com a Syrah e a Cabernet Sauvignon, as quais produzem vinhos frutados e sedutores. Com as brancas Torrontés Riojano, Moscatel e Chardonnay, também são alcançados bons resultados.

 

A diversidade de microclimas que caracteriza o território catamarquenho permite o desenvolvimento de uma ampla gama de atividades ligadas à agricultura. A zona vitícola está conformada por duas regiões. Uma voltada para Santa Maria, limite sul do Vale de Calchaquíes. A outra é reconhecida por seu sucesso na produção de vinhos finos e está localizada em Tinogasta, Vale de Fiambalá, responsável por 80% da produção. Há vinhedos plantados a 1.700 metros de altitude, no leste, de solo arenoso argiloso-pedregoso a cerca de 200 km da fronteira com o Chile, com o cultivo de 400 ha de uvas nobres. A  Província de Catamarca integra a região semi-árida da Argentina e suas temperaturas médias anuais são de 20°C no leste e centro, embora se registrem marcas de até 45º C no verão. O clima continental temperado de extraordinária sanidade para as uvas e a amplitude térmica de cerca de 18ºC,  concorrem positivamente para o cultivo de castas nobres, como salientado no início deste texto. Os vinhos são produzidos com a Indicação de Procedência (IP) Catamarca, Denominação de Origem (DO) Vale de Fiambalá.  

 

Importante registrar que Catamarca incorporou-se recentemente como membro ativo ao diretório da Corporação Vitivinícola Argentina (COVIAR), que estuda estratégias para impulsionar a vitivinicultura da Argentina.

 

Nesse contexto, verificamos a existência da Finca Don Diego, estabelecida na Ruta nº 60 – Vale de Fiambalá (1.505 metros de altitude) – turismo@fincadondiego.com, de propriedade da família Centurión, que produz vinhos bastante conhecidos no mercado interno argentino e exportados com êxito para diversos países.

 

A linha de produtos disponíveis no Brasil são: Don Diego Celsius, Don Diego Cabernet Sauvignon Roble e Don Diego Syrah Reserva. Todos são orgânicos e já obtiveram as seguintes premiações: dupla medalha de prata “Vinadino”, Argentina 2005. Menção honrosa na Vinitaly, Verona, Itália 2003 e 2004. 1º. Prêmio duplo ouro, Catamarca, Argentina 2003, medalha de bronze Prodexpo, Moscou, Rússia, 2003 e Wine of Year WAWWJ, Argentina 2002.

 

Por fim, ressalto que a representação desses vinhos no Brasil está à cargo da Importadora Boutique SPGOURMET – Vinhos e Champagnes, com sede nesta capital sito à Rua Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 302 – Vila Nova Conceição, telefone 3375 9576, www.saopaulogourmet.com.br, na pessoa dos sócios diretores Georges Plaskocinski e Hugo Belloc.

 

A seguir a relação dos vinhos degustados (ordem de serviço) na noite de 06.10.2009 – por este redator, por Georges Plaskocinski e pelos experientes degustadores Clóvis Pavan, José Luiz Garaldi, Paulo Guerra, Lucas Garaldi, Roberto Ventura, Rodrigo Santos e Waldir Gandolfi, aos quais externo o meu sincero agradecimento e também ao competente sommelier Mauro Torquato, do Restaurante “Ráscal”, da Shopping Villa Lobos, Capital – SP.

 

Don Diego Torrontés – Orgânico

Origem: Argentina – região: Fiambalá/Catamarca – safra: 2009 – álcool: 13% – preço estimado: R$ 45,00 – palha claro quase translúcido. Perfil aromático típico da casta que faz parte da família das terpênicas (aromáticas). A torrontés encontra sua verdadeira expressão no Noroeste da Argentina. O clone utilizado é juanino. Sugestões florais (jasmim e rosas), lichia e vegetais (grama cortada), com algum ímpeto. Boca equilibrada e harmoniosa, muito boa acidez que se traduz no frescor jovem e vibrante. Média concentração de sabor e ligeiro amargor no fim-de-boca dentro do aceitável. Vinho que encontra melhor resultado como acompanhamento para empanadas salteñas picantes e pratos do sudeste asiático.

Nota: 85,5/100 pts. 

 

   

Don Diego Centurio Yaguarete   Orgânico

Origem: Argentina – região: Fiambalá/Catamarca – safra: 2005 – álcool: 14,5% – uvas: Cabernet Sauvignon (50%), Malbec (20%), Syrah (20%) e Tannat (10%) – preço estimado: R$ 110,00 Com diminuta produção (apenas 1.000 garrafas), este blend de Catamarca passa dezoito meses em barricas de carvalho francês e dezoito meses nas caves da vinícola para melhor evolução da estrutura e desenvolvimento de bouquet. Rubi violáceo intenso e profundo. Inicialmente mentolado (cabernet sauvignon) e depois (aeração) surgiram notas de fruta em compota (goiabada) e marmelada. Média complexidade olfativa. Boca rica, potente e tânica (taninos ainda jovens de boa qualidade), boa concentração de sabor com bastante madeira e algum espaço para fruta (amoras e ameixas). Intenso, tem retrogosto com notas vegetais e final suave. Estruturado e de boa tipicidade, é um vinho que promete boa evolução na garrafa nos próximos anos.

Nota: 87,5/100 pts.

 

 

  

Naiara Malbec Special Edition

Origem: Argentina – região: Mendoza – safra: 2007 – álcool: 13,8% – preço estimado: R$ 100,00 – A malbec é uma casta tintureira e isso fica evidenciado no exame da cor deste vinho, um rubi violáceo intenso, profundo, quase retinto com reflexos levemente púrpura nas bordas. Nariz intenso e bastante típico com sugestões de chocolate, ameixas em calda, especiarias e discreto floral. Com dezesseis meses em barricas francesas, mostrou taninos macios e madeira bem integrada à fruta. Final médio com alguma persistência e retrogosto frutado. Vinho bem elaborado que tem plenas condições de evoluir na garrafa. Para gastronomia de sabores pronunciados.

Nota: 87/100 pts.

 

  

Naiara Malbec Gran Reserva

Origem: Argentina – região: Mendoza (Medrano, Perdriel e Vistalba) – safra: 2006 – álcool: 13,8% – preço estimado: R$ 170,00 – Com vinte e dois meses de barrica e uvas de três vinhedos, este malbec de raça mostrou cor retinta com muita profundidade. Começou fechado no nariz e ao abrir seu perfil aromático mostrou delicadeza com notas florais típicas a lembrar violetas secundadas por baunilha, chocolate, especiarias doces (canela) e frutas negras em maior grau do que o exemplar anterior. Boca que subscreve o olfato. A doçura de seus taninos maduros, redondos e marcantes desenha um perfil no qual o enólogo procurou, com acerto, unir a força da malbec com a maciez adquirida por quase dois anos de passagem por barricas de carvalho francês.  Concentrado e afável, com boa fruta completada por acidez gastronômica, seu final é longo, intenso e marcante. Um vinho para os apreciadores dos grandes e tradicionais malbecs argentinos que procuram se afastar da padronização provocada pelo uso desmedido da alta tecnologia. Já pode ser bebido com os melhores cortes de carnes argentinas, mas inegavelmente terá boa evolução na garrafa nos próximos anos. Por fim, esclareço que a safra em questão foi apontada como uma das melhores da década no país platino.

Nota: 89,5/100 pts.

 

Bodega Tacuil

 

 

A Bodega Tacuil tem dois enólogos: Raúl Dávalos e Salvador Figueroa  e está situada a oeste do Departamento de Molinos,  Provincia de Salta (região eminentemente agrícola), encravada em pleno Valle Calchaquíes, onde os vinhedos variam de 1660 a 2300 metros de altitude, na pré-cordilheira Andina ao Norte da Argentina, excepcional zona da Cordilheira Oriental que se encontra a 250 km da cidade de Salta e a 36 km. do povoado de Molinos por estrada vicinal. Tem uma extensão de 127 km e uma superficie agricultável de 208 ha. aptas para o cultivo de cepas viníferas, com destaque para as brancas Torrontés Riojano e Chardonnay e as tintas Malbec, Cabernet Sauvignon e Tannat.  Plantadas a 2.567 metros de altitude, essas cepas adquirem particularidades próprias do cultivo em elevadas altitudes.

 

Localizada em região privilegiada, livre de fábricas e de indústrias que podem contaminar e/ou alterar as propriedades do solo e a sanidade das videiras, o clima frio e seco na maior parte do ano com baixo índice de pluviosidade somados à baixíssima umidade do inverno , são fatores que concorrem para o máximo desenvolvimento dos sabores e qualidades aromáticas dos vinhos ali produzidos.

 

Um pouco de história.

Don Nicolás Severo de Isasmendi foi Governador e Intendente de Salta e ao morrer deixou como herança à sua filha menor Ascensión Isasmendi, uma serie de fincas, entre elas  Tacuil e Colomé. Por sua vez Doña Ascensión, contraiu matrimônio com Dr. José Benjamín Dávalos, que também seria Governador de Salta, cargo que ocupava quando faleceu em 1867. À partir de então superando uma série de dificuldades, Doña Ascensión adquiriu cepas de qualidade vitis vinífera na França e incrementou os vinhedos, iniciando assim a industrialização da vitivinicultura no Valle Calchaquíes.

 

 

Desde 1989 o negócio familiar está à cargo de Raúl Dávalos que vendeu no ano 2000 a Finca Colomé, ao multimilionário suíço Donald Hess, famoso pelo “Hess Colection” produzido no “Napa Valley”. Todavia, Raul manteve em seu poder a Finca Tacuil que recebeu investimentos com o incremento na superfície de vinhedos até alcançar em 2007 trinta hectares, que hoje oferecem uma capacidade de produção anual de 100.000 litros de vinhos engarrafados sem filtragem cujas uvas para sua elaboração são cultivadas de forma orgânica e irrigadas com águas do degelo das montanhas. 

 

Por fim, Agnaldo Záckia Albert explica que “…situada bem mais ao norte de Mendoza, Salta é um lugar bastante quente e o plantio em altitude é uma forma de compensar sua latitude pouco adequada ao plantio da uva vinífera”.

 

Abaixo segue a descrição e avaliação dos vinhos degustados.

 

 

Bodega Tacuil –  RD –  Malbec – Cabernet

Origem: Argentina – região: Los Molinos/Salta, vinhedos de 10 anos, a 2.500 metros de altura – safra: 2008 – álcool: 14,8% – uvas: Malbec (70%) e Cabernet Sauvignon (30%)  - preço estimado: R$ 190,00 –  Amadurece na garrafa por 12 meses em ambiente controlado antes de sua liberação, sem passagem por madeira. Produção total 8.000 garrafas. Rubi violáceo intenso, profundo, brilhante com reflexos púrpura.  Medianamente complexo nos aromas, nos quais sobressaem notas tostadas e picantes (azeitona preta), discreto herbáceo, especiarias e um leve floral (malbec). Boca densa, rugosa, taninos mastigáveis de ótima qualidade (elegantes), fruta madura profusa e intensa, eis que a não passagem do mosto por madeira tem o condão de evidenciar essa característica. Retrogosto com notas de fruta em compota. Termina harmônico e sem arestas e mais algum tempo lhe fará bem, principalmente para o arredondamento de seus taninos, ainda jovens. Foi o primeiro vinho em quantidade de elogios, por conta de seu estilo frutado, potente e elegante. Robert Parker atribuiu 92/100 pts. para a safra 2007. Estimativa de guarda: 5/6 anos. Decantar no minimo uma hora antes de consumir.

Nota: 91,1/100pts. ++

 

Bodega Tacuil – Doña Ascensión

Origem: Argentina – região: Los Molinos/Salta, vinhedos de 10 anos, a 2.500 metros de altura – safra: 2007 – álcool: 14,9% – uvas: Malbec (83%) e Cabernet Sauvignon (17%) – preço estimado: R$ 280,00Amadurecimento: 5 meses em barricas de carvalho francês e 12 meses na garrafa em ambiente controlado. Produção total 2.500 garrafas. Cor idêntica à do exemplar anterior e perfil aromático um pouco mais complexo, com notas florais (violetas), pitadas balsâmicas, alcaçuz, azeitonas, chocolate e ameixas. Boca expressiva, rugosa, taninos macios e potentes.  Vinho mais encorpado do que o exemplar anterior e de complexidade semelhante, com fruta evidente secundada por madeira de qualidade e bom equilíbrio da acidez, álcool, madeira e taninos. Longo e profundo, termina como começou, apenas com uma pontinha de adstringência. Já está pronto, todavia, apresenta características de longa guarda e poderá ganhar mais complexidade (7/8 anos). Informação adicional: recebeu 93/100 pts. de Robert Parker (vide abaixo) e obteve três estrelas na edição 2009 do ótimo guia argentino Austral Spectator. Foi escolhido pelos presentes como o segundo melhor vinho da noite.Decantar no minimo uma hora antes de consumir.

Nota: 91/100 pts.++

 

 

 

 

 

Wine Advocate Robert Parker August 2009

Tacuil-Davalos   “33 de Davalos 2007”

A Proprietary Blend Dry Red Table wine from Salta, Argentina arker.com #

r

93/100 pts.

The unoaked 33 de Davalos weighs in at 16.1% alcohol. Purple/black in color, it offers up a brooding bouquet of cinnamon, allspice, leather, lavender, black cherry, plum, and licorice. Full-bodied, voluptuous, and rich, this dense, concentrated wine has ample structure, and excellent balance. It will require another 5-7 years in the bottle age to show its full potential.

 

Bodega Tacuil-Davalos is located in the Molinos region of Salta at an altitude of 7200-7800 7200-7800 feet, one of the most elevated vineyards in the world. The Davalos family sold much of their land to Donald Hess for what is now the Colome winery. They retained 520 acres from which they produce four red wines, all produced from their organically grown grapes. All four wines are blends of 80% Malbec and 20% Cabernet Sauvignon from an assortment of clones.

 

Tacuil-Davalos  “Dona Ascension 2007”

A Proprietary Blend Dry Red Table wine from Salta, Argentinar.com

Miller

93/100 pts.2$55 (55)

The 2007 Dona Ascension is the only wine in the portfolio aged in oak. It spent 10 months in new French oak before bottling without filtration. It displays a super-fragrant nose of wood smoke, violets, incense, black cherry, and plum. Dense, opulent, but a bit more restrained, (only 13.9% alcohol), this tasty, structured wine is a more conventional, but impressive effort that will evolve for 5-7 years and drink well through 2022.

 

Bodega Tacuil-Davalos is located in the Molinos region of Salta at an altitude of 7200-7800 7200-7800 feet, one of the most elevated vineyards in the world. The Davalos family sold much of their land to  Donald Hess for what is now the Colome winery. They retained 520 acres from which they produce four red wines, all produced from their organically grown grapes. All four wines are blends of 80% Malbec and 20% Cabernet Sauvignon from an assortment of clones.

 

 

  

 

Tacuil-Davalos  “RD 2007”

A Proprietary Blend Dry Red Table wine from Salta, ArgentinabertParker.com # 184

ler

92/100 pts.  N/A$45 (45)

The unoaked 2007 RD is purple/black in color with a full-blown nose of violets/lavender, underbrush, black cherry, and black raspberry. Full-bodied (15.9% alcohol) layered, sweetly-fruited, and complex, the wine has a velvety texture, ripe tannin (all from the fruit), and superb depth and concentration.

Bodega Tacuil-Davalos is located in the Molinos region of Salta at an altitude of 7200-7800 7200-7800 feet, one of the most elevated vineyards in the world. The Davalos family sold much of their land to Donald Hess for what is now the Colome winery. They retained 520 acres from which they produce four red wines, all produced from their organically grown grapes. All four wines are blends of 80% Malbec and 20% Cabernet Sauvignon from an assortment of clones.

 

 

Tacuil-Davalos  “Vinas de Davalos 2007”

A Proprietary Blend Dry Red Table wine from Salta, Argentina

eRobertParker.com # 184

94/100 pts.

The 2007 Vinas de Davalos is also unoaked and a “mere” 16.9% alcohol! Purple/black colored, it has a room-filling perfume of Asian spices, lavender, leather, black cherry, plum, and licorice. On the palate it is liqueur-like, opulent, succulently flavored, and very long in the finish. These are extraordinary wines produced in a unique terroir with great attention to detail. They will also be controversial because of the alcohol, and their sheer density and viscosity and are certainly not for everyone. Those with na adventurous spirit should seek them out; quantities are very limited.