
Nicolas Feuillatte Brut: a tinta pinot meunier participa com 40% do corte. A pinot noir entra na mesma proporção e a branca chardonnay é minoritária, com 20% apenas.
Neste fim de semana prolongado tive a oportunidade de degustar alguns vinhos por conta da efeméride que tem como personagem quem escreve essas linhas…
O primeiro é um champagne: Nicolas Feiuillatte Brut “Reserve Particuliére”
Origem: França – região: Chouilly/Épernay – não safrado – álcool: 12% – uvas: Pinot Noir (40%), Pinot Meunier (40%) e Chardonnay (20%) – preço: R$ 162,00 – três são as uvas que normalmente integram o Champagne com a prevalência de duas: Pinot Noir (casta tinta, que atribui características de corpo, profundidade, estrutura e longevidade) e Chardonnay (branca: atribui frescor, delicadeza, cremosidade e elegância). Mas a expressiva participação dessas duas castas no assemblage não é regra absoluta, a escolha vai depender do produtor. Porém, ainda há uma terceira casta tinta importante que às vezes é minoritária: Pinot Meunier (prolífica e de fácil cultivo, harmoniza o assemblage amenizando o caráter marcante das outras duas castas e contribui nos aromas e na formação do bouquet perfumado de alguns exemplares). Há quem sustente que essa última casta em proporções maiores resulta em curta persistência aromática e baixa complexidade gustativa. Todavia, isso não se verificou no exemplar degustado eis que houve uma boa sustentação do bouquet na taça com prevalência de toques frutados e de brioches, provavelmente em decorrência da ampla participação da Pinot Meunier no corte (cerca de 40%). A boca está razoavelmente estruturada, existe harmonia de seus componentes (álcool, açúcar e acidez) e o final é suave. Enfim, um champagne de estirpe apropriado para refeições leves.
Degustação
Coloração palha claro de boa intensidade e brilho. Perlage intenso com bolhas pequenas e numerosas. Aroma intenso com notas frutadas (cítrico evidente), florais, algum tostado, brioche e notas de fermento. Corpo médio, boa acidez traduzida no ótimo frescor, repetição do cítrico. Faltou-lhe um pouco de amplitude e profundidade, porém, sobrou-lhe qualidade. Média persistência aromática e gustativa. Tipicidade muito boa. Final tostado e retrogosto com notas
de frutas secas.
Avaliação: 89/100 pts.

O segundo é um chileno: Terrunyo Cabernet Sauvignon 2003, Vale do Maipo/Pirque, 14,5% álcool, Expand R$ 148,00 – uvas: 10% de Merlot e 10% de Carménère e o restante Cabernet Sauvignon.
Degustação
No portal “90pluswines.com” a safra melhor avaliada desde 1999 foi essa com média 92/100 pts. Muito conhecido no Brasil e desaparecido das prateleiras da “Expand”, este potente cabernet sauvignon do Maipo recebeu 92/100 pts. da Wine Spectator em 31.06.2006. Também arrancou 91/100 pts. da WE e 93/100 pts. da W & S. Segundo informação obtida no portal do produtor, as uvas utilizadas foram plantadas há mais de 30 anos, em 1978. Oitenta por cento do mosto passa dezessete meses em barricas novas de carvalho francês e o restante de primeiro uso. Descrição: Rubi violáceo intenso e profundo com bordas discretamente atijoladas. Nariz aberto com sugestões de cassis, ameixas, eucalipto e baunilha sobre um discreto fundo herbáceo. Boca que subscreve o nariz com sabores que remetem à casta estampada no rótulo. Taninos firmes lhe conferem sólida estrutura. Álcool incorporado com os demais elementos, acidez média, madeira por se integrar, frutas negras com profundidade. Retrogosto vegetal e final longo sem arestas. Apresenta plenas condições de evolução na garrafa nos próximos três anos.
Avaliação: 90/100 pts. ++
O terceiro é um Super Toscano: A Sirio IGT 2001, 14% de álcool, uvas: Sangiove (95%) e Cabernet Sauvignon (5%), Zahil – R$ 149,90

O "A Sirio" é um verdadeiro Super Toscano, por preço relativamente acessível
Em curtas palavras, Super Toscano na defininição de Hugh Johnson é o “termo cunhado para vinhos inovadores da Toscana, os quais com freqüência envolvem exclusivamente Sangiovese ou variedades internacionais; barris de 225 litros e preços elevados.” No portal do importador consta a seguinte informação: “A Sirio” é uma homenagem ao avô de Luca Tomasini, o proprietário e enólogo. Com grande riqueza aromática, este vinho muda continuamente, surpreendendo com a quantidade de aromas que surgem aos poucos. Um discreto defumado é perceptível de imediato, enquanto as frutas vermelhas e pretas se mostram fresquíssimas. Na boca é sedoso, com boa acidez e sabores de ervas como alecrim e anis e ainda mais fruta. Em função da busca pela excelência do vinho, é produzido em reduzida quantidade, cerca de 900 caixas anuais. Obteve 88/100 pts. na WS em 15.10.2004
Degustação
Cor rubi violáceo intenso e profundo com discreto halo de evolução. Nariz complexo com notas de especiarias, chocolate, alcaçuz, baunilha e frutas negras. Boca potente com taninos mastigáveis, acento mineral, ótima acidez, adequada carga de fruta secundada por madeira de boa qualidade. Álcool generoso (14%) absolutamente integrado com os demais elementos (taninos, acidez e madeira). Previamente decantado se mostrou longo, intenso, frutado e terminou com levíssima aspereza. Untuoso e de longa vida (5/10 anos a contar da safra), ainda vai evoluir arredondar na garrafa nos próximos anos (3/5 anos). Seguramente o Super Toscano mais acessível do mercado e que, degustado às cegas, costuma surpreender.
Avaliação: 91/100 pts. ++

Quinta do Crasto Reserva: um dos vinhos portugueses mais modernos da atualidade
O quarto é um português: Quinta do Crasto Reserva Douro 2006, 14,5% de álcool, Vinhas Velhas, R$ 188,00 (safra 2007).
O conceito de vinhas velhas no Douro significa que dezenas de castas foram plantadas misturadas e não apenas as mais famosas como a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. O próprio contra-rótulo esclarece que “o Quinta do Crasto Douro Reserva 2006 foi vinificado a partir de uma rigorosa seleção de uvas provenientes de vinhas com uma idade média de 70 anos. A sua grande complexidade e concentração resulta das baixas produções das vinhas velhas e do envelhecimento durante dezoito meses em barricas de carvalho francês e americano. Foi engarrafado, sem qualquer colagem ou filtração, estando sujeito, durante o seu envelhecimento, a formar um ligeiro sedimento. ”
Costumeiramente recebe notas altas da Wine Spectator e de Robert Parker e essa safra não é exceção porque recebeu 91/100 de RP em 31.12.2008 e a safra 2005 ocupou a terceira colocação no Top 100/2008 da WS com 95/100 pts.
Degustação
Rubi com intensos reflexos violáceos nas bordas. Expressivo nos aromas com frutas vermelhas frescas (cerejas e morangos), forte pitada de baunilha, tostado e o tradicional toque de violetas aportado pela Touriga Nacional. Boca a subscrever o olfato, com taninos finos e ligeiramente adocicados, álcool, madeira, fruta e acidez integrados, excelente concentração de sabor com muita profundidade de fruta – chega a ser guloso – corpo pleno, acidez balanceada e final longo e muito suave, sem nenhuma adstringência. Às cegas costuma surpreender, inclusive derrotando caldos bem mais caros. É um vinho hedonista que não custa barato mas vale cada centavo empregado. Tem ótimas perspectivas de evolução na garrafa nos próximos cinco/oito anos. Decantar por mais de uma hora antes de servir.
Avaliação: 92/100 pts. ++





