Vinícola chilena Casas Del Bosque é uma das mais destacadas do Vale de Casablanca

Vista parcial da vinícola Casas del Bosque

A Vinícola “Casas Del Bosque” está situada a apenas 70 km de Santiago e a cada dia se consolida como uma das mais destacadas do Vale de Casablanca, com inúmeras premiações no Chile e principalmente no exterior, ao se qualificar como “Bodega Boutique”. Conta com diversos atrativos turísticos que fazem dela uma importante opção na constelação dos bons produtores chilenos e agora também no enoturismo. Seguindo pela Ruta 68, a sinalização para o Vale de Casablanca é farta. O Vale começa após um longo túnel onde a temperatura ambiente cai cerca de três graus. O local chama-se Hijuelas nº 2 Ex-Fundo Santa Rosa – Casablanca e seu telefone é (56+2) 377 9431 ou rrpp@casasdelbosque.cl

Abaixo as opções dadas aos visitantes:

Tour pela vinícola que compreende: “passeio por vinhedos, sala de barricas e harvest experience”
– Degustações diárias
– Visita ao “El Mirador”
– Restaurante “Tanino Wine Bar & Lunch”
– Wine Shop
– Eventos Matrimoniais realizados no “El Mirador” e “Eventos Empresariais”.

Uma das principais atrações da vinícola é o “El Mirador”.

Do alto do El Mirador a vista de toda a propriedade é privilegiada

Do alto do El Mirador a vista de toda a propriedade é privilegiada

O “El Mirador” é uma elevação existente num dos setores de vinhedos que conta com uma vista privilegiada, na qual toda a propriedade pode ser vista na sua totalidade e onde a fria brisa marítima do Pacífico se faz sentir com intensidade, eis que está a 22 km em linha reta da vinícola. Os passeios por vinhedos são realizados à bordo de uma charrete e terminam no “El Mirador” , com uma degustação na qual o enoturista poderá desfrutar dos vinhos e contemplar uma ampla vista panorâmica de todo o Vale de Casablanca. Neste local existe uma enorme árvore nativa chilena chamada “Espino”, cuja copa está virada para o lado esquerdo por força dos ventos. Essa árvore faz parte dos novos rótulos e realmente embeleza o lugar. Ainda neste local, a vinícola conta com estrutura para realização de casamentos para até 600 convidados com ornamentação dos salões da vinícola e dos vinhedos circunvizinhos.

Prato do restaurante "O Tanino": diversas possibilidades de compatibilização enogastronomica

Prato do restaurante “O Tanino”: diversas possibilidades de compatibilização enogastronomica

O Restaurante “O Tanino” é um local bastante aprazível porque está rodeado de jardins e vinhedos. Ali pontifica a cozinha de autor do Chef Álvaro Larraguibel, que utiliza ingredientes nobres da cozinha chilena. O serviço é atencioso e no cardápio inúmeras opções. No almoço harmonizado com alguns dos vinhos ali produzidos, uma das opções é a Tabla Sauvignon Blanc, que consiste em “Canelones de Locos y Camarones Gratinados com salsa Chardonnay, Albahaca y Queso Grana Padano”. O vinho sugerido, um Sauvignon Blanc da linha – “Pequenas Producciones”, que mostrou compatibilização por conta de sua densidade, concentração de sabor com fruta, mineralidade e uma boa carga de acidez a lhe dar sustentação e adequada harmonização com o prato escolhido.

Há também outras opções de pratos para grupos numerosos como o “Asado Campestre” ou o “Menu Chileno”. Já o “Menu Degustação” permite a compatibilização de até seis pratos com seis vinhos.

Sala de Degustação anexa ao Wine Shop

Sala de Degustação anexa ao Wine Shop

O Wine Shop também chamou a atenção por sua modernidade e sortimento. Há de tudo: desde os vinhos da linha básica “Casa Viva” (Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon) até o Estate Selection e Gran Bosque, passando pelas linhas Reserva, Gran Reserva, Late Harvest e a novel Pequeñas Producciones. Além dos vinhos são comercializados cremes, sabonetes, cachecóis, ponches, copos, chocolates, etc. O pagamento pode ser feito com a moeda local, cartões de crédito ou dólares dos EUA.

Outra foto do Wine Shop

Outra foto do Wine Shop

O “Harvest Experience” ocorre na época da colheita entre 15 de março até 30 de abril. A programação se inicia às 10:30 a. m. com as boas vindas na bodega. O visitante recebe instruções para começar a colher uvas de primeira qualidade. No local de recepção das uvas, cada “vindimador” entregará o que colheu para continuar o itinerário com todos procedimentos de vinificação que se desenvolverão pelo restante do ano. Ao final, terá oportunidade de degustar vinhos com deliciosas empanadas chilenas nos jardins da vinícola, para finalmente almoçar no Tanino Wine Bar & Lunch.

Eventos Empresariais também tem lugar nas dependências dessa vinícola, eis que há espaços com capacidade entre 60 e 120 pessoas. O número mínimo de participantes são dez pessoas. Equipamentos como datashow, amplificador de som, etc. são colocados à disposição dos interessados.

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Informações técnicas.
Localizada no setor denominado “Baixo Casablanca”, portanto, bem próxima da brisa marítima do Pacífico que beneficia esse setor ocidental e mais frio do Vale de Casablanca, os vinhos ali produzidos refletem com bastante fidelidade o terroir local. As principais uvas ali cultivadas são as brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay e as tintas Pinot Noir e Syrah.

Degustação de vinhos no galpão das barricas

Degustação de vinhos no galpão das barricas

É uma bodega que impressiona bastante, eis que a cada nova safra Casas Del Bosque se consolida como uma das vinícolas mais destacadas desse importante vale chileno. É bem verdade que desde o início a vinícola teve por foco a Sauvignon Blanc – em quatro níveis de qualidade e preços bem definidos – Casa Viva, Reserva, Gran Reserva e Pequeñas Producciones, todavia, hoje se destaca por conta de seus tintos de clima frio (Pinot Noir, Syrah e o blend Estate Selection), vinhos de personalidade e muita tipicidade. A última novidade fica por conta da linha “Pequeñas Producciones”, com vinhos frescos, saborosos e que procuram expressar com fidelidade o terroir local. E, como o próprio nome diz, de produção pequena. Esses vinhos foram bem recebidos pela crítica. Ex.: na edição 2009 do Guia Descorchados, os vinhos dessa nova série alcançaram mais de 90/100 pts.: o Sauvignon Blanc 2008 – 93/100 pts. e o Syrah 2007 – 91/100 pts. Também não se pode olvidar que na linha denominada Casa Viva, os vinhos se destacam pela relação preço-qualidade.

Local de recepção das uvas

Local de recepção das uvas

Apenas para ilustrar, o contra-rótulo do Sauvignon Blanc da linha Reserva informa que: “Casas Del Bosque é uma vinícola boutique, situada no Vale de Casablanca. Com um terroir privilegiado e reconhecido por uma produção de vinhos de qualidade Premium. As uvas Sauvignon Blanc que deram origem a este vinho, foram colhidas manualmente em seu momento exato de maturação e são fermentadas em pequenas cubas de aço inoxidável preservando a qualidade do vinho, dando como resultado um vinho de aromas cítricos, na boca torna-se um vinho com excelente persistência aromática e com uma acidez magnífica, em resumo um grande expoente do Vale de Casablanca”.

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Um grande problema da região são as “heladas” que para nós são conhecidas como “geadas” Elas ocorrem principalmente no inverno, já que no setor do Vale de Casablanca na qual a vinícola está localizada as noites são muito frias. Assim, a vinícola conta com um moderno sistema de moinhos acoplados a sensores que começam a funcionar quando a temperatura atinge “zero grau” e o seu funcionamento permite o desfazimento da bruma que se forma e que pode prejudicar as videiras.

Casas Del Bosque Gran Reserva Carignan 2008. O maior vale chileno produtor de vinhos é o Maule, que fica a cerca de cinco horas de carro de Santiago. Esse vale sempre se caracterizou pelo cultivo da uva “país”, muito utilizada na produção de vinhos baratos. Todavia, o Vale do Maule está ressurgindo no contexto vinícola chileno, por conta de novos investimentos e também porque abriga os parreirais mais antigos de cepas clássicas como carignan, malbec, tannat, carménère, merlot e cabernet sauvignon muitas delas vinificadas de forma semelhante ao do Douro português: “Vinhas Velhas”. Pois bem. Na ala dos tintos, a grande surpresa é o Gran Reserva Carignan, com uvas de parreiras de mais de cinqüenta anos do Vale de Loncomilla (Maule) e 14,5% de álcool. No contra-rótulo consta: “producido con uvas de alta calidad do Vale de Loncomilla, fiel reflejo de la variedad, de fruta roja, muy buena acidez y taninos gentiles. Um excelente vino para redescobrir esta cepa”. Não êxitei em comprá-lo e oportunamente também será avaliado neste blog.

Sauvignon Blanc Reserva 2009: pleno de tipicidade com o frescor carcterístico, notas minerais e aromas complexos

Sauvignon Blanc Reserva 2009: pleno de tipicidade com o frescor carcterístico, notas minerais e aromas complexos

Degustação. Comentários Gerais.

Quem escreve essas linhas já conhecia esses vinhos por ocasião da degustação ocorrida na SBAV-SP em 10 de junho de 2008. De lá para cá, houve algumas mudanças, a saber:

a) com a substituição do enólogo anterior pelo francês Benjamin Leroux, os vinhos brancos ganharam mais elegância, principalmente os Chardonnays que agora estão mais frutados, sem excessos e fruta bem evidente com traços minerais aportados pelo terroir do Vale de Casablanca. Essa troca conferiu mais solidez ao portfólio com vinhos de personalidade e cautelosa elaboração sem os habituais excessos, principalmente da madeira sobre a fruta.

b) os Sauvignons, que são a marca registrada da vinícola, que desde o início se focou nesta cepa (quiçá se torne a branca emblemática do Chile), mostraram fruta, mineralidade e elegância. A procura, pelos vinhateiros chilenos, por novos terroirs costeiros está dando resultados auspiciosos. Os vinhos provados – todos de 2009 – são distintos entre si e procuram, a sua maneira, exprimir o terroir local com bastante fidelidade. O Reserva é o mais intenso dos três e exprime os inebriantes aromas da casta com toques vegetais e de frutas tropicais com destaque para maracujá e limão. Já o Gran Reserva apresenta estilo próximo a um bom Sancerre e apenas 10% fermenta em barrica, praticamente imperceptível o que demonstra o bom manejo da madeira pela vinícola. Menos intenso nos aromas mas não menos complexo, às cegas passa por um bom Sancerre ao passo que o Pequeñas Producciones (doravante PP) já evoca um Pouilly-Fumé e de longe é o mais gastronômico dos três.

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c) na ala dos tintos o jovem enólogo Milenko Valenzuela afirmou que a Merlot será utilizada apenas para os vinhos de cortes, porque a vinícola já se firmou com outras duas castas tintas bem adaptadas ao terroir local: Pinot Noir e Syrah. E isso realmente pôde ser notado na degustação, eis que o Pinot Gran Reserva mostrou alguma tipicidade, mas quem brilhou mesmo foi o PP 2008, de estrutura suave e sedosa, portador de acidez gastronômica, taninos macios e muita fruta vermelha no palato. Ainda dá para melhorar, mas tudo indica que a vinícola está no caminho certo. Quanto aos vinhos de Syrah, afirmo com segurança que ao lado dos Sauvignon Blanc foram os melhores vinhos provados nesta oportunidade e as notas conseguidas mundo afora corroboram essa afirmação. É impressionante a adaptação da Syrah, que se destaca no Vale de Colchágua (Apalta), ao frio e ao solo do Vale de Casablanca. Portanto, forçoso concluir que os vinhos das Casas Del Bosque reproduzem com fidelidade as particularidades locais e se destacam pelo equilíbrio e elegância porque são bem feitos.

d) os únicos vinhos que realmente não se destacaram, mas ainda assim estão na média do que se produz no Chile são dois: o Cabernet Sauvignon e o Late Harvest. O Cabernet Reserva 2008 é um vinho que apresentou madeira por cima da fruta e o Gran Reserva 2007 também elaborado com uvas do Vale de Rapel foi típico e equilibrado. O Late Harvest Sauvignon Blanc 2006 ficou aquém do esperado. Apresentou cor evoluída, aromas típicos com mel e uma pitada de botrytis e escorregou na boca no desequilíbrio do álcool, açúcar e baixa acidez. Denso e pesado, sem o desejado frescor para contrabalançar o açúcar, não apresentou a elegância dos outros brancos degustados.

e) outro vinho apontado pela crítica como um dos “melhores tintos de clima frio do Chile” é o Estate Selection, blend de Carménère, Syrah, Merlot e Pinot Noir, porém, acredito que será provado noutra oportunidade.

f) até o fim do ano, o enólogo neozelandês Grant Phelp assumirá a Coordenação Enológica da vinícola.

Vamos agora à análise detalhada de cada vinho degustado:

Parreiras de Syrah próximas da elevação "El Mirador"

Parreiras de Syrah próximas da elevação “El Mirador”

Casas del Bosque Sauvignon Blanc – Reserva
Origem: Chile – safra: 2009 – álcool: 13,5% – região: Vale de Casablanca – uva: Sauvignon Blanc – preço: R$ 54,00
– Amarelo palha claro límpido e brilhante com reflexos levemente esverdeados já a denunciar sua ótima acidez. Engarrafado em agosto e fermentado 100% em cubas de aço inoxidável, é um sauvignon de aromas complexos, com destaque para frutas tropicais como maracujá, grapefruit (toranja) e limão siciliano. Na boca a sua entrada revela um vinho muito fresco, como leve mineralidade, corpo ligeiro para bom e sabor que subscreve o nariz com maracujá e notas de grama recém-cortada. Boa sustentação de aromas e sabores na taça com tipicidade de sobra. Termina sem amargor. Òtima pedida para aperitivos e pescados leves. Tem estrutura para conservar seu frescor até meados de 2011 ou mais. Ótima relação preço-qualidade. À conferir. Avaliação: 89/100 pts.

Casas del Bosque Sauvignon Blanc – Gran Reserva
Origem: Chile – safra: 2009 – álcool: 13,6% – região: Vale de Casablanca – uva: Sauvignon Blanc – preço: R$ 82,00 (safra 2008)
– Dez por cento do mosto fermenta em barricas de carvalho francês por três meses. A cor deste vinho é semelhante à do anterior. Na sua elaboração são utilizados três clones de Sauvignon Blanc, uma das uvas-símbolo da vinícola. Paleta aromática menos intensa, todavia, mais diversificada com toques vegetais típicos da casta, grama cortada, cítricos e uma pitada mineral com boa persistência desses aromas na taça. Boca densa, acidez firme e delicada, concentração de sabor evocando kiwi e frutas cítricas com boa mineralidade. O álcool elevado (13,5%) está integrado à fruta e à acidez conferindo-lhe maciez e suavidade. Termina redondo e sem o amargor vegetal apresentado por alguns sauvignons chilenos. O equilíbrio gustativo evoca um bom Sancerre. Pode ser bebido até 2012 sem preocupação. Produzido numa das regiões mais frias do Vale de Casablanca, arrancou 92/100 pts. do Guia Descorchados 2009. Avaliação: 90/100 pts.

Casas del Bosque Sauvignon Blanc – Pequenas Producciones
Origem: Chile – safra: 2009 – álcool: 13,5% – região: Vale de Casablanca – uva: Sauvignon Blanc – preço: R$ 177,00 –
Neste exemplar apenas 5% do mosto passa por barrica e são utilizados dois clones na sua elaboração. Suas uvas são cuidadosamente selecionadas e cultivadas em solos denominados “Gredas Negras”, que é argiloso de origem lacustre e os 70% restantes são cultivadas em solos que são verdadeiras “ladeiras graníticas” compostos por pedras graníticas semi-degradadas. O resultado é uma produção muito pequena por planta, com uvas pequenas e concentradas. Descrição: aqui a cor é um pouco mais intensa do que os dois vinhos anteriores e muito brilhante. Nos aromas a primeira nota é esfumaçada, bem ao estilo de Pouilly-Fumé. Não tem muita intensidade, contudo, de longe é o mais complexo dos três sauvignons, com nuances doces e finas a lembrar frutas brancas em calda, sugestões vegetais e discretas notas cítricas. Boca densa, ótimo frescor e forte acento mineral com fruta cítrica e alguma oleosidade. Longo, intenso e profundo, com boa integração do álcool à fruta, à acidez é um vinho que convida para o próximo gole e que merece ser guardado em ambiente climatizado para preservação de sua fruta e frescor. Produzido numa das regiões mais frias do Vale de Casablanca, obteve expressivos 93/100 pts. do Guia Descorchados 2009. Seguramente um dos melhores sauvignons chilenos e quiçá do Novo Mundo. Vai apresentar boa evolução na garrafa nos próximos anos. Avaliação: 91,5/100 pts. ++

O Chile vem se destacando na produção de vinhos brancos, muito elegantes e que refletem com fidelidade o terroir local apropriado para o cultivo de cepas brancas

O Chile vem se destacando na produção de vinhos brancos, muito elegantes e que refletem com fidelidade o terroir local apropriado para o cultivo de cepas brancas

Casas Del Bosque – Chardonnay – Reserva
Origem: Chile – safra: 2008 – álcool: 14% – região: Vale de Casablanca – uva: Chardonnay – preço: R$ 54,00 (2007) –
Além dos sauvignons acima descritos, este chardonnay reflete a guinada dada pela vinícola na sua produção, que conta com assessoria de um enólogo francês que sabiamente mudou o estilo privilegiando a fruta e colocando a madeira no seu devido lugar, isto é, com papel coadjuvante e não como protagonista. Descrição: amarelo intenso, brilhante e sem evolução. Nariz fino com notas amanteigadas evidenciando a passagem por madeira (seis meses em barricas francesas), porém, com bastante espaço para fruta (pêra e abacaxi) e deliciosos toques de mel. Na boca tivemos a subscrição das sensações olfativas, eis que exibiu textura firme e gulosa com a mesma fruta do nariz sustentada por boa acidez e álcool controlado. Boa untuosidade, final cremoso e adocicado com ótima persistência gustativa. Vinho de vocação gastronômica: pratos à base de frutos do mar, por exemplo. Seguramente poderá ser guardado por três anos ou mais porque tem estrutura para tanto. Avaliação: 88/100 pts.

Casas Del Bosque – Chardonnay – Gran Reserva
Origem: Chile – safra: 2007 – álcool: 14% – região: Vale de Casablanca – uva: Chardonnay – preço: R$ 67,00
– Vinho cujo mosto passa 70% em barrica francesa por nove meses e 30% fermenta em cubas de aço inox. Amarelo dourado brilhante já com alguma evolução. Nariz fino e elegante com notas de frutas tropicais como pêssego, abacaxi e damasco e discretas sugestões amanteigadas e de avelãs aportadas pela passagem por carvalho francês. Aqui a fruta está mais evidente do que no exemplar anterior. Na boca tivemos a subscrição das sensações olfativas: paladar com fruta delicada, toques amanteigados, abacaxi em compota, álcool generoso, corpo denso, ligeira untuosidade com mineralidade, frescor destacado e final longo, cremoso e adocicado com ótima persistência gustativa. Guloso e de vocação gastronômica, vai compatibilizar com pratos à base de frutos do mar, por exemplo. Avaliação: 89/100 pts. ++

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Casas Del Bosque Pinot Noir – Gran Reserva
Origem: Chile – safra: 2008 – álcool: 14% – região: Vale de Casablanca – uva: Pinot Noir (100%) – preço: R$ 82,00
– De cor rubi intenso com reflexos violáceos, este pinot utiliza dois clones na sua elaboração e mostrou a típica expressão aromática da casta com notas de frutas vermelhas frescas (framboesas, cerejas e morangos), caramelo e delicados toques de baunilha. Na boca sua entrada é cheia e a fruta se destaca, sem arestas, taninos suaves e de textura fina, acidez média para boa, ausência de amargor, álcool elevado sem incomodar, fruta e madeira em sintonia. O amadurecimento durante doze meses em barricas francesas lhe confere estilo que privilegia a elegância. Para um exemplar chileno a sua tipicidade se destaca, sem os costumeiros excessos (madeira e álcool principalmente), o que faz dele uma escolha certa principalmente em relação aos diversos borgonhas genéricos caros e de baixa qualidade existentes no mercado. Apresenta alguma aspereza ao final que deverá ceder com mais algum tempo na garrafa (seis meses/um ano). Pode ser consumido até 2012 se adequadamente conservado de preferência em adega climatizada. Avaliação: 87/100 pts.

Casas Del Bosque Pinot Noir – Pequeñas Producciones
Origem: Chile – safra: 2008 – álcool: 13,5% – região: Vale de Casablanca – uva: Pinot Noir (100%) – preço: R$ 177,00
– A Pinot Noir é uma das castas emblemáticas da vinícola e sua produção é pequena: apenas 500 caixas são produzidas. Cor semelhante ao exemplar anterior só que com mais intensidade. Aromas da casta com notas florais e de frutas vermelhas frescas (framboesas, cerejas e morangos), sous-bois e toques de baunilha. Boca equilibrada e redonda, com bastante fruta e corpo fino e ligeiro. Os taninos e a acidez delicada formam um conjunto sutil e elegante, com boa profundidade e intensidade gustativa. Final suave, harmônico e sem as discretas arestas do vinho anterior. A passagem do mosto quatorze meses em barricas francesas lhe confere estilo compatível com o cuidado na sua elaboração. Nesse sentido, pode-se afirmar que é um vinho de perfil nitidamente europeu, porque se por um lado seus aromas e sabores são menos intensos, de outro são mais finos, complexos e persistentes. Não tem os excessos de madeira e de álcool que acabam por tripudiar sobre a fruta ou mascarar outros defeitos. Produzido numa das regiões mais frias do Vale de Casablanca é um vinho que tem qualidades para se destacar no horizonte dos pinots do Novo Mundo, por conta de sua boa tipicidade. Poderá ser consumido até 2015 se conservado em ambiente climatizado. Avaliação: 89,5/100 pts. +

 

Caixa mista de vinhos Gran Reserva

Caixa mista de vinhos Gran Reserva

 

Casas Del Bosque Cabernet Sauvignon – Reserva
Origem: Chile – safra: 2008 – álcool: 13,5% – região: Vale de Rapel – uva: Cabernet Sauvignon (100%) – preço: R$ 54,00 –
Vermelho rubi violáceo brilhante,  intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz unidimensional com toques vegetais, eucalipto, pouca fruta e leve chocolate. Depois de algum tempo surgiu uma nota de compota – goiabada. Boca em sintonia com nariz, entrada quente e estruturada revelando taninos macios, acidez mediana e alguma sobra de álcool. Tem boa tipicidade mas a madeira está bastante saliente e lhe tira um pouco da elegância. Por isso, forçoso concluir que seu estilo privilegia a potência no lugar da finesse. Ainda não está pronto e merece ser guardado por mais um ano para ver se o tempo faz a sua parte ajustando os seus elementos. Pede uma carne suculenta como acompanhamento. Avaliação: 85/100 pts.

Casas Del Bosque Cabernet Sauvignon – Gran Reserva
Origem: Chile – safra: 2007 – álcool: 13,5% – uva: Carménère (100%) – região: Vale de Rapel – preço: R$ 67,00
– Rubi intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz de média complexidade com as tradicionais notas de eucalipto, café torrado, tabaco e frutas negras. Boca vinosa, macia, potente, expansiva, de taninos suaves e doces e que tem como destaque seu frescor, elegância e alguma harmonia entre fruta e a madeira (doze meses). Termina longo e sem adstringência e seu retrogosto evoca notas vegetais. Já está pronto e apresenta condições de boa evolução na garrafa. Avaliação: 87/100 pts. +

Casas Del Bosque Syrah Gran Reserva
Origem: Chile – safra: 2007 – álcool: 13,5% – região: Vale de Casablanca – uva: Syrah (100%) – preço: R$ 67,00
– Cor rubi violáceo intenso, profundo, quase retinto sem halo de evolução. Nariz complexo com as especiarias típicas da Syrah, notas de canela, noz moscada, couro, tabaco, chocolate, fruta madura sobre discreto fundo herbáceo, tudo apontando boa integração. Na boca sua entrada revela um vinho denso, com o característico toque picante das especiarias normalmente aportadas pela casta, taninos potentes e doces a lhe conferir tipicidade e a demonstrar pleno equilíbrio gustativo com fruta (madura) em evidência. Estilo que conjuga qualidades como elegância e concentração com harmonia. Os taninos se apresentaram aveludados denunciando se tratar de um vinho que está pronto para beber e que nada obstante tem ótima perspectiva de evolução na garrafa. Amadureceu doze meses em barricas francesas de primeiro uso. Um ótimo Syrah do Vale de Casablanca cujo perfil aromático o torna versátil na utilização à mesa. Detentor de relação preço-qualidade. Avaliação: 90/100 pts. +

Casas Del Bosque Syrah – Pequeñas Producciones
Origem: Chile – safra: 2007 – álcool: 13,5% – região: Vale de Casablanca – uva: Syrah (100%) – preço: R$ 177,00 –
Um belo exemplo de tinto de clima frio e que sinaliza até onde os vinhateiros chilenos poderão chegar com essa promissora casta. Cor rubi violáceo intenso e profundo, praticamente retinto com reflexos púrpura. Nariz rico, profundo e muito elegante com aromas de couro, pimenta, fruta madura (amoras) e especiarias doces como canela com boa sustentação desses aromas na taça. Boca de bom volume e de rica acidez. Seus taninos conjugam elegância e potência de forma singular, com muita suavidade e virilidade. É um vinho que prima pelo equilíbrio gustativo porque tem bastante fruta. A madeira e o álcool estão integrados e a concentração de sabor o torna “guloso”. Este Pequeñas Producciones é, seguramente, um dos melhores Syrah do frio Vale de Casablanca produzidos no Chile e que em muitos momentos, para este redator, lembrou um ótimo exemplar do Vale do Rhône. Passou quinze meses em barricas francesas de primeiro uso. Vinho de longa guarda e que ganhará complexidade na garrafa.
Avaliação: 91/100 pts. ++

No centro da foto: Soledad González S. (Diretora de Marketing) e Milenko Valenzuela (Enólogo)

No centro da foto: Soledad González S. (Diretora de Marketing) e Milenko Valenzuela (Enólogo)

Agradecimentos à dinâmica equipe das Casas Del Bosque, que colaborou decisivamente para a elaboração desse post fornecendo todas as informações necessárias:

Anthony Crew – Diretor de Exportações
Milenko Valenzuela – Enólogo
Soledad Gonzáles S. – Diretora de Marketing
Carolina Quezada C. – Gerente de Produto Mercado Interno

Lucas C. Garaldi – companheiro de viagem responsável pelas fotografias que ilustram este artigo.
Washington Flávio de Moraes – Representante Comercial da Obra Prima em São Paulo, importadora dos vinhos “Casas Del Bosque” no Brasil.

Wine Shop

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6 Responses to “
Vinícola chilena Casas Del Bosque é uma das mais destacadas do Vale de Casablanca

  1. Jeriel, ótima aula sobre a Casas del Bosque. Irei para o Chile no ano novo e vou incluir essa vinícola no meu tour. O Cristiano (vivendo vinhos) é que fala muito bem deles. Um grande abraço.
    Daniel

    • Daniel,

      Inclua “obrigatoriamente” uma visita a essa vinícola porque vc irá gostar, tem tudo aquilo que o enófilo gosta: bons vinhos, boa comida, ótima recepção e muito profissionalismo. Fique atento porque vem mais coisa por aí…

      abraço

      Jeriel

  2. cinthia yanikian Responder

    Olá Jeriel, tudo bem?
    Gostei muito do seu blog sobre a casas del bosque, vou p/ o Chile em abril. E vou visitar essa vinícola estava em dúvida de qual tour escolher ( paseos out door mirador) ou( harvest experience vendimia), qual vc me indicaria? E quanto ao restaurante você tem idéia dos valores? Muito obrigada, Cínthia

    • Visitei a vinícola em 2009 depois não retornei mais, portanto, não tenho como te passar
      os valores solicitados. Tente através do e-mail soledad@casasdelbosque.cl.
      Fui recebido por ela, muito gentil e atenciosa. Ou então tente através do e-mail wf.moraes@terra.com.br,
      o Washington é da importadora que traz esses vinhos para o Brasil. Diga que leu a matéria aqui no
      blog.

      Att.

      Jeriel

  3. Excelentes comentários. Estive agora em Janeiro e visitei a vinícola. Não só recomendo como iria novamente. Destaco o atendimento do Jorge (enólogo) que nos atendeu, super educado, atencioso e ainda falava um pouco de português.
    Levamos todos os vinhos que degustamos. Excelente.

    • Priscila,

      Que boa notícia, porque esse artigo já conta com mais de cinco anos sendo uma das primeiras grandes matérias deste blog que até hoje recebe acessos (observo que muita gente que vai visitar vinícolas chilenas se orienta por ele). Mas a grande verdade é que essa vinícola é uma das melhores do Chile na atualidade, pois além da qualidade os vinhos são muito consistentes e a cada safra se tornam melhores. O que ratifica essa alegação são as inúmeras premiações, inclusive espero que tenha trazido para você o Casas del Bosque Syrah Gran Reserva 2012 que ganhou um concurso importante em SP agora em novembro de 2014. Diante de seu depoimento, estou animado para fazer uma nova matéria!

      Obrigado por sua participação.

      Jeriel

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