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Vinho do mês de dezembro de 2009: Cono Sur Bicicleta Riesling 2007

Cono Sur Riesling 2007

Cono Sur Riesling 2007

O comentário do vinho do mês é uma das principais atividades dos enoblogs e desta vez a qualidade do vinho escolhido é ótima cuja feliz decisão foi do Jean do blog O Tanino – http://otanino.blogspot.com, vinho facilmente encontrado nas lojas Expand ou nos supermercados Extra do Estado de São Paulo, 36º vinho da Confraria dos Enoblogs.

O “Guia de Vinhos Chilenos 2003/2004” de Ariel Perez Navarro e Cláudia Fusatto informa que “ Fundada em 1993, a vinícola Cono Sur nasceu com o propósito de criar vinhos inovadores e expressivos que transmitam o espírito do Novo Mundo. Desde então, seus vinhos se diferenciam por expressar a paixão do homem e a riqueza desta terra. Uma combinação que dá como resultado vinhos de grande intensidade aromática e paladares complexos e elegantes. A empresa pretende produzir grandes vinhos e almeja alcançar patamres cada vez mais altos tratando-se de qualidade do produto. A vinícola Cono Sur é uma indústria jovem e de vanguarda, diferenciada pelo uso criativo da tecnologia de ponta, optando pela qualidade e inovação. É uma empresa de estilo próprio, de pessoas apaixonadas e entusiasmadas pelos vinhos que produzem”. Acrescento que atualmente a vinícola citada pertence ao grupo Concha y Toro.

No Brasil as linhas encontradas são “20 Barrels”, “Reserva” e “Bicicleta”. O ícone Ócio Pinot Noir também é importado. Normalmente os vinhos brancos trazem muita fruta fresca sustentada por ótima acidez valorizando o lado refrescante. A vinícola sempre se destacou nos seus pinots – desde o Bicicleta na faixa de R$ 30 (safra 2008) até o Ócio de mais de R$ 300. Na ala dos brancos, o Viognier, que atualmente não é importado mas era até alguns anos atrás, sempre se destacou por conta de sua tipicidade e baixo preço. O Chardonnay Reserva também sempre se destacou – aqui dou meu depoimento recentíssimo, porque degustei o 2005 que exibia muito frescor para um vinho de quato anos, madeira bem dosada e bastante espaço para fruta, enfim, um vinho equilibrado, típico e de preço bastante razoável. Na linha “Reserva” o Syrah e o Sauvignon Blanc também se destacam. Na “20 Barrels” todos se destacam: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. Na “Bicicleta” idem, inclusive o Carménère, com boa presença de fruta e agora, no time dos brancos, o Cono Sur Riesling vem agradando por conta de sua tipicidade, eis que as uvas são originárias do distante Vale de Bio Bio, o mais austral dos vales produtores chilenos porque está situado a 500 km ao sul de Santiago e que demonstra que a cepa tem plenas condições de evoluir nessa região de clima ameno, de invernos suaves e chuvosos. Os verões são mais frescos que outros vales do país devido à sua latitude. Isso faz com que as uvas atinjam seu ciclo lentamente, conservando seu frescor, intensidade de sabores e de aromas. O solo da região contém uma expressiva quantidade de areia e de pedras, o que permite obter de maneira natural rendimentos baixos. A altura da Cordilheira dos Andes baixa consideravelmente com menores temperaturas a determinar que a colheita ocorra duas semanas depois das verificadas nas regiões mais quentes e o resultado do cultivo principalmente de uvas brancas como Riesling, Gewürztraminer, Sauvignon Blanc e Chardonnay são bastante animadores. A Pinot Noir também é cultivada com algum sucesso.

Degustação

Cor amarelo médio com reflexos dourados. No olfato despontam aromas cítricos e minerais (pedra de isqueiro, querosene) com boa sustentação. Na boca é rico, intenso, de ótima acidez e corpo pleno com total subscrição do olfato. Mais alcóolico do que o 2006 (13,5% contra 12,5%), não é menos elegante e tem um pouco mais de corpo, o que deve contribuir para suportar mais tempo na garrafa. Vinho que esbanja tipicidade porque tem qualidade superior ao de alguns Rieslings alemães mais baratos e insossos. Termina doce e seu retrogosto é cítrico.

Nota: 88/100 pts.

Preço – R$ 26,90 (Supermercado Extra)

Mini-degustação de vinhos El Principal na Enoteca Decanter – SP

El Principal: vinho ícone chileno

El Principal: vinho ícone chileno

No dia 2 de dezembro participei de uma mini-degustação nas dependências da Enoteca Decanter em São Paulo, localizada na Rua Joaquim Floriano 838, Itaim Bibi, telefone 3073 0500, de vinhos da região chilena do Maipo, do reputado produtor El Principal.

Sobre o Maipo

É o principal vale chileno reconhecido internacionalmente pela elevada qualidade dos cabernets ali produzidos, muito concentrados e generosos. É uma das regiões mais antigas do Chile (os primeiros vinhedos remontam a 1850), próxima de Santiago, na qual a cabernet pontifica visto que ocupa 70% da região, cujos vinhedos estão bem próximos à Cordilheira dos Andes. As principais “bodegas” chilenas têm sua base nessa região e o setor mais próximo denomina-se Alto Maipo, que de seu turno está dividido em duas sub-regiões: Quebrada de Macul/Peñalolen e Puente Alto, Pirque e Buin. Em ambos a proximidade da Cordilheira provoca baixas temperaturas durante a época do amadurecimento, sobretudo ao entardecer, situação que contrasta com outras zonas onde o calor é maior.

A presença da Cordilheira é mais importante em Puente Alto, Pirque e Buin. A influência fria se nota em algumas localidades de Pirque (Sede da El Principal), onde a amplitude térmica atinge até 20°C, o que possibilita o cultivo de cepas brancas como Chardonnay e Sauvignon Blanc (o Auqui SB 2009 é um vinho que demonstra o potencial dessa localidade), eis que o vento frio que sopra da cordilheira proporciona boa maturidade, balanço e frescor às uvas. Os solos são graníticos, de origem vulcânica, de média fertilidade e profundidade e as videiras têm uma boa drenagem. O clima é temperado, mediterrâneo (quente e seco), com 300 dias livres de geadas e baixíssima pluviosidade, que normalmente se verifica no período de abril a setembro abrangendo o inverno.

Sobre a El Principal

É apontada, com justa razão, como uma das principais vinícolas de Pirque, no Alto Maipo. Os fundadores Jorge Fontaine Aldunarte e o filho de Jean-Paul Valette, Patrick Valette, originário de uma família proprietária de uma vinícola tradicional em Bordeaux – Château Pavie – Saint Emilión, desenvolveram uma técnica comprovada na fabricação dos melhores vinhos franceses, que inclui entre outros o florescimento prematuro, a colheita do fruto ainda verde, desfolhamento no verão, limitação precoce da irrigação, escolha das melhores uvas nas mesas de seleção e concentração natural (Guia Brasileiro de Vinhos Chilenos, ed. 2004, pág 193). Atualmente o empreendimento pretence ao Grupo Döhle Latinoamerika S.A., que após vultosos investimentos, voltou a produzir retrabalhando os vinhedos originais.

Sobre a degustação

Vinhos de qualidade homogênea que expressam o caráter do terroir local, apropriado para o cultivo da Cabernet Sauvignon e da Carménère, com bons resultados para a Sauvignon Blanc. A qualidade média é elevada e nunca é demais repetir que, segundo o respeitado Hugh Johnson, os cabernets chilenos conseguem, mesmo nos níveis mais baixos de preços, um nível de qualidade superior ao de outros países com essa cepa, verdadeiro símbolo desse estreito e delgado país com o qual o Brasil mantém laços fraternos de amizade.

Auqui El Principal Sauvignon Blanc Maipo 2009
Calicanto El Principal 2007
Memorias 2006
El Principal 2006

Auqui Sauvigon Blanc – El Principal – Origem: Chile – região: Maipo/Pirque – safra: 2009 – álcool: 13,5% – uva: Sauvignon Blanc – preço: R$ 44,30
Amarelo palha com reflexos esverdeados. Aromas com suaves notas florais (flores brancas) sobre um fundo herbáceo e de frutas tropicais menos evidentes do que os sauvignons de regiões costeiras. Na boca apresentou corpo médio, bom frescor com subscrição das sensações olfativas principalmente quanto ao estilo, sem a fruta exuberante de outros exemplares chilenos, mas não menos elegante por conta de seu acento mineral. Boa tipicidade. Uma boa pedida para ceviches e pecados em geral, sem prejuízo de poder ser bebido sem acompanhamento. Beber durante 2010.
Nota: 87/100 pts.

Calicanto – El Principal – Origem: Chile – região: Maipo/Pirque – safra: 2007 – álcool: 14,5% – uvas: Cabernet Sauvigon (63%) e Carménère (37%) – preço: R$ 72,70 – Rubi violáceo com reflexos violáceos. Nariz ainda fechado com leves notas tostadas sobre um fundo vegetal e leve sobra de álcool. Na boca sua entrada é forte a revelar um vinho estruturado, taninos jovens reivindicando mais algum tempo na garrafa, boa acidez e alguma fruta madura num conjunto de boa tipicidade e de madeira bem trabalhada – 10 meses em barricas francesas de segundo uso. De boa persistência, termina com leve aspereza dentro do aceitável e seguramente apresentará evolução satisfatória nos próximos 5 anos.
Nota: 85/100 pts. +

Memorias – El Principal – Origem: Chile – região: Maipo/Pirque – safra: 2006 – álcool: 15% – uvas: Cabernet Sauvigon (69%) e Carménère (31%) – preço: R$ 117,20 – Rubi concentrado com reflexos violáceos. No olfato aromas diversificados com frutas negras, especiarias, tabaco e licor de cacau. Boca a confirmar o olfato, taninos sólidos a lhe conferir boa estrutura e acidez balanceada. Concentração de sabor privilegiando a fruta com uma pontinha de madeira aparente. Ao final leve adstringência a recomendar mais alguns anos na garrafa para sua suavização. Retrogosto achocolatado de media persistência. Amadurece 14 meses em barricas de carvalho francês novas (30%) e de segundo uso (70%) e um ano na garrafa antes de sair ao mercado. Tempo de guarda 5/10 anos.
Nota: 87,5/100 pts. +

El Principal – Origem: Chile – região: Maipo/Pirque – safra: 2006 – álcool: 15% – uvas: Cabernet Sauvigon (83%) e Carménère (17%) – preço: R$ 245,00 – Rubi intenso, profundo com reflexos violáceos e leve halo púrpura nas bordas. Nariz esplêndido com uma invejável paleta aromática digna dos grandes cabernets do vale do Maipo: balsâmico, licor de cassis, frutas vermelhas em profusão secundadas por uma sugestão de eucalipto a lhe conferir frescor. Boa persistência desses aromas na taça. Boca expressiva, de taninos opulentamente sedosos, macios, equilíbrio no álcool (apesar dos 15%), acidez, fruta e madeira, eis que tudo está no sítio certo neste guloso e elegante cabernet sauvignon, de persistência aromática longa e de retrogosto intenso com muito chocolate e especiarias. Termina sem adstringência e seu apogeu se dará entre 7/10 anos a contar da safra. É um vinho que pede uma carne suculenta e que deverá ser guardado na adega climatizada onde deverá evoluir lentamente. Amadurece 18 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso e mais um ano em garrafa antes de sua liberação para o mercado.
Nota: 90/100 pts. ++