Dois vinhos da Concha y Toro

A linha Reserva Privada agora conta com um Sauvignon Blanc com uvas do vale de Limarí

A linha Reserva Privada agora conta com um Sauvignon Blanc com uvas do Vale de Limarí

O Chile vem se destacando no cultivo das cepas brancas e atualmente a de melhor resultado é a Sauvignon Blanc, principalmente nas regiões costeiras, as que mais se beneficiam das brisas frias do Pacífico. Atualmente, sem medo de exagerar, os sauvignons chilenos já apresentam nível de qualidade semelhante aos similares neozelandeses e sul-africanos. A última novidade são vinhos da região costeira de Colchágua (Cordilheira da Costa, vinhedos a menos de 10 km do Pacífico), que é apontado com justa razão como um dos melhores terroirs para a Syrah. Os exemplos partem da Casa Silva, com seu Cool Coast 2009 e da Santa Helena com seu Selección Del Directório Gran Reserva Sauvignon Blanc 2009 – Viñedos Costeros (10 km do Pacífico) – Valle de Colchágua. Aqui, vamos analisar um vinho de outra região costeira ao norte de Santiago, nas fraldas do seco deserto de Atacama: o Vale de Limarí, indicado como apropriado para brancas como Chardonnay e Sauvignon Blanc, nesta ordem. Na ala das tintas o destaque fica por conta da Syrah.

Para tanto, o vinho escolhido foi o Casillero del Diablo Reserva Privada SB 2008, Vale do Limarí - 13% álcool - CyT do Brasil – R$ 72,00.

O seu contra-rótulo informa que:

Es un vino exclusive de edición limitada, elaborado a partir de uvas provenientes del Valle del Limarí.

La presencia de vientos frios desde el Océano Pacífico y la abundante mineralidad de sus suelos hacen del Valle del Limarí un lugar único, con un clima privilegiado para producer Sauvignon Blanc de alta calidad.

Color: Amarillo pálido brillante

Aroma: Predominan sus notas minerales y cítricas provenientes del Sauvignon Blanc. Ligera presencia de hierbas, las que aportan frescura al vino.

Boca: Es un vino fresco, elegante, con una rica y equilibrada acidez. Posee ligeras notas a lima y pomelo, permitiendo un final persistente.

Degustação – Casilero Del Diablo Reserva Privada Sauvignon Blanc 2008 – R$ 72,00

Cor: palha claro brilhante

Aromas: típicos da casta com mineralidade evidente sobre notas vegetais (grama cortada e arruda) com média sustentação na taça.

Boca: intensa, forte e dura. Sua acidez marcante não dá espaço para fruta. É refrescante, todavia, pesado, rústico e quase selvagem no palato. Longo e intenso deixa um amargor vegetal que lembra limão siciliano no retrogosto. A própria Concha y Toro tem no seu vasto portfólio vinhos mais equilibrados por preço bem inferior. Será problema da garrafa? Acredito que não porque avaliado alhures também não empolgou. É um vinho correto, que tropeçou na relação preço-qualidade.

Avaliação: 85/100 pts.

Winemakers Lot 2005: um carménère primoroso, sem amargor ou notas herbáceas exageradas

Winemakers Lot 2005: um carménère primoroso, sem amargor e notas herbáceas exageradas

É voz corrente que cada país produtor de vinho deve ter uma identidade vitivinícola. A oportunidade do Chile se apresenta com a Carménère, uva bordalesa que se extinguiu por completo na França em razão da praga denominada Filoxera. Antes disso, foi trazida ao Chile e amplamente cultivada, porém, descobriu-se que grande parte das plantações de merlot eram de Carménère e o Chile é um dos poucos países onde está variedade é produzida e por isso que se converteu na sua bandeira. Seus vinhos são mais escuros que os merlots e ao ser colhida no seu ponto de madurez (gosta do clima quente), apresenta aromas de café, chocolate e terra úmida. Na boca seus taninos são aveludados e doces. Colhida antes de seu ponto de maturação seus aromas são predominantemente herbáceos, com notas de pimentão verde e na boca costuma apresentar um ligeiro amargor que lhe confere personalidade.

Suas principais regiões de cultivo no Chile são: Vales de Cachapoal, Colchagua, Maule e Rapel.

Também podemos afirmar que além do Chile, essa casta também é plantada no norte da Itália e no Brasil e nesses dois países, também foi confundida por muito tempo, só que com outra casta: a Cabernet Franc. Na Argentina, pouquíssimos e corajosos vinhateiros se aventuram com ela.

Em interessantíssimo artigo de autoria de Maria Edicy Moreira, veiculado na edição de número 77 de 2008 da Revista Vinho Magazine, importantes subsídios e informações dessa casta são trazidos pela articulista, senão vejamos: “a variedade se adaptou bastante bem às condições climáticas do Chile que, atualmente, tem a maior área cultivada de carménère no mundo (7.000 ha). Ela é motivo de orgulho para os produtores de vinhos chilenos que estão conquistando personalidade própria como os principais produtores de vinho a partir desta casta

Degustação – Winemaker’s Lot Carménère 2005 – R$ 68,00

Cor: rubi intenso com reflexos violáceos sem halo de evolução

Aromas: paleta complexa e intensa com pimentão, frutas negras sobre uma forte nota tostada. Em alguns momentos chegou a evocar um bom Rioja.

Boca: solidamente estruturada com taninos potentes e ao mesmo tempo sedosos. Chega a ser guloso, com muita força e frescor. Muito macio, a fruta está presente na forma de amoras e ameixas. Complexo e intenso tem no equilíbrio da fruta com a madeira o seu ponto alto. O álcool, na casa dos 14,5%, provoca apenas uma leve aquecida no palato. Termina sem amargor convidando para o próximo gole. Um carménère exemplar e sem os habituais exageros. À conferir. Bem conservado, poderá ser bebido com tranqüilidade até 2012/3.

Avaliação: 88/100 pts. +

5 Responses to Dois vinhos da Concha y Toro

  1. Jeriel me interessou muito o vinho Casillero del Diablo Reserva Privada Sauvignon Blanc, gostaria de fazer uma degustação com ele, sabe onde encontro em São Paulo.Obrigado

    • Agnaldo,

      O vinho foi trazido do Chile em novembro último, todavia, já está disponível aqui
      em SP. Estou aguardando resposta da VCT Brasil para te informar, ok?

      att.

      Jeriel

    • Agnaldo,

      O vinho foi trazido do Chile em novembro último, todavia, já está disponível aqui
      em SP. Estou aguardando resposta da VCT Brasil para te informar, ok?

      att.

      Jeriel

  2. Como consigo o telefone da VCT Brasil? Tenho 30403733 ou 30403737 mas não funcionam!

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