Monthly Archives: janeiro 2010

Valdivieso Single Vineyard 2006: um Cabernet Franc distinto

Valdivieso Cabernet Franc: um dos melhores expoentes da cepa em terras andinas

Valdivieso Cabernet Franc: um dos melhores expoentes da cepa em terras andinas

Estabelecida no Vale de Curicó, a Viña Valdivieso tem como enólogo Brett Jackson Powell e no seu portfolio alguns dos vinhos mais saborosos do país Andino irmão. Apenas para ilustrar, um dos vinhos chilenos mais conhecidos internacionalmente, o famoso Caballo Loco, que dispensa comentários, é produzido pela Valdivieso. A linha de produtos é bastante diversificada e, à exemplo de outros produtores, a Valdivieso é uma prova inconteste de que o Chile não produz somente bons Cabernets Sauvignons. Seu Eclat, um vinho elaborado à partir de uvas originárias do distante Vale do Maule, é uma gostosa mescla de Carignan, Mourvédre e Syrah. Na linha Single Vineyard, os destaques são praticamente todos os rótulos, mas, para não cometer nenhuma injustiça, registro que o Malbec e o Cabernet Franc sobressaem por conta da tipicidade. Nos brancos há um interessante Pinot Grigio.

Entretanto, o vinho escolhido é o Cabernet Franc que, na opinião de quem escreve essas linhas, é um dos maiores expoentes desta cepa no Chile. Por quê? A resposta é simples. A vinícola sempre exibiu um perfeito manejo desta cepa bordalesa que, ao ser bem tratada, produz vinhos excepcionais e o Valdivieso Single Vineyard Cabernet Franc não foge à regra. Além disso, é um vinho consistente e sobretudo confiável, porque safra após safra, sempre exibe a mesma qualidade porque reflete à perfeição o terroir local, ideal para a cepa.

Apenas para elucidação, transcrevo a avaliação deste vinho no Guia Descorchados 2009:

“Jugoso e elegante, viveza en frutas rojas sobre un lado especiado y fresco. La boca brilla en acidez, llena de matices, llena de una fresca acidez y un fundo de frutas negras. Muy, muy bueno.

Maridaje: Confit de pato y especias marroquíes.

Temperatura de servicio: 18 grados y decanter.

Consumo ideal: 2015

Nota: 92/100 pts.

O seu contra-rótulo informa que:

Foi feita uma minuciosa seleção de uvas desta cepa que crescem principalmente no Vale Central do Chile. O vinho resultante é moderado, envelhecido em barris de carvalho francês, tem a cor rubi escuro, sabor gostoso de frutas e aromas de carvalho. Taninos suaves e boa persistência.

Degustação – Valdivieso Single Vineyard Cabernet Franc 2006 – Vale de Colchágua – 14% álcool – Importadora Bruck – preço médio R$ 65,00

Cor: rubi violáceo profundo, intenso sem halo de evolução

Aromas: no início uma nota tostada domina o conjunto. Depois mentol sobre um fundo de frutas negras com destaque para ameixa. Evoluiu para geléia de amoras com uma pitadinha de cassis. Ótima sustentação sem a tradicional goiabada, apenas uma sobra de álcool que não incomoda. No fundo de copo uma sugestão achocolatada.

Boca: macia, intensa, taninos vivos sem incomodar. Como todo bom Cabernet Franc é redondo e tem boa fruta (madura), que não está subjugada pela acidez ou pelos taninos delicadamente potentes. Tem profundidade. Quente no palato, termina ligeiramente curto, rugoso, salivante (boa acidez) e promete uma ótima evolução na garrafa nos próximos cinco anos. Uma boa pedida para quem deseja conhecer melhor a casta, porque este exemplar tem tipicidade de sobra. Boa relação preço-qualidade.

Avaliação: 89/100 pts. ++

Dois vinhos da Concha y Toro

A linha Reserva Privada agora conta com um Sauvignon Blanc com uvas do vale de Limarí

A linha Reserva Privada agora conta com um Sauvignon Blanc com uvas do Vale de Limarí

O Chile vem se destacando no cultivo das cepas brancas e atualmente a de melhor resultado é a Sauvignon Blanc, principalmente nas regiões costeiras, as que mais se beneficiam das brisas frias do Pacífico. Atualmente, sem medo de exagerar, os sauvignons chilenos já apresentam nível de qualidade semelhante aos similares neozelandeses e sul-africanos. A última novidade são vinhos da região costeira de Colchágua (Cordilheira da Costa, vinhedos a menos de 10 km do Pacífico), que é apontado com justa razão como um dos melhores terroirs para a Syrah. Os exemplos partem da Casa Silva, com seu Cool Coast 2009 e da Santa Helena com seu Selección Del Directório Gran Reserva Sauvignon Blanc 2009 – Viñedos Costeros (10 km do Pacífico) – Valle de Colchágua. Aqui, vamos analisar um vinho de outra região costeira ao norte de Santiago, nas fraldas do seco deserto de Atacama: o Vale de Limarí, indicado como apropriado para brancas como Chardonnay e Sauvignon Blanc, nesta ordem. Na ala das tintas o destaque fica por conta da Syrah.

Para tanto, o vinho escolhido foi o Casillero del Diablo Reserva Privada SB 2008, Vale do Limarí - 13% álcool - CyT do Brasil – R$ 72,00.

O seu contra-rótulo informa que:

Es un vino exclusive de edición limitada, elaborado a partir de uvas provenientes del Valle del Limarí.

La presencia de vientos frios desde el Océano Pacífico y la abundante mineralidad de sus suelos hacen del Valle del Limarí un lugar único, con un clima privilegiado para producer Sauvignon Blanc de alta calidad.

Color: Amarillo pálido brillante

Aroma: Predominan sus notas minerales y cítricas provenientes del Sauvignon Blanc. Ligera presencia de hierbas, las que aportan frescura al vino.

Boca: Es un vino fresco, elegante, con una rica y equilibrada acidez. Posee ligeras notas a lima y pomelo, permitiendo un final persistente.

Degustação – Casilero Del Diablo Reserva Privada Sauvignon Blanc 2008 – R$ 72,00

Cor: palha claro brilhante

Aromas: típicos da casta com mineralidade evidente sobre notas vegetais (grama cortada e arruda) com média sustentação na taça.

Boca: intensa, forte e dura. Sua acidez marcante não dá espaço para fruta. É refrescante, todavia, pesado, rústico e quase selvagem no palato. Longo e intenso deixa um amargor vegetal que lembra limão siciliano no retrogosto. A própria Concha y Toro tem no seu vasto portfólio vinhos mais equilibrados por preço bem inferior. Será problema da garrafa? Acredito que não porque avaliado alhures também não empolgou. É um vinho correto, que tropeçou na relação preço-qualidade.

Avaliação: 85/100 pts.

Winemakers Lot 2005: um carménère primoroso, sem amargor ou notas herbáceas exageradas

Winemakers Lot 2005: um carménère primoroso, sem amargor e notas herbáceas exageradas

É voz corrente que cada país produtor de vinho deve ter uma identidade vitivinícola. A oportunidade do Chile se apresenta com a Carménère, uva bordalesa que se extinguiu por completo na França em razão da praga denominada Filoxera. Antes disso, foi trazida ao Chile e amplamente cultivada, porém, descobriu-se que grande parte das plantações de merlot eram de Carménère e o Chile é um dos poucos países onde está variedade é produzida e por isso que se converteu na sua bandeira. Seus vinhos são mais escuros que os merlots e ao ser colhida no seu ponto de madurez (gosta do clima quente), apresenta aromas de café, chocolate e terra úmida. Na boca seus taninos são aveludados e doces. Colhida antes de seu ponto de maturação seus aromas são predominantemente herbáceos, com notas de pimentão verde e na boca costuma apresentar um ligeiro amargor que lhe confere personalidade.

Suas principais regiões de cultivo no Chile são: Vales de Cachapoal, Colchagua, Maule e Rapel.

Também podemos afirmar que além do Chile, essa casta também é plantada no norte da Itália e no Brasil e nesses dois países, também foi confundida por muito tempo, só que com outra casta: a Cabernet Franc. Na Argentina, pouquíssimos e corajosos vinhateiros se aventuram com ela.

Em interessantíssimo artigo de autoria de Maria Edicy Moreira, veiculado na edição de número 77 de 2008 da Revista Vinho Magazine, importantes subsídios e informações dessa casta são trazidos pela articulista, senão vejamos: “a variedade se adaptou bastante bem às condições climáticas do Chile que, atualmente, tem a maior área cultivada de carménère no mundo (7.000 ha). Ela é motivo de orgulho para os produtores de vinhos chilenos que estão conquistando personalidade própria como os principais produtores de vinho a partir desta casta

Degustação – Winemaker’s Lot Carménère 2005 – R$ 68,00

Cor: rubi intenso com reflexos violáceos sem halo de evolução

Aromas: paleta complexa e intensa com pimentão, frutas negras sobre uma forte nota tostada. Em alguns momentos chegou a evocar um bom Rioja.

Boca: solidamente estruturada com taninos potentes e ao mesmo tempo sedosos. Chega a ser guloso, com muita força e frescor. Muito macio, a fruta está presente na forma de amoras e ameixas. Complexo e intenso tem no equilíbrio da fruta com a madeira o seu ponto alto. O álcool, na casa dos 14,5%, provoca apenas uma leve aquecida no palato. Termina sem amargor convidando para o próximo gole. Um carménère exemplar e sem os habituais exageros. À conferir. Bem conservado, poderá ser bebido com tranqüilidade até 2012/3.

Avaliação: 88/100 pts. +

Novidades da importadora Ravin – São Paulo

rogerio-davila

Da esquerda para direita: José Alberto Zuccardi (vinícola Familia

Zuccardi), Luana Franceira, Rogério D’Ávila (Diretor Comercial),

Viviane Borges (Gerente de Marketing) e a chef Regina Barreiro

Almoço na RAVIN

Realizado na segunda semana de janeiro, na sede da Importadora paulistana RAVIN, sito à Rua Gandavo 526, Vila Mariana, tel 011 5574 5789, com a presença do Diretor Comercial Rogério D’Ávila, do Diretor de Operações e Finanças Alberto Porto Alegre, da Consultora de Vinhos Elaine Silva e demais membros da Ravin. Merece menção especial a recepção de primeiro nível e o almoço preparado com extrema competência pela Chef Regina Barreiro, escoltado por vinhos de diversas procedências do crescente portfólio da Ravin.

O menu:

Entradas

Salada Waldorf

Creme de Mandioquinha

Prato principal

Picadinho Húngaro

Sobremesa

Mousse de Maracujá

Novidades da RAVIN

Quem escreve essas linhas teve a satisfação de examinar, pela primeira vez, o novo catálogo da Ravin. Nele estão contemplados os seguintes produtores:

Família Zuccardi – Mendoza (Argentina)

Espumantes Pol Clément – Tournan (França)

Jean-Baptiste Audy – Bordeaux (França)

Grand Theatre/Univitis (França)

Médici Ermete – Emilia-Romagna (Itália)

Sacchetto – Veneto (Itália)

Tenuta San Guido (Sassicaia e Guidalberto) – Toscana (Itália)

Zaccagnini – Abruzzo (Itália)

A Mano – Puglia (Itália)

Calatrasi – Sicilia (Itália)

Morgante – Sicilia (Itália)

Agrícola Punica – Tenuta San Guido – Sardenha (Itália)

Vega Sauco – Toro (Espanha)

Quinta de la Rosa – Douro (Portugal)

Terras de Fialho – Alentejo (Portugal)

Azeites Família Zuccardi – Mendoza (Argentina)

A apresentação do catálogo é compacta e de fácil manuseio. Nele, Rogério D’Ávila anunciou a incorporação de novos produtores, a saber:

Spice Route – Swartland/Cape West Coast (África do Sul) com dois de seus principais vinhos, o Pinotage e o Mourvédre.

Fairview – Paarl/Stellenbosch (África do Sul)

La Capra - Coastal Region (África do Sul)

Goats do Roam – Paarl (África do Sul)

Viña Maipo (Chile), com uma linha de vinhos que vai do espumante Maipo Brut, passando pelos Varietais, linha Reserva, Gran Devoción até o vinho top Limited Edition, um Syrah do Vale do Maipo de produção limitada e de elevada qualidade. Importante destacar que a Viña Maipo fez uma aposta firme na Syrah e praticamente há vinhos dessa casta em todas as linhas.

Clerget Terroirs – Cotes-du-Rhône (França)

Lusovini – Terras de Fialho (Portugal)

Boas Quintas – Dão (Portugal)

Além desses produtores, a Ravin passará fazer a distribuição com exclusividade para São Paulo do conceituado produtor Batasiolo, que tem um portfólio vasto que vai do Vino di Tavola “Della Casa”, Frascatti, Moscato D’Asti, Dolceto, Barbera, Chianti até Barbaresco e o celébre Barolo Ceréquio. Produtores nacionais distribuídos pela Ravin: Botticelli (VSF) e Marco Luigi (RS).

O novo catálogo, resultado de recentes viagens de Rogério e do sócio Alberto Porto Alegre, será lançado brevemente com a participação da imprensa especializada. Resumidamente, um dos objetivos da Ravin é o de, nos próximos cinco anos, crescer à razão de 10% ao ano e trabalhar no máximo com 200 rótulos. Outras informações serão divulgadas no evento.

Durante o almoço preparado pela Chef Regina Barreiro, na companhia de Rogério D’Avila e demais membros da Ravin, tivemos o privilégio de degustar os seguintes vinhos:

Viña Maipo Syrah 2009 – Valle Central – 13,3% – R$ 17,50 (disponível em março)

Com o costumeiro acerto o britânico Hugh Johnson observa que “o Chile não precisa de um influxo de diferentes variedades de uvas, mas de um melhor entendimento daquelas que já tem”. Este Syrah é o “entry level” desta vinícola integrante do conglomerado Concha y Toro e impressiona por seu perfil que corrobora a assertiva anterior. Vamos à sua análise organoléptica: Rubi violáceo de média concentração. Aromas simples e francos com groselha, mentol e uma ponta de especiarias. Boca redonda e macia. Corpo médio e balanceado confirmando a fruta. Álcool integrado. Fim-de-prova limpo, suave e sem arestas. Boa tipicidade. Excelente relação qualidade-preço.

Avaliação: 86/100 pts.

Viña Maipo Gran Devoción

Carménère/Syrah – Valle Del Maule – 14,5% álcool – R$ 69,00 (primeiro semestre 2010)

No Chile, o Vale do Maule com seus extensos vinhedos é a bola da vez. Muitos investimentos e a melhor compreensão de seu terroir já estão a produzir resultados alvissareiros. Uma das principais características da linha “Gran Devoción” é que todos os vinhos tintos levam Syrah, seja como “protagonista” ou “coadjuvante”. Este, produzido com uvas dos vinhedos de “Villa Alegre y Lourdes”, amadurecido 14 meses em barricas de carvalho francês e americano, surpreendeu por sua maciez, presença de fruta e balanço. Aqui, a protagonista com 75% de participação é a Carménère e a coadjuvante é a Syrah, com 25% restantes. Análise organoléptica: Atraente cor púrpura intenso brilhante com reflexos arroxeados. Boa complexidade aromática com leve toque achocolatado e vegetal da Carménère e uma ponta de especiarias da Syrah. Na boca encanta pela maciez de seus taninos, presença de frutas negras com madeira integrada e discreta sobra de álcool. Rugoso e ao mesmo tempo profundo, termina redondo e suave prometendo boa evolução na garrafa nos próximos anos.

Avaliação: 88/100 pts. +

Viña Maipo Limited Edition Syrah 2005 – Valle del Maipo – 14,5% álcool – R$ 105,00

O Vale do Maipo é apontado por suas características como o melhor terroir chileno da Cabernet Sauvignon, cepa mais importante deste tradicional produtor de vinhos do Novo Mundo. Todavia, numa tentativa de derrubar esse paradigma, a Viña Maipo elabora este vinho que tem uma pequena participação de Cabernet Sauvignon, apenas 9%. A Syrah fica com o restante e provém do “Viñedo Quinta Del Maipo”, no coração do Vale do Maipo, cortado pelo rio de mesmo nome com as benesses do solo aluvial, pedregoso e pobre em nutrientes, como convém às videiras. Degustação: cor semelhante a do exemplar anterior com mais profundidade e intensidade. No olfato alcaçuz, notas balsâmicas, groselha, geléia de amoras, coco e ligeira sobra de álcool. Boca a revelar um vinho potente, vigoroso, quente, concentrado e sobretudo tânico reivindicando mais alguns anos na garrafa para o seu arredondamento. Tem perfil distinto dos Syrahs de Aconcágua e sobretudo de Colchágua. A fruta doce e madura confirma as sensações olfativas. Termina longo, agradável e com uma ponta de adstringência. Pede uma carne suculenta, como por exemplo costeletas de cordeiro e queijos curados. Longa vida na garrafa pela frente. À conferir. Apenas à título de informação, a safra 2006 deste mesmo vinho amealhou 90/100 pts. da Wine Advocate de Robert Parker e 91/100 pts da WS.

Avaliação: 88/100 pts. ++

A Naca Rosso IGT Sicília – Calatrasi 2006 – 14,5% álcool – R$ 298,00

A Casa Vinícola Calatrasi di San Cipirello (cidade ao Sul de Palermo/Itália) é uma vinícola siciliana cuja produção apresenta qualidade em constante crescimento. Já obteve, inclusive, a certificação ISO 9002. O estilo de seus vinhos conjuga tradição siciliana e gosto internacional. As principais uvas são Chardonnay, Catarratto, Nero d’Avola, Merlot, Syrah, etc. Análise organoléptica: Com 95% de Nero D’Avola e 5% de outras uvas autóctones, este A Naca apresenta cor rubi intenso com reflexos púrpura. Nariz amplo, envolvente e complexo com alcaçuz e alguma fruta (cereja e amora) sobre um fundo de tabaco. Na boca sua entrada é quente e confirma as sensações olfativas com taninos densos, poderosos e doces. Ótima acidez e integração dos taninos, fruta e madeira (amadurece 15 meses em barricas de origem não divulgada). Deixa uma sensação agradável no fim de boca. Vinho que se destaca por conta de sua tipicidade e inequívoca personalidade mediterrânea. Seu estilo lembra um bom Amarone.

Avaliação: 90/100 pts. ++

Guidalberto IGT Toscana 2006 –13,5% álcool – R$ 348,00

A Tenuta San Guido está estabelecida em Bolgheri, Toscana e produz um dos vinhos mais destacados e amiúde apontado como o melhor de toda Bota: Sassicaia. Fundada em 1968 seu proprietário é o Marchese Nicolò Incisa della Rocchetta, filho do piemontês Mario Incisa della Rocchetta (morto em 1983) e da ítalo-americana Clarice della Gherardesca. Guidalberto della Gherardesca, viveu em Bolgheri no começo século XVIII e foi o pioneiro da viticultura nessa região. A primeira safra do Guidalberto foi lançada em 2000 e nesta versão 2006 leva 45% de Cabernet Sauvignon, 45% de Merlot e 10% de Sangiovese. Amadurece doze meses em barricas novas de carvalho americano (20%) e francês (10%) e o restante das barricas são oriundas do Sassicaia. Análise organoléptica: rubi violáceo intenso e profundo. Paleta aromática complexa, fruta em evidência com notas de amoras, ameixas, especiarias e uma leva sugestão balsâmica. Na boca é um vinho expansivo e solidamente estruturado com uma impressionante massa de taninos de ótima qualidade. Sem conflito entre fruta e madeira. Necessita de tempo para evoluir na garrafa, contudo, já dá mostras do que será daqui alguns anos: um vinho de estilo francês com acento italiano. Fim de prova persistente e sem arestas. Vinho reconhecidamente longevo, produzido com uvas da safra 2006 considerada excelente na Toscana, para ser bebido nos próximos dez anos. Obteve 92/100 pts. da WS (31.10.2008) e de RP (01.06.2008) e também está disponível na Ravin.

Avaliação: 91/100 pts. ++

Batasiolo “Bosc d’la Rei” Moscato D’Asti 2007 – 5,5% álcool- R$ 44,00

Palha com reflexos esverdeados. No nariz uma profusão de aromas que vai de damasco, maracujá até abacaxi em calda. Na boca é frisante e se destaca por conta de seu frescor, ótima acidez e apesar do baixo teor alcoólico, tem boa sustentação e concentração de fruta. Termina persistente, equilibrado com sugestão de mel. É acompanhamento ideal para panettones e doces em compota. Apresentou excelente harmonização com o mousse de maracujá preparado por Regina Barreiro. Por sua versatilidade, também pode servir como aperitivo.

Avaliação: 87,5/100 pts.

Toque de Vinho: a opção certa de vinhos em Pinheiros

logo-toque-de-vinho

Sob a batuta da atenciosa Jane Senna, consultora de vinhos e sommelière profissional, formada pela ABS de São Paulo, com extensão em enogastronomia e com um currículo respeitável (Spanish Wine Educator, pela The Wine Academy, da Espanha e WSET – Wine & Spirit Education Trust (Londres) – nível 3, pela The Wine School), a Toque de Vinho está estabelecida em Pinheiros, desde 22 de dezembro de 2004, na Rua João Moura, 531 – CEP 05412-001, telefones: (11) 3083-2669 e (11) 3085-3374, e-mail: toquedevinho@toquedevinho.com.br, portal: www.toquedevinho.com.br, horário de funcionamento: de 2ª a sábado: das 10:00h às 20:00h e domingos e feriados: das 10:00h às 14:00h.

tv

A loja possui mais de 600 rótulos das principais importadoras e de alguns produtores nacionais: Mistral, Vinci, Decanter, World Wine, Grand Cru, Cantú, Península, Casa Flora, Magna, Expand, Hannover, Epice, Nor Import, Boscato, etc.

A loja não se limita à comercialização de vinhos, porque periodicamente Jane promove “degustações orientadas com temas específicos” e mais dois eventos imperdíveis:

1) “Encontro Enocultural: História, Literatura e Vinhos - temas históricos através da literatura ministrados pela Professora Cleide Gatti – historiadora, com mestrado pela USP, com cursos em Firenze, Siena e Roma, com degustação orientada de vinhos da região do tema e petiscos típicos”.

Alguns eventos já realizados

Camões e Pessoa – Luis de Camões – Os Lusíadas
Fernando Pessoa – A mensagem
Cervantes e Espanha – Dom Quixote no contexto da Idade Média
A presença francesa no Brasil – No Rio de Janeiro, Maranhão e outras regiões
Semana da Arte Moderna – Os movimentos da década de 20 e a Semana de arte Moderna

2) “Música e Vinho: show musical com a conhecida cantora Yvette Matos, com degustação de grandes vinhos e pratos harmonizados preparados pelo Chef Lucas Benutte”.

Alguns shows realizados:
Noite Francesa
Noite Portuguesa
Tangos e Boleros
Tributo a Ella Fitzgerald e a Coltrane

Abaixo, por solicitação deste blog, Janne enviou uma lista de vinhos Superchilenos que estarão em promoção até 31 de janeiro de 2010 ou término do estoque. Poucas unidades de alguns rótulos que inclusive já estão esgotados em seus importadores oficiais. Eis a lista:

Viu Manent 2001 e 2003 de R$ 480,00 por R$ 440,00
Viu Manent Single San Carlos State Malbec 2004
R$ 180,00
Don Melchor 2001 de R$ 348,00 por R$ 308,00
Don Melchor 2002 e 2004
por R$ 298,00
Santa Rita Casa Real 2002 de R$ 380,00 por R$ 345,00
Santa Rita Casa Real 2003
de R$ 330,00 por R$ 299,00
Santa Rita Triple C 2004
de R$ 244,00 por R$ 215,00
Cono Sur 20 Barrels Cabernet 2006
por R$ 95,00
Cono Sur 20 Barrels Pinot Noir 2006 por R$ 95,00
Domus Áurea 2001 de R$ 360,00 por 320,00
Coyam 2003
por R$142,00
Tabali Reserva Especial 2005 por R$ 118,00
Miravalle Gran Reserva Cabernet Malbec 2004 de R$ 88,00 por R$ 84,00
Casa Silva Quinta Generacion tinto 2004
de R$ 160,00 por R$ 146,00

Vinho do mês: Porca de Murça branco

porca
Porca de Murça: um vinho bastante conhecido no Brasil que apresenta boa relação qualidade-preço

O comentário do vinho do mês é uma das principais atividades dos enoblogs e desta vez o vinho escolhido foi o branco lusitano Porca de Murça 2008. Essa feliz decisão coube ao Rafael Loyola, do blog De Vinho em Vinho – http://devinhoemvinho.blogspot.com, vinho encontrado principalmente num de seus distribuidores, Makro Atacadista S/A (informação do contra-rótulo), 37º vinho da Confraria dos Enoblogs, cujo Coordenador é o Gil Mesquita, do excelente blog Vinhoparatodos.blogspot.com

Sobre a Real Companhia Velha.

No ano de 2006, a Real Companhia Velha celebrou 250 anos de existência e de atividade ininterrupta ao serviço do Vinho do Porto.
Para trás, ficou o registro de uma história fabulosa e de um passado glorioso. Para o futuro, existe a vontade de manter a elevada qualidade dos seus produtos e a confiança numa Companhia onde o rigor e a visão de fazer ainda mais história são uma preocupação constante. Desde a sua instituição, por Alvará Régio de El-Rei D. José I, em 10 de Setembro de 1756, muitos outros Reis reinaram em Portugal, sendo a importância e o valor da Real Companhia Velha bem demonstrados através dos valiosos serviços prestados à comunidade, assim como pelos privilégios majestáticos concedidos por D.Maria I, D.João VI, D.Pedro IV, D.Maria II e D.Pedro V, Soberanos Protetores da Companhia.

Desde os seus primórdios, as atividades da Companhia foram direcionadas para a defesa e promoção do prestígio do Vinho do Porto – o produto número um da exportação do país, naquela altura. De fato, a importância do Vinho do Porto para a economia portuguesa, entre os meados e os finais do séc. XVIII, era tal que, em 1799, o Vinho do Porto representava mais de 50% das exportações portuguesas.

Sobre o Porca de Murça Branco Douro DOC 2008

Porca de Murça é das mais velhas marcas do Douro.

A sua reputação esteve sempre associada à Região Duriense. Ao longo de várias gerações, a marca Porca de Murça permaneceu como uma das mais sólidas referências de vinhos de qualidade em Portugal. O Porca de Murça branco é o resultado de um elaborado loteamento de vinhos, fermentados tanto em inox como em barricas novas de carvalho, o que lhe proporciona notas amanteigadas e um delicioso sabor a frutos muito frescos. Com uma estrutura mediana, o “Porca de Murça” Tinto e o “Porca de Murça” Branco estão entre os Vinhos do Douro mais convidativos para o dia-a-dia. A versão branca utiliza as seguintes castas: Viosinho, Gouveio, Moscatel, Arinto e Fernão Pires, oriundas da Quinta do Casal da Granja, localizada no Planalto de Alijó, que produz as melhores uvas brancas da região.

Porca de Murça Branco Douro DOC 2008

Cor: palha intenso com reflexos esverdeados.

Olfato: floral, sugestão cítrica sobre um fundo mineral.

Boca: Simples, curta, bom frescor. Nota cítrica ao final.

Preço: R$ 18,90 - Makro Butantã – SP Avaliação: 85/100 pts.

Vinhos da Virada 2009/2010

Os primeiros vinhos provados em 2010 foram os seguintes:

Jermann Pinot Grigio Venezia Giulia IGT 2007

Devil’s Lair Vineyard Margareth River 2001

Viña Requingua Toro de Piedra Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2004

De Gréville Champagne/Espumante Natural Demi-Sec

Espumante 130 Casa Valduga Brut degorgément 2009.

Jermann Pinot Grigio: ótimo frescor

Jermann Pinot Grigio: ótimo frescor

Degustação

Jermann Pinot Grigio Venezia Giulia IGT 2007 – 12.5% álcool – Cellar – R$ 85,00 – Originária da borgonha, mutação da Pinot Noir, na Alsácia produz vinhos ricos (secos, doces ou botrytisados), bastante encorpados perfumados, esfumaçados e com aroma de mel. A Pinot Grigio italiana é mais leve e em algumas regiões apresenta alguma aspereza. Destaca-se no Friuli, e, também, é bastante cultivada no Leste Europeu, Áustria e Alemanha e em menor proporção na Austrália e na Nova Zelândia. É a uva da moda na Califórnia e tem algum cultivo na Argentina, Brasil, Canadá, Chile e África do Sul. Análise organoléptica: Palha com reflexos esverdeados. Nariz intenso com flores brancas, pêra, maçã e uma pontinha de mel. Boca escorregadia com ótimo frescor, corpo médio, boa fruta (discreto limão siciliano) e um leve acento mineral. Fim de prova limpo e sem amargor. Ótima tipicidade e inequívoca aptidão gastronômica. À conferir.

Avaliação: 88/100 pts.

Devil's Lair: sem representação no Brasil

Devil’s Lair Vineyard Margareth River 2001 – 14% álcool – Mistral – US$ 49,50 – O contra-rótulo informa suas uvas: Cabernet Sauvignon (72%), Merlot (25%) e Cabernet Franc (3%). No catálogo da Primavera 2005 da Importadora Mistral consta que: “Boutique Winery” situada em Margareth River, costa oeste australiana. O clima, com forte influência marítima, bastante semelhante ao bordalês, privilegia as Castas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. O excelente tinto da casa se destaca por sua grande elegância, marca registrada dos melhores vinhos da região”. Análise organoléptica: Rubi com reflexos granada e ligeira turbidez. No olfato a pegada inicial trouxe um forte nota terrosa que cedeu para frutas negras, pimenta, chocolate e leve animal. Boca quente (14% de álcool), forte, tânica e de elevada acidez. Madeira ainda presente. Iniciou com uma nota oxidativa que evoluiu para frutas negras. Com o tempo na taça foi se transformando e mostrou boa tipicidade. Terminou macio, potente, longo e com leve amargor.

Avaliação: 86/100 pts.

A Viña Requingua, estabelecida no Vale do Curicó, entre os Vales do Maule e de Colchagua, produz o delicioso cabernet Sauvignon Toro de Piedra

A chilena Viña Requingua, estabelecida no Vale do Curicó, entre os Vales do Maule e de Colchagua, produz o delicioso Cabernet Sauvignon Toro de Piedra

Viña Requingua Toro de Piedra Gran Reserva Cabernet Sauvignon Sagrada Família 2004 – 13% álcool – First S/A – preço médio: R$ 42,90 (Empório Mercantil) – Rubi violáceo intenso, profundo com levíssimo halo de evolução. Nariz intenso com forte presença de madeira, cassis, ameixas, mentol e framboesa com ótima sustentação. Depois de algum tempo discreta goiabada. Boca que se destaca pela maciez de seus taninos, acidez no ponto, madeira presente sem esconder a fruta. Vinho prazeroso que convida o degustador para o próximo gole. Mais alguns anos na garrafa contribuirão decisivamente para integração da madeira à fruta. Muito concentrado, termina com leve adstringência. No mínimo mais três anos de garrafa.

Avaliação: 88/100 pts.+

O espumante brasileiro De Greville demi-sec se auto-entitula "champagne"

O espumante brasileiro De Greville demi-sec se auto-entitula "champagne"

De Gréville Champagne/Espumante Natural Charmat Demi-Sec – 12,3% álcool – R$ 9,90 Carrefour (promoção) – Palha claro com reflexos dourados. Perlage fraca com borbulhas médias de pouca intensidade. Aromas indefinidos com uma leve nota tostada. Melhor na boca com boa concentração de sabor, alguma untuosidade, discreto cítrico e final doce com amargor dentro do aceitável. De boa tipicidade, demonstrou boa evolução na garrafa, eis que foi adquirido em dezembro de 2008. Ostenta o termo champagne com letras douradas que se destacam no rótulo.

Avaliação: 85/100 pts.

Valduga 130: um dos melhores espumantes do Brasil

Valduga 130: um dos melhores espumantes do Brasil

Espumante Valduga 130 Brut Champenoise – 13% álcool – R$ 56,50 – Degorgément 2009. Feito com as castas Chardonnay e Pinot Noir, apresentou cor amarelo palha com reflexos dourados. Perlage delicada com borbulhas pequenas em profusão. Ótima complexidade olfativa com notas de fermento, leveduras, fruta madura, cítrico, compota e pão fresco com tipicidade de sobra. No paladar o destaque fica por conta do frescor, corpo pleno, amanteigado com ótima presença. Intenso e profundo, termina longo e sem amargor. Alguma capacidade de guarda. Superior à edição anterior – degorgement 2008, com mais frescor, menos peso e mais finesse. Seguramente, um dos grandes destaques da indústria nacional de espumantes com alguma relação preço-qualidade.

Avaliação: 88,5/100 pts. +