IXE Tempranillo Toscano de ótima tipicidade

A filosofia da vinícola Pietro Beconcini está baseada na produção de vinhos tintos a partir de uvas que sempre estiveram presentes na propriedade, cujo poder de expressão são variados e interessantes, em relação às características do solo e variações climáticas. Desde o início dos anos 90 são produzidos vinhos que são a expressão absoluta e fiel do terroir local.


O interesse na experimentação possibilitou a plantação de variedades internacionais, mas os resultados não foram interessantes o suficiente para merecer uma investigação mais aprofundada. A primeira plantação de um vinhedo de Sangiovese foi feita em 1990. A operação realizada foi observar totalmente o comportamento dos vários tipos de cepas em relação ao tipo de solo,
orientação, as estações do ano, não deixando qualquer nuance.



Estudos
Após uma longa busca foram mapeadas variedades interessantes, algumas descendentes de antigos clones de Sangiovese e vinhas locais de Colorino, Canaiolo e Malvasia Nera, mas também plantas que ninguém conseguia dar uma classificação precisa. E mais por curiosidade do que por diversão, essas plantas estranhas produziam vinhos de excelente qualidade. Fez-se então um detalhado estudo de uvas autóctones. Descobriu-se uma vinha replantada com mudas de cepas antigas. Foram mais de dez anos estudando essas plantas, a partir do momento em que se tomou conhecimento de sua presença nas antigas vinhas existentes no imóvel no momento da compra, nos anos 1950. Parece impossível que nestes anos todos aqueles que trabalharam com essas plantas não tenham percebido nenhuma diferença. Houve uma trajetória histórica que pode movimentar em qualquer direção. Este é basicamente o motivo pelo qual foram necessários estudos detalhados e muito tempo para voltar atrás no tempo para a juventude do pequeno vinhedo que parece remontar pelo menos para o período imediato pós-guerra, ou mesmo dos anos 1930. Começaram os estudos para realização do replantio das plantas mais bonitas e saudáveis entre as 113 ainda vivas do núcleo original, que ainda produziam pequenas quantidades de mosto. Ao mesmo tempo, diversas técnicas na vinha e adega foram adotadas para o cultivo de uma planta que não se sabia a origem. Todavia, o ponto de partida era alentador: a excelência absoluta das uvas.

Hipótese histórica

Formulou-se a hipótese sobre a historicidade desta variedade com base em pesquisas que ainda estão em andamento e que em breve ser-lhe-á dado significado histórico mais certo do que lhe é dado atualmente. Mas, enquanto isso, retrocedendo no tempo, pelo menos até 1700, quando a Via Francígena que cruza os vinhedos da vinícola era diariamente percorrida por um grande número de pessoas, famílias, comunidades e peregrinos que demandavam a Santiago de Compostela e Roma. Era utilizada por pequenos movimentos ou, mais freqüentemente, por peregrinação religiosa de toda a Europa, como um de seus pilares. Descobriu-se que os peregrinos que vinham de Santiago de Compostela, na Espanha, também utilizavam essa estrada. E é da Espanha, de acordo com a reconstrução dos acontecimentos, que pode ser o local de origem dessas plantas.

Evolução
Na época a técnica vigente consistia na propagação da vinha com o transporte das sementes, principalmente porque durante longas viagens era mais fácil levar um pequeno recipiente com elas do que um grande e pesado feixes de ramos de videira. Isso corrobora os resultados da pesquisa que mostra uma grande porcentagem de genes igual ao da uva conhecida na Espanha como Tempranillo, mas com diferenças óbvias, devido à evolução natural de uma planta que é cultivada e não apenas transplantada para um território que não é o de origem, e que, posteriormente, levou ao menos 100 anos para se adaptar a isso.

Tecnologia na adega – Vigna alle Niche (com uvas passificadas de Tempranillo – não é o IXE)

São utilizados tanques de concreto para vinificação e conservação que são preenchidos com as melhores uvas, somente utilizadas leveduras selvagens sujeitando mostos à longa maceração. Em setembro de 2007 saiu o primeiro vinho obtido por vinificação dessas uvas, que irá contar um pouco da história e dar-nos novas sensações no paladar. Foi escolhida uma técnica de produção que poderia ser chamada “extremo” (passificação das uvas), mas que nos últimos anos, tem sido sugerida com êxito: o murchamento das uvas durante quatro semanas, a vinificação em tanques de concreto com leveduras indígenas, uma longa maceração das peles, muitas vezes com fermentação malolática, amadurecimento em pequenos tonéis de carvalho francês (70%) e americano (30%) e mais 20/24 meses para afinamento na garrafa. Já o IXE é vinificado em maceração longa e amadurece 14 meses em barricas pequenas de carvalho de origem não divulgada pelo produtor e afina mais 6 meses na garrafa antes de sua liberação para consumo.


Tudo isso para maximizar o potencial de uma vinha muito antiga e com vigor ainda capaz de surpreender.

Localização geográfica dos vinhedos

No meio da colina de frente para Sul / Sudeste, num sítio não muito quente, com o objetivo de obter uvas com maior teor de acidez. Mas acima de tudo, a escolha foi guiada pela grande variedade de minerais, num pequeno talhão onde existem fósseis do período Plioceno. E a partir dessa característica que foi a fonte de inspiração do nome do vinho: IXE significa “X” no dialeto toscano. Ou seja, durante aproximadamente 15 anos essas videiras foram cultivadas sem saber de que variedade se tratava, mas as expectativas eram positivas porque produziam uvas belas e maravilhosas e um vinho delicioso, daí foram batizadas de “X”.

Degustação

IXE San Miniato Tempranillo di Toscana 2007 Beconcini – 14% álcool – E$ 7,00 na origem – sem importador para o Brasil

Vermelho-rubi violáceo intenso com profundidade. Nariz complexo com frutas negras, sugestões lácteas, chocolate e tostado. No nariz não mostrou a esperada tipicidade, todavia, na boca a situação se inverteu. Redondo, macio, elegante, intenso e profundo, com camadas sobre camadas de frutas com madeira plenamente integrada a essa fruta. Ótima acidez e bom equilíbrio gustativo. Seu perfil é de um autêntico Tempranillo. Termina suave, sem adstringência, prometendo um bom afinamento na garrafa nos próximos anos. Avaliação: 90/100 pts.

(Visited 81 times, 81 visits today)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *