Leyda Single Vineyard Pinot Noir Rosé 2007: um verdadeiro achado

Leyda Pinot Noir Rosé: tipicidade incomum para um rosé

Leyda Pinot Noir Rosé: tipicidade incomum para um rosé

Os rosés estão na moda. Parece ser um verdadeiro must para qualquer produtor que se preze, produzir um Rosé. Não se pode olvidar que existe muito preconceito contra esse tipo de vinho, todavia, o respeitado critico de vinhos de Portugal, João Afonso, com a erudição que lhe caracteriza afirma que “encontram-se muitos rosés sobre-alcoólicos que não cumprem a principal virtude a que se propõe – serem frescos, leves e elegantemente perfumados. Mas também há produtores a trabalhar exclusivamente para a meta “Rosé”. Nestes casos o objetivo e eventual sucesso parece ser mais fácil de alcançar.”

Uma das metas deste blogueiro é compartilhar com os leitores as experiências e “garimpagens” de vinhos que faz. Nesse diapasão, recentemente fizemos uma visita à importadora Hannover, estabelecida em São Paulo (telefone 011 2638 0881) e lá fomos recebidos por José Manuel Affonso que é o Gerente de Vendas em SP (A Hannover está sediada em Porto Alegre/RS). Lá chegando, a sempre atenciosa Sandra apontou o dedo para o corredor onde estavam empilhadas algumas caixas do Leyda Pinot Noir Rosé 2007. Aqui segue uma observação: não escondo de ninguém que sempre gostei dos vinhos chilenos. Além da relação preço-qualidade da maioria dos rótulos produzidos pelo país Andino, seus vinhos sempre se destacaram por sua tipicidade. E desta vez não foi diferente, mas a conclusão será relatada um pouco adiante, na avaliação do vinho.

Apenas para ilustrar transcrevo trecho do Guia Descorchados 2008: “A Leyda foi comprada este ano pelo grupo San Pedro (também composto por Santa Helena e Altair) e coincidentemente aumentou o seu portfólio de vinhos, acrescentando tintos de outras regiões. Para o guia Descorchados continuam relevantes os vinhos produzidos no Vale de Santo Antonio, lugar onde a Leyda foi a primeira a plantar uvas na segunda metade da década de 1990”.

No mesmo guia, o Pinot Noir Rosé 2007 recebeu 89/100 pts. com a seguinte descrição: “Há muitos produtores no mundo tentando levar à sério o rosé. Este pinot pode ser um bom ponto de partida, mas sem perder de vista que se trata de um vinho simples, agradável, fresco e cheio de fruta”.

Degustação

Leyda Pinot Noir Rose Loica Vineyard 2007 – 14% álcool – preço promocional: R$ 28,00 (Hannover São Paulo 011 2638 0881 c/Sandra) - Exuberante cor salmão brilhante na transição para pêssego com discreto halo de evolução. Logo após a abertura da garrafa uma forte nota de álcool encobriu os aromas, todavia, após alguns minutos deliciosas notas de morangos e cerejas dominaram o conjunto. Na boca, subscrição total desses aromas com um frescor bem acima do esperado, porque a safra deste Loica Pinot Noir é 2007 e para os rosés vale a regra estabelecida por Hugh Johnson: beber o mais jovem possível. Outro aspecto a ser ressaltado é o da tipicidade. Normalmente os rosés da América do Sul utilizam Cabernet Sauvignon (Chile) e Malbec (Argentina). No Brasil e no Uruguai e mesmo nos países retrocitados, outras uvas também estampam os rótulos, mas os vinhos, amiúde, não guardam relação com a casta utilizada. Os bons tem alguma concentração de sabor, mas desrespeitam o caráter varietal da cepa, no máximo conseguem ser refrescantes e nada mais. Pois neste item o Leyda também abre léguas de vantagens sobre seus concorrentes, porque se fosse servido às cegas, num copo de cor escura, um bom degustador conseguiria identificar sua casta ou sua procedência, eis que depois de algum tempo os aromas de morango e groselha cederam para frutas em compota a lembrar goiabada . Não consideramos isso um defeito, apenas uma característica do terroir chileno. Ainda na boca se destacou por sua acidez delicada, leve mineralidade, notas frutadas e uma saborosa concentração de sabor (cítrico) contrabalançada por ótima acidez que lhe confere frescor incomum para um rosé do Novo Mundo com três anos de idade. Para ser comprado de caixa e bebido aos “borbotões”, este Leyda Pinot ainda aguenta de 6/12 meses na garrafa, desde que conservado em ambiente climatizado.

Avaliação: 88/100 pts.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>