Monthly Archives: abril 2010

Catena Angélica Zapata Merlot 2004

Angélica Zapata Merlot 2004: muita força e boa tipicidade

Angélica Zapata Merlot 2004: muita força e boa tipicidade

A Bodega Catena está estabelecida em Mendoza e foi a responsável por colocar a Argentina definitivamente no cenário internacional de vinhos eis que Nicolas Catena foi quem deu início à produção de vinhos de qualidade em grande escala. Resumidamente, Nicolas fez estudos e descobriu que ao cultivar determinadas cepas em altitudes diferentes os resultados eram positivos e foi assim que inseriu a Malbec no contexto dos grandes vinhos. Foi ele quem trouxe novos clones da França e dos EUA, amadureceu vinhos em pequenas barricas de carvalho francês, irrigação por gotejamento, enfim, a aplicação de tecnologia de vanguarda teve seu pioneirismo na sua vinícola, que sempre foi respeitada pela qualidade dos vinhos que produz tanto em nível interno como internacionalmente. Até hoje os vinhos Catena são símbolo de qualidade.

Degustação

Angélica Zapata Merlot 2004 – 14,5% álcool – Mendoza/Agrelo – Luján de Cuyo Uva: Merlot – preço R$ 76,12 (Mistral – São Paulo – tel. 011 3372 3400) - afinou por 16 meses em barricas de carvalho francês, 40% novas. A Merlot sempre tropeçou na Argentina, principalmente por desinteresse da maior parte dos produtores do que por seu perfil aromático e gustativo, porque normalmente os Merlots são facílimos de beber. É o tipo de vinho gostoso que costumo indicar para quem está a se iniciar no mundo do vinho. Os vinhateiros platinos sempre utilizaram-na nos cortes e raramente fazem varietais. Este, como bem anotado na sua ficha técnica do importador, durante muito tempo foi produzido em pequena escala e somente vendido na Argentina. Os vinhedos são de altitudes diferentes: La Pirámide, Nicásia e Adrianna. Análise organoléptica: púrpura intenso com reflexos arroxeados. Fechado nos aromas com discreta fruta vermelha sobre um fundo de baunilha. Na boca é um vinho denso, alcoólico, de taninos presentes de finíssima textura e média acidez. A concentração de sabor é impressionante para um Merlot, com muita fruta vermelha e madeira por integrar. Intenso e profundo, termina secante e no retrogosto confirma a fruta vermelha. Apresenta longo potencial de guarda e recomenda-se decantá-lo por uma hora antes de consumir. Bom para carnes, especialmente Filet Mignon.

Avaliação: 88/100 pts. ++

Séptimo Dia Gran Reserva 2006: um blend Argentino como poucos

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Bodega Séptima, pertencente ao Grupo Codorníu possui esse nome por ser a sétima propriedade da empresa que estende seus ramos pela Espanha e outros países. Na Argentina é dona de um projeto arquitetônico arrojado e de rara beleza desenhado pelos arquitetos Eliana Bórmida e Mario Yanzón que se inspiraram na arquitetura Inca utilizando o sistema conhecido por Pirca que consiste no empilhamento de pedras. São cultivadas cepas como Malbec, Syrah, Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Semillon, etc. Possui também uma destacada linha de vinhos Reserva com um notável Pinot Noir e um espumante produzido pelo sistema tradicional chamado María Codorníu.

Degustação

Séptimo Dia Gran Reserva 2006 – 13,5% álcool – Mendoza/Agrelo – Luján de Cuyo - Uvas: Malbec (55%), Cabernet Sauvignon (34%) e Tannat (11%) – preço R$ 69,90 (Interfood São Paulo 011 2602 7266 c/Roberta) - afinou por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Retinto na cor, este lote das castas Malbec, Cabernet Sauvignon e Tannat se mostrou aberto nos aromas e demonstrou uma paleta aromática complexa com notas tostadas, café, chocolate e algum vegetal. Boca no mesmo diapasão, densa, volumosa, de taninos musculosos (ótima qualidade), boa acidez, madeira bem casada com a fruta (notas de geléia de frutas vermelhas) e retrogosto longo com tostado. Finaliza longo e secante. Reivindica mais algum tempo na garrafa para afinamento do conjunto. Nota: sobre os vinhos de corte, dispõe a melhor teoria que “um bom vinho de corte é superior às castas que lhe deram origem separadamente”. Apresenta médio/longo potencial de guarda e recomenda-se decantá-lo por uma hora antes de consumir. Ótima relação preço-qualidade.

Avaliação: 88/100 pts. +

Château Pavie 1999 “Premier Grand Cru Classé Saint-Émilion”, Alión 2004 e Inniskillin Vidal 2004

 

 

 

Magnífico premier grand cru classé B situados com caalcáreo  nas "côtes" de argila com calcário revitalizado desde sua aquisição por Gérard Perse  em 1998. Reduziu-se drasticamente a produção , introduziu-se um programa de replantio e construíram-se uma nova vínicola e adegas de barris. Os vinhos agora têm enorme peso, potência e concentração - para alguns um pouco demais. O tempo dirá, mas o 1999 não decepcionou nem um pouco e tem perfil concentrado, harmônico e equilibrado

Extraordinário Premier Grand Cru Classé B situado numa localidade de solo calcário nas "côtes" ao redor do platô de argila e calcário de St. Émilion. Revitalizado desde sua aquisição por Gérard Perse em 1998 com redução drástica da produção, introdução de programa de replantio e construção de uma nova vínicola e adega de barris. Os vinhos agora tem enorme peso, potência e concentração - para alguns um pouco demais. O tempo dirá, mas o 1999 não decepcionou nem um pouco porque seu perfil é concentrado, harmônico e equilibrado. Próximo de seu auge, ainda vai afinar na garrafa nos próximos 10 anos (Vinhos do Mundo - Adega Veja).

O Chateau Pavie é um dos vinhos mais polêmicos que existe. O exemplar da safra 2003 dividiu opiniões. Após sua primeira prova no pré-lançamento, Robert Parker escreveu: “Um esforço fora de série dos proprietários perfeccionistas Chantal e Gérard Perse…um vinho com riqueza, mineralidade, estrutura e nobreza sublimes”. A master of wine Jancis Robinson, por outro lado, não ficou tão impressionada: “Aromas maduros demais e nada interessantes….lembra mais um Zinfandel de colheita tardia do que um bordeaux tinto, com suas notas verdes não sedutoras”.O master of wine Clive Coates declarou: “Qualquer pessoa que ache que esse é um vinho de qualidade precisa de um transplante no cérebro e de palato”.Além disso, Michael Schuster,direto da campanha de Bordeaux para The Worldof Fine Wine de 2003, escreveu: “aroma muito estranho para um tinto de Bordeaux uma combinação quase medicinal de um vinho do porto maduro com toques de passas e as amêndoas amargas de um amarone di Valpolicella….sem nota”. E assim a briga continuou, culminando em uma batalha entre críticos ingleses e norte-americanos, com Parker chamando os “classicistas” ingleses de reacionários. Compre uma garrafa e decida você mesmo”. Fonte: livro “1001vinhos antes de morrer” de Neil Beckett, prefaciado por Hugh Johnson, cuja opinião sobre esse vinho atualmente é mais consentânea com a realidade: “ Premier Cru de 37 hectares muito bem situado no meio de encostas, nas côtes. Bom histórico. Comprado pelos proprietários de Monbousquet, junto com o adjacente Pavie-Decesse. É um St.-Emilión de estilo novo, denso, intenso, doce, do meio-Atlântico e objeto de fervorosos debates”.

 

Pois é. Nada como ter amigos. Este controvertido vinho foi levado pelo Confrade Sérgio no almoço de domingo no sempre confiável Rosmarino. O mínimo que posso dizer que foi o Saint-Emilión mais impressionante provado. O delicioso Alión foi do Paulo e o Icewine do Sérgio novamente. 

 

 

Pontuações e preços

Safra 1999: RP 95/100 – 30.04.2002, WS 92/100 – 31.03.2002, International Wine Cellar 92/100- 01.06.2002 e 94/100 Jean-Marc Quarin – Preço indicado no último catálogo da Expand essa safra: R$ 1.480,00 (Expand), R$ 930 safra 2002 na World Wine e R$ 2.640 safra 2005 na Grand Cru.

 

 

Degustação

Château Pavie “Premier Grand Cru Classé Saint-Émilion” 1999 – 13,5% álcool – Rubi violáceo profundo e intenso com halo granada. Nariz aberto com sugestões de fruta madura (ameixa), especiarias (cravo), couro sobre um fundo mineral com ótima sustentação desses aromas na taça. Seu perfil aromático destoa do padrão da região, mas não a ponto de negarmos sua origem. Boca que subscreve o nariz com taninos presentes de textura fina, sedosa e adocicada. Impressionante concentração de sabor com muita fruta madura, madeira integrada e frescor. Conjunto equilibrado e harmonioso. Largo e denso no meio de boca, termina longo e deixa uma nota adocicada. Chega ser guloso. O seu auge está próximo. No mínimo mais dez anos de vida na garrafa.

Avaliação: 95/100 pts. ++

 

 

 

 

 

 

Alion - Um Ribera Del Duero que dificilmente decepciona. Na safra 2004 obteve 96/100 pts. da WA de Robert Parker

No fim da década de 80 a Vega Sicília procurava um substituto para seu rótulo Valbuena Tercer Año. O objetivo era produzir um vinho mais atual, feito com cepas Tempranillo e amadurecido em carvalho francês novo, com uma presença maior de fruta. Queriam algo diferente do estilo dos seus vinhos tradicionais, com uma personalidade própria. Em 1987, a vinícola comprou 25 hectares de terras em Padilla del Duero e nela plantou a cepa Tinta Fina, nome local da onipresente Tempranillo. As uvas foram fermentadas na adega do Vega Sicília e em 1991 nasceu o primeiro Alión. O nome se refere à região de origem da família Alvarez, proprietária da vinícola, na província de Leon. Mais tarde, outras videiras foram plantadas em terras descansadas da Vega Sicília. A safra 2004 obteve 96/100 pts. de Robert Parker.

 

Degustação

Alión 2004 – 14,5% álcool – Ribera Del Duero – preço: R$ 280,00 – Mistral

Rubi violáceo escuro quase retinto. No nariz frutas escuras maduras (amora e framboesa), madeira fina (cedro) sobre um fundo balsâmico com uma discreta nota de mentol. Na boca a sua entrada revela um vinho estruturado, de taninos poderosos de textura fina lhe conferindo invulgar elegância. Acidez equilibrada, álcool integrado (apesar dos 14,5%), fruta e madeira bem entrosadas. Suculento e prazeroso tem um longo final e vida na garrafa pela frente.

Avaliação: 93/100 pts. ++

acinniskillin

Icewine é o vinho elaborado com uvas congeladas, como acontece com o Eiswein na Alemanha. Nele, pontificam as uvas Vidal, Riesling e Cabernet Franc (não são as únicas, contudo, são as mais importantes) colhidas tardiamente sendo necessário três dias com oito graus negativos para tal; pode ser um menor período, mas com temperaturas ainda mais baixas. As uvas são prensadas e a água congelada é separada do mosto, que ao ser fermentado produz um vinho de sobremesa de extrema concentração de sabor. Importante destacar que há necessidade de fiscalização de órgão competente na colheita para certificação. O vinho pode passar por madeira e existe também Icewine espumante.

O Canadá, na década de 1970, produzia vinhos alcoólicos e doces, todavia, com a fundação da Vinícola Inniskillin no distante ano de 1974, houve modificação desse quadro porque o foco passou a ser a qualidade, eis que o clima canadense é rigoroso, com invernos longos, muitas geadas e a época da colheita curta. Os principais vinhedos estão próximos aos lagos que atuam como moderadores das temperaturas e aqui o clima concorre favoravelmente para torná-lo o maior produtor desse vinho por conta do inverno extenso, mais rigoroso do que na própria Alemanha.

A Vidal é uma uva híbrida francesa (Ugni Blanc e Rayon d’Or) de pele grossa que resiste à botrytis e ao frio e que tem boa acidez.

 

Degustação – Inniskillin Vidal 2004 – 10% álcool – Região: Niagara-on-the-Lake – garrafa de 375 ml – sem importador para o Brasil – Ambar escuro brilhante. Intenso nos aromas com sugestões cítricas (laranja em calda), damasco e mel. Na boca, apresenta forte concentração de sabor e pleno equilíbrio do álcool (10%), da boa acidez e da fruta sentida no olfato. Untuoso, profundo e longo, destacou-se por conta de seu sabor concentrado e de seu frescor que lhe confere personalidade única. O destaque fica por conta do equilíbrio álcool/acidez/açúcar. Longe de ser cansativo, é tão concentrado que apenas uma tacinha satisfaz. Termina intenso e ácido. No retrogosto a repetição das notas cítricas. Deve ser bebido bem gelado e acompanha sobremesas, porém, é tão untuoso que poderá ser a própria sobremesa. Açucar residual aprox.130 g/litro. Brix na colheita, 32,6 ”

Nota: 90/100 pts.

A longevidade dos vinhos australianos: Lindemans Limestone Ridge 1998 e Penfolds Bin 2 Shiraz Mourvèdre 2001

Lindemans Limestone Ridge: vinho longevo que com 12 anos de garrafa ainda conserva boa fruta com equilíbrio e harmonia

Lindemans Limestone Ridge: vinho longevo que com 12 anos de garrafa ainda conserva boa fruta com equilíbrio e harmonia

O vinho australiano Lindemans Coonawarra leva Shiraz (78%) e Cabernet Sauvignon (22%), 13% álcool – Preço: de R$ 170,43 por R$ 85,21 no Expand Sale de 2005

A Lindemans é uma famosa vinícola australiana fundada pelo Dr. Henry John Lindemans, cuja filosofia era a de que o vinho tinha como prioridade o propósito de trazer felicidade aos homens. Essa filosofia vem sendo aplicada até hoje na produção de seus vinhos.

Os vinhos Lindemans deixaram de ser importados pela Expand bem antes do atual momento pelo qual passa essa importadora que inegavelmente teve no seu portfólio vinhos de ótima procedência de quase todos os cantos do mundo. O primeiro vinho australiano provado por este blogueiro foi o famoso Lindemans Bin 50 Shiraz, um vinho de notável caráter um bom exemplo da produção australiana e do domínio da Shiraz. Este “Limestone Ridge Vineyard Shiraz/Cabernet 1998” é um vinho da categoria premium e por isso muito bem feito. Este blend, obteve 87/100 pts. da Wine Spectator em 30.09.2002. É proveniente de vinhas velhas (1967) do aclamado vinhedo de 24 hectares denominado “Limestone Ridge”, assim chamado porque está localizado diretamente acima de uma crosta de pedra calcária que constitui a “espinha dorsal” da famosa região de “Coonawarra” ou “Terra Rossa”. A profundidade do solo é particularmente superficial e está assentado sobre uma base de pedra calcária excepcionalmente bem drenada. As vinhas têm baixos rendimentos. O vinho que daí resulta é um clássico e delicioso “Coonawarra”, com rica fruta picante, excelente estrutura e excepcional capacidade de envelhecimento. Maturado 14 meses em barrica de carvalho americana, no contra-rótulo consta que agüenta até 20 anos na garrafa, porém, na ficha técnica no portal do produtor consta que deverá ser bebido entre 2001 – 2012.

Degustação – Lindemans Limestone Ridge Coonawarra 1998

Rubi violáceo intenso com halo granada. Nariz aberto com sugestões de cassis, cravo e frutas negras (amora e framboesa) com uma boa dose de madeira sobre um fundo picante com sustentação desses aromas na taça. Boca que subscreve o nariz com sabores que remetem à casta majoritária estampada no rótulo. Invejável frescor para um vinho de doze anos, apresentou taninos fortes, acidez salivante e quase perfeita integração de seus elementos, porque a madeira que dá estrutura ao conjunto ainda está presente mas não encobre a fruta. Termina longo, intenso e deixa uma gostosa nota adocicada na boca. Agüenta de dois a cinco anos na garrafa com possibilidade de evolução. Um verdadeiro clássico australiano.

Avaliação: 91/100 pts. +

Penfolds Bin 2: nem o produtor acredita na sua longevidade. Um vinho prazeroso que custou menos de R$ 50 e que suportou mais de oito anos na garrafa sem dar sinais de declínio.

Penfolds Bin 2: nem o produtor acredita na sua longevidade. Um vinho prazeroso que custou menos de R$ 50 e que suportou mais de oito anos na garrafa sem dar sinais de declínio.

O segundo também é australiano: Penfolds Bin 2 Shiraz Mourvèdre 2001 – 13% álcool – South Eastern Australia

Na realidade estamos diante de um vinho estilo Rhone à moda Australiana, eis que duas das principais uvas autorizadas para os vinhos dessa região estão presentes neste corte produzido com uvas do sul da Austrália (não especifica a região), na proporção de 60% de Shiraz e o restante de Mourvèdre. O mosto passa 8 meses em barrica de carvalho francês e americano, com 5/6 anos de uso. Observação: numa consulta ao portal do produtor a última safra produzida foi a 2003 e no contra-rótulo consta a seguinte recomendação: “ Penfolds Bin 2 is made to be enjoyed immediately. This wine is soft and easy-drinking in style, with the juicy fruit flavours, which are typical of this blend”. Grifei o bebido imediatamente porque este vinho foi adquirido na importadora Mistral no distante 7 de dezembro de 2003, por US$ 21 convertidos para R$ 48,09 – ao câmbio de US$ 1 = R$ 2,92.

Degustação – Penfolds Bin 2 safra 2001

Cor granada com reflexo violáceo nas bordas. Aromas picantes e vegetais sobre um fundo mentolado. Leve nota terrosa e de fruta em compota. Na boca sua entrada é forte e uma nota de alcaçuz domina o conjunto de taninos ainda presentes de boa textura, madeira sem encobrir a fruta, acidez média com repetição das sugestões picantes sentidas no nariz. Longo e relativamente complexo, termina denso, rugoso e adocicado. Para resumir: um vinho picante que termina doce e que convida para o próximo gole. Garrafa conservada na adega climatizada desde sua aquisição. Vinho que se constitui prova de que muitas vezes nem o produtor acredita na longevidade dos vinhos que produz.

Avaliação: 88/100 pts.

Esvaziando a Adega 18a. edição com blogueiros: verticais de Marques da Casa Concha Merlot e Cabernet Sauvignon

Na linha Marques de Casa  Concha os vinhos tem o tradicional perfil chileno e por isso são confiáveis, porque apresentam correta relação preço-qualidade

Na linha Marques de Casa Concha os vinhos tem o tradicional perfil chileno, são confiáveis e apresentam correta relação preço-qualidade

A reunião foi realizada no sábado, 21 de abril de 2010, no “Empório Vila Buarque” (tel. 11 3721-1124), sito à Rua Major Sertório, 561, Vila Buarque, tel. 3214 – 2241, com a presença dos blogueiros abaixo indicados. O serviço do vinho transcorreu com serenidade, sem os habituais atropelos, confusões, superior ao de algumas casas já habituadas em receber confrarias porque os vinhos foram servidos rigorosamente na ordem pré-estabelecida.

Alexandre Frias www.diariodebacco.com.br

Beto Duarte papodevinho.blogspot.com

Cristiano Orlandi www.vivendovinhos.blogspot.com

Daniel Perches www.vinhosdecorte.com.br

MarcelodiMoraes www.marcelodimoraes.com/blog/index.php

Silvia Cintra Franco www.vinhoegastronomia.com.br

Vertical de Marques de Casa Concha Merlot 2002, 03, 04 e 2005

Vertical de Marques de Casa Concha Merlot 2002, 03, 04 e 2005

Degustações Verticais: conceito.

A resposta vem de Suzana Barelli - Revista Menu de julho de 2009:O vinho é a bebida alcoólica que mais nuance de aromas, sabores e estilos apresenta a cada safra. Por mais que a tecnologia, principalmente dos países do chamado Novo Mundo vinícola, consiga reduzir, e muito, as variações entre as safras, nunca um ano é igual ao outro. O clima, em anos com mais chuva, em outros com mais sol, é o principal responsável por estas mudanças – em 2003, de verão quentíssimo na Europa por exemplo, resultou em brancos e tintos alcoólicos, mais prontos para beber quando jovens e muitos com menor capacidade de envelhecimento. Mas há outros fatores como o estilo que o enólogo quer dar à bebida naquela safra, o envelhecimento do vinhedo, cada vez mais velho e com uvas mais concentradas, e o amadurecimento do vinho, agora na garrafa. Todas estas questões se revelam numa degustação vertical – quando diversas safras de um mesmo vinho são provadas na seqüência”.

Para tanto, os vinhos escolhidos são dois exemplares representativos da escola chilena, um Merlot do Vale de Rapel e um Cabernet Sauvignon de Puente Alto, Vale do Maipo, berço dos grandes Cabernets do Chile: Marques de Casa Concha, safras 2002, 2003, 2004, 2005 (Merlot) e 2003, 2005 e 2006 (Cabernet Sauvignon). Seu preço atual varia de R$ 65 (Cabernet Sauvignon, Supermercado “Dia”) a R$ 85,00 (CS e Merlot – Supermercado Pão de Açúcar). As safras que podem ser encontradas sem dificuldade são: 2006 e 2007 para Cabernet Sauvignon e 2006 para o Merlot.

Antes da degustação três espumantes foram abertos levados respectivamente por Silvia Cintra Franco, Alexandre Frias e Cristiano Orlandi:

Prosecco levado por Silvia

Prosecco levado por Silvia

1° Col de Salici Prosecco, Spumante Extra Dry, V.S.A.Q., 12,5% álcool, R$ 55,92 – Wine Brands – palha claro, aromas simples e francos confirmados na boca de bom frescor. Termina com discreto amargor. Nota: 85/100 pts.

Cave Geisse levado por Alexandre Frias

Cave Geisse levado por Alexandre Frias

2° Cave Geisse Nature Método Tradicional, 12,5% álcool – palha claro, aromas complexos, estruturado, macio, de ótimo frescor e tipicidade. Nota: 88/100 pts.

Este Moscatel foi do Cristiano

Este Moscatel foi levado por Cristiano

3° Casa Valduga Premium Espumante Moscatel, safra 2009, estilo clássico. – palha claro com reflexos esverdeados, aromático e balanceado. Fácil de beber, um espumante redondo que se destaca por seu frescor e relação preço-qualidade. Nota: 87/100 pts.

No sentido horário: Alexandre Frias, Daniel Perches, eu, Silvia Cintra Franco e Cristiano Orlandi

Da direita para esquerda: Alexandre Frias, Daniel Perches, eu, Silvia Cintra Franco e Cristiano Orlandi

Vertical MCC Merlot: um autêntico Merlot, como poucos.

1º. Lugar – safra 2002Vale de Rapel, Peumo – 14% álcool – 100% do mosto amadureceu 15 meses em barricas francesas, 1/3 novas e 2/3 de 2? uso. Enólogo Marcelo Papa. Rubi violáceo com discreto halo granada. Intenso e complexo no nariz com aromas de frutas negras, tabaco e nuances defumadas. Na boca os taninos sólidos e de firme textura confirmam as sensações olfativas com elegância e sedosidade. Enche o palato e causa intensa salivação. Um vinho clássico, que esbanja tipicidade e que termina longo e suave. Redondo e de fruta bem aparente. Este vinho é prova de não devemos acreditar piamente no julgamento considerando exclusivamente a sua safra, porque 2002 não foi uma boa safra no Chile e pela segunda vez este Merlot confirma sua excelência (vide conclusão no fim do texto). Agüenta mais um ou dois anos na garrafa com folga, mas não irá evoluir.

Nota: 90/100 – Importador: CyT do Brasil – preço médio em SP: R$ 65/85

2º. Lugar – safra 2005 – Vale de Rapel, Peumo – 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 18 meses em barricas francesas, 36% novas e 64% de 2? e 3° uso. – Aqui temos uma situação inversa. A safra 2003 foi “ímpar” o que em tese implicaria num vinho superior, todavia, isso não aconteceu. O vinho apresentou cor menos evoluída do que o 2002 e aromas menos intensos, notas de frutas vermelhas (cerejas) sobre um fundo de alcaçuz. No palato os taninos estão presentes (macios) e são de boa qualidade. A madeira dá sinais de integração à fruta. Longo e intenso deixa uma nota herbácea no final. Seu auge está por se aproximar.

Nota 88,5/100 pts. ++

3º. Lugar – safra 2004 Vale de Rapel, Peumo – 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 17 meses em barricas francesas, 36% novas e 64% de 2? e 3° uso. Rubi violáceo vivo. No nariz seus aromas são muito semelhantes ao MCC Cabernet Sauvignon 2003, com cassis, fruta em compota (ameixa) e café torrado. Na boca um vinho estruturado, com leve sobra de álcool, madeira por sobre a fruta, corpo bom, boa tipicidade com ameixa e uma ponta de chocolate. Intenso e profundo necessita de tempo para integração do conjunto.

Nota 88/100 pts. +

4º. Lugar – safra 2003 – Vale de Rapel, Peumo – 14% álcool – 100% do mosto amadureceu 17 meses em barricas francesas, 36% novas e 64% de 2? e 3° uso. Cor semelhante ao 2002 com halo de evolução menos nítido. Um pouco herbáceo no nariz (fechado), denso e de boa persistência, cujo estilo destoa dos demais porque não tem a concentração de sabor esperada. Existe algum equilíbrio entre fruta e taninos, mas muito abaixo do nível do 2002. Novamente se trata de um exemplar de safra ímpar que decepcionou, mas não muito porque um dos seus principais atributos é a tipicidade que foi confirmada. Será que mais algum tempo na garrafa contribuirá para o equilíbrio de seus elementos ou se trata de problema dessa garrafa?

Nota 86/100 pts.

A mesa preparada para degustação

A mesa preparada para degustação

Vertical MCC Cabernet Sauvignon: durante muito tempo o principal da vinícola até o surgimento do Don Melchor, todavia, a qualidade foi mantida. Vide abaixo:

1º. Lugar – safra 2003 – Vale do Maipo, Puente Alto, 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 18 meses em barricas francesas, 1/3 novas, 2/3 barricas de 2? uso e 3° uso.

Rubi violáceo intenso com profundidade. Nariz típico da casta com cassis, chocolate, ameixa e tostado. O álcool está bem entrosado com os demais elementos e o conjunto é equilibrado. Na boca a sua entrada revela um vinho estruturado, pronto, sedoso, de taninos fortes e macios repetindo as sensações olfativas com a livre expressão da fruta e discreto acento mineral. De longa persistência, termina como começou sem arestas e sem rusticidade. Ao contrário, porque se mostrou untuoso e fresco e seus sete anos de garrafa nada pesaram. 2003 foi considerada safra ótima no Chile. Ainda vai evoluir na garrafa. Aqui Marcelo Papa também é o enólogo.

Nota: 89/100 ++ – Importador: CyT do Brasil – preço médio R$ 65/85

2º. Lugar – safra 2005 – Vale do Maipo, Puente Alto, 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 18 meses em barricas francesas, 36% novas, 64% de 2? uso e 3° uso.

Muito semelhante ao exemplar anterior tanto na cor como nos aromas, mas menos intenso em tudo (olfato e palato). Macio e sedoso confirmou a excelente tipicidade da casta no Vale do Maipo. Vinho gostoso que vai evoluir muito bem na garrafa até 2015.

Nota 88/100 pts. + +

3º. Lugar – safra 2006 – Vale do Maipo, Puente Alto, 14,5% álcool – 100% do mosto amadureceu 18 meses em barricas francesas, 36% novas, 64% de 2? uso e 3° uso.

Este vinho é uma verdadeira incógnita. Bebido pela primeira vez na sede da Concha y Toro em fevereiro de 2009, praticamente teve seu perfil inalterado nesta segunda oportunidade. Rubi violáceo intenso com reflexo púrpura. Fechado no nariz com discretos aromas herbáceos. Na boca a madeira está por cima da fruta, mas ainda assim apresenta concentração de sabor e seus taninos são muito firmes. Os elementos álcool, fruta, taninos, acidez e madeira estão por se integrar. Termina longo e com uma ponta de rusticidade, sem perder tipicidade porque é um típico Cabernet do Vale do Maipo.

Nota 86/100 pts.

Degustação do MCC chardonnay 2007 na VCT em 11/2009

Degustação do MCC chardonnay 2007 na VCT em 11/2009

Resumo – Merlot

Parece que a frase “quanto mais velho melhor” tem plena aplicação ao vinho Marques de Casa Concha nas suas duas principais versões: Merlot e Cabernet Sauvignon. No Merlot a grande surpresa foi o excelente 2002 (que para quem escreve não foi novidade porque este vinho já havia confirmado sua supremacia numa degustação coordenada na SBAV em 07.02.2006), que provavelmente encontrou o seu auge e deverá ficar assim por mais um ou dois anos. Tudo indica que o segundo lugar, 2005, atingirá com mais alguns anos o mesmo nível de qualidade. O 2004 também tem longa vida pela frente e o 2003 decepcionou porque o nível de qualidade apresentado não possibilita nenhuma inferência sobre sua evolução. Será problema dessa garrafa? Será que ela faz parte da estatística mencionada por Hugh Johnson no seu celébre Guia de Vinhos, que estabelece que: “uma garrafa, numa caixa de doze, não estará necessariamente bouchonée, mas apenas misteriosamente abaixo do nível”.

Resumo – Cabernet Sauvignon

Sem fugir do espírito da frase supracitada, a lógica das safras chilenas ímpares foi confirmada: o 2003 é um vinho cujo auge se aproxima porque exibiu excelente tipicidade e pleno equilíbrio gustativo. Na mesma linha segue o 2005. O 2006, degustado por duas vezes é uma incógnita, porém, um juízo mais seguro poderá ser obtido degustando-o mais uma vez e tudo indica que isso ocorrerá brevemente, porque uma nova vertical desses vinhos será realizada com as seguintes safras:

Merlot – 2003, 2005 e 2007.

Cabernet Sauvignon – 1998, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.

Syrah – 2004, 2005 e 2006.

Chardonnay 1997, 2003, 2005 e 2007.

Entra da Viña Concha y Toro, no Vale do Maipo, ainda na região urbana de Santiago

Entrada da Viña Concha y Toro, no Vale do Maipo, ainda na região urbana de Santiago

Por fim, a conclusão final é que o Marques de Casa Concha nas duas principais versões é um vinho consistente, que se destaca por sua tipicidade e que, se não custa barato, ainda assim vale cada centavo. A única observação que faço das safras degustadas é que até 2006 a máxima “quanto mais velho melhor” tem plena aplicabilidade. Contudo, como já tivemos a oportunidade de degustar os exemplares de 2007 (CS e Merlot) “in loco” (na vinícola), posso afirmar que houve mudança no estilo, mas não para pior: a madeira está menos aparente e a fruta mais evidente. A safra 2007 também é apontada pela VCT como “safra histórica para tintos premium”. Essas garrafas serão incluídas na próxima vertical, eis que gentilmente me foram cedidas por Agnaldo Fidelis, Gerente Comercial da Concha y Toro do Brasil. As demais fazem parte de meu acervo e foram adquiridas na medida que iam sendo lançadas no mercado.

Saúde!

Vista parcial do Bistrot existente na Vinícola Concha y Toro: possibilidade de harmonização de vinhos com os pratos indicados no cardápio

Vista parcial do Bistrot existente na Vinícola Concha y Toro: possibilidade de harmonização de vinhos com os pratos indicados no cardápio

Vinhos Durienses da Quinta do Vallado na SBAV-SP, no dia 26 de abril de 2010, às 20:00 horas, com a presença do Diretor da Vinícola João Viterbo Ferreira

Quinta do Vallado: agora na Cantu - tel. 0300 210 10 10

Quinta do Vallado: agora na Cantu - tel. 0300 210 10 10

A Quinta do Vallado está localizada em Vilarinho de Freires, no centro do Douro, perto de Peso da Régua, cidade mais importante da região do Alto Douro e está implantada nas duas margens do rio Corgo, perto do ponto em que se une ao rio Douro. Com 38 ha de vinha com idades entre os 6 e os 10 anos, compensada por 26 ha das melhores parcelas da vinha com mais de 60 anos, gerida pela dupla Francisco Ferreira (gestão agrícola e administrativa) e João Álvares Ribeiro (área comercial), conta ainda com a ajuda do enólogo Francisco Olazabal. São todos familiares e descendentes da lendária Dona Antônia Adelaide Ferreira, que viveu no século XIX e historicamente ficou conhecida como a “Dona Ferreirinha”, empresária que dedicou a sua vida à cultura da vinha e à produção de vinho, no Douro. Por fim, cabe salientar que esses vinhos figuram nas listas das principais revistas de vinhos européias e da Wine Advocate (Robert Parker) e Wine Spectator em razão de suas altas pontuações.

Por exemplo: Quinta do Vallado Reserva 2006 – 88/100 pts. RP em 31.12.2008

Quinta do Vallado Touriga Nacional 2006 – 87/100 pts. RP em 31.12. 2008 e 92/100 WS – 28.02.2009.

Vinhos da degustação:
Quinta do Vallado Branco – R$ 77,50
Quinta do Vallado Douro 2007 – R$ 81,60
Quinta do Vallado Touriga Nacional 2006 – R$ 200,40
Quinta do Vallado Reserva 2006 – R$ 240,00

Local: SBAV-SP. Alameda Gabriel Monteiro da Silva 2586, Jd. Paulistano, São Paulo, SP, indispensável fazer reservas pelo tel 011 3814 7905, e-mail: vinho@sbavsp.com.br
Preços: sócios – R$ 40,00

Blogueiro e imprensa R$ 40,00. Não sócio: R$ 70,00

Além destes, um novo lote de novos vinhos chegou ao Brasil e está aguardando liberação do porto, que são:

Vallado Douro White
Vallado Reserva Douro
QVL Sousão Douro
QVL Adelaide
QVL Porto 10 Anos
QVL Porto 20 Anos

Degustação
Quinta do Vallado Douro DOC Reserva 2006 – 14,5% de álcool – R$ 240,00 (Cantu, tel 0300 210 10 10)
Elaborado à partir de vinhas velhas de Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela, Touriga Nacional, Sousão e Touriga Franca, com passagem por barrica de carvalho francês durante dezessete meses. Rubi intenso, profundo com reflexo violáceo nas bordas. Aromas florais com destaque para violetas, licor de cacau que depois de algum tempo cedeu espaço para uma nota defumada sobre um fundo de baunilha. Boca no mesmo diapasão, taninos aveludados de fina textura contrabalançados por acidez pungente e álcool integrado sem incomodar. Frutado (ameixa e figo), seu estilo está mais para um Bordeaux da margem direita (Saint-Emilión) do que para a margem esquerda. Maduro e com uma deliciosa nota de chocolate, é aristocrático, fino e elegante, termina intenso e deixa uma nota de especiarias na boca (canela).
Nota: 90,5/100 pts. +

Ventisquero Grey Chardonnay 2008

Bodega Ruca Malén, Agrelo, Mendoza

A Bodega Ruca malén está estabelecida na Ruta naciona 7, km 1.059, Agrelo, Mendoza, estrada que vai para o Chile

A Bodega Ruca Malén está estabelecida na Ruta Nacional 7, km 1.059, Agrelo, Mendoza, estrada que vai para o Chile

A Ruca Malén, sediada em Agrelo, zona alta de Luján de Cuyo/Mendoza é uma bodega cujos rótulos homenageiam as tradições mapuches e graças a seu árduo trabalho conseguiu um lugar de destaque no competitivo mercado local. Fundada em 1998 pelos experientes empresários do setor vitivinícola Jean-Pierre Thibaud (ex-presidente da Chandon Argentina) e Jacques Louis de Montalambert (de família tradicional da Borgonha), teve sua primeira safra em 1999. A contratação do enólogo Pablo Cúneo deu a essa bodega sediada em Agrelo uma clara direção. Colheita após colheita seus vinhos mantém qualidade homogênea. Esse bom resultado tem haver com a equipe que trabalha nos vinhedos. Por outro lado cabe destacar que 45% da produção são exportados para diversos países, dentre os quais México, Canadá, Estados Unidos, Brasil, Colômbia, Equador, Uruguai, República Dominicana, Inglaterra, França, Espanha, Suíça, Holanda, etc. e o restante é comercializado no comércio interno.

Restaurante: serviço à francesa com a opção de  cinco menus harmonizados com vinhos da bodega

Restaurante: serviço à francesa com a opção de cinco menus harmonizados com vinhos da bodega

A Bodega está estabelecida à beira da Ruta Nacional 7, que atravessa toda Cordilheira e vai para o Chile (cerca de pouco mais de 400 km). Foi instalado um restaurante luxuoso que recebe turistas do mundo inteiro e que tem serviço “à francesa” com cardápio fixo com ênfase na compatibilização enogastronomica. A visão que se tem do restaurante é idílica com os picos nevados da Cordilheira dos Andes ao fundo e vinhedos por todos os lados. É uma visita obrigatória para quem vai a Mendoza.

A visita pode ser feita em três línguas: espanhol, inglês ou português. A realização de degustações verticais com vinhos da linha Ruca Malén Cabernet Sauvignon ou Malbec é corriqueira, basta avisar com antecedência. Também são oferecidos almoços de segunda a domingo com reserva prévia. Existe um menu fixo de cinco pratos harmonizados com toda linha de vinhos. Há também a opção de degustação com acompanhamento de uma tábua de queijos e frios.

Sobre os vinhos.

Quem escreve essas linhas teve oportunidade de conhecer a vinícola e seus vinhos pela primeira vez, em fevereiro de 2007. Pablo Cúneo (ex-Chandon) ainda não era enólogo da vinícola. A única recordação que ficou foi do serviço e da comida do restaurante, de nível elevado. Os vinhos eram marcados pela madeira e não chamaram a atenção. Todavia, nesta oportunidade, a qualidade mudou e para melhor. Os vinhos de Pablo, a despeito de serem um pouco padronizados, são caracterizados pelo respeito à fruta. Aliás, Pablo é uma lhaneza singular. Tem ótima didática e responde a todas indagações sem vacilações. Também não é à toa, porque se trata de alguém que teve oportunidade de trabalhar com o inesquecível enólogo Roberto de La Mota, um dos maiores enólogos que a Argentina já teve. Como supramencionado, a única observação cabente é que alguns vinhos, principalmente os da linha Ruca Malén, que são rotulados como “Reserva”, são um pouco parecidos, exceto o delicioso Petit Verdot 2008, que recentemente obteve a distinção “Trophy” no concurso “Argentina Wine Awards 2010”, medalha de ouro, ou seja, na análise de dois grupos de julgadores, passou no último dia por uma reavaliação de todos os jurados em conjunto, para se estabelecer o melhor em cada categoria, cabendo aí essa distinção. Eis ai um vinho que respeita o caráter varietal da cepa é que serve de exemplo dos bons vinhos que a liberdade criadora do Novo Mundo pode proporcionar. A safra 2007 está à venda na Hannover de SP por R$ 54,00 (tel 011 2638 0879) e sua qualidade é tão boa quanto o 2008 (ver post de 23.03.2010). Também cabe destacar que cerca de 400 mil garrafas/ano são comercializadas e a vinícola objetiva vender um milhão de garrafas em cinco anos.

Hannover: sede em Porto Alegre com filial em São Paulo - tel 011 2638 0879

Hannover: sede em Porto Alegre com filial em São Paulo - tel 011 2638-0881

Sobre o importador: Hannover vinhos (tel 011 2638 0881 – SP e 051 3337 3890 – RS)

Niels Bosner começou a se identificar com o mundo do vinho na década de 90. Em 95 abriu sua importadora e começou a trazer ao Brasil vinhos de qualidade diferenciada. Sua política é trabalhar com produtos que possam agradar aos paladares mais exigentes. Muitas vezes busca produtores que ainda não são conhecidos no Brasil, porém que trabalham com a mesma dedicação e empenho na busca pela qualidade de seus vinhos. Este foi o caso da vinícola chilena Viu Manent, que há 11 anos era praticamente desconhecida no país e que hoje tem sua marca associada a produtos de excelência. Atualmente, seu portfólio conta com mais dois produtores argentinos: Bodega Serrera e Ruca Malén e do Uruguai, Gimenez Mendez.

A Hannover Vinhos busca alcançar o mesmo sucesso com seus demais parceiros e a expectativa de crescimento para os próximos 02 anos gira em torno de 15 a 20%, tanto com os produtos com os quais já trabalha como com novos projetos que estão sendo analisados.

Sobre a degustação

Houve uma verdadeira maratona do vinho, porque foram degustados todos os vinhos produzidos na atualidade pela Ruca Malén e diversas amostras de barrica. O estilo dos vinhos de Pablo se impõe e podemos dizer que a vinícola deu uma guinada rumo à qualidade. Na degustação vertical do principal vinho da vinícola – o Ruca Malén Malbec – facilmente se distinguia os vinhos anteriores ao seu ingresso na vinícola dos vinhos feitos por ele. Enquanto os vinhos 2005 e 2006 tinham nível de qualidade razoável para seu preço, os seguintes – 2007 e 2008 – já possuem estilo mais definido, com a fruta se destacando no olfato e o palato confirmando-a com uma nota de groselha e madeira bem encartada. O 2007, melhor de todos, alcançou 88/100 pts. + (vide abaixo).

Também foram convincentes os vinhos da linha Kinién. O Cabernet Sauvignon confirmou a supremacia dessa casta na produção de grandes vinhos na Argentina. O único defeito é o preço, um pouco elevado. Mas não se trata de um vinho para o dia-a-dia, mas sim de um caldo para ser bebido somente em ocasiões especiais, especialíssimas.

Por fim, surpreendente o nível de qualidade dos vinhos que ainda se encontram afinando nas barricas – 70% francesas e 30% americanas, num total de 250. Um deles será um Super Blend de Cabernet Sauvignon, Malbec e Petit Verdot, que já está na iminência de ser liberado. Outro vinho amostra legítima de barrica – Malbec Altamira – simplesmente foi apontado pela maioria dos visitantes como o melhor Malbec de toda a visita (vide descrição abaixo), vinho que já nasce vitorioso e já tem seu lugar garantido no horizonte dos grandes malbecs platinos, todavia, a nossa torcida é para que vinhos desse jaez não cheguem ao Brasil na casa dos R$ 300/400, o que acaba por inviabilizar sua venda porque nessa faixa há muitos vinhos do Velho Mundo de ótima procedência e os caldos do Novo Mundo perdem o seu maior apelo que é justamente a exatidão da equação “preço-qualidade”.

Degustação

Ruca Malén Chardonnay 2009 – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – ainda não disponível no Brasil – Ruca Malén significa em idioma Mapuche “a casa da jovem”. Palha com reflexos levemente dourados. Nariz amanteigado com fruta madura, repetida na boca. Gordo e com alguma untuosidade tem bom frescor e tipicidade e um discreto travo amargo que não incomoda.

Nota: 87/100 pts.

Yauquén - vinho redondo e fácil de beber que valoriza a fruta

Yauquén - vinho redondo e fácil de beber que valoriza a fruta

Yauquén Malbec 2009 – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – álcool: 13,9% – ainda não disponível no Brasil – Rubi violáceo intenso. No nariz violetas e frutas vermelhas. Vinho limpo (sem interferência de madeira), jovem, frutado, taninos macios. Beber ligeiramente refrescado. Ótima tipicidade e relação preço-qualidade interessante porque deverá custar no máximo R$ 35,00.

Nota: 87/100 pts.

Yauquén Cabernet Sauvignon 2009 – região: Agrelo/Luján de Cuyo/Mendoza – preço: ainda não disponível no Brasil – mesma cor do anterior. Intenso no nariz com toque herbáceo. Boca com taninos em evidência de boa qualidade. Nota de pimentão. Alguma tipicidade. Bom para os pratos do dia-a-dia.

Nota: 86/100 pts.

Degustação de vinhos que ainda estão amadurecendo nas barricas

Degustação de vinhos que ainda estão amadurecendo nas barricas

Ruca Malén Syrah 2007 – 14,2% álcool – região: Agrelo/Luján de Cuyo/Mendoza – não disponível no Brasil – Rubi intenso com reflexos violáceos. No nariz é picante, terroso, vegetal com um toque de especiarias a confirmar a casta. Na boca sobra álcool, exibe fruta fresca, madeira, defumado. Final áspero e secante. Acredito que mais algum tempo na garrafa concorrerá para integração de seus elementos.Nota: 85/100 pts.

Vertical

Ruca Malén Malbec 2005 – região: Agrelo/Luján de Cuyo/Mendoza – preço: não disponível no Brasil (esgotado) – essa linha se caracteriza pela concentração o que já pode ser notado na cor, rubi violáceo profundo. Toques florais (violetas) e de madeira no nariz. Boca macia. Taninos redondos e amaciados pelo tempo na garrafa. Curto e de boa acidez, exibiu boa evolução e está no ponto.

Nota: 86/100 pts.

Ruca Malén Malbec 2006 – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – preço: R$ 54,00 – A safra de 2006 foi excelente em Mendoza e isso pode facilmente ser notado na intensidade da cor e na paleta aromática deste vinho, complexa e diversificada (toques florais e groselha). Na boca apresentou taninos vivos, polidos e macios. Intenso, ainda tem longa sobrevida na garrafa e pinceladas de ameixa em calda e figo no palato. Termina redondo e sedoso.

Nota: 87/100 pts.

Ruca Malén Malbec 2007 – região: Agrelo/Luján de Cuyo/Mendoza – preço: R$ 54,00 – Rubi violáceo com reflexo púrpura nas bordas. No aromas é mais intenso do que o anterior com muita fruta vermelha e leve toque defumado da madeira sobre um fundo de chocolate. Na boca é rico, taninos finos, boa acidez, longo e intenso. Termina com uma nota condimentada. Boa relação preço-qualidade e mais três de evolução na garrafa.

Nota: 88/100 pts. +

Ruca Malén Malbec 2008 – região: Agrelo/Luján de Cuyo/Mendoza - ainda não disponível no Brasil – Púrpura intenso quase negro. Nariz fechado com uma leve nota herbácea. Boca poderosa e tânica. A fruta está presente mas um pouco encoberta pela madeira. Precisa de tempo, mas sinaliza que terá o mesmo nível de qualidade das safras anteriores.

Nota: 86,5/100 pts. +

Ruca Malén Merlot 2007 – álcool: 13,7% – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – preço: não disponível no Brasil – Rubi intenso. Fechado e unidimensional nos aromas com notas vegetais. Na boca a sua entrada é macia. Taninos em evolução. Porém o seu final destoa do conjunto porque termina rústico e secante. Poucos produtores na Argentina se interessam pela Merlot, porque amiúde seu espaço é ocupado pela maciez proporcionada pelos Malbec platinos, densos e sedosos. Mesmo assim foi elogiado.

Nota: 85/100 pts.

Ruca Malén Cabernet Sauvignon 2007 – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – preço: R$ 54,00 – Rubi concentrado. Aromas picantes com leve nota herbácea. Largo no meio de boca, exibe taninos macios e potentes. Termina com alguma aspereza cujo tempo de amadurecimento na garrafa se encarregará de suavizá-la. Típico e bom para churrasco.

Nota: 87/100 pts.

Petit Verdot Reserva 2008: premiado recentemente é um dos melhores representantes da casta no solo platino

Petit Verdot Reserva 2008: premiado recentemente é um dos melhores representantes da casta no solo platino

Ruca Malén Petit Verdot 2008 – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – ainda não disponível no Brasil (somente o 2007 mesmo nível de qualidade) – Rubi violáceo profundo com reflexo púrpura. Olfato tomado por uma forte nota cremosa que depois cede espaço para café torrado e especiarias, leve floral e fruta madura, tudo de forma definida e integrada. Boca forte, rica, quente, intensa com taninos presentes de ótima textura. É um vinho de personalidade que tem “nervo”. Equilíbrio no álcool, acidez e madeira, que por sinal está bem colocada (doze meses em barris de carvalho de 1º, 2º e 3º uso, 85% franceses e 15% americanos) e permite a expressão da fruta madura (ameixa/framboesa). De produção pequena, mostrou tipicidade da casta no Novo Mundo e no concurso “Argentina Wine Awards 2010” este exemplar obteve medalha de ouro e a distinção “Trophy”, ou seja, na análise de dois grupos de julgadores, passou no último dia por uma reavaliação de todos os jurados em conjunto, para se estabelecer o melhor em cada categoria, cabendo aí essa distinção. Ótimo exemplo para quem desejar conhecer essa intrigante casta. À conferir.

Nota: 89/100 pts. ++

Ruca Malén Kinien Blend 2007 - lançamento breve

Ruca Malén Kinien Blend 2007 - lançamento breve

Kinién Malbec 2007 - região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – safra: – preço estimado: R$ 207,00 – Kinién no idioma mapuche significa primeiro, único. Aqui subimos o nível da degustação para vinho “Super Premium”.Muito concentrado na cor, nariz frutado com balsâmico e chocolate com boa sustentação. Boca forte, intensa e profunda com taninos aveludados. Tudo no sítio certo neste vinho denso e sedoso: fruta, madeira, taninos, álcool e acidez. Aqui a mão do enólogo Pablo Cúneo faz a diferença: um vinho que obrigatoriamente tem de figurar na lista dos grandes malbecs platinos. Vai longe…

Nota: 89/100 pts. + +

Kinién Malbec 2008 – origem: Argentina – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – safra: – preço estimado: ainda não disponível no Brasil – perfil muito semelhante ao 2007, porém, ainda fechado e com menos presença na boca. Elegante, rico e intenso, precisa de mais seis meses na garrafa para integração de seus elementos.

Nota: 87,5/100 pts. +

Kinién Cabernet Sauvignon 2007 – região: Agrelo/Luján de Cuyo/Mendoza – preço: R$ 207,00 – Bebido pela primeira vez em 27.08.2010, a descrição é praticamente a mesma com mais equilíbrio proporcionado pelo correto amadurecimento na garrafa nesse período: retinto na cor, aromas balsâmicos, alcaçuz, mineral e mentol. Na boca é seco, intenso, de taninos de qualidade elevada. O equilíbrio do álcool generoso, da acidez salivante, da maciez de seus taninos e da madeira bem colocada (dezesseis meses em carvalho francês de primeiro uso) lhe outorgam uma estrutura firme e sólida. Termina persistente e saboroso. Inegavelmente um dos melhores exemplares dessa casta em solo platino e que tem plenas condições de rivalizar com seus pares do outro lado da Cordilheira. Seguirá evoluindo na garrafa nos próximos 5/10 anos. Gastronomia: carne de ternero.

Nota: 90/100 pts. ++

Kinién Cabernet Sauvignon 2008 – região: Agrelo/Luján de Cuyo/Mendoza – ainda não disponível no Brasil – Cor idêntica à do vinho anterior, nariz menos intenso, de boa tipicidade e boca no mesmo diapasão, com taninos de qualidade muito boa em evidência sem incomodar. Também se destaca por sua força e elegância no palato e a tipicidade também é um de seus diferenciais. Longa guarda.

Nota: 88/100 pts. +

Kinién Blend 2007 – origem: Argentina – região: Agrelo/ Luján de Cuyo/Mendoza – uvas: Cabernet Sauvignon (56%), Malbec (34%) e Petit Verdot (10%) – preço estimado: acima de R$ 200,00 Para este vinho foram selecionadas barricas francesas François Freres, de grão fino e tostado médio. Este vinho foi produzido com inspiração no grande enólogo argentino Don Raul de La Mota (que trabalhou na tradicional Bodega Weinert), internacionalmente conhecido. Raul foi discípulo de Emile Peynaud e Ribereau-Gayon, estudioso de enologia preocupado com a produção de vinhos bem elaborados. Cor intensa e ótima complexidade olfativa com especiarias, fruta em compota, chocolate, framboesa, tudo entrelaçado harmonicamente com muita concentração. Na boca subscreve plenamente o palato e se constitui prova inequívoca de que os grandes vinhos argentinos podem ter a Malbec como solista ou coadjuvante. Mdestamente, entendemos qie a essa casta é capaz de produzir vinhos extraordinários se mesclada à Cabernet Sauvignon e outras castas ditas “internacionais.

Nota: 90/100 pts. + +

Vista parcial da sala de barricas, local onde os vinhos amadurecem

Vista parcial da sala de barricas, local onde os vinhos amadurecem

Kinién Malbec 2007 – região: Altamira/Vale de Uco/Mendoza – amostra de barrica – Um vinho que já se impõe por sua linda cor púrpura com reflexo arroxeado. A Finca Altamira está localizada em La Consulta, Valle de Uco, a 100 quilômetros ao Sul de Mendoza, a 1.050 metros de acima do nível do mar, à margem do Rio Tunuyan. Significa a busca pelo melhor terroir platino, porque a combinação entre o clima, solo e uvas resultam em vinhos de extraordinária personalidade e homogeneidade e isso pode ser constatado na degustação deste que será mais um na constelação argentina de grandes Malbecs. A elaboração deste magnífico vinho é produto da generosidade da natureza e da mão do homem, representando pelo genial trabalho de Pablo Cúneo. Muito aveludado na boca com taninos delicados e de excelente textura, chamou atenção pela intensidade de fruta, elegância e tempo de permanência no palato. Seguramente 10 ou mais anos de evolução na garrafa.

Nota: 91/100 pts. + +

Jean-Pierre Thibaud e Pablo Cúneo conduziram a degustação dos vinhos Juca Malén

Jean-Pierre Thibaud e Pablo Cúneo conduziram a degustação dos vinhos Ruca Malén

No centro da foto o enólogo Pablo Cúneo, que anunciou o lançamento de um "super malbec" com uvas oriudas de um dos terroirs mais valorizados na Argentina do momento: Altamira

No centro da foto o enólogo Pablo Cúneo, que anunciou o lançamento de um "super malbec" com uvas oriundas de um dos terroirs mais valorizados da Argentina do momento: Altamira

Bodega Serrera, Tupungato, Lunlunta, Vale de Uco – Mendoza – Argentina

Vale de Uco. Ao fundo o vulcão Tupungato
Vale de Uco. Ao fundo o vulcão Tupungato

Enquanto Mendoza é a região vitivinícola mais importante da Argentina, responsável por 70% do vinho, não se pode dizer que seja um mar homogêneo de Malbec. Cada distrito, dentro de Mendoza, pode se orgulhar de sua própria interpretação desta cepa tinta. Se quisermos generalizar podemos dizer, por exemplo, que o vinho de Malbec foi produzido com uvas do Vale de Uco somente. Todavia, não podemos diexar de lado o que está acontecendo em regiões como San Carlos, Tunuyan e Tupungato, porque a diferença de vinhos da mesma cepa impressiona até o mais desatento dos degustadores. O mesmo raciocínio vale para a DOC Luján de Cuyo, uma vez que existem alguns excelentes vinhos provenientes dos subdstritos de Agrelo, Perdriel, Vistalba e Ugartche e cada vez mais de Maipú e subsdistritos de Cruz de Piedra, Las Margaritas e Lunlunta. Se a Malbec exerce o papel inconteste de rei, o papel de rainha é protagonizado pela Torrontés, considerada a principal cepa branca da Argentina, sem a existência de similar internacional. Essa uva branca aromática é encontrada exclusivamente no país platino, onde uma grande variedade de vinhos de estilos diferentes são produzidos conforme sua região de origem. A Torrontés de Cafayate, no Vale do Calchaquíes (província de Salta), é o exemplar mais exótico e excitante e que procura exprimir o máximo caráter varietal desta cepa. Ela normalmente exibe um aroma floral que praticamente é a sua assinatura, notas de especiarias e uma doçura que faz pensar que se trata de um vinho doce. Ledo engano. A Torrontés produz um vinho seco e de bom frescor que acompanha bem comida oriental e empanadas.

 

 

Propriedade da Serreira em Tupungato
Propriedade da Serrera em Tupungato

Nesse contexto, a Serrera Wines (www.serrera.com.ar) nasceu da confluência de interesses de três amigos, a saber: Hernán Cortegoso, Vito Ramonda e Andrés Beutin. A seguir o perfil de cada um:

Hernán Cortegoso é o principal enólogo e com toda sua sinceridade e alegria, produz vinhos sincerosque não procuram ser o que não são (frase de Didú Russo)”. Tem um currículo respeitável: está no comando das vinhas e da produção do vinho. Engenheiro Agrícola e Enólogo, iniciou sua carreira na área do vinho, sendo responsável pela produção de uvas finas para as empresas internacionais (Grupo Pernod Ricard, Trapiche, Zuccardi, Navarro Correas, Chandon, Henri Piper, Gancia, etc.). Atualmente é o responsável pelo desenvolvimento e execução de projetos de produção de vinhos, apoiado por profissionais reconhecidos da França, Austrália, Estados Unidos, Israel e África do Sul entre outros. Seu conhecimento das diferentes regiões vitivinícolas levou à busca de novas oportunidades e potencialidades nos variados terroirs platinos. Por fim, atualmente coordena as técnicas de vinificação da Bodega Marton Andina.

 

Vito Ramonda é o Gerente Administrativo da vinícola e cuida das vendas para o mercado interno e externo. É formado em contabilidade pela Universidad Nacional de Cuyo e tem apego às montanhas e à natureza de Mendoza. Serviu em diversas forças-tarefa, emprestando seus conhecimentos e experiência na organização e gestão de empresas de prestígio. Responsável pela gestão da administração da adega e da rede de vendas nacional e internacional.

Andrés Beutin faleceu recentemente aos 42 anos. Era um jovem empresário que sempre se relacionou com o turismo e serviços, com muitos anos de experiência e atuou em importantes empresas argentinas e européias.

 

Vito Ramonda, Andrés Beutin e Hernan Cortegoso

Vito Ramonda, Andrés Beutin e Hernán Cortegoso

 

A Serrera – Marton Andina possui vinhedos em quatro regiões diferentes, que são classificados como “Terroirs”:

Terroir Tupungato

Terroir Lunlunta

Terroir Perdriel

Terroir Cordillera del Limite

Conta ainda com 120 hectares de plantações, 100 dos quais localizados em Tupungato e o restante em Lunlunta, Vale de Uco. Exporta sua produção para Áustria, Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, EUA, França e Noruega.

 

 

Passeio nos vinhedos
Passeio nos vinhedos

Em Tupungato, Vale de Uco, será construída a nova sede da vinícola. Tupungato é ovulcão que atinge 6.800 metros de altura e que só perde para o pico Aconcágua. Sua extensão é de 60 km de norte a sul e tem largura aproximada de 20 km. Além de frutas, mais de 15 mil hectares de videiras plantadas e irrigadas com águas do rio Tunuyan, cujas águas formam um notável aqüífero subterrâneo.

 

 

O clima é temperado e as noites no verão são frescas. A amplitude térmica e a localização privilegiada dos vinhedos permitem uvas de uma grande expressão aromática, possibilitando a elaboração de vinhos complexos e elegantes. É um vale cobiçado pelos grandes vinicultores porque produz uvas de alta qualidade, de caráter varietal distinto e concentração adequada para a elaboração de vinhos finos. Conhecendo o bom desempenho de variedades brancas no vale, a Serrera também está a cultivar cepas como Chardonnay, Sauvignon Blanc e Semillón. Na ala das tintas, existe uma distribuição equilibrada das variedades Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Tannat e Tempranillo.

 

Na área superior de Lujan de Cuyo, perto da Ruta 40, o Rio Mendoza exerce sua influência sobre um lugar pequeno, único, apontado como um dos terroirs mais interessantes da Argentina. Esse lugar chama-se “Lunlunta”, onde são cultivadas as uvas do principal vinho da Bodega, o Serrera Gran Guarda.

 

Sede da vinícola em Lunlunta
Vinhedo na sede da vinícola em Lunlunta

Por isso, o vinhedo La Serrera é pequeno no tamanho, mas importante para a Marton Andina. Os donos da vinícola separaram pessoalmente as vinhas que foram recuperadas, como originalmente plantadas no início do século passado e ficaram atônitos com a vitalidade das plantas. Além disso, executam com suas próprias mãos todas as atividades para elaboração do vinho, desde cavar buracos para as instalações, plantando, regando, efetuando cura, poda, colheita, etc.

 

 

Sobre Lunlunta
Lunlunta é um pequeno paraíso para as vinhas por conta de sua calmaria, berço ideal para os grandes vinhos. A Malbec sempre desempenhou papel fundamental nesta área, permitindo a produção de vinhos com grande potencial. Todavia, na busca pelo “terroir” que proporcione vinhos originais e complexos, foram plantadas pequenas parcelas de outras variedades que possibilitem elaborar um vinho feito à partir de um blend ou lote de uvas. Assim, o Vale de Lunlunta é importante na história da Serrera. Seu solo é altamente pedregoso e permite uma boa drenagem das videiras. A produção é pequena e os vinhos apresentam boa extração de cor e de aromas. Para os nativos, cada colheita em Lunlunta é como um milagre, o “milagre do outono”.

 

  

Vinhos Serrera

Vinhos Serrera

 

Espumante Serrera: chardonnay e chenin blanc em partes iguais

Espumante Serrera: Chardonnay e Chenin Blanc em partes iguais

Impressões sobre os vinhos

 

O Serrera Bonarda 2008, um dos melhores caldos degustados em toda a viagem:redondo, limpo, sem excessos de madeira ou de álcool, sem retoques ou truques e que valoriza a casta, com tipicidade, boa acidez e taninos macios. Deveria estar na carta das melhores cantinas de São Paulo. É o tipo de vinho “best value for money” .

Já o Serrera Malbec 2008, se mostrou superior ao exemplar 2007 provado em 12.05.2009. Tem o mesmo estilo dos outros vinhos com a fruta desempenhando o papel principal e a exemplo dos dois exemplares anteriores também não faz mal para o bolso. O Serrera Syrah 2007 não apresentou evolução significativa e teve sua nota inalterada – a mesma dada em maio de 2009 (85/100 pts.). Apresenta nos aromas nuances da casta antigamente conhecida na Argentina por “Balsamina”.

 

Por fim, o Serrera Gran Guarda 2006, lote das uvas Malbec, Cabernet Sauvignon e Tannat em proporções não divulgadas, confirmou a assertiva de que a safra 2006 foi uma das melhores dos últimos anos na Argentina. Denso, sedoso e com camadas de frutas consegue conciliar potência com elegância. Já está pronto, mas deverá apresentar ótima evolução na garrafa nos próximos anos. Segundo informação de Vito Ramonda, obteve 89/100 pts. da Wine Advocate de Robert Parker.

 

Após a degustação, homenagem a Andrés Beutin, um dos donos da vinícola morto recentemente

Após a degustação, homenagem a Andrés Beutin, um dos donos da vinícola morto recentemente

Cabe destacar que a degustação contou com serviço do vinho correto e ao final foi servido um delicioso churrasco argentino. Antes, porém, foi feita homenagem a Andrés Beutin (42 anos), sócio falecido recentemente, com discursos emocionados de Vito Ramonda, Hernán Cortegoso e Niels Bosner (Hannover).

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Os vinhos Serrera são importados para o Brasil através da Hannover, com sede em Porto Alegre e representação em São Paulo (Capital – tel 011 2638 0881).

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Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados no dia 25.03.2010:

 

Serrera Reserva Torrontés – safra: 2009 – álcool: 12,8% – região: Maipú/Mendoza -preço: R$ 44,00 – produzido com uvas da “Finca Beltrán”, que tem vinhedos de mais de trinta anos e o solo é argilo-pedregoso, este delicioso Torrontés Riojano apresentou coloração palha claro límpido e brilhante. Nariz vegetal com toques de erva cidreira sobre um fundo floral. Não é muito complexo nem intenso, porém, não chega a ser enjoativo, ao contrário é agradável aromaticamente. Na boca compensou o caráter unidimensional com muito frescor, maciez e uma pontinha cítrica. Guloso e pleno no meio de boca apresentou harmonia com as famosas “empanadas argentinas”. Terminou intenso e sem nenhum amargor. Tem relação preço-qualidade e na opinião de quem escreve essas linhas é um dos melhores exemplares dessa casta platina. Possui vocação gastronômica, principalmente comida asiática. Avaliação: 88/100 pts.

 

 

churrasco argentino

churrasco argentino

Serrera Del Pecado Malbec/Cabernet Sauvignon (parte iguais) – safra: 2008 – álcool: 14% – regiões: Lunlunta e Perdriel/Luján de Cuyo/Mendoza – preço: R$ 32,00 – Elaborado com uvas de vinhedo de mais de 90 anos, apenas 20% do mosto passa por infusão de carvalho. Cor rubi violáceo com alguma intensidade. Simples e franco no nariz com sugestões de frutas vermelhas e leve toque de ameixa. Na boca confirma o nariz com boa fruta, taninos macios e corpo adequado. Fácil de beber é uma prova inconteste de que a Cabernet Sauvignon é a parceira ideal da Malbec. Termina sem adstringência e possui relação preço-qualidade atraente para o consumidor. Um bom vinho para o dia-a-dia. Avaliação: 86/100 pts.

 

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Serrera Moments Malbec – safra: 2007 – álcool: 13,8% – regiões: Lunlunta e Perdriel/Luján de Cuyo/Mendoza – preço: R$ 44,00 – Rubi violáceo com mais intensidade do que o exemplar anterior. Nariz com os aromas típicos da casta: leve compota de ameixa e uma pontinha láctea sobre um fundo chocolate. Boca franca, redonda, taninos macios, madeira bem entrosada com a fruta, corpo bom e boa acidez. Termina com uma ponta de adstringência. Avaliação: 86/100 pts.

 

 

 

 

Serrera Reserva Bonarda – safra: 2008 – álcool: 14% – região: não indicada , apenas “parreiral antigo (40/45 anos) de baixa produção” – preço: R$ 44,00 – amadurecido em barricas de carvalho por oito meses é um dos vinhos mais emblemáticos dessa vinícola por conta de sua consistência porque apresenta pouca variação a cada nova safra. Sua cor é rubi violácea profunda com reflexo púrpura. Entrega aromas frutados no nariz com destaque para amoras, ameixas e framboesa. Na boca não é um vinho sofisticado ou luxuriante. É simples, franco e de perfil nitidamente gastronômico por conta de sua acidez. Seus taninos estão discretamente presentes e concorrem para o equilíbrio do conjunto. Sem sobra de álcool ou excesso de madeira, é um vinho que privilegia a fruta e que demonstra o bom trabalho do enólogo da vinícola no manejo da cepa. Um vinho para o dia-a-dia  que demonstra o potencial da casta. À conferir. Avaliação: 88/100 pts.

 

 

 

Serrera Reserva Syrah – safra 2007 – álcool: 14% – região: Valle de Guanacache, entre San Juan e Mendoza – preço: R$ 44,00 – O Vale de Guanacache está situado no sopé da Cordilheira dos Andes, perto da fronteira entre as províncias de San Juan e Mendoza. Este lugar é árido e a Syrah demonstra boa adaptação, porque o clima apresenta maior rigor durante o dia, mas frio à noite, com grande semelhança geográfica e climática com algumas áreas de cultivo da Austrália, líder mundial na produção dessa casta. Análise organoléptica: rubi intenso, exibiu aromas mentolados com uma ponta de especiarias confirmando a tipicidade da casta. Uma notinha terrosa e herbácea completa o conjunto. Na boca um degrau a menos, a sua entrada é quente, picante, alguma adstringência, média concentração de sabor com fruta fresca e corpo bom. Intenso, termina com leve aspereza no limite do aceitável. Avaliação: 85/100 pts.

 

 

 

 

Serrera Reserva Malbec – safra 2008 – álcool: 14% – regiões: Lunlunta e Perdriel/Luján de Cuyo/Mendoza – preço: R$ 44,00 – Rubi violáceo intenso, concentrado e profundo. No nariz subscreve os aromas típicos da casta com violetas, frutas negras sobre um fundo balsâmico. Na boca apresenta taninos macios, boa fruta sem conflito com madeira e bom frescor. Fácil de beber é um vinho bem moldado que nesta safra está demonstrando mais equilíbrio e tipicidade do que na safra anterior. Bom para churrascos e detentor de relação preço-qualidade. Avaliação: 87/100 pts.

 

 

Rio Mendoza - 400 km de extensão

Rio Mendoza - 400 km de extensão

 

Serrera Gran Guarda – safra 2006 – álcool: 13,5% – regiões: Perdriel e Lunluntauvas: Malbec, Cabernet Sauvignon e Tannat – preço: R$ 130,00 – elaborado com uvas de vinhedos de mais de 90 anos de idade numa altitude de 950 metros, amadurecido em barricas de carvalho de primeiro uso durante 12 meses e afinado na garrafa por mais 12 meses antes de sua liberação para o mercado, o Serrera Gran Guarda é o vinho “topo de gama” da bodega. Análise organoléptica: Cor rubi violáceo intenso e profundo sem halo de evolução. Nariz fino com notas balsâmicas, violetas, madeira de boa qualidade, leve chocolate, frutas negras e uma discreta ponta de mentol. Boca macia e volumosa a denunciar um vinho estruturado com taninos presentes de ótima qualidade. Profundo, de acidez adequada e de grande persistência e profundidade no palato. Fruta e madeira integradas. Fim de boca suave, adocicado e sem adstringência. No retrogosto novamente notas de chocolate. Já demonstra o que será daqui alguns anos: um grande malbec com uvas oriundas de dois terroirs diferentes a formar um vinho gostoso e de longa guarda. No mínimo duas garrafas são indispensáveis na adega. Nesta safra, apontada com excelente em Mendoza, superou as expectativas deste degustador. Avaliação: 90/100 pts. +

 

Vale de Uco, ao fundo o vulcão Tupungato

Vale de Uco, ao fundo o vulcão Tupungato

 

Conclusão

O estilo dos vinhos Serra chamaram atenção. Não têm perfil aristocrático. A maioria são cortes da mesma uva, porém, de regiões diversas. São fáceis de beber, sem madeira em excesso e que procuram expressar o caráter varietal das cepas. Não são “bombados”, alcoólicos, “sucos de madeira” ou de baixa acidez como é de se supor. Aqui novamente cabe destacar o Serrera Bonarda, um vinho feito para mesa por preço acessível (R$ 44,00). É uma demonstração inequívoca de que a Argentina não produz somente ótimos Malbecs porque outras cepas tintas estão sendo bem trabalhadas. Outro destaque ficou por conta do Serrera Torrontés. É animador saber que Hernán Cortegoso tem domínio da cepa. Estudou em Cafayate, Vale Calchaquíes, Noroeste da Argentina, onde a Torrontés é mais cultivada do que a própria Malbec. Trouxe de lá experiência suficiente para moldar um dos melhores vinhos dessa casta no país platino. Não tem aromas pujantes e enjoativos e final amargo. Tem aquele toque vegetal, que lembra erva cidreira ou moscatel, mas sem os habituais exageros. Não é cansativo. Seu perfil é festivo, um vinho para ser bebido generosamente sem grande preocupação porque tem no frescor o seu maior apelo. Fez ótima parceria com as deliciosas empanadas porque é leve, picante, gostoso, para ser bebido como acompanhamento de aperitivos, pratos leves e comida oriental. Ou sozinho mesmo.Em Tupungato, após caminhadas nos vinhedos, colheita de uvas, explicações técnicas e degustação do Serrera Reserva Torrontés 2009, houve deslocamento para nova degustação de toda a linha de vinhos da Serrera em Lunlunta, Vale de Uco, bem perto da Cordilheira dos Andes.Na degustação, além do vinho top da casa, Serrera Gran Guarda 2006, três vinhos da linha reserva chamaram a atenção: Torrontés 2009, Bonarda 2008 e Malbec 2008. No quesito “preço-qualidade” o Serrera Del Pecado Malbec/Cabernet 2008 se destacou. Existe também um espumante, o Serrera “Reginato” Extra Brut, 12,6% de álcool, método Charmat, corte de Chenin Blanc e Chardonnay, método Charmat, que não é vendido para o Brasil.

5° Encontro Enoblogs – Empório Vila Buarque – SP

Desta vez foram degustados Vinhos da América do Sul: Argentina, Chile e Uruguai

Desta vez foram degustados Vinhos da América do Sul: Argentina, Chile e Uruguai

Na noite de 31 de março de 2010, quem escreve essas linhas juntamente com Beto Duarte, Daniel Perches e Alexandre Santucci, reunidos no ótimo Empório Vila Buarque, sito à Rua Major Sertório 561, Vila Buarque, tel. 3214 – 2241 para degustação de vinhos gentilmente cedidos pelas importadoras Cantu, Hannover, Max Brands e Ravin.

Blogs:

Beto Duarte papodevinho.blogspot.com

Daniel Perches www.vinhosdecorte.com.br

Alexandre Santucci santucci.blogspot.com
MarcelodiMoraes
www.marcelodimoraes.com/blog/index.php

Velho Mundo X Novo Mundo

“Hoje, diz-se que o vinho provém ou do velho ou do Novo Mundo. O Velho Mundo é o coração da viticultura, onde ela evoluiu desde 7.000 A. C. As regiões clássicas da França, Itália, Espanha e Portugal estão no cerne, concentrando tudo de tradicional sobre o preparo do vinho e venerando o tempo. O Novo Mundo abrange os vinhedos pioneiros do hemisfério sul e da América do Norte, estabelecidos por exploradores e missionários dedes o século XIV. Chile, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Califórnia e África do Sul, todos entram na categoria de Novo Mundo. Até recentemente era relativamente fácil identificar se um vinho era do Novo ou do Velho Mundo. O primeiro teria todos os sabores e aromas ricos de frutas que refletem os vinhedos de clima quente. Uma amostra do Velho Mundo seria mais sutil, com aromas delicados e complexos e sabores mais elegantes e multidimensionais. Hoje essa diferença não é tão acentuada quanto antes. Técnicas aprimoradas de cultivo e produção fazem com que um vinho do Velho Mundo tenha sabor tão maduro e sensual quanto sua versão do Novo Mundo. E o inverso também é verdadeiro: a vinicultura do Novo Mundo está aprendendo muito com o Velho. Os viticultores têm buscado áreas mais frias para produzir uvas com sabores mais sutis. Nas vinícolas, técnicas do Velho Mundo como a fermentação em barril, o uso de leveduras selvagens e a incorporação das borras estão sendo adotadas para dar complexidade aos vinhos. Isso significa que as fronteiras entre os sabores dos vinhos do Velho e do Novo Mundo estão cada vez mais tênues.” Fonte: Guia Ilustrado de Vinhos Zahar

Abaixo a descrição e avaliação deste blogueiro dos vinhos degustados:

Ruca Malén Chardonnay Reserva

Origem: Argentina – safra: 2006 – álcool: 13,7% – região: Mendoza – preço: R$ 54,00 (Hannover – tel. 011 2638 0881). Alguma complexidade aromática com pitadas de baunilha e abacaxi num perfil unidimensional que já dá sinais de cansaço. No palato confirmou o nariz com pouco frescor, maciez, leve untuosidade, fruta (abacaxi maduro) e madeira em equilíbrio (50% do mosto passou por barricas francesas durante 8 meses) e pouca intensidade gustativa. Amostra de perfil diferente das demais provadas por quem vos escreve, porque provavelmente essa garrafa faz parte da estatística apontada por Hugh Johnson no seu celébre Guia de Vinhos: “uma garrafa, numa caixa de doze, não estará necessariamente bouchonée, mas apenas misteriosamente abaixo do nível “.

Avaliação: 85/100 pts.

Viña Maipo Gran Devoción Sauvignon Blanc

Origem: Chile – safra: 2006 – álcool: 13% – região: Vale de Casablanca – preço: R$ 69,00, (Ravin – tel. 011 5574 5789) – A linha Gran Devoción foi lançada em novembro de 2008 e este Sauvignon Blanc tem cor amarelo palha, com notas florais e as tradicionais nuances vegetais que caracterizam os vinhos dessa casta no Chile. Tem acidez que lhe aporta razoável frescor e paladar equilibrado que lhe proporciona um gostoso e persistente final com leve sugestão cítrica. Faltou um pouquinho mais de fruta para sustentar seu corpo. De boa tipicidade, seu estilo lembra mais um Sauvignon do Maipo do que de Casablanca.

Avaliação: 86/100 pts.

Da Max Brands ainda serão degustados os vinhos argentinos da Bodega Sottano

Da Max Brands ainda serão degustados os vinhos argentinos da Bodega Sottano

Pampas del Sur Reserva Malbec 2008

Origem: Argentina – safra: 2008 – álcool: 13,8% – região: Mendoza – preço: R$ 28,50 (Max Brands/Carrefour) rubi violáceo intenso com reflexo púrpura. No olfato começou intenso com fruta vermelha fresca e uma ponta de ameixa. Perdeu intensidade rapidamente e deixou apenas uma nota herbácea. Boca que subscreve o nariz com taninos um pouco duros, sobra de álcool, baixa acidez e persistência curta. Com algum tempo na taça ganhou maciez e a fruta que estava ‘escondida” apareceu na forma de ameixas em calda e proporcionou algum equilíbrio ao conjunto, ainda assim predominado pelo álcool. Terminou rústico e deixou uma nota frutada no retrogosto. Deve crescer à mesa, principalmente com churrasco ou “carne de panela”. Bom para o dia-a-dia, tem na tipicidade e na relação preço-qualidade os seus principais atrativos.

Avaliação: 85/100 pts.

Gimenez Mendez Arinarnoa: seu desempenho foi surpreendente e foi o campeão no quesito preço-qualidade

Gimenez Mendez Arinarnoa: desempenho surpreendente e campeão no quesito preço-qualidade

Gimenez Mendez Alta Reserva Tannat

Origem: Uruguai – região: Las Brujas – safra: 2008 – álcool: 13,5% – preço: R$ 36,15 – Hannover – 011 2638 0881) – Rubi escuro profundo. No olfato despontam as tradicionais notas vegetais da casta secundadas por ameixas, geléia de framboesa e um toque de especiarias. As notas de barrica são notadas com facilidade e dão personalidade ao vinho. Boca redonda, tânica (taninos bem moldados), densa, com a madeira possibilitando a expressão da fruta.O álcool está controlado e o conjunto consegue manter alguma harmonia que deverá contribuir para sua evolução na garrafa nos próximos anos. Sessenta e cinco por cento do mosto amadurece em barrica americana e o restante em francesa. Final um pouco duro a exigir mais algum tempo na garrafa para afinamento dos taninos. Vinho bem feito, típico e de relação preço-qualidade atraente.

Nota: 86,5/100 pts.

Ruca Malén Malbec Reserva

Origem: Argentina – safra: 2006 – álcool: 14,1% – região: Luján de Cuyo/Mendoza – uvas: (86%), Petit Verdot (8%) e Tempranillo (6%) – preço: R$ 54,00 (Hannover – 011 2638 0881) – Rubi violáceo intenso. Aromas frutados (ameixas e cerejas) secundados por uma discreta nota floral (violetas), madeira, especiarias e um leve balsâmico. No palato os taninos são bem macios e permitem que a fruta (figo e ameixas) fique em evidência. Álcool e madeira equilibrados. Redondo e de bom corpo, termina suave e sem adstringência. Cresceu na taça com boa sustentação e tipicidade. Provavelmente está se aproximando de seu auge.

Nota: 87/100 pts.

Santa Julia Tempranillo 2008: aromas e acidez muito semelhante a de um bom vinho espanhol

Santa Julia Tempranillo 2008: aromas e acidez muito semelhante a de um bom vinho espanhol

Santa Julia Tempranillo Reserva

Origem: Argentina – Região: Mendoza – safra: 2008 – álcool: 13,5% álcool – preço: R$ 43,00 (Ravin – tel. 011 5574 5789) – De cor rubi intenso, concentrado, brilhante com reflexo violáceo nas bordas. Aromas complexos que fazem lembrar um bom vinho Riojano, com fruta vermelha e notas tostadas. Na boca é um vinho macio, redondo, cujos taninos estão em evolução. Chamou atenção pela salivação indicadora da boa acidez. Madeira aparecendo um pouco mais do que a fruta, sinal de que mais algum tempo na garrafa lhe fará bem. Vinho gastronômico que às cegas derrotaria muitos vinhos espanhóis da mesma categoria.

Avaliação: 87/100 pts. +

Gimenez Mendez Alta Reserva Arinarnoa

Origem: Uruguai – região: Las Brujas – safra: 2008 – álcool: 13,5% – preço: R$ 36,15 – (Hannover – tel. 011 2638 0881) – Arinarnoa é fruto do cruzamento da Merlot com Petit Verdot. Cor rubi intenso profundo com reflexo violáceo. Fechado nos aromas teve surpreendente evolução na taça sinalizando que deveria ter sido decantado no mínimo 30 minutos. Notas mentoladas sobre um fundo de chocolate com leve toque de geléia de frutas vermelhas. Na boca é um vinho largo, expansivo, equilibrado com tudo no lugar certo: taninos (finos), álcool (sem incomodar, conferindo-lhe estrutura), acidez (na medida), fruta (presente) e madeira formam um conjunto suculento e elegante. Tem na maciez de seus taninos o seu ponto alto. Excelente relação preço-qualidade. Uma ótima surpresa do Uruguai. À conferir.

Nota: 88/100 pts. +

Ventisquero Grey 2005: típico Cabernet Sauvignon chileno

Ventisquero Grey 2005, típico Cabernet Sauvignon chileno: fácil de beber e de gostar

Ventisquero Grey Cabernet Sauvignon

Origem: Chile – região: Vale do Maipo – safra: 2005 – álcool: 14,5% – preço R$ 79,90 (Carrefour/Cantu – tel 0300 210 10 10) rubi violáceo profundo com discreto halo de evolução. Ao nariz uma explosão balsâmica com eucalipto e mentol secundados por fruta em compota (goiabada). Um toque de licor de cassis, especiarias (pimenta) e uma leve sugestão defumada com boa sustentação. Boca quente (14,5% álcool), redonda, macia, de taninos suaves e aveludados, com a repetição das sensações olfativas (frutado), num corpo médio com leve nota de madeira em integração com os demais elementos. Longo, persistente e frutado. Apresenta um retrogosto duradouro. Um Cabernet Sauvignon de alto nível, que esbanja tipicidade e que conta c/bom potencial de evolução na garrafa (3/5 anos).

Avaliação: 88,5/100 pts.+

Blogueiros reunidos após a degustação: Marcelo, Alexandre, Beto e Daniel

Blogueiros reunidos após a degustação: Marcelo, Alexandre, Beto e Daniel