
- O anfitrião e o médico-fisiologista do Santos Futebol Clube, Campeão Paulista 2010
Quem escreve foi convidado para participar do “Desafio de Vinhos”, cujo tema foi a uva francesa “Petit Verdot”. A degustação realizou-se no Restaurante Ávila, localizado na Rua Bandeira Paulista n° 520, Itaim Bibi, tel 011 3167 2147, que tem instalações modernas, cardápio variado com ênfase nos grelhados e na parrila e serviço do vinho competente.

Prosecco Moinet: boa tipicidade
- A uva escolhida foi a intrigante Petit Verdot

Um dos participantes: Álvaro Cézar Galvão
O anfitrião promove periodicamente essa degustação e escala um time de primeiro nível para participar. Desta vez tivemos sorte de ser escolhido pelo responsável pelo blog falandodevinhos.wordpress.com.
O tema escolhido: Petit Verdot.
Lacônicamente, Hugh Johnson afirma que: “uva do Médoc, excelente mas desajeitada. Atualmente, cada vez mais plantada nas regiões da Cabernet em todo o mundo, para fragrância extra”. Porém, o que se pode dizer da Petit Verdot é que se tornou mais conhecida por seu caráter exótico, eis que a quem diga que é a mais exótica das uvas bordalesas. Lá, seu amadurecimento tardio só se dá satisfatoriamente nas colheitas mais quentes. Cada vez mais valorizada pelos Châteaux do Médoc, pela cor intensa e perfume que um pequeno porcentual pode dar às misturas que levam Cabernet Sauvignon, que é uma de suas principais parceiras. Devido a ela, na Espanha, o seu cultivo está se ampliando e já há vinhos feitos exclusivamente dessa varietal. Normalmente seus vinhos tem cor intensa, aromas complexos e intensos,taninos sedosos e complexos. Na Califórnia, começa a adquirir importância e na Austrália se destaca em Riverland. No Cone Sul, vem se destacando na Argentina e no Chile. Brasil e Uruguai começam a acreditar nesta cepa.

Espumante Norton: a Argentina sempre teve tradição na produção desse tipo de vinho e bons exemplares começam a chegar nessas bandas.

O serviço do vinho do Restaurante Ávila, na Rua Bandeira Paulista 520, Itaim Bibi, tel 011 3167 2147, é impecável
A degustação.
Foram escolhidos nove exemplares do Novo Mundo e apenas um do Velho Mundo, por motivos óbvios: escassez de opções e preços elevados. Abaixo as nossas notas:
Morquel Petit Verdot 2004 – D’Olivino - R$ 130,00 avaliação: 89,5/100 pts. África do Sul
Tomero Petit Verdot Reserva 2006 – R$ 85,00 avaliação: 89/100 pts. Argentina
Juca Malén PV 2007 – Hannover – R$ 54,00 avaliação: 88,5/100 pts. Argentina
Perez Cruz 2008 – Wine Company – R$ 130,00 avaliação: 88,5/100 pts. Chile
Enrique de Mendoza 2005 – Península – R$ 120,00 avaliação: 88/100 pts. Espanha
Casa Silva Gran Res. 2007 – V. do Mundo – R$ 89,00 avaliação: 87/100 pts. Chile
Landelia Petit Verdot2005 – Ana Import – R$ 60,00 avaliação: 86/100 pts. Argentina
Trumpeter Petit Verdot 2008 – Zahil – R$ 64,00 avaliação: 85/100 pts. Argentina
Pomar/República Bolivariana da Venezuela - n/d - avaliação: 83/100 pts.
Pisano Petit Verdot 2007 – Mistral - R$ 57,00 avaliação: 82/100 pts. Uruguai
Conclusões
1. As amostras escolhidas permitiram fixar o caráter varietal da cepa no Novo Mundo. A maior parte dos exemplares apresentou cor rubi intensa profunda com reflexo violáceo. Aromas expressivos, com destaque para as notas vegetais, de fruta madura, sugestões tostadas, especiarias e de chocolate, provavelmente aportada pela passagem por barrica de carvalho. Na boca taninos expressivos (exceção para os vinhos da Venezuela e do Uruguai) de qualidade acima da média perfazendo um conjunto solidamente estruturado, com frutas negras e boa acidez, com repetição das sensações olfativas no palato. Enfim, vinhos potentes e de personalidade, mas bem feitos e sem defeitos graves.
2. À despeito de o vinho vitorioso ter sido o da África do Sul, o país vitorioso foi a Argentina, que vem acreditando no sucesso desta cepa. Seus exemplares foram bem pontuados e se sobressaíram aos congêneres chilenos. Aliás, neste particular, tivemos a felicidade de, às cegas, identificarmos esses vinhos e quase que fizemos isso com o exemplar vitorioso. Explico. Enquanto que o perfil aromático de alguns tintos chilenos indicam notas de fruta em compota (goiabada), os vinhos da África do Sul apresentam um perfil próprio, com predomínio de sugestões de borracha e toques terrosos no palato. Mesmo assim não há que negar que o Morkell 2004, se mostrou um vinho denso, mastigável e de taninos aveludados.
3. Por fim, ressaltamos que o anfitrião foi feliz na escolha do tema e das amostras escolhidas. A degustação permitiu a fixação de alguns parâmetros sobre as qualidades dos vinhos produzidos por essa intrigante e até certo ponto incompreendida cepa bordalesa: Petit Verdot. Saúde!





