
Vinhos da África do Sul
A reunião foi realizada no sábado, 8 de maio, na Restaurante “Bem Virá” (tel. 11 3721-1124), localizado no complexo gastronômico denominado “Vila do Jardineiro” (Av. Eliseu de Almeida, 1077 – Butantã – São Paulo SP – tel 3721 1124), com a presença dos confrades Clóvis Pavan, Lucas, José Luiz e quem escreve essas linhas.
Segue abaixo a relação dos vinhos:
brancos
2° – Lyngrove Sauvignon Blanc 2008 – Stellenbosch – 14% álcool – Wine Company
1° – Nederburg Twenty 10 Sauvignon Blanc 2009 – 12,5% álcool – Casa Flora
tintos
6º – Diversity Gamma 2002 – 14% álcool – Expand
5º – Saxenburg Gwendolym 2000 – 13% álcool – Stellenbosch – Expand
4º - Lyngrove Shiraz 2005 – 14,5% álcool – Stellenbosch - Wine Company
3º – Steenberg 2002 – 14% álcool – Coastal Region – Expand
2º – L’Ami Simon L’Avenir Estate 2003 – 14% álcool – Expand
1º- Lyngrove Reserve Shiraz/Pinotage 2005 – Stellenbosch 14,5% álcool – Wine Company
Breves comentários
Essa degustação teve como tema algumas garrafas de vinhos da África do Sul da minha adega particular. A avaliação geral quanto ao estado de conservação das amostras foi boa, porém, a conclusão a que chegamos é que os vinhos não são muito longevos. Os vinhos da Expand foram adquiridos normalmente fora dos “Sales” que a importadora promovia e estavam na adega climatizada. A amostra mais antiga datava de 2000, Saxenburg Gwendolym, corte de Shiraz (55%) e Cabernet Sauvignon (45%). Um vinho com passagem por 12 meses em barrica de carvalho francês e americano, que no entanto, já dava sinais de cansaço e que ficou na última posição. Custava R$ 95,00 na Expand. Os demais tintos, exceto o 1° lugar, tinham perfil muito semelhante, cor rubi com halo de evolução, nariz terroso e vegetal, boca forte com taninos médios e álcool sobrando na maioria dos exemplares. São simples e de qualidade aquém aos congêneres produzidos no Cone Sul, mas não chegam a ser ruins. Todavia, parece mesmo que a vocação da África do Sul é a de produzir bons brancos e vinhos de sobremesa. O Nederburg Twenty 10 Sauvignon Blanc safra 2009, o “vinho da Copa” pode ser apontado como o grande vencedor , eis que custa no máximo R$ 30 e atingiu 88/100 pts. Tem na tipicidade o seu maior destaque. Um vinho aromático, refrescante e mineral. Lembra um Sauvignon Blanc chileno costeiro com a vantagem de custar menos da metade do preço. O tinto que amealhou a primeira colocação, Lyngrove Shiraz/Pinotage 2005, apresentou boa intensidade aromática, concentração de fruta e intensidade gustativa sem aspereza ou amargor. Relação qualidade-preço muito boa. Distanciou-se do segundo lugar por isso. Por fim, destaco o serviço do vinho do Esmeraldo, garçon cuidadoso e esforçado que se desincumbiu muito bem da tarefa porque foi elogiado por todos os degustadores.
Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados;
6º. Lugar – De Toren Diversity Gamma 2002 – 14% álcool – uvas: Cabernet Franc (36%), Merlot (31%), Cabernet Sauvignon (15%), Petit Verdot (10%) e Malbec (8%) – Preço: R$ 99,50 – Rubi granada turvo. Nariz pouco intenso com leve toque de couro. Boca simples, taninos duros, final seco e áspero.
Nota 81/100 pts.
5º – Saxenburg Gwendolyn 2000 – 13% álcool – uvas: Shiraz (55%) e Cabernet Sauvignon - Stellenbosch – Expand – 13,9% – preço: R$ 95,00 – Rubi granada com halo de evolução. Olfato fechado com uma nota mentolada. Boca plena, taninos razoavelmente macios, álcool sobrando. Madeira sobre a fruta. Final rústico.
Nota 83/100 pts.
4º - Lyngrove Shiraz 2005 – 14,5% álcool - Stellenbosch - Wine Company - preço: R$ 40,00- Rubi violáceo com ligeira evolução. Seu perfil aromático é unidimensional, com um toque herbáceo sobre uma nota de madeira velha. Bocamacia, taninos no ponto, alguma integração de seus elementos com leve sobra de álcool. Termina com uma nota tostada.
Nota 84,5/100 pts.
3º – Steenberg 2002 – 14% álcool – uvas: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot -Coastal Region – Expand – preço: R$ 55,00 – Rubi granada sem turbidez. Nariz vegetal com toques terrosos e de caça. Boca macia, taninos resolvidos, acidez compatível, alguma concentração de sabor e final intenso sem arestas. Tivesse um pouco mais de complexidade…
Nota 85/100 pts.
2º – L’Ami Simon L’Avenir Estate 2003 – 14% álcool – uvas: Merlot e Cabernet Franc -Expand – preço: R$ 49,00 – Rubi violáceo intenso com halo de evolução. Nariz mais aberto do que as amostras anteriores com sugestões de frutas negras e um discreto herbáceo. Boca que subscreve o nariz, média concentração de sabor com alguma sobra de álcool e madeira ofuscando um pouco a fruta. Taninos no auge da evolução, a indicar que mais algum tempo na garrafa não lhe fará bem, portanto, beber já. Termina redondo e com alguma persistência.
Nota 85,5/100 pts.
1º- Lyngrove Reserve Shiraz (80%) e Pinotage (20%) 2005 – Stellenbosch 14,5% álcool – Wine Company – preço R$ 52,20 – Rubi violáceo com levíssimo halo de evolução. Nariz complexo com leve frutado (ameixa/framboesa) e um toque de cedro. Boca macia, taninos de boa qualidade com alguma doçura e madeira permitindo bom espaço para fruta (compota). Acidez na medida. Termina como começou: sem aspereza e sem amargor. Ainda agüenta mais uma ano na garrafa.
Nota 87/100 pts.+
Brancos
2°- Lyngrove Sauvignon Blanc 2008 – Stellenbosch – 14% álcool – Wine Company – preço R$ 40,00 – Palha na transição para o dourado. Nariz simples com notas florais e vegetais sem confirmar a tipicidade da casta. Boca macia, bom frescor com leve toque cítrico. Degustado pela primeira vez em 16.09.2008, esta garrafa apresentou acentuado declínio de seu frescor e pouca tipicidade. Ainda assim é um vinho razoavelmente agradável.
Nota 86/100 pts.
1° – Nederburg Twenty 10 Sauvignon Blanc 2009 – 12,5% álcool – Casa Flora – preço: R$ 27,30 (Rei dos Whiskys – tel. 011 3488 2199) – Palha claro com reflexos esverdeados. Nariz intenso com as notas vegetais típicas da casta, frutas tropicais como maracujá sobre uma nota de arruda e de grama cortada. Na boca subscreve esses aromas com elegância proporcionada pela nota mineral que domina o conjunto. Seu estilo chega a lembrar os gostosos Sauvignons chilenos de Leyda e San Antonio, com a vantagem de custar menos da metade do preço. Equilibrado (12,5% de álcool), foi produzido com uvas da safra de 2009, uma das melhores dos últimos anos para a Sauvignon Blanc na África do Sul. Ligeiramente curto no palato, termina complexo e fresco esbanjando tipicidade. Ótima relação qualidade-preço. Beber já.
Nota 88/100 pts.








