
Sommlier Cézar França com uma garrafa do Pio Cesare Moscato D'Asti

- Adolar e Vanessa
Na tarde de 18 de maio a Enoteca Decanter, localizada na Rua Joaquim Floriano 838, Itaim Bibi, telefone 3073 0500, realizou uma degustação de vinhos italianos do Piemonte do produtor Pio Cesare, coordenada pelo Diretor da Vinícola, Pio Boffa.

- Jeriel, Pio Boffa e Anderson, Sommelier do Ráscal de SP
Sobre Pio Cesare
Desde 1881, Pio Cesare estabeleceu uma primazia no fornecimento das uvas à sua vinícola e ao longo de 127 anos os seus herdeiros consolidaram 45 hectares de posições deslumbrantes nas noberes zonas de Barolo e de Barbaresco. O sopro de modernidade trazido por Pio Boffa, quarta geração, colocou a histórica vinícola entre as melhores do mundo, embora a filosofia de elaborar clássicos piemonteses se mantenha inabalável.

Pio Cesari Barbaresco "Il Bricco" 2004 : segundo Pio Boffa, seu estilo "é mais moderno" do que o "Clássico" DOCG 2004
Sobre os vinhos da degustação
De fato, tratando-se de vinhos do produtor “Pio Cesare”, podemos afirmar que “a qualidade justifica a fama”, todavia, a única observação que fazemos é quanto aos preços elevados desses vinhos, que praticamente só poderão ser provados em “ocasiões especiais”. Quanto ao produtor de fato é um dos mais afamados de toda Itália. Seus vinhos são realmente espetaculares e amadurecem esplendidamente na garrafa.

A degustação iniciou com o Chardonnay L'Altro 2008 e terminou com o Moscato D'Asti 2008. Barbera, Barolo e Barabarescos também foram degustados.
A seguir a descrição e avaliação dos vinhos degustados:
L’Altro Chardonnay 2008 – Piemonte DOC - 13,5% álcool – R$ 108,50
Palha com reflexos ligeiramente dourados. No olfato desponta fruta madura (pêssego, abacaxi) sobre um fundo levemente defumado com ótima sustentação na taça. Na boca o corpo é pleno e balanceado confirmando a fruta. Álcool integrado. Alguma untuosidade, acidez delicada, leve sugestão cítrica com a repetição da nota de abacaxi maduro do olfato. Medianamente complexo seu estilo está mais para a elegância em detrimento da potência. Termina gostoso e deixa uma nota de baunilha no palato.
Avaliação: 87/100 pts.
Barbera d’Alba Fides 2006 – Barbera d’Alba DOC – 13,5% álcool – R$ 191,20 – Segundo Pio Boffa, este Barbera chama-se “Fides” que do latim significa “fé”. Porque a vinícola fez um voto de “fé” na Barbera replantada em 1991 em Serralunga d’Alba, num excepcional vinhedo de Barolo. Antes, essa uva, por suas características de maciez, frescor e principalmente elevada acidez, era adicionada em proporções que variavam entre 3% a 4% para “suavizar” os Barolos. Hoje, a legislação não permite essa adição. O local dos vinhedos é uma colina de exposição sul que possibilita a perfeita maturação das uvas. Pio Boffa assinalou que o vinho amadurece 24 meses em barricas francesas na proporção de 90% do mosto e o restante em “botti”. Este Fides 2006 apresenta atraente cor rubi com discreto reflexo granada. Boa complexidade aromática com leve toque floral, especiarias, cerejas sobre uma sugestão de chocolate. A boca confirma o olfato, com boa presença de taninos redondos e macios, acidez gastronômica e algum dulçor ao final. Concentrado, termina intenso, longo e promete boa evolução na garrafa nos próximos anos.
Avaliação: 88/100 pts. +

Barolo Pio Cesare DOCG 2005 – 14% álcool – R$ 326,80 – cor típica, sem muita concentração, rubi esmaecido com reflexo granada. Pio Boffa disse que não se trata de um Barolo genérico, mas sim “clássico de estilo tradicionalista” porque as uvas são colhidas simultaneamente de sete vinhedos diferentes, são fermentadas na mesma proporção com o “blend” preparado antes do início desse procedimento. Pio ainda afirmou que a safra de 2005 foi um pouco superior a de 2004 para os Barolos. O vinho amadureceu por 36 meses em barricas bordalesas (70%) e o restante em “botti” de carvalho francês de Allier de vários anos – barris de 2000 a 5000 litros. No olfato já demonstra sua elegância com sugestões florais (rosas), frutas vermelhas sobre uma nota de especiarias. Boca a revelar um vinho fino, quente, delicado e sobretudo tânico, todavia, taninos de excelente textura contrabalançados por acidez rica a reivindicar mais alguns anos na garrafa para o afinamento perfeito do conjunto, eis que tem potencial para isso. Perfeito entrosamento entre fruta e madeira. Pede comida, de preferência alta gastronomia. Obteve 91/100 de RP em 31.10.2009.
Avaliação: 89,5/100 pts. ++
Barbaresco Pio Cesare DOCG 2004 – 14% álcool – R$ 326,80 – Durante toda sua exposição Pio Boffa fez um paralelo entre a região de Barbaresco e a Borgonha. Para ele seus vinhos são tão elegantes, refinados, frescos, perfumados quanto os melhores vinhos daquela importante região gaulesa. Elaborado com uvas de três vinhedos diferentes, dois de Treiso e um de Barbaresco, este “Clássico” tem amadurecimento em carvalho por 30 meses, 35% bordalesas de primeiro uso e o restante em “botti” de carvalho francês de Allier de vários anos – barris de 2000 a 5000 litros, por 36 meses. Apresenta cor granada intenso brilhante. Nariz amplo, envolvente e complexo com notas de mentol, cerejas, amoras sobre um fundo de chocolate. Depois de algum tempo notas de tabaco, caixa de charuto, ameixa e nuances florais. Na boca sua entrada é quente e concentrada com taninos densos e sedosos. Tem traço mineral e perfeita integração dos taninos, fruta e madeira (vide acima). Elegante, feminino e muito gentil no palato, deixa uma sensação persistente e agradável no fim de boca. Vai afinar na garrafa nos próximos dez anos. Obteve 92/100 de RP em 31.10.2009 e da WS em 30.09.2009.
Avaliação: 91/100 pts. ++
Barbaresco “Il Bricco” DOCG 2004 – 14% álcool – R$ 443,40 – Como salientado por Pio Boffa, o estilo deste “Il Bricco” é “menos tradicional” do que o Barbaresco DOCG. Aqui temos mais cor, fruta, concentração, intensidade, madeira, estrutura num estilo menos clássico, mas sem perder identidade. Elaborado com uvas de um vinhedo no topo da colina da comuna de Treiso (solo do período Tortoniano) que tem perfeita exposição solar, 70% do mosto amadurece em barrica de carvalho francês de primeiro uso por 30 meses e o restante em “botti” de 2.000 litros de carvalho da mesma procedência de vários anos. Rubi granada com discreto halo de evolução. Nariz complexo com notas lácteas, madeira de excelente qualidade, sugestões de chocolate, especiarias (cravo), frutas secas, musgo e um toque floral a lembrar violetas. Boca de entrada bem estruturada, taninos finíssimos (ainda muito jovens), robustos e ligeiramente adocicados. Álcool generoso (14%) que proporciona uma leve aquecida do palato, mas não perturba o equilíbrio gustativo do conjunto (álcool, taninos e acidez). Quanto a esse último elemento cabe um comentário adicional: neste importante quesito levou nota máxima porque ao lado dos taninos poderosos e do álcool elevado a sua acidez salivante contribuiu para a harmonia do conjunto, porque consegue ser ao mesmo tempo austero, aveludado e guloso. Vinho gastronômico por excelência, apresenta uma leve adstringência ao final a indicar que mais alguns anos na garrafa lhe fará muito bem. Untuoso e de longa vida (5/15 anos a depender da conservação), uma garrafa só não basta: é melhor reunir os amigos e comprar no mínimo duas, três garrafas para ser degustado/bebido à vontade, acompanhado de ótima comida, porque se trata de um vinho sublime, sem arestas, de características excepcionais, quase perfeito, para grandes comemorações, porque seu preço não permite que seja degustado a toda hora. Obteve 92/100 de RP (31.10.2009) e 94/100 pts. da WS em 30.09.2009.
Avaliação: 92/100 pts. ++

Barbaresco "Il Brico" 2004, um vinho extraordinário
Moscato D’Asti DOCG Pio Cesare 2008 – 5,5% álcool – R$ 109,10 – Palha com reflexos esverdeados. No olfato desponta fruta madura (damasco e pêssego) sobre um fundo de mel com ótima sustentação na taça. Na boca o corpo é razoávelmente balanceado e confirma a fruta. O baixo teor de álcool está integrado à acidez delicada e à doçura perfazendo um conjunto harmônico e muito gostoso por conta da leve sensação frizante causada no meio de boca. Termina suculento e deixa uma nota cítrica no palato.
Avaliação: 87/100 pts.