Monthly Archives: junho 2010

Dois vinhos da Bodega Terrazas de los Andes

Vista parcial da Terrazas de los Andes, em Agrelo, Mendoza

Localizada em Perdriel (Luján de Cuyo/Mendoza), a velha bodega que um dia pertencera à Domecq foi reformada faz alguns anos. Tem estilo e bom gosto e ainda possui tecnologia de última geração de acordo com o perfil de exportador que lhe foi dado pelo grupo francês proprietário (Chandon/LVMH). Suas propostas se inovam a cada ano. Fato digno de nota foi sua associação com Pierre Lurton, do Domaine Cheval Blanc, iniciada em 1999 para elaborar um dos vinhos ícones mais importante da Argentina: Cheval des Andes, que teve como co-autor o dinâmico Roberto de la Mota, que deixou a empresa para dedicar-se a empreendimento próprio, mas que até hoje presta assessoria a Terrazas.

vista do local de recebimento dos turistas que visitam a Bodega Terrazas

A vinícola conta com uma exclusiva residência para receber turistas e se constitui numa das opções mais atraentes da região para se visitar. Além de sua arquitetura impactante, os vinhos podem ser desfrutados num atraente Wine Bar com vista para a adega. Os tintos e brancos são de perfil internacional, mas sem perder de vista o selo distintivo da Argentina, algo que Manuel Louzada (Diretor) e Pablo Rodriguez (enólogo principal) sabem fazer muito bem. O Malbec, em seus três níveis de rótulos, é um vinho de grande sucesso que no Brasil, principalmente na região Sudeste, onde pode ser encontrado sem muito esforço nas melhores redes de supermercados. O Chardonnay caminha pela mesma senda, um dos raros vinhos argentinos com tampa de rosca. Recentemente foi lançado um Torrontés da linha Reserva.

Atualmente, a Terrazas tem capacidade para oferecer desde vinhos de alta qualidade produzidos em grande quantidade até produções limitadas e muito interessantes que exemplificam bem o seu terroir (Descorchados 2008).

Degustação

Terrazas de los Andes Reserva Cabernet Sauvignon 2006 (Agrelo/Mendoza/Argentina) – 13,5% álcool – preço médio: R$ 70,00 – Rubi com reflexo violáceo sem halo de evolução. Aromas típicos da casta com pimenta, frutas vermelhas maduras e leve toque de cacau e baunilha (amadurece doze meses em barrica de carvalho francês de primeiro uso). Na boca subscreve integralmente as sensações olfativas com taninos presentes de boa qualidade, todavia, um pouco secantes e rugosos. Notas de chocolate e ameixas. Acidez marcante e final intenso, largo com leve amargor que não incomoda. Indiscutivelmente é um vinho de guarda, que apresenta boa evolução na garrafa se adequadamente conservado. Bom exemplo do potencial da Cabernet Sauvignon em solo platino.

Avaliação: 87/100 pts. +

Afincado Malbec 2006 (Agrelo/Mendoza/Argentina) – 14% álcool – preço médio: acima de R$ 200 – importado por Möet Hennessy do Brasiltel 011 3062 8388 – Rubi com reflexo violáceo e halo púrpura. Aromas expressivos de violetas, coco sobre fundo defumado. Boca no mesmo diapasão, taninos finíssimos, corpo pleno, final profundo e intenso com notas frutadas. Retrogosto duradouro. Longa vida pela frente. Obteve 91/100 pts. de RP em 31.08.2009. Safra apontada como excelente em Mendoza (vinho degustado em 17.06.2010).

Avaliação: 90,5/100 pts. ++

Interfood importa Rocca di Montegrossi, apresentada por Marco Ricasoli-Firidolfi

No centro Marco Ricasoli-Firidolfi, da Rocca di Montegrossi

Chianti Classico

Em 1° plano "Vin Santo Rocca di Montegrossi": 95/100 pts.

Vinhos DOCG

A vinícola Rocca di Montegrossi está localizada no coração de Chianti Clássico, a 7 km da Comuna de Gaiole in Chianti, remonta às origens da região e do próprio Chianti. De propriedade de Marco Ricasoli Firidolfi, descendente da família Ricasoli-Firidolfi, com tradição secular no cultivo de vinhos, eis que dos 60 hectares da fazenda, 20 hectares são dedicados às vinhas e 20 aos olivais. Os vinhedos estão situados em áreas montanhosas, com declives suaves de calcário e com condições climáticas que favorecem a produção de uvas de qualidade como Sangiovese, Canaiolo, Colorino, Pugnitello, Malvasia del Chianti, Merlot e Cabernet Sauvignon.

A estrutura da vinícola, cuja adega foi completamente restaurada em 2000, alia tradição e tecnologia, com tanques de cimento vitrificados e barris de carvalho com temperatura controlada que garantem a perfeita fermentação das uvas. Dos rótulos produzidos pela Rocca di Montegrossi, o Chianti Clássico San Marcelino 2004 e o Geremia 2004 receberam 93/100 de Robert Parker e o Vin Santo 2000 94/100 pts., considerado pelos críticos um dos melhores vinhos de sobremesa da Itália (vide avaliação ao final do texto).

Vin Santo del Chinati Classico: apenas 2.500 garrafas produzidas, 5 meses de "appassimento". Fermenta e amadurece em barricas de cerejeira e carvalho novo durante 6 anos antes de chegar ao mercado. O exemplar degustado foi da safra 2001. Recebeu 95/100 pts., trazido ao Brasil por Marco Ricasoli-Firidolfi especialmente para essa degustação.

O produtor Marco Ricasoli-Firidolfi cresceu numa família com tradição secular no cultivo de vinhos fortes, eis que a família Ricassoli era proprietária do Castelo de Brolio, o Rocca di Montegrossi, o Monteluco Castelo e o Castelo Cacchiano, em Monti in Chianti, no coração da Toscana, onde Marco cresceu e cultivou sua paixão pelo vinho. Ricasoli é descendente do famoso “Barão de Ferro”, cujo nome verdadeiro era Bettino Ricasoli, nascido em 1809 e político de destaque no “Risorgimento” italiano, movimento que levou à unificação da Itália e que o tornou primeiro-ministro. O barão teria criado, com um amigo, a fórmula para a Sangiovese que seria mais tarde, o Chianti Clássico.

Marco Ricasoli-Firidolfi, proprietário da Rocca di Montegrossi, sediada em Monti in Chianti, San Marcellino, Gaiole in Chianti, Siena, Itália.

Seus estudos começaram em Florença. Após concluí-los, Marco foi para França, país pelo qual é apaixonado. Durante dois anos fez cursos na Universidade de Bordeaux e Universidade de Dijon, na qual dedicou-se a aprimorar seus conhecimentos em enologia. Ao retornar à Itália, decidido à colocar em prática toda teoria adquirida e dar continuidade à tradição familiar, Marco funda a Rocca di Montegrossi, em 1995. Neste período, expandiu o cultivo das vinhas para 20 hectares e manteve firme sua filosofia focada no terroir e na qualidade dos vinhos que produz.

A Rocca di Montegrossi é uma vinícola estabelecida em Siena, na Toscana

Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos degustados. Destaco os esforços envidados por Bruno Airaghi para trazê-lo ao Brasil bem como o seu desempenho à frente da linha Classics da Interfood. Também estiveram presentes Nádia Maira (Interfood), João Curi (Interfood) e Carlos Hakim (Revista Divino), além de outros formadores de opinião que se reuniram no Restaurante Arola Vintetres, na noite de 23 de junho de 2010, para degustação comandada por Marco Ricasoli-Firidolfi:

Chianti Clássico DOCG 2006 – 13,5% álcool – região: Gaiole in Chianti – uvas: Sangiovese (90%) e Canaiolo (10%) – preço R$ 112,30 – Rubi com alguma concentração. Aromas com predomínio de notas balsâmicas, chocolate e um leve “sottobosco”. Na boca é um vinho estruturado, tânico (boa qualidade) e expansivo, com sua acidez gastronômica completando o conjunto, de acento mineral. Termina salivante e intenso. É bom ressaltar que a Rocca di Montegrossi conta com certificado de Azienda Biológica. Recebeu 89/100 pts. da WA de RP. A safra de 2006 foi ótima na Toscana.

Avaliação: 88/100 pts.

Vigneto San Marcellino Chianti DOCG 2004 – 13,5% álcool – região: Gaiole in Chianti – uva: Sangiovese (100%) – preço R$ 214,65 – Rubi intenso profundo. Mais complexo do que o anterior com sugestões de ameixas, especiarias e leve tostado. Boca no mesmo diapasão, taninos quase maduros, leve calor, ótima acidez expansiva e salivante. Mostra no palato toda força e rusticidade da Sangiovese. À exemplo do anterior tem acento mineral, notas de ameixas e grande expansão na boca. Um vinho típico que mostrou grande evolução na taça. Perfeito para comida.

Avaliação: 91/100 pts.+

Vigneto San Marcellino Chianti DOCG 2006 – 14% álcool – região: Gaiole in Chianti – uva: Sangiovese (100%) – preço R$ 214,65 – O “Vigneto San Marcelino” é um vinhedo muito antigo, quase extinto que produz vinhos de grande concentração. Rubi intenso profundo com reflexo arroxeado. No olfato apresenta notas de mentol, alcaçuz e especiarias. Na boca é menos intenso do que o anterior, porém, seus taninos são jovens e sedosos. Frutado (ameixas e amoras), equilibrado e persistente, é um vinho que ganhará complexidade com seu envelhecimento na garrafa nos próximos anos.

Avaliação: 90/100 pts.++

Geremia IGT Toscana 2005 – 13,5% álcool – região: Gaiole in Chianti – uvas: Merlot (60%) e cabernet Sauvignon (40%) – preço R$ 205,60 – Rubi intenso profundo. Perfil aromático distinto dos três exemplares anteriores, com notas de frutas vermelhas, licor de cassis e uma pontinha de alcaçuz. Na boca subscreve esses aromas ao exibir fruta integrada aos demais elementos: álcool, madeira, taninos e acidez de viés gastronômico. Um legítimo “Supertoscano”, amadurecido por 18 meses em barrica de carvalho francês de média tosta “Alliers”. Sem filtração, permanece dois anos na garrafa antes de ir para o mercado. Retrogosto frutado. Promete longa vida na garrafa. Dividiu com o Chianti 2004 o título de melhor da noite para os presentes.

Avaliação: 92/100 pts.++

Vin Santo Del Chianti Clássico 2001 – 13,5% álcool – região: Gaiole in Chianti – uvas: Malvasia (95%) e Canaiolo (5%) – preço: n/c (garrafa de 375 ml) – vinho de pequena produção anual, apenas 2.500 garrafas, considerado um dos melhores da Itália do gênero: Dourado intenso brilhante. Exala aromas deliciosos e convidativos de amêndoas torradas, damasco, frutas secas, geléia de laranja sobre um fundo de mel com excepcional sustentação na taça. Na boca é simplesmente sublime, untuoso e exibe um equilíbrio gustativo muito próximo da perfeição eis que o seu dulçor tem contraponto na acidez, na fruta e no álcool. Intenso, longo, profundo é interminável no palato. Depois de sorvido deixa uma gostosa e intensa nota crocante e amendoada. O melhor vinho de sobremesa italiano degustado por quem escreve essas linhas. Sem previsão de importação para o Brasil.

Avaliação: 95/100 pts. ++

Tarapacá “La Isla” Sauvignon Blanc Terroir 2008 – Vale de Leyda

Tarapacá La Isla 2008 foi trazido do Chile em 11/2009. Importado pela Épice - SP.

O Guia Descorchados 2009 informa aquilo que muita gente já sabe: a Tarapacá foi comprada pelo grupo San Pedro, que entre outras linhas, produz os vinhos Santa Helena, muito conhecido dos brasileiros. Comandada pelo enólogo norte-americano Ed Flaherty, que já conseguiu que os vinhos alcançassem maior pontuação na edição do guia em questão. O Tarapacá La Isla Leyda Sauvignon Blanc 2008 já é fruto dessa união e pelo visto as coisas estão caminhando bem. O leitor deve aguardar porque brevemente essa tradicional vinícola chilena estabelecida no Vale de Maipo, mais precisamente em Isla de Maipo, lançará o seu primeiro “Super Premium”.

O contra-rótulo:

“El Valle de Leyda, el cual mira desde lo alto al Océano Pacifico está ubicado em las zonas mas frías, donde los antigos suelos de granito de Cordillera de la Costa, junto com las condiciones climáticas, entregan notas minerales a los vinos que ahí se originan. La Isla, fue fermentado em tanques de acero inoxidable para exhibir lãs intensas cualidades y notas minerales de Leyda. Este vino presenta aromas y sabores cítricos, combinados com notas minerales em boca, posee uma crujiente acidez natural y sabores muy persistentes.”

Degustação

Tarapacá La Isla Sauvignon Blanc Terroir 2008 – Região: Leyda – Álcool: 13% – preço: R$ 36 (Santa Luzia – SP) – cor: palha claro com reflexos esverdeados. Nariz intenso com notas vegetais típicas da casta, leve apontamento cítrico sobre um fundo mineral. Na boca confirma o nariz e se destaca por conta de seu frescor e mineralidade. Tem profundidade gustativa e corpo médio. No fim-de-boca deixa um amargor vegetal dentro do aceitável. Poderia ser mais elegante, mas tem a favor de si a tipicidade. Obteve 92/100 pts. do Guia Descorchados 2009 com a rubrica “super preço” que aconselha que seja servido junto com “ostras”. Por sua estrutura e mineralidade poderá ser consumido sem atropelo até o fim de 2011. Trazido do Chile em novembro de 2009 por US$ 7, é um vinho comercializado no Brasil por R$ 36,00.

Avaliação: 87/100 pts. +

De Lucca El Colorado Reserva 2006: um Sauvignon Blanc diferente

O Uruguai é um país que se localiza na parte sul do continente americano e têm cerca de 3,3 milhões de habitantes distribuídos em dezenove departamentos. Seu consumo “per capita” é da ordem de trint e três litros (8º mundial) e cerca de 95% de sua produção de uvas é destinada à produção de vinhos. Apenas 5% da produção é de uvas de mesa. Metade de sua produção anual é para o consumo interno e a outra metade destina-se à exportação para o Brasil, EUA e Europa. A produção está nas mãos de “duzentas e setenta e oito famílias produtoras”. Destaca-se no plantio da cepa “tannat” que tem sua origem no sudoeste francês, mas também obtém sucesso no plantio das castas tintas cabernet sauvignon e franc, merlot, petit verdot, pinot noir, tempranillo e syrah e das brancas sauvignon blanc, sauvignon gris, viognier, torrontés, ugni blanc, gewürztraminer e chardonnay.

A vinícola De Lucca compreende três vinhedos situados nas comunidades de “El Colorado”, “Rincón de El Colorado”, “El Colorado Chico” e ” Progresso “. Essas vinhas totalizam de 50 ha, localizadas a 35 quilômetros da costa do Atlântico. O clima dominante é temperado, quente, úmido, relativamente seco e ensolarado durante a primavera e o verão. O solo escolhido é adequado para o cultivo da uva porque é bastante raso, bem drenado e possibilita o armazenamento de água suficiente para abastecer as vinhas durante o período vegetativo. O solo predominante é de cor marrom escuro e o sub-solo de calcário em alguns pontos.

Reinaldo de Lucca, Diretor e Enólogo, faz parte da segunda geração da família produzindo vinhos. Suas raízes estendem-se ao Piemonte, onde a família também produzia vinhos. Aprimorou-se com as graduações nas universidades de Montevidéu (Uruguai), Penn State University (EUA) e Montpellier (França). Seus vinhos são elegantes, vivos e originais, refletindo sua mentalidade inquieta e perfeccionista.

Degustação

De Lucca El Colorado Sauvignon Blanc Reserva 2006 – região: Canelones – álcool: 14,3% – preço: R$ 48,40 – portal Estação do Vinho – tel: 011 3045 2461 – Elaborado com uvas bem maduras, sua cor é amarelo na transição para o dourado brilhante. À princípio começou fechado mas abriu ao longo do tempo. Notas de fruta madura (melão e pêssego) sobre um discreto fundo vegetal que confirma a tipicidade da casta. Na boca um degrau acima. Álcool generoso integrado à fruta e à acidez perfazendo um conjunto equilibrado, harmonioso e sobretudo complexo. Untuoso, é um vinho expansivo, longo que arrancou diversos elogios. Detentor de ótima relação preço-qualidade. Por fim, seu frescor está intacto, o que faz-nos crer que seja um vinho de guarda que exibe uma cor densa (quase dourada) por conta de sua passagem por madeira (1 ano). À conferir. Avaliação: 88/100 pts.

Coppola Blue Label Merlot 2005

O degustado foi da safra 2005

O vinho deste post é da safra 2005

Sobre FRANCIS FORD COPPOLA

De ascendência italiana pode-se afirmar que cresceu sob forte influência do vinho e da gastronomia. Famoso cineasta e autor de diversos filmes (O poderoso chefão, Apocalypse Now, O selvagem da motocicleta, etc.), adquiriu a vinícola em 1975 fazendo parte do negócio uma construção de 1879 chamada Inglenook que fora fundada por Gustave Niebaum, donde o nome Niebaum-Coppola. Após minuciosa restauração surgiu a maravilhosa sede que adorna a vinícola no distrito de Rutherford do Napa Valley. Seus vinhos são considerados os melhores da história vinícola dos EUA.

Degustação

Coppola Blue Label Merlot 2005 – uvas: Merlot (90%), Syrah (6%) e Petit Verdot (4%) – Álcool: 13,5% – preço: R$120 – Importador: Reloco/RJ – tel: 21 2215 8055 – Rubi violáceo profundo com halo de evolução. Nariz convidativo: desde o início apresentou ótimos aromas, com notas de frutas negras (amoras e ameixas), chocolate, madeira de qualidade e uma ponta de vermute. Sua complexidade olfativa faz lembrar um bom vinho do Vale do Ródano (Châteauneuf-du-Pape). Boca macia, redonda, com madeira bem casada com a fruta subscrevendo as sensações olfativas, taninos maduros e gentis no auge da evolução, toques de anis, chocolate e baunilha. Retrogosto com notas achocolatadas. Vinho prazeroso que mostrou toda a tipicidade da Merlot na Califórnia. Apesar de caro é inegavelmente um vinho prazeroso.

Avaliação: 89/100 pts.

Vinhos da Toscana

Marlene KratzTel (11|) 2936 2229 – (11) 8935 0464

marlene@premierimportadora.com.br

Vinhos diversos

Leyda Pinot Noir Rosé 2007, vinho de boa tipicidade aliado ao frescor de um Rosé com mais jeito de Pinot do que muitos similares existentes por aí: 87/100 pts.

Valduga Naturelle 2008: blend de Cabernet Franc e Pinot Noir

Leyda Pinot Noir Rosé 2007, Casa Valduga Naturelle 2008, Siesta en el Tahuantinsuyu Malbec 2006, Delicato Cabernet Sauvignon 2006 e Dominio Cassis Tannat Oceanico 2006

Delicato Cabernet Sauvignon 2005: um californiano de perfil leve, aberto no auge da evolução - 86/100 pts.

Dominio Cassis Tannat Oceanico 2006: típico vinho uruguaio, intenso e potente: 85/100 pts.

Siesta en el Tahuantinsuyu 2006: apesar do nome complicado, este Malbec da família Catena obteve 88/100 pts.+

Gracia de Chile Chardonnay Reserva 2009

O vinho escolhido para este post é um Chardonnay chileno denominado “Cercanía Reserva 2009”, da “Gracia de Chile”, elaborado com uvas de umas das regiões mais distantes do país andino: o promissor Vale de Bío Bío, o mais austral dos vales produtores chilenos porque está situado a 500 km ao sul de Santiago e que demonstra que a cepa tem plenas condições de evoluir nessa região de clima ameno, de invernos suaves e chuvosos. Os verões são mais frescos que outros vales do país devido à sua latitude. Isso faz com que as uvas atinjam seu ciclo lentamente, conservando seu frescor, intensidade de sabores e de aromas. O solo da região contém uma expressiva quantidade de areia e de pedras, o que permite obter de maneira natural rendimentos baixos. A altura da Cordilheira dos Andes baixa consideravelmente com menores temperaturas a determinar que a colheita ocorra duas semanas depois das verificadas nas regiões mais quentes e o resultado do cultivo principalmente de uvas brancas como Riesling, Gewürztraminer, Sauvignon Blanc e Chardonnay são bastante animadores. A Pinot Noir também é cultivada com algum sucesso.

A vinícola “Gracia de Chile” faz parte do conglomerado “Corpora Viñedos e Bodegas” ao qual pertence as Viñas Agustinos, Canata e Veranda. O atual importador é a rede de supermercados “Wal-Mart”, onde esse vinho pode ser encontrado com alguma facilidade por preço acessível: R$ 17,22. A característica principal da Gracia de Chile segundo Hugh Johnson (Guia de Vinhos de Bolso – edição 2008), é “possuir vinhedos desde Aconcágua até Bío Bío”.
O contra-rótulo informa que: “elaboramos nosso Chardonnay com uvas especialmente selecionadas. Aromas de pêra, abacaxi e mel se sobrassaem neste vinho complexo. Na boca é suave e luxuoso com final sedoso. Parcialmente envelhecido em barris de carvalho francês para obter suas delicadas notas de baunilha. Combina perfeitamente com pescados, massas e quiches. Servir entre 8 e 10°C”.

Degustação

Gracia de Chile Chardonnay Reserva 2009 – Vale de Bio Bio – 13,5% álcool – preço: R$ 17,22 – (21.06.2010) – Wal-Mart Supercenter Morumbi – Av. Prof. Fco. Morato 2585 – SP/SP

Atraente cor amarelo verdeal intenso e brilhante. No nariz, os 13,5% de álcool estão integrados e os aromas que se destacam são os de frutas brancas como melão, pêssego e uma ponta de abacaxi maduro. Depois de algum tempo uma nota cítrica, mas o perfil aromático lembra mais um Chardonnay de clima quente por conta do seu frescor um pouco abaixo do esperado e da sugestão de fruta madura. Mesmo assim, tivesse mais corpo seu perfil o aproximaria dos vinhos de Casablanca, San Antonio e Leyda, porque só fica a dever na mineralidade. Redondo e com alguma persistência, dá espaço para a fruta com sugestões cítricas, mas a baunilha prevalece e um discreto amargor aparece no fim-de-boca.
Conclusão
O Chardonnay Cercanía é um vinho franco, direto, fácil de beber, de boa tipicidade porque consegue exprimir o caráter varietal da cepa e que conta com um fator atraente para o consumidor: sua relação preço-qualidade é bastante favorável, porque se hipoteticamente for comparado com outros Chardonnays da mesma faixa de preço irá se destacar. Não vai ganhar complexidade na garrafa, todavia, poderá ser consumido despreocupadamente nos próximos doze meses.
Avaliação: 85/100 pts.

Harmonização possível: Pato no Tucupi com vinho tinto nacional

Don Laurindo Tannat 1999: safra excelente no RS

Don Laurindo Tannat 1999: safra excelente no RS

Triunvirato nacional: em 1° Baron de Lantier CS 1991, 2° Marson Gran Reserva CS 2002 e 3° Don Laurindo Tannat 1999
Triunvirato nacional: em 1° Baron de Lantier CS 1991, 2° Marson Gran Reserva CS 2002 e 3° Don Laurindo Tannat 1999

Reunidos no restaurante paulistano Tordesilhas, no almoço de 16 de junho de 2010, diversos blogueiros e experts em enogastronomia convidados por Cris Couto, do ótimo blog sejabemvinho.blogspot.com para eleger o melhor vinho para acompanhamento de um prato típico do Norte do país, denominado “Pato no Tucupi”, preparado por Mara Salles.

Sobre o Pato no Tucupi.

É um prato típico da região Norte do país, preparado pelos paraenses nas ocasiões festivas, como o Círio de Nazaré (uma das maiores manifestações religiosas do mundo, que acontece em outubro, em Belém do Pará). O pato é marinado , assado e depois cozido no molho de tucupi com a chicória (erva da Amazônia) e o jambu (erva que provoca uma leve dormência na língua). Deve ser servido com a farinha d’água e a pimenta-de-cheiro do Pará.

Tacaca

Em Manaus e Belém as pessoas costumam tomar toda tarde este caldo que leva tucupi, jambu, goma de tapioca e camarão seco. Para este prato foi servido o Sauvignon Blanc neozelandês Framingham 2008 (88/100 pts.) que apresentou uma interessante harmonização, eis que seu sabor levemente amargo no começo e suave no final com boa dose de mineralidade prolongou o sabor do caldo, que deixou um gostoso retrogosto mentolado e refrescante. Nota da harmonização: 7/10

Mara Salles no preparo do "Pato no Tucupi"

Mara Salles no preparo do "Pato no Tucupi"

Abaixo segue a relação dos vinhos degustados na harmonização na ordem de classificação do grupo:

9.- Lês Cepages Merlot/Cabernet Sauvignon 2007 – 14,5 álcool (Álvaro Galvão)

8.- Rosé Jean-Luc Colombo 2006 – 13% álcool (Breno)

7.- Dal Pizzol Assemblage 35 anos – Merlot/CS/Ancelotta 2009 – 13% (Maurice) e

Cordilheira de Sant’anna Gewürztraminer 2008 – 13,5% álcool (Cris Couto)

6.- Chateauneuf-du-pape Xavier 2006 – (Beto)

5.- D’arenberg The Dry Deam Riesling 2008 – (Austrália – Walter)

4.- Avondale Pinotage 2008 – 13,5% álcool – (África do Sul – Ivo)

3.- Don Laurindo Tannat 1999 (Jeriel)

2.- Avondale Chenin Blanc 2009 (Agilson) e Marson G Reserva Cabernet Sauvignon 2002

1.- Baron de Lantier 1991 – (Brasil – Agilson)

Pato no Tucupi é um prato tradiconal da região Norte do país.

Pato no Tucupi é um prato tradiconal da região Norte do país.

Abaixo a descrição e avaliação dos vinhos consoante escolha do grupo, com observação de que a nota final refere-se ao vinho individualmente considerado por quem escreve essas linhas:

9.- Lês Cepages Merlot/Cabernet Sauvignon 2007 – 14,5 álcool rubi granada. Nariz simples com notas de aniz sobre um fundo herbáceo. Taninos rudes e baixa complexidade gustativa. Termina áspero. Não foi bem na harmonização em razão da dureza de seus taninos.

Nota: 81/100 pts.

8.- Jean-Luc Colombo Rosé 2006 – 13% álcool - Salmão na transição para laranja. Nariz aberto com álcool generoso a lembrar vinho fortificado. Leve nota oxidada sobre um fundo mineral. Boca delicada. Bom frescor. Muito elogiado porque não apresentou entraves sérios na harmonização, porque é um vinho estruturado, sem taninos e de bom frescor.

Importadora Decanter

Nota: 87/100 pts.

7.- Dal Pizzol Assemblage 35 anos – Merlot/CS e Ancelotta 2009 Rubi violáceo intenso. Nariz com leve frutado com predomínio de notas vegetais. Boca forte, intensa, taninos jovens e um pouco verdes. Corpo pleno, álcool, acidez e madeira em integração. Pede mais tempo na garrafa para melhor acerto do conjunto. A força dos taninos jovens impediu harmonização.

Preço: lançamento

Nota: 84/100 pts.

7.- Cordilheira de Sant’ana Gewürztraminer 2008 – .Palha claro. Nariz intenso com floral se destacando (rosas), lichias e uma ponta cítrica. Boca um degrau abaixo, com algum frescor e uma nota rústica um pouco amarga que destoa do olfato e que prejudicou na harmonização com o Pato no Tucupi. Tem a favor de si a tipicidade.

Nota: 82/100 pts.

6.- Chateauneuf-du-pape Xavier 2006 Rubi violáceo profundo com discreto reflexo granada. Nariz complexo com, geléia de frutas vermelhas, tabaco sobre um fundo tostado. Boca densa, complexa, rugosa, taninos jovens e poderosos. Acidez gastronômica. Harmonização possível que chega a entusiasmar. A maciez do vinho afinou-se com a maciez da carne de pato. O vinho ainda tem vida na garrafa e se mostrou adequado para o prato.

Nota: 87,5/100 pts. Importadora Cantu.

5.- D’arenberg The Dry Deam Riesling 2008 – Amarelo com reflexos na transição para o dourado. Intensa nota mineral no olfato (querosene) secundada por ligeiro toque cítrico. Boca no mesmo diapasão, com forte acidez e algum açúcar residual a impedir uma perfeita harmonização. Apesar disso, o vinho tem tipicidade.

Nota: 85/100 pts.

4.- Avondale Pinotage 2008 – Rubi violáceo intenso e concentrado. Começou fechado e alcoólico. Depois apresentou uma nota de frutas negras (ameixas) sobre um fundo terroso. Na boca subscreveu esses aromas e a maciez de seus taninos não atrapalhou a harmonização, porém, o vinho ressentiu-se de baixa acidez.

Nota: 86/100 pts.

3.- Don Laurindo Tannat 1999 - rubi violáceo com halo granada. Aromas de caramelo e de frutas negras. Vinho gastronômico por excelência, harmonizou bem com o prato por conta da textura suave e redonda de seus taninos e da acidez de viés nitidamente gastronômico. É um vinho consistente, que tem inequívoca capacidade de envelhecimento e que sua tipicidade o coloca em pé de igualdade com os melhores expoentes Cisplatinos dessa cepa.

Nota: 88/100 pts.

2.- Avondale Chenin Blanc 2009 palha claro com reflexos esverdeados. Discretos aromas florais. Melhor na boca, com boa estrutura e frescor facilitando a compatibilização com o Pato no Tucupi do Tordesilhas, eis que o vinho suportou o prato e a harmonização se deu por semelhança.

Nota: 86/100 pts.

2.- Marson Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2002 – Rubi violáceo intenso, profundo com halo de evolução. Apresentou uma paleta aromática complexa e evoluída com toques de couro, tabaco, pimentão e leve frutado. Na boca um vinho rico, elegante e de taninos polidos. Equilibrado no álcool, acidez e taninos. Quase perfeito na harmonização, ainda agüenta de três a cinco anos na garrafa. Está no auge e não deve evoluir mais.

Nota: 88/100 pts.

1.- Baron de Lantier Cabernet Sauvignon 1991 – Granada esmaecido levemente turvo. Complexo nos aromas terciários com notas animais, cedro sobre um leve balsâmico. A boca subscreve os aromas e se destaca pelo frescor, taninos macios e pleno equilíbrio gustativo que lhe foi conferido pelo correto amadurecimento em barricas de carvalho francês novo e envelhecimento na garrafa ao longo de quase duas décadas. Seguramente um dos melhores vinhos nacionais já produzidos que por sua elegância e suavidade harmonizou-se plenamente com o Pato no Tucupi do Tordesilhas. Sim, o Baron de Lantier CS 1991 é um vinho gastronômico por excelência.

Nota: 89/100 pts.

Notas dos principais vinhos na harmonização dada pelo grupo:

1- Baron de Lantier 1991 – Nota 7,6

2- Marson Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2002 – Nota 7,3

3- Don Laurindo Tannat 1999 - Nota 7,3

3- Avondale Chenin Blanc 2009 – África do Sul – Nota 7,2

Abaixo o rol de participantes do 1° encontro de harmonização coordenado por Cris Couto:

http://divinoguia.blogspot.com

http://sejabemvinho.blogspot.com
http://www.academiadovinho.com.br
http://papodevinho.blogspot.com
Breno Raigorodsky

Maurice Bibas

Ivo Ribeiro (Tordesilhas)

Chateauneuf-du-pape Xavier 2006: desempenho muito bom na harmonização. Importadora Cantu

Chateauneuf-du-pape Xavier 2006: desempenho muito bom na harmonização. Importadora Cantu

Almaviva 2001

A Viña Almaviva está localizada em Puente Alto, nas cercanias de Santiago do Chile

A Viña Almaviva está localizada em Puente Alto, nas cercanias de Santiago do Chile

Impressionante vista da sala das barricas, local onde os vinhos amdurecem em barricas novas de carvalho francês

Impressionante vista da sala das barricas, local onde os vinhos amdurecem em barricas novas de carvalho francês

Na data da visita (11/2009) a safra disponível para venda era 2004. Outras também estavam disponíveis, sob consulta

Na data da visita (11/2009) a safra disponível para venda era 2004. Outras também estavam disponíveis, sob consulta

O nome Almaviva, ainda que pareça espanhol pertence à literatura clássica francesa: Almaviva é o herói das “Bodas de Fígaro”, obra de autoria de Beaumarchais (1732-1799), que foi transformada na opera de Wolfgang Amadeus Mozart anos mais tarde. A etiqueta faz homenagem aos ancestrais chilenos, com três reproduções “estilizadas” de um desenho que simboliza a visão do universo pela civilização Mapuche. O desenho aparece sobre um “kultrun” que é um tambor ritual utilizado pelo povo Mapuche, todavia, na etiqueta o nome Almaviva aparece com a caligrafia original de Beaumarchais. Assim, duas grandes tradições unem suas mãos para oferecer ao mundo uma promessa de prazer e excelência.

O Terroir.

Puente Alto fica no Alto Maipo, berço dos esplêndidos cabernets chilenos, localidade que vem sendo reconhecida, há mais de vinte anos, por oferecer as condições ideais para a cepa de origem francesa. Nessa localidade 85 hectares estão destinados exclusivamente para a produção do Almaviva. As principais características são: solo pobre e pedregoso de origem aluvial (leito de rio), invernos frios e chuvosos, dias quentes e noites frescas no verão. Os vinhedos são tratados meticulosamente durante todo ano a cada safra. Assim, Almaviva é a soma de um sem número de detalhes que dão como resultado toda expressão, complexidade e elegância do terroir de Puente Alto (sobre isso ver matéria nesse blog datada de 03.12.2009).

Almaviva 2001

Origem: Chile – safra: 2001 – álcool: 14,5% – região: Puente Alto/Vale do Maipo – uvas: Cabernet Sauvignon (70%), Carménerè (27%) e Cabernet Franc (3%) – preço: de R$ 380 até R$ 750,00 – Vinho emblemático e sofisticado que resulta na seleção das melhores uvas do vinhedo El Tocornal, com dezessete meses de passagem por barricas novas de carvalho francês. Rubi intenso com reflexo violáceo com discreto halo de evolução. Olfato complexo com as tradicionais notas de pimenta-do-reino, frutas vermelhas maduras, coco e groselha sobre um fundo herbáceo (sem “goiabada”), com ótima sustentação na taça. Depois de algum tempo notas balsâmicas. Na boca é um vinho rico com tudo no sítio certo: taninos, acidez, álcool, madeira e fruta em plena sintonia. Um capítulo à parte dedicado aos taninos: plenamente presentes são finíssimos e nos remetem aos grandes vinhos bordaleses sem perder a alma chilena. Acidez perfeita. Longo e profundo, é largo no meio de boca e termina com discretíssima rugosidade, a indicar que mais alguns anos na garrafa lhe farão muito bem. O ideal é ser bebido à partir de 8/10 anos a contar da safra. Como nada é perfeito o Almaviva tem um defeito: nessas bandas seu preço se afigura proibitivo, porque há quem peça até R$ 750 por uma garrafa. Decante-o, por no mínimo 30 minutos ou conserve-o na adega climatizada nos próximos 5/10 anos. Às cegas passa tranquilamente como vinho do “Velho Continente”. Vinho degustado em 20.06.2010.

Avaliação: 91,5/100 pts. ++

Gleba com plantação de Cabernet Sauvignon do Almaviva

Gleba com plantação de Cabernet Sauvignon do Almaviva

Casa sede da Almaviva

Casa sede da Almaviva