A Espanha é um país que conta com uma superfície de vinhedos de 1.329.000 hectares, sua produção vinícola soma 4,8 bilhões de litros e o consumo per capita de vinho é de 34,64 litros/ano. Possui uma tradição histórica na produção de vinhos, tendo sido esta praticamente a única forma de cultivo que resistiu às devastações provocadas pela luta entre muçulmanos e cristãos, que só terminou em 1492. Atualmente é o país com a maior área plantada de vinhedos no mundo. Destaque-se que os vinhos espanhóis vivem um grande momento, com elevado grau de modernização e tecnologia nas bodegas, novas gerações de enólogos e sobretudo uma profunda transformação experimentada pelos vinhedos são alguns dos fatores que impulsionaram essas mudanças.
O Sierra Cantabria Colección Privada 2006 é um vinho que chamou a atenção de quem escreve, eis que apresentou concentração de sabor acima do esperado. Observando melhor o seu contra-rótulo não se trata de um DOC qualquer. Trata-se de um DOCA, isto é, um Denominación de Origen Calificada: vinhos de alta qualidade constante que consigam manter o padrão há pelo menos 10 anos. Hoje só há três DOCAS: Rioja foi a primeira, seguida pelo Prioratoe, recentemente, pela região dos espumantes CAVA. Os vinhos ostentam um selodo Consejo Regulador de Rioja, por exemplo.
O Sierra Cantábria Colección Privada não é o primeiro vinho da bodega. O primeiro vinho é o Finca El Bosque. De dez anos para cá eles lançaram outro vinho premium, o Amâncio. Ambos são vendidos por preços semelhantes.
Aqui no Brasil são vendidos o Amâncio (R$ 987) e o Finca El Bosque por cerca de R$ 903,00. O Colección Privada por R$ 281,00. Tem também um Cuvée Especial (R$ 162,00), o Crianza (R$ 109) e o Cosecha (R$ 59), além de outros vinhos mais simples.
Este Colección Privada 2006 foi comprado em Madrid, na Mariano Madrueño, em janeiro último, por US$36,00 (em torno de 25 euros), pelo Confrade Sérgio.
O contra-rótulo:
“Al pie de la sierra que da nombre a la bodega, la família Eguren, generación trás generación desde 1870, se dedica al cultivo del viñedo, a la elaboración y envejecimiento de grandes vinos. Recomendaciones: Conservación: temperaturas constantes y no superiores a 16° C. Humedad cercana al 80%. Ambiente oscuro y silencioso. Temperatura de servicio: 17° C. Período óptimo de consumo: 2009 a 2015.”
Degustação
Sierra Cantabria Collección Privada 2006 – 14,5% álcool – DOCA Rioja/Espanha – uva: Tempranillo – Importado por Península, tel. 011 3822-3986, preçoR$ 281,00 - Rubi violáceo brilhante. Aromas complexos de frutas vermelhas, cerejas, ameixas, chocolate, hortelã com ampla sustentação na taça. Na boca a sua entrada proporciona uma sensação aveludada, eis que seus taninos são macios e expressivos. Estruturado e salivante, convida para o próximo gole, porque é “guloso” e seu perfil com fruta em evidência revela seu estilo. Rico, longo e intenso parece insistir em permanecer no palato. Nem o álcool generoso chega a incomodar. O importador informa que: “Produzido com vinhas de mais de 50 anos, permanece 18 meses em barricas de carvalho novas (50% francês Allier e 50% americano). Engarrafado sem filtragem”.Apesar de o contra-rótulo informar que seu período ótimo de consumo já se iniciou (2009 a 2015), é um vinho que continuará evoluindo na garrafa nos próximos 5/10 anos.
A linha Marques de Casa Concha acaba de ganhar mais um rótulo: Carménère, fino e elegante, sem as tradicionais notas herbáceas e sem amargor vegetal que caracteriza alguns vinhos dessa casta tão festejada no Chile
“Em dezembro do ano passado, a Concha y Toro lançou, no Chile, o Marques de Casa Concha Carménère pela primeira vez. A safra escolhida para o lançamento foi a consagrada 2007. A Carménère reina em Peumo, de onde vem as uvas para esse vinho. O primeiro ataque na boca é levemente doce e a resposta é devido aos 10% de carvalho americano novo utilizado no envelhecimento do vinho em barris (no total são 16 meses, com os 90% restantes de carvalho francês). Muita fruta negra, especiarias, tons herbáceos (na medida) e toques de pimenta-do-reino. Boca cheia, taninos firmes e muita força no final de boca. Precisa de um tempo de garrafa para que o conjunto esteja em total consonância. Tem 10% de Cabernet Sauvignon no blend final. Boa estréia da Carménère na linha MCC. Melhor se consumido entre 2010 e 2015.”A descrição acima é de Luiz Gastão Bolonhez, da Revista Adega, que o degustou em 01.03.2010
O primeiro vinho da linha foi o Cabernet Sauvignon de 1972 - do reconhecido vinhedo de Puente Alto, situando imediatamente o Marques de Casa Concha como o emblema da Viña Concha y Toro naquela época. Em 1989 um Chardonnay foi incorporado à linha, do vinhedo Santa Isabel de Pirque, sendo seguido por um Merlot do vinhedo de Peumo, um ano depois.
O enólogo Marcelo Papa é encarregado – há 10 anos – desta que é uma das linhas mais tradicionais do Chile. Ao assumir a linha, Marcelo manifestou sua influência no ressurgimento da marca, embora conservando sempre o estilo da linha Marques: vinhos modernos e com caráter, abrindo as portas do segmento ultra premium para a indústria vinícola do Chile. Os numerosos prêmios nacionais e internacionais que seus vinhos têm recebido – superando sempre a barreira dos 90 pontos em todos os produtos da linha – refletem o excelente trabalho enológico, além da enorme cobertura midiática que a Concha y Toro recebe.
Segundo Marcelo Papa, as condições apresentadas em 2007 foram excepcionais. “Baixo rendimento dos vinhedos somado ao fenômeno da Corrente de la Niña, que significou baixas temperaturas e ausência de chuvas na época da vindima”, explica Papa. “As uvas foram colhidas em ótimo nível de amadurecimento, obtendo-se fruta para vinhos de qualidade, extremamente elegantes, de alta concentração, boa estrutura, fineza, taninos maduros e uma cor espetacular que expressam fielmente o terroir. A vindima de 2007 foi extraordinária. Uma das melhores dos últimos anos”, orgulha-se.
Fonte: Denise Cavalcante.
O contra-rótulo informa que:
“Este Carménère proviene de nuestrostradicionales viñedos de Peumo em el Valle de Rapel, ubicados em lãs antiguas terrazas de lar ibera norte del rio Cachapoal. Vino de producción limitafa guardado em barricas de roble francês durante dieciséis meses. Sus aromas intensos y elegantes a fruta negra madura, espécies y pimienta negra evocan el distintivo terroir de Peumo. La barrica aporta exquisitas notas a chocolate y vainilla. Um vino voluptuoso, de taninos dulces y redondos com um final largo y elegante”.
A linha de vinhos Marques de Casa Concha é uma das mais tradicionais e confiáveis do Chile
Degustação
Marques de Casa Concha Carménère 2007 – Vale de Rapel, Peumo – 14,5% álcool – Uvas: Carménère (86%) e Cabernet Sauvignon (14%) – Importador: CyT do Brasil – telefones: 011 3040 3737 e 3040 3730 – preço médio em SP: R$ 65/85 -Vermelho rubi intenso e profundo com reflexo púrpura. Medianamente intenso e complexo no nariz com aromas de frutas negras (amora e framboesa), notas balsâmicas sobre um fundo de barrica e mentol. Na boca é cremoso, de corpo médio, taninos sólidos de firme textura confirmam as sensações olfativas com elegância e sedosidade. A fruta está presente, mas um pouco encoberta pela madeira e pelo álcool. Apesar de ser um vinho cujos elementos estão em integração, é um Carménère diferenciado, com uma densidade e viscosidade nunca vistas. Precisa de mais alguns anos na garrafa para revelar sua melhor forma. A totalidade do mosto amadureceu 16 meses em barricas francesas, 1/3 novas e 2/3 de 2? uso (portal da Concha y Toro).
A Bodega Argentina Sottano é uma empresa familiar iniciada em 2001, objetivando elaborar vinhos de alta classe no distrito de Perdriel, Lujan de Cuyo, Mendoza, numa altitude de 1.000 metros onde as uvas atingem nível invejável de amadurecimento. A propriedade compreende 20 hectares e está rodeada de 1,5 hectares de jardins, com plantas autóctones da região. Com isso, os arquitetos Maurício e Diego Sottano pretendem inserir a vinícola no contexto natural. Materiais e cores característicos das cercanias foram utilizados. À arquitetura somaram-se tecnologias da última geração, fazendo deste empreendimento ideal, levado à cabo por aqueles que amam a vinicultura.
Como supramencionado a vinícola está estabelecida em Perdriel, Luján de Cuyo, na Ruta Nacional 7 y Costa Flores s/n e conta com 20 hectares de vinhedos de Malbec e CabernetSauvignon. A Merlot é adquirida de terceiros e vem de Tupungato, no Vale de Uco e a Malbec de Agrelo, Luján de Cuyo.
Um pouco de história.
Don Sottano Fioravante, natural de Veneto, na Itália, estabeleceu-se em Mendoza em 1890 e foi o pioneiro da indústria e da agricultura na região. Plantou vinhas para a produção de vinho na sua adega e exportava o excedente. Seu filho Michael Sottano continuou o negócio da família ao produzir 20.000.000 litros de vinho anualmente. Hoje em dia a Bodega está nas mãos da 3a. geração: Diego, Paulo e Maurice Sottano pretendem renovar e construir o futuro do vinho em bases mais estáveis.
Sobre a degustação
Na degustação, conduzida pelo enófilo Wilson Felipe, com a presença da Diretoria da Max Brand’s e da SBAV-SP,o que chamou atenção foi a concentração e o nível de qualidade dos vinhos. Outro fator que também deve ser considerado é o preço nos “pontos de venda” se considerada a qualidade intríseca. Existe uma centena de bons malbecs à disposição dos consumidores, todavia, nem todos produtores conseguem fazer bons cabernets como a Bodega Sottano. Quem escreve aprecia os vinhos platinos e os bebe com frequência. É difícil achar um Cabernet Sauvignon com esse nível de qualidade abaixo dos R$ 50,00 e, sem medo de exagerar, o Sottano Cabernet Suvignon2006 é um vinho para se comprar de “caixa”. O “top” da casa Judas Malbec 2006 é o típico vinho que justifica o “quanto mais velho melhor” porque tem sólida estrutura para evoluir nos próximos dez anos na garrafa. Também é importante mencionar que os vinhos Sottano sempre são mencionados com boas pontuções no Guia Austral Spectator, publicado na Argentina.
Agora vai ficar mais fácil para encontrar em São Paulo os Barolos e demais vinhos do produtor italiano Batasiolo: a Max Brands passará a fazer sua importação.
Por fim, num ato de generosidade que merece ser mencionadoAlexandre Fadel sorteou três garrafas dos conhecidos Barolos Batasiolo: uma do Vigneto Cerequio 2004 e duas do Barolo Vigneto Boscareto 2004 eanunciou que passará a fazer a importação dos vinhos desse produtor para o Brasil.
Judas Malbec 2006 – 14,9% álcool – Perdriel/Luján de Cuyo – preço: R$ 240,00 – Na opinião de quem escreve essas linhas o grande destaque da degustação foi este Judas Malbec Ultra Premium, elaborado pelo enólogos Luiz Barraud e André Marchiori, vinho que já obteve 92/100 pts. da Wine Advocate de Robert Parker. Por que Judas? O importador nos explica: “…tudo o que a família Sottano queria era uma produção limitada desse vinho para seu exclusivo consumo.Doce ilusão…um membro da família decidiu compartilhar essa maravilha de vinho com terceiros, que surpresos com seu sabor e complexidade espalharam para os quatro cantos as qualidades desse vinho. Diante de tantos pedidos, começou a vender algumas garrafas sem a família saber, mas o segredo não durou muito…em poucos meses a cidade inteira estava sedenta pelo vinho. A saída foi contar para sua família, que decidiu, então, aumentar sua produção para venda…daí seu nome…Judas!!Mostrou bastante concentração de cor típica da malbec, com um tom negro com reflexo púrpura e no olfato aromas de frutas negras (ameixas e framboesas) com uma boa dose de baunilha, tabaco, frutas confitadas e discreto mentolado. De aromas tão concentrados que chega a lembrar um Porto Vintage. Boca quente, concentrada (parreiras de mais de 40 anos), densa e rugosa, taninos finos e adocicados, bom entrosamento da fruta, madeira (18 meses em barricas francesas de primeiro uso), álcool e acidez integrados. Amplo e profundo vai amadurecer na garrafa nos próximos dez anos.
Avaliação: 90,5/100 ++
Wilson Felipe e Nubia, contemplada com uma garrafa do Barolo Cerequio. Em breve, haverá degustação desses vinhos na SBAV-SP
Argentina/Mendoza – Bodega Sottano
Sottano Clássico Malbec 2007 – 13,8% álcool – Perdriel, Luján de Cuyo, Mendoza -preço: R$ 49,00 – Com um bonito rótulo, este Malbec Mendocino tem I. P. de Mendoza (indicação de procedência). Amadurece em barrica de carvalho francês (70%) e americano(30%) por 12 meses. Análise organoléptica:rubi violáceo profundo e intenso com halo púrpura. Ricos aromas típicos da casta na Argentina: ameixas, amoras, cravo e uma notinha de pimenta. Boca densa, volumosa, taninos presentes um pouco ásperos e acidez mediana. Madeira dando algum espaço à fruta. Termina salivante e intenso com boa persistência e deixa uma nota de chocolate no palato. Vai amadurecer na garrafa nos próximos doze meses porque tem potencial para tanto. Deve crescer à mesa, principalmente com churrascos. Atraente relação preço-qualidade.
Avaliação: 86/100 pts. +
Sottano Clássico Cabernet Sauvignon 2006 – 14,5% álcool – Perdriel, Luján de Cuyo, Mendoza – preço: R$ 49,00 – Com um bonito rótulo, este Cabernet Sauvignon Mendocino tem I. P. de Mendoza (indicação de procedência). Seguramente estamos diante de um dos melhores Cabernets da Argentina nessa faixa de preço. Foi degustado pela terceira vez (a segunda resultou no post publicado em 26 de abril último)em menos de um ano e mostrou consistência. Amadurece em barrica de carvalho francês por tempo não divulgado pelo produtor. Análise organoléptica:rubi violáceo profundo e intenso. Rica paleta de aromas com predomínio de cassis, groselha, frutas negras, madeira sobre um fundo vegetal. Na boca é um vinho redondo, largo, volumoso, taninos presentes (doces) de boa textura e equilíbrio do tripé álcool, acidez e madeira. Guloso, termina salivante, intenso com boa persistência e retrogosto duradouro. Produzido com uvas colhidas na excelente safra de 2006, tem ótimas perspectivas de evolução na garrafa nos próximos dois/três anos e se destaca por sua tipicidade e atraente relação preço-qualidade.
Avaliação: 88/100 pts. +
Jeriel, Alexandre e Mirella
Sottano Gran ReservaMalbec 2007 – 14,5% álcool – Perdriel, Luján de Cuyo, Mendoza -preço: R$ 99,00 – Amadurece em barrica de carvalho francês (70%) e americano por doze meses. Análise organoléptica:rubi violáceo profundo, intenso com reflexo púrpura. Aromas típicos da casta com violetas, frutas negras (ameixas, amoras e framboesa), madeira sobre um fundo lácteo (barrica). Na boca é um vinho quente, concentrado, intenso, taninos redondos e macios com pleno equilíbrio do tripé álcool, acidez e madeira. Amplo, expansivo e profundo tem boa sustentação na fruta e termina com boa persistência. Para quem aprecia vinhos concentrados é um vinho gostoso, ótimo para churrascos. Apresenta plenas condições de amadurecimento na garrafa nos próximos anos e também se destaca por sua tipicidade e elegância.
Avaliação: 89/100 pts. +
Sottano Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2007 – 13,9% álcool – Perdriel, Luján de Cuyo, Mendoza – preço: R$ 99,00 – Amadurece em barrica francesa (70% do mosto) e americana por doze meses. Análise organoléptica: rubi violáceo profundo e intenso. Complexo e pouco intenso no olfato com predomínio de cassis, café e notas tostadas e defumadas. Na boca não foge ao padrão da casa: denso, volumoso, taninos maduros e equilíbrio da madeira com a fruta. Termina gordo e intenso com boa persistência. Também revelou bom manejo da casta pela vinícola. Apresenta plenas condições de amadurecer na garrafa nos próximos cinco anos e um de seus destaques é a tipicidade da casta no solo Mendocino.
Avaliação: 88,5/100 pts. +
Bodega Sottano: três vinhos se destacaram, o Clássico CS 2006, Gran Reserva Malbec 2007 e o ícone da casa, o opulento e concentrado Judas Malbec 2006.
A Quinta da Murta é uma propriedade vinícola com 27 hectares, situada a 2,5 km de Bucelas e aprox. 20 km a norte de Lisboa. A propriedade possui 14,5 hectares de vinha, produzindo vinhos brancos DOC Bucelas e tintos Regional da Estremadura. A primeira colheita data de 1994. A Quinta está inserida na Rota dos Vinhos, constituindo também um destino de enoturismo, realização de concursos, vendas de vinho e eventos e oferece um enquadramento paisagístico deslumbrante. Bucelas é uma região pujante, cujos vinhos brancos são colocados categoricamente entre os melhores do país. No entanto, também há relatos de experiências interessantes com tintos na região.
A Quinta conta com assessoria do jovem enólogo Hugo Mendes. Seus vinhos se caracterizam pelo perfil moderno, que tem a fruta como protagonista e a madeira como coadjuvante. Intensos, balanceados e sobretudo frescos, são caldos bem feitos que dão idéia da evolução dos brancos portugueses. A linha de vinhos foi provada na última Expovinis, porém, o Quinta da Murta branco foi degustado novamente consoante avaliação no último bloco deste post.
Sobre a casta Arinto
Cultivada sobretudo no norte e no centro de Portugal, a casta Arinto é a rainha absoluta da zona de Bucelas, produzindo vinhos secos, frisantes, com acidez refrescante, apresentando aromas cítricos, de maçã e minerais. Também conhecida como Pedernãna região do Vinho Verde. Os Arintos de Bucelas são considerados os melhores brancos do país, mesmo por quem não aprecia vinhos mais ácidos.
O contra-rótulo informa que:
“Excellent soil conditions, vine locations and micro-climate combine to produce a balanced citrines-coloured wine with a fruity aroma: Quinta da Murta.
Produced mainly from the grapes of the Arinto from Bucelas variety, iti is often considered the “prince” of the Portuguese white wines: a néctar wichis believed to have been the “cup of charneco” thatShakespeare offered one of his characters in “Henry IV”, written in 1594. Ideal accompaniment to fish or seafood, it should be served at a temperature of 8/10°C”.
Quinta da Murta DOC Bucelas 2008: fresco, redondo, mineral. Um vinho equilibrado que em breve desembarcará no Brasil. O rótulo bonito revela o bom gosto do produtor
Quinta da MurtaDOC Bucelas2008 – 12,5% álcool – Preço: 5,70 euros – Produzido predominantemente a partir da casta Arinto de Bucelas. A casta é apontada como “Rainha” dos vinhos brancos Portugueses. Fruto de raras condições de solo, exposição das vinhas e o micro-clima, este branco apresenta cor amarelo-palha brilhante com reflexos esverdeados. Multidimensional nos aromas com notas cítricas, damasco e mel sobre um fundo mineral. Na boca é fresco, redondo, equilibrado e com boa fruta, sem interferência da madeira. Sua textura mineral é rica e glicérica. Álcool integrado. Elegante e intenso ao mesmo tempo, seu fim-de-boca é prolongado e com alguma suculência, a prevalecer sua cortante acidez cítrica. Apresenta estrutura para envelhecer, mas recomenda-se que seja bebido jovem, enquanto a acidez e a fruta estão mais intensas. Um vinho delicioso, que cresceu à mesa e fez bonito na harmonização com pizza recheada de abobrinha com uma leve camada de mussarela preparada por Reriton Gomes, eis que oconteúdo da garrafa desapareceu rapidamente….degustado por experientes apreciadores de caldos lusitanos, arrancou elogios de todos.
Seña: ícone chileno vencedor de concursos internacionais. Às cegas já derrotou ícones bordaleses. Crédito da foto: falandodevinhos.wordpress.com
De um lado como desafiante o Seña 1999, um dos primeiros vinhos ícones do Chile, criado em 1995 e de lá pra cá todas as safras foram bem pontuadas pela crítica internacional. Seu vinhedo foi alvo de buscas por 4 anos até que os 45 hectares foram escolhidos, comprados e plantados com Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot, Carménère e Malbec – uvas que compõem a assemblage do Seña cujas proporções variam de acordo com a safra.Os vinhedos são manejados de acordo com os princípios biodinâmicos, aos quais Eduardo Chadwick atribui como método máximo da vinicultura para expressão do terroir em um vinho.A vinícola está sediada no vale de Aconcágua. O Seña 1999 obteve 90 /100 pts. da Wine Spectator em 31.03.2002 e também 90/100 pts. da Wine Enthusiast. É um corte de Cabernet Sauvignon (75%), Merlot (16%) e Carménère (9%). Tem 14,2% álcool.
Don Melchor: produzido pela primeira vez em 1987, vem melhorando a cada safra e há quem diga que a 2007, ainda não disponível no Brasil foi a melhor de todas. O que importa é que se constitui num dos mais famosos vinhos Premium do Chile e tem sua qualidade reconhecida internacionalmente
Do outro lado, como desafiado o Don Melchor 1999. Trata-se de um verdadeiro clássico da vinicultura chilena, quiçá do Novo Mundo. É um emblemático Cabernet Sauvignonde Puente Alto – Vale do Maipo, berço dos grandes vinhos tintos chilenos. Frequenta com assiduidade a lista anual (Top 100) da publicação norte-americana Wine Spectator e recebe avaliações frequentes de Robert Parker e de outros importantes críticos mundo afora.
Enrique Tirado, enólogo do Don Melchor desde 1997, tem trabalhado intensamente na divisão dos vinhedos em pequenas parcelas buscando as melhores uvas de cada lote. Os vinhedos estão setorizados e são adotados todos os procedimentos que auxiliam na plena maturação das uvas eis que são realizadas pequenas podas à medida que vão ficando prontas e portanto maduras para serem colhidas; mais de cem amostras são colhidas para se chegar na mescla final que sempre tem um pequeno percentual de Cabernet Franc. Atualmente, seu estilo está mais internacional, com uma boca mais elegante decorrente da diminuição das sugestões mentoladas muito presentes em alguns Cabernetschilenos. Por fim, Tirado esclarece que a cada nova safra (no Chile já foi liberada a 2007; por aqui a 2006 já começa a ser comercializada) o Don Melchor pretende ser um retrato fiel, a expressão máxima do melhor que se pôde fazer naquele ano e também salientou que está diminuindo a diferença qualitativa entre safras pares e ímpares por conta dos avanços tecnológicos (cabe aqui uma pequena observação: no Chile normalmente as safras ímpares são consideradas, de maneira geral, superiores às pares). Por fim, o Don Melchor 1999 obteve 92/100 pts. da Wine Spectator em 30.09.2002 e 93 /100 pts. de Robert Parker em 01.04.2002.
DON MELCHOR 1999
Importador: Expand
Região: Puente Alto/Maipo
Origem: Chile
Safra: 1999
Álcool: 13,5%
Uvas: Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc (7%)
Preço: R$ 220,00
Comentários: Rubi violáceo intenso e profundo com levíssimo halo de evolução. Nariz: de perfil quase unidimensional com toques terrosos, frutas negras e tostados. Boca: intensa, mastigável, taninos muito duros e baixa acidez. Tudo indica que o auge deste vinho já passou. A fruta é escassa e está encoberta pela madeira. Mesmo assim ainda é um vinho largo no meio de boca que termina com uma aspereza incomum. Essa garrafa faz parte da estatística apontada Hugh Johnson no seu celébre Guia de Vinhos: “uma garrafa, numa caixa de doze, não estará necessariamente bouchonée, mas apenas misteriosamente abaixo do nível “.
Avaliação: 86/100 pts.
SEÑA 1999
Importador: Expand
Região: Aconcágua
Origem: Chile
Safra: 1999
Álcool: 14,2%
Uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot (16%) e Carménère (9%).
Preço: R$ 298,00
Comentários: Rubi violáceo com halo granada brilhante e intenso. Aromas picantes de amoras e ameixas sobre um fundo terroso. A passagem por carvalho francês de primeiro uso (56%) durante 18 meses adiciona aromas de baunilha e café. Notas mentoladas, cassis e de couro também estão presentes. Na boca uma profusão de sabores: fruta madura, azeitonas, chocolate e uma gostosa nota tostada. Taninos doces e macios acariciam o palato. Acidez e álcool integrados à fruta e à madeira.Este vinho é um reflexo da colheita de 1999, considerada uma das melhores da década de 1990. Não vai evoluir, todavia, ficará assim pelos próximos anos. Termina longo, suave e intenso. Avaliação: 90/100 pts.
Conclusão
Aquilo que era para ser uma peleja acirrada não aconteceu. Ambos foram decantados, mas o Don Melchor já sinalizou que algo não ia bem porque a sua rolha, retirada com toda cautela, partiu-se ao meio. No Seña levado pelo amigo e confrade Paulo Guerra, nada disso aconteceu. O Melchor foi decantado e logo notou-se que mesmo depois desse procedimento continuava fechado, muito diferente do 1999 aberto em 12/2008 (ver post de 7 de dezembro de 2008) e que também logrou a 1ª. colocação na degustação vertical realizada na SBAV-SPem 27.03.2009 (verificar no portal sbav-sp, eventos realizados) . Na boca um vinho simples, sem maiores atrativos. Aqui, cabe a observação de Hugh Johnson: “uma garrafa, numa caixa de doze, não estará necessariamente bouchonée, mas apenas misteriosamente abaixo do nível.” Foi o que ocorreu. Além deste blogueiro e do Paulo, três degustadores por votação unânime (v. u.) decidiram por decretar a vitória do desafiante Seña 1999 por cinco a zero.O Don Melchor 1999, mesmo depois de decantado não expressou seus aromas. Na boca era simplesmente um bom Cabernet Sauvignon chileno do Vale do Maipo e só. Quem escreve aprecia este vinho e já o bebeu inúmeras vezes. Nunca um Don Melchor foi tão magro com esse. Todavia, os cinco degustadores também consensualmente decidiram por não desclassificá-lo. Este vinho foi adquirido na loja da Expand que existia na Rua Bela Cintra, logo que as primeiras garrafas chegaram por aqui no fim de 2002. Desde então foi conservado na adega climatizada. Nem sua posição ao longo de quase oito anos foi alterada. Já o Seña 1999 justificou sua fama e teve desempenho a altura. Um vinho que ainda poderá ser bebido nos próximos cinco anos. Não vai mais evoluir, no máximo ficará com está. Para concluir, informo que haverá um novo confronto desses ícones chilenos ainda em 2010. Aguardem.
L. A. Cetto: Nebbiolo produzido com uvas cultivadas na Baixa Califórnia, Vale de Guadalupe, elaborado com inspiração nos famosos Barolos, Barbarescos, Ghemme e Valtelinas da Itália
A indústria mais antiga da América Latina vem ganhando vida novamente com investimentos provenientes do exterior (por exemplo, Freixenet, Martell e Domecq) e com a influência da Califórnia via UC Davis. Os melhores vinhos são da “Baja Califórnia” (com o Vale de Guadelupe entre as melhores subzonas), Querétano e nos planaltos de Aguascalientes e Zacatecas. A falta de água é um problema nacional. Os produtores de primeira linha dessa região são: Casa de Piedra, L. A. Cetto, Doña Lupe, Bodegas Santo Tomás, Monte Xanic, Bodegas San Antonio e Cavas de Valmar.A vinícola L. A. Cettose destaca na produção de vinhos elaborados com Cabernet Sauvignon, Nebbiolo e PetiteSyrah e está estabelecida no km 73 da Carretera Tecate/Ensenada CP 22750, Vale de Guadalupe e foi criada em 1975 por Luis Agustín Cetto.Fonte: Guia de Vinhos Hugh Johnson 2008
Muito bem, o vinho objeto deste post foi trazido do México pelo Sommelier Alexandre Furniel, que ao degustá-lo em solos mexicanos julgou ser conveniente trazer uma garrafa para ser provada por seus enoamigos. E, de fato, Alexandre não errou. Apesar de o México não integrar o rol dos bons produtores de vinho, sua produção ainda que incipiente, já começa a dar algum resultado, porque este Nebbiolo, se não pode ser comparado com os grandes vinhos do Piemonte, também não pode ser considerado um vinho medíocre. Na América do Sul, Argentina, Brasil, Chile e Uruguai possuem alguns produtores que se “aventuram” com essa uva difícil com resultados que vão do medíocre até bons vinhos, palatáveis e com alguma tipicidade.
O Vale de Guadalupe é a principal região vinícola do México
Nesse diapasão insere-se o Nebbiolo L. A. Cetto, um vinho bem feito, que procura ter estilo próprio e como pano de fundo os grandes vinhos italianos. Vamos à sua análise organoléptica:
Degustação
L.A. Cetto Reserva Privada Nebbiolo 2004 – 14,5% álcool – Valle de Guadelupe – preço: em torno de US$ 20 – cor típica da casta, rubi sem muita concentração e com halo granada. No nariz despontam aromas de frutas vermelhas, especiarias, caramelo, baunilha sobre um fundo herbáceo de média sustentação. Na boca seus taninos são intensos e maduros, o álcool elevado provoca uma aquecida no palato e não encobre a fruta. Leve acento mineral. Madeira presente e acidez um pouco abaixo do esperado. Termina forte com uma ponta de rusticidade . Não dá para fazer uma afirmação positiva sobre sua esperada tipicidade, mas também não dá para dizer que é um vinho sem nenhum atrativo, porque tem algum equilíbrio gustativo e porque também cresceu à mesa. Ainda há um caminho para ser percorrido, porém, estamos diante de um vinho no mínimo palável porque bem elaborado.
Avaliação: 86/100 pts.
Vinos L.A. Cetto: um dos principais produtores do México
Na noite de 25 de maio, Manuel Beleza Moreira Chicau, da importadora paulistana Adega Alentejana, conduziu uma degustação de vinhos integrantes de seu portfólio. A seguir a descrição e avaliação dos vinhos degustados: Espumante Vértice Super Reserva … Read more »
Vinhos argentinos da Bodega Sottano: concentração, equilíbrio por preços justos. Na linha básica o destaque foi o Cabernet Sauvignon 2006
Wilson Felipe conduziu a degustação com simpatia e clareza
O casal Alexandre e Mirella Fadel
Jeriel, Ventura, Wilson, Alexandre e Mirella numa das melhores apresentações de vinhos argentinos de 2010 na SBAV-SP
Sorteio de três garrafas dos ótimos Barolos Batasiolo: duas garrafas do Vigneto Boscareto 2004 e uma do Vigneto Cerequio 2004. Agora a importação está a cargo da Max Brands que já está reposicionando esses vinhos nos principais pontos de venda de São Paulo
96-100 pts. Espetacular
90-95 pts. Excelente
85-89 pts. Muito Bom
80-84 pts. Bom
75-79 pts. Regular
50-74 pts. Fraco
símbolo + após a nota = vinho que tem condições de envelhecer bem nos próximos 0-5 anos
símbolo ++ após a nota = vinho que tem condições de envelhecer bem nos próximos 5-10 anos ou mais