Degustação de alguns Bordeaux maduros no Rosmarino: Chateau Pavie 1979, Chateau Palmer 1989, Baron de Pichon-Longueville 2002 e outros canhões franceses

Garaldi, Romeu, Lucas, Pagliari, Vitor e       no Rosmarino: a maior parte dos vinhos eram "Grand Cru Classé en 1855. Somente um Cru Borgeois que não se intimidou porque ficou na 5a. colocação

Na noite de 29.07.2010 realizou-se uma degustação de vinhos de Bordeaux “maduros” promovida por Garaldi no ótimo Rosmarino da Stela Krempel cujo serviço do vinho é excepcional e os pratos são do mesmo nível. Estiveram presentes: Garaldi, Pagliari, Romeu, Vitor entre outros Confrades.

Abaixo a relação dos vinhos degustados em ordem de classificação:

1. Chateau Pavie “Premier Grand Cru Classé Saint-Émilion” – 1979

2. Chateau Palmer “Grand Cru Classé en 1855″ Cantenac/Margaux – 1989

3. Chateau Lascombes “Grand Cru Classé en 1855″ Margaux – 2004

4. Chateau La Lagune “Grand Cru Classé en 1855″ – Haut-Médoc – 2005

5. Chateau La Tour de By “Cru Borgeois Supérieur” – Médoc – 2003

6. Chateau l’Évangile Pomerol – 1974

7. Baron de Pichon-Longueville – Pauillac – 2002

8. Chateau La Grange St.-Julién – 1990

9. Clos Canon “Saint-Emilión Grand Cru Classé ” – 2001

Château Pavie 1979: com 31 anos ainda se apresentou vigoroso e obteve o 1° lugar numa peleja acirradíssima

O Château Pavie é um extraordinário Premier Grand Cru Classé B situado numa localidade de solo calcário nas “côtes” ao redor do platô de argila e calcário de St. Émilion. Revitalizado desde sua aquisição por Gérard Perse em 1998 com redução drástica da produção, introdução de programa de replantio e construção de uma nova vínicola e adega de barris. O vinhos agora tem enorme peso, potência e concentração – para alguns um pouco demais. O tempo dirá, mas o 1999 não decepcionou nem um pouco porque seu perfil é concentrado, harmônico e equilibrado. Próximo de seu auge, ainda vai afinar na garrafa nos próximos 10 anos (Vinhos do Mundo – Adega).

O Chateau Pavie é cercado de polêmica. P. Ex.: o exemplar da safra 2003 dividiu opiniões. Após sua primeira prova no pré-lançamento, Robert Parker escreveu: “Um esforço fora de série dos proprietários perfeccionistas Chantal e Gérard Perse…um vinho com riqueza, mineralidade, estrutura e nobreza sublimes”. A master of wine Jancis Robinson, por outro lado, não ficou tão impressionada: “Aromas maduros demais e nada interessantes….lembra mais um Zinfandel de colheita tardia do que um bordeaux tinto, com suas notas verdes não sedutoras”. O master of wine Clive Coates declarou: “Qualquer pessoa que ache que esse é um vinho de qualidade precisa de um transplante no cérebro e de palato”. Além disso, Michael Schuster, direto da campanha de Bordeaux para The World of Fine Wine de 2003, escreveu: “aroma muito estranho para um tinto de Bordeaux uma combinação quase medicinal de um vinho do porto maduro com toques de passas e as amêndoas amargas de um amarone di Valpolicella….sem nota”. E assim a briga continuou, culminando em uma batalha entre críticos ingleses e norte-americanos, com Parker chamando os “classicistas” ingleses de reacionários. Compre uma garrafa e decida você mesmo”. Fonte: livro “1001 vinhos antes de morrer” de Neil Beckett, prefaciado por Hugh Johnson, cuja opinião sobre esse vinho atualmente é mais consentânea com a realidade: “ Premier Cru de 37 hectares muito bem situado no meio de encostas, nas côtes. Bom histórico. Comprado pelos proprietários de Monbousquet, junto com o adjacente Pavie-Decesse. É um St.-Emilión de estilo novo, denso, intenso, doce, do meio-Atlântico e objeto de fervorosos debates”.

Preços

Indicado no último catálogo da Expand essa safra: R$ 1.480,00 (Expand), R$ 930 safra 2002 na World Wine e R$ 2.640 safra 2005 na Grand Cru.

Degustação

Château Pavie “Premier Grand Cru Classé Saint-Émilion” 1979 – 13,5% álcool – Granada esmaecido com pouco brilho e turbidez acentuada. Nariz discreto de boa complexidade com notas terrosas, especiarias e principalmente mentol sobre um fundo herbáceo. O que impressiona e a ausência de aromas terciários. Não impressionou tanto no olfato, mas o destaque foi mesmo para o palato, onde se mostrou corpulento, redondo e muito macio, com taninos ainda vivos e excelente acidez gastronômica. A sua concentração de sabor também é digna de menção. Elegante, fino, sedoso e discretamente adocicado. Outro importante aspecto a ser ressaltado é o frescor desse vinho de mais de três décadas. Largo e denso no meio de boca, terminou longo e deixou uma nota aveludada no palato. O seu auge já passou, mas não arrisco fazer nenhuma previsão de quantos anos ainda durará na garrafa. Apenas podemos vaticinar que ainda permanecerá dos jeito que está durante mais algum tempo. Mas quanto tempo? Impossível prever. O que ficou evidente é que não irá evoluir na garrafa. Avaliação: 90/100 pts.

O vinho mais antigo era o Pomerol Château L'Evangile 1974 (quase sem rótulo), contudo, o que se destacou foi o Château Pavie 1979. O mais novo foi o Cru Borgeois Supérieur La Tour de By 2003

4 Responses to Degustação de alguns Bordeaux maduros no Rosmarino: Chateau Pavie 1979, Chateau Palmer 1989, Baron de Pichon-Longueville 2002 e outros canhões franceses

  1. Jeriel,

    Que maravilha, os vinhos evoluidos são muito prazerosos.
    Estarei em SP na proxima semana, entrarei em contato.

    Abs e saúde

  2. Jeriel,

    Que bela degustação, fiquei curioso quanto ao Palmer 1989, como estava?

    O Latour de By 2003 esteve em uma daquelas liquidações extra-terrestres do Carrefou por R$29,90, mas não consegui comprar.

    Um abraço,

    Eugênio.

    • Eugênio,

      Estava bom, mas o show ficou por conta do trintenário Château Pavie. Levei o Latour de By que teoricamente era o vinho mais simples. Aqui tb foi vendido por esse preço mas não consegui comprar. Poucos conseguem. Ficou em quinto lugar e foi bem elogiado.

      abraço

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