Daily Archives: 07/09/2010

Montes Alpha Merlot 2003

Montes Alpha Merlot 2003 - 91/100 pts. de Saul Galvão

Vale de Colchágua

Atualmente, a Viña Montes possui vinhedos em diversas regiões do Vale de Colchágua. A maioria das vinícolas está estabelecida na região central do vale, perto da cidade de Santa Cruz, onde predomina o clima quente. Na região denominada “Cordilheira da Costa”, prevalece o bloqueio das brisas frias do Pacífico. Degustar vinhos da mesma cepa dessas regiões é um exercício interessante. Uvas como Carménère e Syrah preferem as regiões mais quentes, no centro do Vale. Todavia, em regiões como Lolol, apenas 15 km em linha reta do Pacífico, a branca Viognier e a tinta Syrah também apresentam bons resultados. Em Angostura, região em que a Cordilheira dos Andes se une à Cordilheira da Costa, através de seus cordões montanhosos, a Merlot pontifica ao lado das brancas Sauvignon Blanc, Sauvignon Gris e Chardonnay. Los Lingues, fica aos pés da Cordilheira e cepas como Carménère, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot se beneficiam desse terroir único, porque os vinhedos estão localizados num abertura entre as duas cordilheiras.

Avaliação de Saul Galvão (morto em 09.09.2009), na época de lançamento dessa safra (2006) - “Um grande vinho, que evoca e pode ser comparado a bons Bordeaux, notadamente Pomerol. Ele vem de um vinhedo privilegiado da região de Colchagua, chamado de Apalta. O jornalista chileno Patrício Tapia fez uma lista dos grands crus, dos vinhedos clássicos. São eles: Quebrada de Macul, Tocornal e Alto Jahuel (no Maipo); Apalta (Colchágua); e Panquehue (Aconcágua). Este vinho encanta do começo ao fim e tem ótima relação qualidade-preço. Aroma potente, com toques de queimado e de especiarias (canela). Na boca, um exemplo de equilíbrio e, principalmente, elegância, um conceito difícil de definir e fácil de se perceber num vinho destes. Muita fruta madura, geléia. Mais do que pronto para o consumo. Final excelente, com algo de especiarias e toques de café, de alcaçuz. Cotação: 91/100 pts.”

Degustação

Montes Alpha Merlot 2003 – uvas: Merlot (90%) e Carménère (10%) – álcool: 14% – região: Colchágua – preço – R$ 66 (safra atual 2007 – R$ 77) - Importador: Mistral (tel 011 3372 3400) – rubi violáceo intenso, profundo e com discretíssimo halo granada nas bordas. Aromas complexos com notas de especiarias, ameixas, baunilha e uma ponta de violetas. Na boca é um vinho no auge da evolução, com taninos macios, redondos e aveludados. Apesar dos sete anos ainda exibe frutas negras – ameixas e framboesas. Madeira perfeitamente integrada. Um pouco curto, tivesse mais corpo e concentração seria um expoente da cepa no Chile. Mesmo assim, é um bom exemplar de Merlot. Termina suave e deixa uma nota picante no fim-de-boca. Avaliação: 88/100 pts.

Michel Torino Don David 2004: a Cabernet Sauvignon evolui na Argentina

O Don David degustadado foi da safra 2004

A Bodega Michel Torino atualmente pertence ao grupo Trapiche-Peñaflor sendo dirigida por Juan Manzioni que conta com apóio do enólogo Rodolfo Sadler . Daniel Pi, “chief-winemaker” de Trapiche é o Consultor da vinícola. Passou a ser chamada de La Rosa/Michel Torino. Os vinhedos estão plantados sobre a cidade mítica e opulenta do Norte da Argentina denominada “El Esteco”, atual denominação da vinícola. Essa cidade foi enterrada por um terremoto em 1692. Ao se tentar o rastreamento dessa cidade, descobriu-se que seu maior tesouro eram as cepas ali plantadas durante muito tempo, eis que no “terroir” local predomina uma dualidade climática, que possibilita uma amplitude térmica que vai dos 12°C à noite aos 36° C diurnos. A bodega se encontra ao lado do luxuoso hotel e “wine spa” “Patios de Cafayate”.

Contra-rótulo

“Añejado durante 12 meses en barricas nuevas de roble, este vino presenta un color rubi, aromas especiados y una boca balanceada donde resaltam notas a frutas negras, nueces y chocolate”.

Degustação

Michel Torino Don David Cabernet Sauvignon 2004 – região: Vale de Cafayate – álcool: 13,9% -Importador: Bruck (www.bruck.com.br) ou tel. 011 3329 – 3400 – Rua Paula Souza 216 – Luz – São Paulo – SP – e-mail: atendimento@bruck.com.br – preço médio: R$ 36,20 (Bacco’s – safra 2006) - rubi violáceo intenso com discreto halo granada nas bordas. Aromas medianamente intensos com geléia de frutas vermelhas, especiarias (pimenta-do-reino e alcaçuz) sobre um fundo herbáceo com pequena sobra de álcool. Na boca é um vinho concentrado, quente, taninos presentes quase no auge da evolução, fruta evidente (ameixas e amoras) e boa acidez. Longo e persistente, termina com pequena rusticidade que antes de ser um defeito lhe confere personalidade. Bom exemplar de Cabernet Sauvignon platino por preço justo fora de Mendoza. Cresceu na taça e deve crescer à mesa, notadamente churrasco. Avaliação: 86,5/100 pts.

Veenwouden Classic 2000

Para Hugh Johnson “Veenwouden é uma propriedade de administração familiar em Paarl. Reputação por seu Merlot e sua mistura bordalesa Classic”. Paarl (Pérola) é uma região sem saída para o mar, onde em geral faz muito calor. Sua importância para a vinicultura engloba qualidade e quantidade, já que possui mais de 17.500 hectares de vinhas, perdendo apenas Worcester. Graças a sua topografia e variedade de solos e mesoclimas, Paarl produz vinhos excelentes de todos os tipos, desde os espumantes a “portos”. As cepas mais bem sucedidas incluem Viognier, Semillón e Chardonnay entre as brancas e Shiraz, Mourvédre, Cabernet Sauvignon e Merlot entre as tintas. Atualmente o distrito abriga três zonas oficiais: Wellington, Simonberg-Paarl e Franschhoek (esquina francesa).

Sobre Veenwouden

Localizada em Franschhoek, região cortada pelo Rio Berg, onde os vinhedos estão plantados nas margens e nas melhores áreas de encostas. Os solos variam entre o pedregulho-arenoso dos maciços montanhosos próximos do Rio Berg, o granito da vizinhança e a rocha sedimentar e laminada. É uma das principais vinícolas produtoras de vinhos de alta qualidade da região. Atualmente as safras disponíveis de seus vinhos são: Veenwoudeen Classic 2005, Merlot 2006, Shiraz 2007, Chardonnay 2007, Vivat Bacchus White Blend 2009 (blend Viognier – 90% e Chenin Blanc) e Vivat Bacchus Red Blend 2008 (blend Merlot – 35%, Cabernet – 35% e Shiraz – 30%).

Degustação

Veenwouden Classic 2000 – região: Paarl – álcool: 14,2% – uvas: Cabernet Sauvignon (50%), Merlot (35%), Cabernet Franc (10%) e Malbec (5%) – engarrafado em junho de 2002 – preço: R$ 148,00 (Expand) - Rubi violáceo com halo granada. Inicialmente apresentou uma nota química nos aromas (borracha), mas depois de cerca de vinte minutos cresceu para notas tostadas e de chocolate. Encorpado na boca, taninos macios, algum equilíbrio entre fruta (escassa), madeira, acidez e leve prevalência do álcool que provoca aquecida no palato. Rico, termina intenso e deixa uma nota tostada no retrogosto. Obteve 90/100 de RP e 87/100 da WS em 10/2003 – Avaliação: 87,5/100 pts.