Monthly Archives: dezembro 2010

Charles de Courseuil Champagne Brut

Jorge Carrara, em lapidar artigo publicado em 23.12.2010 na Folha de S. Paulo, Caderno Ilustrada, “Comida”, explica que “Um dos caminhos mais utilizados para criar as alegres bolinhas é o de adicionar açúcar e leveduras ao vinho base para que fermente novamente num ambiente fechado. O processo transforma o açúcar em álcool e gás carbônico, que, preso ao recinto, se funde no vinho criando aquela charmosa constelação de borbulhas. Se a mágica acontece num tanque, o método recebe o nome de Charmat. Se for na própria garrafa, é chamado de Champenoise (por ser oriundo da região de Champagne, na França), ou ainda tradicional ou clássico. O primeiro, no qual o vinho fica pouco em contato com as leveduras, cria vinhos ligeiros nos quais prima a fruta. O segundo – no qual as garrafas repousam às vezes por anos – é utilizado para modelar goles de maior estrutura e complexidade. Seja qual for a técnica, os mais secos são os brut, que podem ser encontrados em três tipos: nature (com até 3 gramas de açúcar por litro), extra brut (com até 6 g/l) ou simplesmente brut (c0m até 15 g/l); a partir deste ano, na Champagne, com até 12 g/l)”.

 

 

 

 

 

Charles de Courseuil Champagne Brut – álcool: 12,2% – uvas: Pinot Noir (75%) e Chardonnay (25%) -importador: Carrefour – preço: R$ 79,90 (esgotado)  - Champagne de exportação de Royer Père et Fils detentor de 14 ha de vinhedos. Amarelo com reflexo dourado. Média perlage. Borbulhas presentes mas pouco intensas. Nariz elegante com notas de frutas secas (amêndoas e avelãs) sobre um fundo tostado e de mel.  Na boca entrega mais do que o anunciado pelo nariz, principalmente  frescor e cremosidade. Sugestões de pão torrado, algum cítrico e álcool na medida completam o conjunto, que termina longo, profundo e persistente. Bom para aperitivos. Avaliação: 89/100 pts.

Viu Manent Sauvignon Blanc Reserva 2007

Viu Manent elabora vinhos que justificam sua fama de compartilhar a liderança do pujante Vale de Colchágua, reconhecidamente um dos melhores terroirs chilenos para uvas tintas. Também é reconhecida pela elevada qualidade dos Malbecs que produz, amiúde apontados como os melhores deste lado da Cordilheira.  A vinícola foi fundada em meados do século XIX, sendo, portanto, uma das mais antigas do Chile ainda em atividade.  Não obstante, sua história recente remonta a 1966, quando a propriedade San Carlos de Cunaco foi adquirida por Miguel Viu Manent. “Don Miguel”, deu início à produção de vinhos finos para vendê-los às grandes vinícolas da época.  Em 1990, a vinícola sofreu uma mudança radical, quando passou a elaborar seus próprios para exportá-los.

Degustação Viu Manent  Sauvignon Blanc Reserva 2007 – álcool: 13,5% – região: Vale de Leyda – preço: R$ 62,00 – importador: Hannover Com. Imp. e Exp. Ltda.  -  tels.  011 2638 0881 (SP) e 051 3337 3890 (RS) -Cor amarelo-palha brilhante e límpido. No nariz predominan as notas de frutas tropicais como maracujá e manga complementadas por aromas cítricos (limão siciliano) e uma sugestão mineral. Na boca é um vinho de corpo generoso, acidez delicada e confirmação das notas frutadas sinalizadas no nariz, com frescor que lhe confere estrutura e vigor para suportar mais algum tempo na garrafa sem preocupação. Persistente, termina sem amargor vegetal e deixa no retrogosto uma nota de maracujá. Um de seus destaques é o acento mineral, típico da região. Vinho elegante, de boa tipicidade, detentor de razoável relação preço-qualidade. Avaliação: 88,5/100 pts.  

Anna de Codorniú Brut

Jorge Carrara, em lapidar artigo publicado em 23.12.2010 na Folha de S. Paulo, Caderno Ilustrada, “Comida”, explica que “Um dos caminhos mais utilizados para criar as alegres bolinhas é o de adicionar açúcar e leveduras ao vinho base para que fermente novamente num ambiente fechado. O processo transforma o açúcar em álcool e gás carbônico, que, preso ao recinto, se funde no vinho criando aquela charmosa constelação de borbulhas. Se a mágica acontece num tanque, o método recebe o nome de Charmat. Se for na própria garrafa, é chamado de Champenoise (por ser oriundo da região de Champagne, na França), ou ainda tradicional ou clássico. O primeiro, no qual o vinho fica pouco em contato com as leveduras, cria vinhos ligeiros nos quais prima a fruta. O segundo – no qual as garrafas repousam às vezes por anos – é utilizado para modelar goles de maior estrutura e complexidade. Seja qual for a técnica, os mais secos são os brut, que podem ser encontrados em três tipos: nature (com até 3 gramas de açúcar por litro), extra brut (com até 6 g/l) ou simplesmente brut (c0m até 15 g/l); a partir deste ano, na Champagne, com até 12 g/l)”.

 

 

 

Anna de Codorniú Brut – Méthode Traditionnelle - álcool: 11,5% – região: Sant Sadurní d’Anóia - uvas:  Chardonnay  e Parellada – importador: Interfood – preço médio: R$ 73,90 - palha com reflexo levemente dourado. Perlage intenso. Borbulhas pequenas em grande quantidade. Nos aromas predominam frutas maduras como maçã, pêra, flores sobre um fundo mineral que se destaca.  Ainda no olfato notas de fermento e brioches. Na boca confirmou toda a riqueza olfativa, com frutas, frescor e mineralidade entrelaçados harmônicamente. Tudo no lugar certo. No quesito tipicidade não fica devendo nada a um bom champagne com a vantagem de custar entre três a quatro vezes menos. Avaliação: 89/100 pts.

 

Mais alguns flagrantes do Uruguai

 A seguir, mais algumas fotos de nossa viagem ao Uruguai realizada no fim de novembro e começo de dezembro do ano que ora se encerra. Sobre essa viagem o que posso dizer: “visite o Uruguai e as suas vinícolas”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os espumantes uruguaios atingiram um alto nível de qualidade. A maioria segue o método "champenoise"

 

 

 

 

Prosecco Fantinel Extra Dry

A Vinícola Frantinel foi fundada em 1969 por Paron Mario Fantinel, um hoteleiro e dono de restaurante em Ravascletto. Sua intenção original era produzir vinhos de alta qualidade para oferecer aos seus clientes. Atualmente a Fantinel produz anualmente 4.000.000 garrafas de muita personalidade, presentes em mais de 60 países ao redor do mundo.

 

 

Degustação

Prosecco Fantinel – álcool: 11,5% – região: Friuli – preço: R$ 63,90 – importador: Interfood - produzido pelo método Charmat, apresentou cor palha com reflexos esverdeados. Seu aroma é delicado, fino com nuances tostadas sobre um fundo floral e cítrico. Na boca é macio, aveludado e refrescante. Tem algum acento mineral, seu corpo é médio e a persistência um pouco curta. Termina sem amargor. Avaliação: 86/100 pts.

 

Rotari Brut Talento Método Classico Cuvée 28

Jorge Carrara, em lapidar artigo publicado em 23.12.2010 na Folha de S. Paulo, Caderno Ilustrada, “Comida”, explica que “Um dos caminhos mais utilizados para criar as alegres bolinhas é o de adicionar açúcar e leveduras ao vinho base para que fermente novamente num ambiente fechado. O processo transforma o açúcar em álcool e gás carbônico, que, preso ao recinto, se funde no vinho criando aquela charmosa constelação de borbulhas. Se a mágica acontece num tanque, o método recebe o nome de Charmat. Se for na própria garrafa, é chamado de Champenoise (por ser oriundo da região de Champagne, na França), ou ainda tradicional ou clássico. O primeiro, no qual o vinho fica pouco em contato com as leveduras, cria vinhos ligeiros nos quais prima a fruta. O segundo – no qual as garrafas repousam às vezes por anos – é utilizado para modelar goles de maior estrutura e complexidade. Seja qual for a técnica, os mais secos são os brut, que podem ser encontrados em três tipos: nature (com até 3 gramas de açúcar por litro), extra brut (com até 6 g/l) ou simplesmente brut (c0m até 15 g/l); a partir deste ano, na Champagne, com até 12 g/l)”.

 

 

Rotari Brut Talento Método Classico Cuvée 28- região: Trento – álcool: 12,5% – uvas: Chardonnay (90%) e Pinot Nero – degorgement: 2009 – importador: Tradebanc – preço: R$ 159,00 - Amarelo com reflexo dourado. Perlage rica e abundante, borbulhas pequenas e numerosas. Na boca tem profundidade gustativa, frescor e balanço, com acento mineral. Elegante e frutada, tem concentração de sabor e muita profundidade gustativa com ótima concentração. Persistente, termina sem arestas. Avaliação: 90/100 pts.

 

Bodega Pisano – segunda parte

Na nossa visita realizada em 30.11.2010 tivemos a oportunidade de provar os seguintes vinhos:
Pisano Brut Nature Torrontés
Pisano Brut Nature Tannat
RPF Torrontés 2010
RPF Chardonnay 2010
RPF Syrah 2007
RPF Tannat 2007
Viña Progreso Cabernet Franc  2008
Viña Progreso “Sueños de Elisa” Tannat 2009 - método “barrica aberta”  
Axis Mundi Tannat 2002
Fábula Late Harvest 2006
Etxe Oneko Tannat Licoroso 2007
 
 
 
 
 

Daniel Pisano, homem extraordinariamente generoso, verdadeiro embaixador do vinho de seu país é um produtor preocupado com a melhora significativa na qualidade do vinho uruguaio nos últimos anos.

   

Pisano Axis Mundi Tannat 2004 - em breve essa safra chegará aqui

Pallet com vinhos que serão encaminhados para Bélgica, mercado importante para a Pisano

   

Sala das barricas

engarrafamento

Viña Progreso. Somente o Viognier e o Tannat são distribuídos pela importadora Vinci no Brasil

  

Na taça: delicioso espumante de Tannat que foi servido junto com a Parrilla "churrasco".

   

  

Degustação   

Pisano Brut Brut Nature “Bianco” – Blanc de Blancs - Espumante de Torrontés, método Champenoise, palha claro. Boa perlage. Borbulhas pequenas em profusão. Aromas florais que remetem diretamente à casta: jasmim, lavanda, cítrico e mel. Na boca o frescor é o seu principal destaque. Termina sem amargor vegetal, muito comum nos Torrontés tranquilos. 
Pisano Brut Nature “Negro” – Rouge de Noirs  – Espumante de Tannat, método Champenoise, retinto na cor e fechado nos aromas. Uma ponta de violetas sobre framboesa. Boca densa e tânica contrabalançada por média acidez que lhe aporta frescor. Cresceu à mesa – sua verdadeira vocação – como acompanhamento da Parrilla. Destaque para harmonização com “Choto” (intestino de ovelha).
RPF Torrontés 2010 – palha claro com reflexo esverdeado. Aromas florais sobre frutas tropicais. Na boca tem a vivacidade típica da casta. Seu perfil é mais amável do que alguns Torrontés produzidos do outro lado do Rio da Prata, porque é delicado, fino e sem amargor. Apresenta um forte acento mineral. Termina redondo, frutado e sedoso. Elaborado com clone Riojano de Chilecito, Noroeste da Argentina.
RPF Chardonnay 2010 - palha com reflexo dourado. Delicados aromas de frutas brancas. Leve abacaxi maduro. Boca macia, escorregadia e equilibrada. Termina persistente e frutado.
Viña Progreso Viognier 2010 – palha claro. Aromas típicos com algum floral sobre mel. Redondo, fresco, fácil de beber, de boa tipicidade.
RPF Syrah 2007 - vinho elaborado com clones de Syrah da região de Orange, bem perto do célebre Chateau Beaucastel. Cor escura, aromas típicos, picantes com especiarias e frutas negras. Boca de taninos intensos com boa profundidade gustativa. Provavelmente um dos melhores exemplares desta cepa produzidos no Uruguai.
RPF Tannat 2007 - Rubi intenso. Nariz fino com notas  de frutas negras sobre um fundo tostado. Na boca a sua maciez é singular. Balanceado e concentrado, a rusticidade da Tannat só aparece no fim-de-boca, mas não o suficiente para empanar a imagem deste vinho que praticamente é um dos mais importantes dessa incrível bodega. 
Pisano Rio de Los Pájaros 2007  – blend de Tannat (50%), Syrah (45%) e Viognier (5%)  – aqui temos um blend com uma uva do Madiran (Tannat) e outras duas do Rhône (Syrah e Viognier) – o resultado é um vinho de cor púrpura, aromas com destacadas notas de caça, muito macio e frutado na boca, como a maioria dos vinhos dessa bodega.
Viña Progreso Cabernet Franc  2008 - inegavelmente  a Cabernet Franc desempenha papel relevante no Uruguai. O motivo pode ser encontrado neste vinho: exuberantemente frutado, concentrado e de taninos redondos. Tem o corpo típico da Cabernet Franc. Não é um vinho sofisticado, mas direto e fácil de beber. Bom para o dia-a-dia.
Viña Progreso “Sueños de Elisa” Tannat 2009 - método “barrica aberta” - uma das principais novidades dessa vinícola comandada por Gabriel Pisano, sobrinho de Daniel Pisano,  “Sueños de Elisa” é um Tannat elaborado pelo método da “barrica aberta” que lhe dá mais complexidade. Deliciosos aromas de geléia de framboesa sem perder de vista, no palato,  a riqueza de taninos da Tannat tendo como contraponto seu equilíbrio, alguma elegância e profundidade gustativa. Um vinho que vale à pena ser provado. 
Axis Mundi Tannat 2002 - vinho ícone que já foi avaliado positivamente por Jancis Robinson com 18,5/20 pts. Realmente não decepcionou. Toda opulência da Tannat num meticuloso processo de vinificação resultou nesse vinho sedoso, macio e gentil mas que nem por isso perdeu sua identidade. A rusticidade da Tannat está presente e isso é uma garantia de sua tipicidade, que tem como contraponto a madurez da fruta. Disponível no Brasil através da Mistral, sob o custo de US$ 139 (safra 2002). 
Fábula Late Harvest 2006 -  corte de Viognier (80%) e Torrontés (20%), elaborado com uvas botritizadas (disponível no Brasil através da Mistral por US$ 56,90). Amarelo-dourado. Nariz elegante com laranja em calda, leve tostado, mel  e notas florais. Boca com destaque para o equilíbrio existente entre dulçor e frescor. Notas de pêssego. Longo, termina delicado e sedoso. Ótima tipicidade.
Etxe Oneko Tannat Licoroso 2007 – elaborado à partir de vinhas velhas de quase 70 anos, exibiu cor retinta e intensos aromas de geléia de frutas negras (amora, framboesa e ameixa) e chocolate. Na boca a sua entrada revela os poderosos taninos da Tannat, com efeitos potencializados pela acidez característica e pelo álcool generoso (na casa dos 17%). A doçura está na medida certa e o frescor é outro destaque. Um vinho enorme, de personalidade única, de grande potencial de guarda e que vale à pena ser provado. 

Vinho do ano: Zuccardi Zeta 2006

 
O consistente Zuccardi Zeta 2006 foi o escolhido porque apesar de haver pontuado melhor outros caldos que tive oportunidade de provar, considerei alguns critérios para a sua escolha: a par de sua qualidade intrínseca, é um vinho que pode ser encontrado no Brasil sem dificuldade. Além disso seu preço não está muito distante do  praticado na sua terra natal – Argentina. Lá, custa cerca de $ 285,00 pesos, que convertidos na nossa moeda resultam em quase R$ 150,00. O seu importador oficial, Ravin, comercializa a safra 2006 por R$ 229,00. Ou seja, o Zuccardi Zeta pode ser comprado no Brasil por preço não muito superior ao comercializado no seu país de origem e tal fato pôde ser comprovado recentemente, na própria vinícola. 

 

Sobre o Produtor

Uma bodega familiar com origem em 1963 e hoje dirigida por Jose Alberto Zuccardi, filho do fundador Alberto V. Zuccardi. Localizada em Mendoza com vinhedos em Vista Flores, Altamira, Maipu e Santa Rosa é reconhecida por seus vinhos de qualidade excepcional e seu compromisso por qualidade e inovação e seu espírito apaixonado por seus produtos que hoje podem ser encontrados nos principais mercados ao redor do mundo. Mas vamos à análise do vinho porque é o que nos interessa. Inicialmente, transcrevo informação do importador oficial que reputo importante: “Depois de colhidas manualmente, as uvas passaram por uma dupla seleção antes do desengaçe e de uma leve prensagem. A fermentação alcoólica ocorreu em pequenos tanques de aço inox. Maceração por um período de 25 dias e a fermentação malolática em barricas. O afinamento da Malbec foi em carvalho francês por 12 meses e a Tempranillo em carvalho americano por 14 meses. Depois de feito o blend repousou em garrafa por 24 meses”.  Um dos principais fatores para sua eleição decorre do fato de ter sido degustado por mais de três vezes durante o ano não apresentando variações significativas de uma garrafa para a outra. Esse vinho realmente é uma confirmação de que as condições climáticas resultaram na extraordinária safra 2006, uma das melhores da Argentina nos últimos anos.

 

 

Zuccardi Zeta 2006 - vinho do ano por sua consistência e qualidade

Zuccardi Zeta 2006 – região: Mendoza/La Consulta/Santa Rosa – álcool: 14,5% – uvas: Malbec (64%) e Tempranillo (36%) – preço: R$ 229,00 – rubi violáceo quase retinto com halo púrpura. Nariz aberto com destaque para os aromas de ameixas, amoras e framboesas entrosados com notas tostadas (barrica) sobre um fundo que evoca especiarias. Na boca a sua entrada revela um vinho sedoso, de taninos balanceados que se destacam por sua maciez e que permitem a livre expressão da fruta. Ótima concentração de sabor com integração dos elementos álcool, taninos, acidez, fruta e madeira, isto é, tudo no sítio certo neste vinho que tem se mostrado consistente ao longo dos anos. Degustado pela quarta vez por quem escreve, praticamente não apresentou variações significativas de uma garrafa para outra, o que não deixa de ser um bom indicador de sua qualidade/confiabilidade. Profundo e intenso, deixa uma nota de chocolate no retrogosto, termina longo e marcante. Promete evoluir na garrafa nos próximos dez anos ou mais. Obteve 92/100 pts. da Wine Advocate de Robert Parker (08/2009) e 91/100 pts da WS.  Avaliação: 91/100 pts.++ 

Uruguai: Bodega Pisano

O Catálago do importador afirma que: ” Pisano é o maior nome do Uruguai, na opinião de especialistas como Jancis Robinson e Steven  Spurrier. Álém dos ótimos e diferentes vinhos elaborados com a uva Tannat, de bastante personalidade, o produtor está em uma fase especialmente criativa, tendo lançado diversos novos vinhos em um estilo muito original. Seu excelente Arretxea é um tinto denso e muito saboroso. O RPF – Reserva Personal de Família já foi considerado o melhor “tinto do Novo Mundo” na revista Decanter. Os outros vinhos da linha RPF também são belos varietais (c0m destaque para os lançamentos Pinot Noir, Petit Verdot e Syrah), enquanto o Rio de Los Pájaros apresenta excelente relação qualidade-preço. O Cisplatino é um verdadeiro achado, uma das grandes barganhas da América do Sul. O criativo produtor também elaborou um excelente tinto doce fortificado, o Etxe Oneko, em um estilo entre o Porto e o Amarone. A novidade fica por conta do estupendo Axis Mundi, que já surge como o melhor tinto do Uruguai”.

 

Essa foto foi a primeira tirada no Uruguai. A recepção calorosa de Daniel Pisano, que recebeu quem escreve essas linhas como se fosse alguém de sua família, se repetiu em todas as vinícolas, cada uma a sua maneira, mas sempre com muito calor humano, simplicidade e generosidade.

Nas duas pontas Pisano Arretxea, um dos vinhos mais premiados dessa vinícola que não produz mais do que 380.000 garrafas anuais. Da esq. para direita: Pinot Noir 2007, Merlot 2007, Petit Verdot 2007 e Cabernet Sauvignon 2007. Pisano tem uma das linhas mais completas do Uruguai, cada exemplar degustado procura respeitar o caráter varietal de cada cepa. No Brasil, são comercializados pela Mistral

 

Mais de três séculos de tradição vinhateira da Itália respaldam a Família Pisano na nobre tarefa de produzir de forma artesanal vinhos finos de qualidade destacada. No Uruguai, a história começa em 1870, quando Francesco Pisano, bisavô de Daniel, Eduardo e Gustavo chega pela primeira vez vindo da Liguria. Em 1914, Cesari Pietro Secundino Pisano, filho de Francesco, se instalou na região de Progreso (25 km ao Norte de Montevidéu) e plantou os primeiros vinhedos. Em 1924 foi realizada a primeira colheita de Tannat dando início a essa bodega que atualmente já está entrando na 5a. geração de descendentes. A vinícola atualmente é administrada pelos irmãos: Daniel, Eduardo e Gustavo. O primeiro cuida das exportações, o segundo é viticultor e o terceiro é enólogo. Atualmente, cerca de 90% de seus vinhedos são” quase” orgânicos. “Quase” porque ainda não houve a certificação do Ministério da Agricultura, que não deve tardar. Os solos são franco-argilosos e calcários. Não são utilizados inseticidas/pesticidas. Leveduras naturais, produção reduzida de cerca 1,5 garrafa por planta (baixa produção) e plantação por espaldeira tradicional são alguns dos métodos utilizados. São cultivadas: Chardonnay, Sauvignon Blanc, Viognier e Torrontés. Uvas tintas: Tannat, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah e Petit Verdot. Daniel é um homem dinâmico. Sempre está inovando, um de seus últimos lançamentos é um vinho de sobremesa, Fábula 2006, corte de Viognier (80%) e Torrontés (20%), elaborado com uvas botritizadas (disponível no Brasil através da Mistral por US$ 56,90). Outro vinho importante é o “Negro”  - espumante de Tannat  (ainda não disponível no Brasil, assim como os que seguem), que consoante a própria definição de Daniel é um “espumante para a mesa” , notadamente para acompanhar carnes.  Há também um espumante de Torrontés “Bianco - Brut Nature” que se destaca no quesito frescor. Por fim, o mais interessante de todos é o “Sueños de Elisa”, um Tannat elaborado pelo método da “barrica aberta”, safra 2009, produzido pela Viña Progreso, comandada por seu sobrinho Gabriel Pisano. Um vinho complexo com deliciosos aromas de geléia de framboesa sem perder de vista a riqueza de taninos da Tannat tendo como contraponto seu equilíbrio, alguma elegância e profundidade gustativa.  O Tannat Progreso também é muito bom e o Viognier também chamou atenção por obedecer os cânones da cepa. Existe também um Sangiovese que não vai para o Brasil (importadora Vinci). Importante destacar também que Daniel Pisano procura, através de seus vinhos, expressar o que de melhor pode ser produzido pelo terroir  do Uruguai, porque cada garrafa procura exprimir o que a natureza permitiu produzir naquele determinado local. No próximo post a descrição dos vinhos degustados.

Linha de vinhos "Primera viña", não disponível no Brasil: Tannat, Torrontés, Cabernet Sauvignon, Trebbiano Toscano e Pisano RPF Chardonnay 2008 (disponível no Brasil através da Mistral)

Daniel Pisano e seu sobrinho

 Daniel Pisano e seu sobrinho Gabriel

Fabiana (Gerente de Exportações), Gustavo Pisano (Enólogo), Daniel Pisano, Dardo (churrasqueiro) e quem escreve.

 

 

Fabula Late Harvest 2006 e o vinho da gama mais alta da bodega, Axis Mundi, que pode ser encontrado no Brasil na Mistral

Palliser Estate Sauvignon Blanc 2006

 

Palliser Estate 2006: delicioso Sauvignon Blanc da Nova Zelândia que após quase cinco anos manteve o frescor. Um vinho que se destaca nas degustações de que participa

Palliser Estate Sauvignon Blanc 2006 – álcool: 14% – região: Martinborough – importador: Premium Wines de Belo Horizonte, que à partir da segunda quinzena estará com representação em São Paulo - palha esverdeado intenso e brilhante. Aromas abertos com maracujá, pêssego e nuances minerais. Na boca seu frescor não entrega o peso dos anos, porque está praticamente intacto. Esbanja fruta e o acento mineral sinalizado no olfato se confirma aqui. Acidez elegante e delicada. Longo, intenso e profundo, termina deixando uma nota vegetal no fim-de-boca. Avaliação: 89/100 pts.