Degustação “Vinhos ícones do Chile” – Expovinis 2011

Degustação realizada na Expovinis e comandada por Jorge Lucki com apoio da Chile Wines. O palestrante informou que a importadora Terramater não providenciou garrafas do vinho Bravado Wines – Facundo Garcia Schwabderer 2007, que por esse motivo não participou da degustação. 

 

Algumas considerações sobre o Terroir do Chile

O país Andino possui uma grande diversidade de terroirs e se encontra na mesma latitude de Mendoza, na Argentina. A Cordilheira com seus 6.000 metros de altitude tem grande influência sobre o clima chileno e não permite que a brisa marítima chegue na Argentina. As águas do degelo utilizadas para irrigação são frias. A chamada “cordilheira da costa” atua como moderador dos ventos frios que sopram do Pacífico, todavia, regiões como Casablanca, Leyda, Santo Antonio e Limarí são diretamente influenciadas por esses ventos. Segundo Jorge Lucki, existem mais diferenças entre o clima e o solo do Chile e da Argentina do que se pode supor.  Os vinhos chilenos são elegantes, enquanto que os argentinos são potentes e robustos. As brisas do Pacífico proporcionam mais frescor aos vinhos, enquanto que após à cordilheira da costa já chegam atenuadas. Fatores como  as correntes de ventos descendentes, latitude, posicionamento e a multiplicidade de terroirs  caracterizam e diferenciam os vinhos chilenos dos argentinos.

 

Sobre a Carménère

Vinhateiros chielnos observavam que algumas uvas de Merlot de moravam mais para amadurecer no pé. Enquanto a maioria já podia ser colhida em março, outras somente em maio. Isso era intrigante. Em 1994, no Congresso de Viticultura do Chile, foi constatada sua existência, declarada pelo professor da Universidade de Montpellier, Jean-Michel Boursiquot.

 

A seguir a descrição e avaliação dos vinhos da degustação, na ordem em que foram servidos :

 

Ribera Del lago Laberinto Sauvignon Blanc 2007 - 13,5% álcool, importado por Casa do Porto e elaborado pelo festejado enólogo chileno Rafael Tirado, com uvas do Alto Cachapoal, Vale do Maule. Vinho de cor palha claro brilhante com reflexos esverdeados. Aromas intensos com frutas brancas, notas minerais sobre um discreto fundo cítrico. Na boca é um vinho encorpado, de ótimo frescor com acento mineral bem presente. Profundo, termina sem amargor esbanjando tipicidade e elegância. Avaliação: 90/100 pts.

O segundo vinho da degustação foi o Morandé Edición Limitada Carignan 2006, importado por Carvalhido, produzido em Loncomilla, no Vale do Maule. Preço médio R$ 120. Apresentou cor vermelho-rubi intensa. Complexos aromas de especiarias, tabaco, tostado e chocolate. Na boca a sua entrada revela um vinho imponente, tânico (em fase de arredondamento), de ótima acidez (virtude da cepa) e profundo. Longo, termina secante. Às cegas passaria por um vinho do velho Continente. Avaliação: 89/100 pts+

Bayo Oscuro Syrah 2006 – álcool: 14% – região: extremo oeste do Vale de Casablanca – importado por Mercovino – retinto na cor, exibiu aromas mentolados, cítricos e uma ponta de frutas negras. Na boca mostrou taninos finos, vivos, frescor intenso, álcool integrado formando um conjunto muito equilibrado. Termina suave, sem arestas. Avaliação: 88/100 pts.+

 

Casa Silva Microterroir de Los Lingues Carménère 2006 - 14% álcool - Vale de Colchágua - importado por Vinhos do Mundo - vermelho rubi intenso, aromas herbáceos, notas de goiabada e pimentão. Na boca taninos macios, maduros e aveludados. Concentrado, profundo, termina redondo. Boa tipicidade. Avaliação: 89/100 pts.+

Lazuli Cabernet Sauvignon 2005 - álcool: 13,5% - importador: Zahil - preço: R$ 108 - vermelho rubi com reflexo granada. Complexos aromas de licor de cassis, caixa de charutos, especiarias sobre um fundo balsâmico. Na boca taninos macios, sedosos, boa concentração de fruta com madeira integrada. Longo, intenso e profundo, deixa uma nota mentolada no retrogosto. Um verdadeiro "best buy" que ainda não está disponível para venda na Zahil. Avaliação: 89,5/100 pts.+

Calyptra Zahir Cabernet Sauvignon 2007 - álcool: 13,5% - Região: Alto Cachapoal (perto da Cordilheira), Vale do Maule - Amadurecido 24 meses em barril de carvalho novo, apresentou cor vermelho rubi com reflexo púrpura. Notas florais (violetas) sobre um fundo herbáceo. Taninos volumosos, intensos e de boa textura. Concentrado, elegante e profundo, apresentou ótima tipicidade da casta no Vale do Maule. Avaliação: 89/100 pts.+

Don Melchor 2006. Um típico Cabernet Sauvignon chileno. Importado pela VCT Brasil seu preço médio gira na casa dos R$ 350. Este exemplar, me pareceu o melhor de safra par dos últimos anos. No olfato as típicas notas balsâmicas com toques de licor de cassis, especiarias e frutas negras. Confirmou na bosca esses aromas e terminou com levíssima adstringência que não chega a macular o conjunto. Avaliação: 90/100 pts.+

Almaviva 2008 - corte de Cabernet Sauvignon, Carménère e Cabernet Franc, mais uma vez justificou sua fama e ficou no segundo lugar. Retinto na cor, pouco intenso no nariz, contudo, muito complexo com camadas sobre camadas de frutas negras, vermelhas, tostado e especiarias. Na boca, taninos gentis e muita profundidade gustativa, a prometer pleno desenvolvimento na garrafa. Avaliação: 91,5/100 pts.++

 

Contra-rótulo do Almaviva 2008

Seña 2007 - importado pela Expand, esta safra está na iminência de chegar. Vai custar aproximadamente R$ 400. O campeão da degustação é um corte de Cabernet Sauvignon (65%), Carménère (26%), Cabernet Franc (5%), Syrah (3%) e Merlot (1%). De fato este Seña teve desempenho surpreendente para um vinho de safra tão recente. Sua sedutora cor vermelho-púrpura de tingir a taça já seduz o degustador. No nariz o mais complexo, intenso e apetecível dos vinhos.....sua paleta aromática começa na exuberante fruta vermelha complementada por toques de especiarias (pimenta-do-reino, cardamomo e nóz moscada), côco e cedro sobre um fundo balsâmico. Na boca é um vinho de taninos redondos, com invejável integração entre fruta e madeira. Aveludado, profundo, denso, parece interminável. Às cegas passaria sem muita dificuldade por um belíssimo Bordeaux ou Supertoscano. Sua qualidade também o habilita a enfrentar grandes vinhos do Novo Mundo. Avaliação: 92/100 pts.++

 

Contra-rótulo do Seña 2007

 

Jorge Lucki e Jeriel

2 Responses to Degustação “Vinhos ícones do Chile” – Expovinis 2011

  1. Jeriel, salve!
    Uma dúvida:
    Haviam outros tops chilenos ou foram somente esses os avaliados?

    Abs
    Bk

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