Daily Archives: 16/07/2011

Verticais: Viu Manent Single Vineyard Malbec

Os vinhos Viu Manent, tradicional vinícola chilena sediada no Vale de Colchágua (que integra o Vale de Rapel junto com o Vale de Cachapoal),  sempre demonstraram consistência. Viu Manent elabora vinhos que justificam sua fama de compartilhar a liderança do pujante vale retrocitado, reconhecidamente um dos melhores terroirs chilenos para uvas tintas.  Na ala das tintas,  Cabernet Sauvignon, Syrah, Carménère e Petit Syrah também se destacam. Nunca é demais lembrar que a Viu Manent é uma vinícola reconhecida pela elevada qualidade dos Malbecs que produz, amiúde apontados como os melhores deste lado da Cordilheira.  A vinícola foi fundada em meados do século XIX, sendo, portanto, uma das mais antigas do Chile ainda em atividade.  Não obstante, sua história recente remonta a 1966, quando a propriedade San Carlos de Cunaco foi adquirida por Miguel Viu Manent “Don Miguel”, que deu início à produção de vinhos finos para vendê-los às grandes vinícolas da época.  Em 1990, a vinícola sofreu uma mudança radical, quando passou a elaborar seus próprios para exportá-los. Os vinhos abaixo foram adquiridos ao longo dos anos por quem escreve, porque sempre apreciamos a consistência da Malbec, muito bem manejada por este produtor, que consegue exprimir o seu caráter varietal com maestria. 

 

Vertical de Viu Manent Single Vineyard Malbec. Safras 1999, 2000, 2003, 2004 e 2005

 

 

 

 

 

Angel’s Cuvée Ripasso de Tannat 2004: um especialidade uruguaia

 

 

Anos atrás, numa degustação ocorrida na SBAV-SP, mais precisamente em 12.06.2007, um dos vinhos que mais havia chamado atenção do presentes foi o inédito “Tannat Ripasso”, que despertou a curiosidade  justamente por se originar de uma casta francesa que ao ser bem vinificada, produz vinhos estruturados e de longo potencial de guarda e que por isso se tornou emblema do Uruguai vinícola. O criativo enólogo Pablo Fallabrino, provou que a Tannat também por ser vinificada através da técnica tradicional “Ripasso” que “mutatis mutandis” consiste na adição do vinho italiano “Valpolicella” no tonel com as leveduras do “Amarone” recém-fermentado colocando-o sobre os resíduos denominados “Recioto”, resultando num vinho de maior concentração de aromas, cores, sabores, corpo, complexidade, teor alcoólico e longevidade. Segundo Pablo, o “Angel’s Cuvée Ripasso de Tannat 2004” é feito da seguinte forma: na colheita das uvas, primeiro são selecionadas algumas filas de videiras na parte mais alta dos parreirais. Na metade de março, faz-se uma poda de cada um dos cachos e a uva fica em repouso para o processo de secagem natural pendurado no vinhedo. Depois de cerca de um mês, quando as uvas estão como “passas”, apresentando uma grande concentração de açúcar e aromas, são colhidas manualmente. Esses bagos são somados a um mosto já fermentado para ser realizada uma segunda fermentação. Para Plabo, “essa é a técnica tradicional dos vinhos produzidos no Vêneto Italiano – Valpolicella e Valtellina”. Depois de um mês que as uvas ficaram secando sob o sol, esses bagos são “trasfegados” a um mosto já fermentado para realização da segunda fermentação. Após o engarrafamento, o vinho fica durante dezoito meses em barricas de carvalho francês de 2º uso.

 

 

 

 

 

Angel’s Cuvée Ripasso de Tannat

Origem: Uruguai – safra: 2004 – álcool: 14% – região: Atlântida/Canelones – preço: R$ 170,00 (na época da aquisição – atualmente não há importação para o Brasil).  

Cor rubi violáceo intenso intransponível com halo de evolução em formação. No nariz, o ataque inicial é adocicado, com notas vegetais, eucalipto,  uvas passas, empireumáticos e um leve toque animal. Ótima complexidade olfativa.  Na boca, a fruta e a barrica estão em comunhão eis que o mosto passa dezoito meses em carvalho francês de segundo uso, por isso, apresenta textura macia, notas de frutas negras a lhe atribuir destacada tipicidade, acidez vibrante, adstringência delicada que lhe confere longo potencial de guarda e retrogosto amendoado.   Por ser um vinho de produção diminuta – apenas 600 garrafas foram produzidas – seu preço se apresenta um pouco elevado para os padrões brasileiros e até cisplatinos, todavia, a imponência de sua apresentação (garrafa de cerca de 1,2 quilos sem líquido) e o fato de já ter amealhado 90 pts. da revista americana Wine & Spirits, são indicadores de que este “Ripasso de Tannat –  Indicacion Geográfica Típica – IGT” , ainda tem uma longa e promissora jornada à sua frente.

Avaliação: 89/100 pts.+