Daily Archives: 19/08/2011

Olhar atento sobre as considerações de Pedro Parra na palestra proferida no “Wines of Chile”

No  dia 10 de agosto, a “Wines of Chile” apoiada na CH2A Comunicação,  promoveu uma degustação de vinhos premium chilenos com participação de 40 vinícolas que representam a diversidade de terroirs do país andino. Antes da degustação, o PhD em terroirs vitícolas, Pedro Parra conduziu uma prova de cerca de 10 vinhos para um grupo de cerca de 20 jornalistas. Em síntese, Dr. Pedro falou da importância da composição rochosa nos solos das principais regiões produtores vinícolas do mundo. Para o Geólogo, ” a tipicidade está nas rochas ”, isto é, cada varietal terá uma resposta diferente em cada terroir, mas os melhores são constituídos por pedras e o Chile faz parte desse seleto grupo de países que produzem, com sucesso, vinhos de elevada qualidade. 

 

 

Wines of Chile Tasting São Paulo – degustação dos tops chilenos com Pedro Parra, PhD em terroir vitícolas

No último dia 10 de agosto, a “Wines of Chile” apoiada na CH2A Comunicação,  promoveu uma degustação de vinhos premium chilenos com participação de 40 vinícolas que representam a diversidade de terroirs do país andino. Antes da degustação, o PhD em terroirs vitícolas, Dr. Pedro Parra conduziu uma prova de cerca de 10 vinhos para um grupo de cerca de 20 jornalistas. A seguir a relação dos vinhos degustados e depois, a descrição e avaliação desses vinhos:

 William Févre Mountain Grown Chardonnay 2010 – Vale do Maipo

Clos de Fous Chardonnay 2010 – Alto Cachapoal – sem importador

Undurraga T.H. Pinot Noir 2009 – Vale de Leyda

Clos de Fous Pinot Noir 2010 – Vale de Traiguen – sem importador

Santa Carolina “Specialties Collection” Carignan 2008 – Vale do Maule/Cauquenes

Ventisquero Pangea Syrah 2007 – Vale de Colchágua/Apalta

LFE 900 Malbec 2009 – Vale de Colchágua

De Martino Limavida “Old Bush Vines” Malbec, Carménère, Carignan e Tannat 2006 – Vale do Maule

El Principal Cabernet Sauvignon e Carménère 2006 – Vale do Maipo

Altaïr Cabernet Sauvignon, Carménère e Merlot 2004 – Vale de Cachapoal

 

As principais regiões vinícolas chilenas

 

 

Vinhos selecionados por Pedro Parra considerados expressões dos diferentes terroirs do Chile

 

 

 

William Fèvre Espino Gran Cuvée Chardonnay 2010. Um Chardonnay do Maipo de boa tipicidade. Custa R$ 59

William Févre Mountain Grown “Espino Gran Cuvée” Chardonnay 2010 – Vale do Maipo/Puente Alto - importador: Domínio Cassis – preço: R$ 59 – Palha esverdeado brilhante. Aromas abertos com notas cítricas e defumadas sobre um fundo amanteigado. Na boca a sua entrada revelou um vinho fresco com notas de frutas tropicais como lima e abacaxi. Bom entrosamento entre fruta e madeira. Termina com boa persistência mas um certo amargor ao final incomodou um pouco. Avaliação: 87/100 pts.

 

Clos de Fous 2010: Chardonnay do Alto Cachapoal elaborado por Pedro Parra, se for bebido às cegas, poderá ser confundido com um vinho da Borgonha, tamanha a sua elegância. Sem importador para o Brasil.

Clos de Fous Chardonnay 2010 – Alto Cachapoal – sem importador – Palha claro brilhante. Aromas complexos porém pouco intensos com sugestões de maçã verde, acento mineral e algum defumado. Na boca sua mineralidade chama atenção porque faz lembrar um bom Chablis. Muito equilibrado, com boa integração da madeira à fruta e algum frescor. Sem o amargor do vinho anterior, tem estilo próprio que vale à pena ser provado. Avaliação: 88,5/100 pts. 

Santa Carolina Carignan 2008: um vinho de ótimo equilíbrio gustativo

Santa Carolina “Specialties Collection” Carignan 2008 – Vale do Maule/Cauquenes – importador: Casa Flora – preço: R$ 75 – Vermelho rubi intenso com alguma profundidade e reflexo púrpura. Aromas abertos com notas florais (violetas), caramelo, marzipã e especiarias. Na boca sua entrad revela um vinho de estrutura sólida, de taninos finos e acidez particularmente salivante. Sem arestas e de média persistência, termina redondo e suave prometendo boa evolução na garrafa. Avaliação: 89/100 pts.+ 

 

 

Undurraga TH Pinot Noir 2009: um vinho que expressa toda mineralidade do Vale de Leyda

Undurraga T.H. Pinot Noir 2009 – Vale de Leyda – importador: Mr. Man – preço: R$ 89 – Cor típica, vermelho rubi com reflexo violáceo brilhante. Frutado nos aromas com cerejas e morangos sobre uma leve nota de compota. Na boca seus taninos são delicados, boa acidez, acento mineral com bom equilíbrio dos principais componentes. Termina limpo, frutado e sem arestas.  Avaliação: 88,5/100 pts.

 

 

Clos de Fous Pinot Noir 2010 – Vale de Traiguen – sem importador – cor mais intensa do que o Pinot anterior. Bons aromas que remetem diretamente à casta (fruta vermelha) com boa dose de mineralidade. Sem as notas de compota do vinho anterior. Na boca seu estilo também é diferente, com taninos austeros, potentes, sem perder de vista a tipicidade da casta. Concentrado, intenso, seu perfil chega a lembrar um Pommard. Vinho de perfil distinto da maioria dos Pinots chilenos. Avaliação: 89/100 pts.+

 

LFE 900 Malbec 2009: com uvas do Vale de Colchágua, foi uma agradável surpresa da degustação por conta de sua tipicidade. O Chile já começa dar passos no sentido de produzir Malbecs do mesmo nível dos argentinos. Vai custar R$ 59 no Pão de Açúcar

LFE 900 Malbec 2009 – Vale de Colchágua – importador: CBD – preço: R$ 59 – Vermelho rubi intenso, profundo, quase retinto. No nariz inicialmente alguma sobra de álcool, secundada por notas de violetas e ameixas, num perfil bem próximo dos Malbecs platinos. Repetiu na boca os aromas e se mostrou potente, denso e de boa acidez. Concentrado, seu sabor é muito gostoso e seu estilo o coloca numa posição confortável relativamente a outros vinhos dessa casta no Chile. Vale à pena experimentá-lo, uma das novidades da degustação. Avaliação: 89/100 pts.+  

De Martino Limavida 2006: outro Malbec chileno de ótima qualidade.Pangea 2007: um Syrah suculento do Vale de Apalta

 De Martino Limavida “Old Bush Vines” Malbec, Carménère, Carignan e Tannat 2006 – Vale do Maule – preço: R$ 92 – importador: Decanter – Vermelho rubi intenso, profundo sem halo de evolução. Intenso, complexo e convidativo no nariz com notas mentoladas, frutas negras e alcaçuz. Confirmou na boca sua paleta de aromas, alguma sobra de álcool, taninos firmes contrabalançados por acidez compatível e madeira integrada. Concentrado e de taninos volumosos, terminou sem arestas. Avaliação: 90/100 pts.+

 

 

Ventisquero Pangea Syrah 2007 – Vale de Colchágua/Apalta – importador: Cantu – preço: R$ 226 – retinto, profundo na cor  e menos intenso nos aromas do que o vinho anterior, apresentou notas de frutas negras, madeira fina (cedro) e especiarias com boa sustentação. Na boca seus taninos são potentes e a madeira, por enquanto, está por sobre a fruta. Denso, robusto e de estilo imponente, precisa de mais tempo na garrafa para aprimorar suas qualidades que não são poucas. Termina salivante com leve adstringência. Avaliação: 89/100 pts.+

El Principal 2006: um Cabernet Sauvignon com os típicos aromas do Vale do Maipo

El Principal Cabernet Sauvignon e Carménère 2006 – Vale do Maipo – importador: Decanter – preço: R$ 245,00 – Vermelho rubi intenso, profundo com discreto halo granada. Nariz quase unidimensional com toque de fruta em compota. Na boca a sua entrada revelou um vinho rico, denso, de taninos macios, tudo no sítio certo: álcool, taninos, acidez, fruta e madeira. Enfim, um vinho cuja boca entregou muito mais do que o nariz anunciou. Avaliação: 89,5/100 pts. 

Altair 2004: elaborado à partir de um blend de uvas do Vale de Cachapoal, região que sofre forte influência da Cordilheira dos Andes.

Altaïr Cabernet Sauvignon, Carménère e Merlot 2004 – Vale de Cachapoal – importador: Grand Cru – preço: R$ 290 – Vermelho rubi intenso, profundo e concentrado. Aromas abertos e complexos com notas de especiarias (cravo, pimenta-do-reino), café torrado, tostado e leve herbáceo. Na boca repetiu toda essa complexidade aromática com taninos mastigáveis, acidez salivante, fruta em evidência, enfim, um vinho fino, elegante e que realmente surpreendeu nesta safra. Avaliação: 91/100 pts.++

 

No próximo post: a palestra proferida pelo espirituoso Dr. Pedro Parra.

A impressionante tipicidade do Terragnolo Merlot 2009 – DO Vale dos Vinhedos

No sábado, dia 13 de agosto, véspera do dia dos pais, quem escreve e  Gustavo Kauffman, do blog Enoleigos, um dos mais importantes da comunidade enoblogs em razão do elevado número diário de acessos que recebe, almoçamos com as respectivas famílias no Restaurante Ráscal do Shopping Villa Lobos. Lá, tive a oportunidade de conhecer um vinho que já havia me chamado atenção alhures: Terragnolo Merlot. Quem escreve já havia provado o delicioso e mastigável Marselan desse mesmo produtor. Um vinho de ótima qualidade. O Merlot Denominação de Origem Vale dos Vinhedos 2009 seguiu a mesma senda: um Merlot com “M” maiúsculo, que às cegas surpreenderá outros bons Merlots produzidos por grandes vinícolas da Serra Gaúcha.  É um vinho difícil de achar em São Paulo, mas  é presença obrigatória nas melhores adegas, porque seu nível de qualidade é surpreendente e se for degustado às cegas com outros vinhos da mesma cepa de qualquer origem, certamente terá desempenho surpreendente.

Terragnolo Merlot DO 2009: até agora o melhor Merlot nacional provado por quem escreve em 2011

 

 

O contra-rótulo do Merlot Terragnolo DO 2009: um Merlot para ninguém colocar defeito

Elaborado com uvas provenientes do lote nº 14 do Vale dos Vinhedos, de videiras com  10 anos de idade, plantas com densidade: 3 mil/ha, produção:1,5 kg/planta, altitude: 742 metros acima do nível do mar, solo: bastante pedregoso com 15% de inclinação leste-oeste, colheita: manual, fermentação: grão inteiros, em cubas de aço inoxidável, amadurecimento: 18 meses em barricas de carvalho francês, engarrafamento: sem filtrar, dados analíticos – álcool: 14% – Análise sensorial: vinho de perfil definido de cor vermelho rubi intenso, aromas de frutas vermelhas pequenas, com toque de especiarias, bem equilibrado e de excelente estrutura.

 

Degustação

Terragnolo Merlot 2009 DO Vale dos Vinhedos – álcool: 14% – preço: R$ 115 – Vermelho rubi intenso concentrado e profundo. Aberto nos aromas com frutas negras (ameixa e uva-passa), madeira (cedro) sobre uma discreta nota terrosa. Na boca a sua entrada revela um vinho de taninos mastigáveis, fortes  formando um conjunto de sólida estrutura equilibrado pela boa acidez e álcool generoso. A tipicidade e a expressão de fruta são os seus maiores destaques e concorrem para formar um conjunto potente e refinado ao mesmo tempo. Fresco de de boa persistência, termina sem arestas e deixa uma nota de chocolate no fim-de-boca. A sua estrutura promete uma boa evolução na garrafa nos próximos anos. Avaliação: 89/100 pts.+