A importadora Domno do Brasil participou do Wine Weekend realizado na semana passada nos dias 18, 19, 20 e 21 de agosto. Ao visitar o seu estande, fomos recebido pelo sempre atencioso Maurício de Melo Ribeiro, Gerente Regional de Vendas – São Paulo.
A importadora Domno do Brasil participou do Wine Weekend realizado na semana passada nos dias 18, 19, 20 e 21 de agosto. Ao visitar o seu estande, fomos recebido pelo sempre atencioso Maurício de Melo Ribeiro, Gerente Regional de Vendas – São Paulo.
A Bodega Bouza é uma vinícola-boutique gerida por uma família que acredita que produzir pequenas quantidades leva a uma qualidade melhor. Seus vinhedos ocupam 22 há, com 13 há em Las Violetas e 9 hectares em Montevidéu, produzindo cerca de 90 mil garrafas por ano. Cinco variedades de uvas são mescladas para produzir muitos vinhos de estilos diferentes. Um exemplo é a Albariño, que a família afirma ser a primeira a cultivar na América do Sul. Os vinhos de destaque, de boas colheitas, podem ser deliciosos, mas exigem tempo para amadurecer. A Bouza também faz um excelente varietal de Tannat, que mostra o que a variedade pode fazer no Uruguai. A vinícola possui um restaurante (imagem acima) onde se saboreia a comida regional e onde também se pode provar e comprar vinhos de edição limitada.

Degustação
Bouza Monte Vide Eu 2008, um blend de Tannat (50%), Merlot (30%) e Tempranillo (20%), álcool 13,8%, importado pela Decanter por R$ 210,25 - Após decantação de cerca de uma hora pode-se encontrar traços notáveis de cada uma das variedades nos aromas e sabores que integram o blend. Amadurecido em barricas francesas e americanas durante onze/quinze meses. Análise organoléptica: Retinto, profundo e bem extraído na cor, expressivo e gostoso nos aromas com notas florais (violetas), licor de cassis sobre uma ponta de framboesa e mentol. Na boca a sua entrada revela um vinho encorpado, de taninos opulentos que não agridem, em nenhum instante, o paladar. Álcool generoso sem incomodar, fruta e madeira em perfeita comunhão e uma concentração de sabor muito bem conseguida, com grande persistência e delicioso frescor. Vai longe! Avaliação: 91/100 pts.+


A seguir, depoimento dado pelo Publisher da revista Adega, a mais importante publicação de vinhos do Brasil, Christian Burgos, ao portal Linkedin:
"Algumas vezes divulgamos nossas revistas, livros e eventos no Blog do Jeriel e vamos continuar fazendo. Jeriel tem paixão pelo que faz e grande dedicação para contribuir ao resultado dos negócios de seus parceiros e amigos. Christian Burgos 3 de abril de 2013"
Principais qualidades: Especialista , Bom investimento
Christian contratou Jeriel em 2011, e o/a contratou mais de uma vez.
Leôncio Arizu imigrou de Navarra, Espanha, ainda criança, e em 1901 realizou o primeiro plantio de vinhas européias da vinícola. Como isto iniciou-se uma das vinícolas de longa trajetória, em Mendoza, que permanece nas mãos da família fundadora. Hoje a vinícola conta com 650 hectares de vinhedos próprios em Luján de Cuyo. Suas exportações iniciaram-se em 1984 para Suíça e hoje os seus vinhos encontram-se no Brasil e em mais 20 países. No Brasil seus vinhos gozam de uma boa relação custo x benefício. Importador: Decanter

Degustação
Luigi Bosca Cabernet Sauvignon Reserva 1999 – regiões: Maipú – álcool: 13% – importador: Decanter – vinho amadurecido em barricas de carvalho francês novas e mais dez meses de afinamento na garrafa, exibiu cor vermelho na transição para granada com nítido halo de evolução. Aberto nos aromas com notas empireumáticas, toques animais (couro) sobre leve balsâmico. No paladar os taninos estão maduros e são aveludados. O álcool e acidez estão integrados. Toques de frutas secas envoltas em notas de chocolate dominaram o conjunto. O final não é muito persistente, mas a delicadeza de um vinho envelhecido é a maior característica deste longevo Cabernet Sauvignon que justificou a fama do produtor de elaborar caldos típicos que envelhecem bem na garrafa. Avaliação: 89/100 pts.
Sobre as Bodegas San Pedro - Rioja Alta
Bodega espanhola situada no coração da Rioja Alta desde o ano de 1962, onde os 400 sócios que a integram são proprietários de 1.100 hectares de vinhedos os quais mais de 90% são da cepa Tempranillo, variedade emblemática da Denominación de Origen Calificada Rioja.
Os vinhedos, a maioria plantados em solos franco-argilosos, se encontram entre 450 a 800 m. de altitude, sofrendo invernos longos e intensos com fortes nevadas e oscilações térmicas nos verões, o qual permite o perfeito amadurecimento das uvas.

Degustação
Campellares D. O. Calificada Rioja Alta Tempranillo 2009 - álcool: 13,5% - preço: R$ 47,90 (em promoção por R$ 32 no portal www.cavadevinhos.com.br) - vinho fermentado em cuba de aço inoxidável com temperatura controlada. Produzido por Bodega San Pedro Apóstolo - S. Coop - Huercanos - España - Análise organoléptica: vermelho rubi intenso com halo púrpura nas bordas. No nariz uma explosão de frutas vermelhas, negras e chocolate. Na boca a sua entrada revela um vinho de taninos macios, frutado e de razoável acidez que garante o seu frescor. O final é limpo, sem arestas, marcado pela fruta e por gostosas notas de fruta doce que confirmam o perfil de um vinho guloso. Avaliação: 86/100 pts.+

SVOLTACARROZZE (significado: ponto de conversão, retorno) é o nome de um local no canto Noroeste dos vinhedos localizados na Toscana. O edifício principal da propriedade Svoltacarrozze, é uma mansão do século XVIII, chamada Belcano onde a antiga adega possuia um grande tonel de carvalho esloveno que mantinha o vinho numa temperatura constante de 18 C°. A vinícola, construída a partir de um projeto pessoal da filha mais velha de Sebastiana Meoni, é o resultado da colaboração de Nando Benassi, enólogo da Soldera (Brunello di Montalcino) e Giulio Meoni que está fundindo a antiga tradição familiar com o conhecimento contemporâneo. Fora dos 600 hectares de florestas e olivais da região do Chianti Colli Senesi, as vinhas estão em oito hectares de solos que remontam ao período plioceno, que se caracteriza pela presença de seixos e argila subjacente que promove a retenção ideal de água necessária para o cultivo de variedades como Sangiovese Grosso e Cabernet Sauvignon. Sua pesquisa no campo e a longa experiência da familia na produção de vinho, dão o resultado de um incrível Supertoscano IGT feito com grande entusiasmo e paixão na antiga adega do século XVIII. O que distingue os vinhos Svoltacarrozze dos demais, é a cautela dedicada à produzir um vinho sem adição de anídrido sulfuroso após a vinificação e o amadurecimento prolongado em grande tonel de carvalho Esloveno. Seu nome corresponde à safra correspondente para o consumidor ter a oportunidade de desfrutar de uma degustação vertical a qualquer momento.

Degustação
Svoltacarrozze IGT Toscana 2005 - álcool: 13,8% - uvas: Sangiovese Grosso (90%) e Cabernet Sauvignon (10%) - região: Murlo/Siena/Toscana - vermelho rubi intenso na transição para granada brilhante com boa concentração. Aromas complexos com notas balsâmicas, fruta negras, especiarias sobre leve tostado. No paladar, sua entrada revelou um vinho de taninos redondos, macios e de fina textura. A sua acidez é típica de um ótimo Toscano porque "pede comida" confirmando a vocação gastronômica dos vinhos italianos. Está num ótimo momento para ser apreciado. Nunca é demais repetir: o perfil deste delicioso Svoltacarrozze realmente remete a um Supertoscano (Sangiovese + uva(s) francesa(s)), eis que a Cabernet Sauvignon, minoritária no corte, aporta-lhe fruta e harmonia. Termina longo, macio, empolgante. Avaliação: 91/100 pts.+
Pontuações do Carmelo Patti
Safra 2004 - 90/100 pts. - Robert Parker´s Wine Advocates
Safra 2004 - 92/100 pts. - Wine & Spirits Magazine
Safra 2004 - 93/100 pts. - Guia Descorchados 2012 - Patricio Tapia
Safra 2004 - 8,5/10 pts. - The Cork Screw Review
Importador no Brasil: Av. Presidente Vargas Nº 02
Dionísio Cerqueira - SC - cep 89.950-000 - telefone: (49)
9802-8884 - e-mail: nevewines@hotmail.com

Degustação
Carmelo Patti Cabernet Sauvignon 2004 - álcool: 14% - região: Mayor Drummond/Luján de Cuyo/Mendoza - vermelho rubi intenso, brilhante, com alguma profundidade com levíssimo halo de evolução. Aberto, intenso e elegante nos aromas com uma destacada nota de frutas vermelhas maduras sobre especiarias. Paladar equilibrado, bordalês, com taninos aveludados e com o frescor se destacando sem denunciar o peso dos anos. Aqui, a fruta assume o papel de protagonista num dos melhores exemplares argentinos da casta. O tipo de vinho redondão, macio, aveludado e sobretudo salivante, de final longo, persistente, marcado pela fruta. E pelo prazer! Avaliação: 91/100 pts.+

Então, o coquetel pelo lançamento do livro “Dicionário Gastronômico – Vinhos e suas Receitas”, de minha autoria e do chef Christian Formon (Editora Boccato/Gaia), finalmente aconteceu!! Coincidiu com a semana da Expovinis, mas mesmo com tal “concorrência” no palco da enofilía, muitos admiradores do assunto (e, quem sabe, dos autores) até lá se dirigiram, numa linda noite de lua-cheia, para a livraria Mundo Gourmet, na tradicional Rua Augusta, livraria que fica num agradável boulevard, em galeria à céu aberto, para terem o livro autografado, com direito a dedicatória e tudo mais…
O tudo mais incluiu: um clima receptivo, festivo, todo mundo à vontade, muito burburinho, sorrisos luminosos, caras e bocas, flashes, entrevistas, beijinhos e abraços mil e, o que era fundamental: muito vinho bom e comidinhas extraordinárias, literalmente!… – o buffet do Christian Formon, como não podia deixar de ser, estava impecável!
Por isso desta vez, na coluna do cada dia mais acessado Blog do Jeriel, a aqui “Bel-prazer” convida a um brinde, ou melhor, um ‘aperitivo’ exclusivo: a publicação de um parte do capítulo de introdução do livro, que conta a história do vinho, dos deuses mitológicos até os dias de hoje. “Das vinhas do Olimpo ao mercado global”. É claro que não vou contar aqui toda essa emocionante saga, porque não haveria espaço, nem cabimento… É mesmo para dar vontade e continuar a leitura de modo “analógico”, quero dizer, no próprio livro.
A cada nova letra do Dicionário dos Vinhos, sempre há uma citação célebre, dos grandes sábios, escritores ou pensadores da humanidade, o que eles falaram sobre o vinho. Na parte inicial, a da História, eu escolhi uma citação de Nietzsche, extraída do “Nascimento da Tragédia” – onde o filósofo exorta à volta aos valores das civilizações greco-romana.

Uma contagiante dádiva dos deuses
A tragédia conta acerca das mães do ser, cujos nomes são: loucura, vontade, sofrimento. Sim, acreditem na vida de Dioniso e no renascimento da tragédia! O tempo do homem socrático já passou: façam e usem coroas de hera, peguem nas mãos o bastão de Tirso e não se espantem se o tigre e a pantera se deitarem carinhosamente a seus pés.
Agora tentem ser seres da tragédia, pois deverão ser salvos. Vocês devem levar o cortejo dionisíaco da Índia para a Grécia! Vistam as armaduras para enfrentar árduas batalhas, mas acreditem nos milagres do seu deus!
F. Nietzsche

Todas as mitologias de civilizações remotas, criadas pelo homem como tentativa de explicar o mundo e a própria trajetória e condição humana neste mundo – de natureza incompreensível e ameaçadora, sempre oscilando entre o sublime e o infame – todas elas tornavam sagrados e atribuíam a forças superiores, divinas e invisíveis, os fenômenos incontroláveis a que se sujeitam as leis da vida.
Uma dessas leis, a sobrevivência, feita de vida alimentada de outra vida, conduziu esse homem do nomadismo até sua fixação em terrenos agricultáveis. Logo a vinha tornou-se um dos primeiros símbolos das civilizações assentadas na agricultura; assim como também, a bebida que dela se obtinha, com seus e efeitos de bem estar, euforia e ‘transcendência’, fez-se um inequívoco elo entre o sagrado, o extraordinário e o humano, um veículo ou comunicação entre o homem e o divino. Como se pode concluir (e achados arqueológicos atestarem), essa ligação atravessa milênios: parece que a humanidade bebe vinho há mais ou menos sete mil anos – e atribui suas causas e conseqüências, gloriosas ou não, ao capricho dos deuses…

Heródoto, no séc. V a.C., relata que ao redor de todo o Mediterrâneo Oriental, já se fazia vinho há pelo menos 3 milênios e que da bacia de Anatólia os fenícios o levavam até a Grécia, Sicília e Ibéria . Não é de se estranhar que essas primordiais culturas atribuíssem aos deuses a origem e a dádiva de tal bebida. Mesopotâmia, Pérsia ou Fenícia, o Egito, a Grécia e depois Roma, todas são civilizações plenas de lendas, com seus deuses que, entre outras benesses, entremeadas dos tormentos de praxe, doaram a videira e ensinaram o vinho ao homem. Até mesmo os hebreus com o advento do monoteísta judaísmo, e mais tarde seguidos do cristianismo, não deixaram de se servir do poderoso simbolismo da videira e do vinho, até como representação do sangue da divindade em pessoa, e da própria vida.
Com um histórico e uma biografia dessas, ao menos do ponto de vista mítico e até filosófico-teológico, não há como escapar: estamos mesmo diante de uma bebida literalmente divina! E mesmo nos dias atuais, em nosso materialista e prosaico mundo pós-modernidade, ainda faz todo o sentido referir-se a este ou aquele vinho, recém descoberto na revista Wine Spectator, ou pelo site, ou na loja virtual da importadora de sua confiança (e degustado com todas as reverências e prazeres que tais vinhos modernos são capazes de despertar), como “um vinho dos deuses” ! E ainda exclamar: per Bacco!…

E falando em Baco, e para resumir toda a galeria de deuses que se dedicaram ao fundamental artigo, essa divindade, que na mais poderosa civilização da antiguidade, a romana, substituiu a Dionísio, aquele da célebre constelação mítica dos gregos antigos, ele ajudou e muito a humanidade a se afastar de suas mazelas cotidianas, além de reuni-la em festivos e solidários eventos de alegria, cantos, folguedos, teatro e muita arte, como poucos haviam conseguido. E fica claro que o vinho, artigo de sua competência, tinha tudo a ver com isso. Pena que o triunfo, ao final, ficou todo com seu antagonista, Apolo – e que nossa civilização atual seja absolutamente fundamentada nessa cinzenta disciplina apolínea…
Mas considerações filosóficas à parte, o fato é que Dioniso/Baco, além de deus libertador pela embriaguez e pela transcendência – movida a uvas fermentadas, é verdade – representava não apenas o lado criativo, vibrante e gregário da humanidade, como também o aspecto da renovação permanente da vida e da fertilidade, da Natureza em seu ciclo das estações. Durante os famosos cortejos a Dioniso, celebrados ao final do inverno ou com a chegada da primavera, multidões de anônimos sentiam-se mais próximos aos deuses, cantando, seguindo em procissão, ao som de tambores e dançando embriagadas, enquanto os cântaros eram constantemente abastecidos de vinho, em meio a algazarra de berros e instrumentos musicais… A cena é até que familiar ao brasileiro contemporâneo – porque quis Dioniso, ou Momo, que a tradição chegasse até aqui, pontualmente, lá por meados de fevereiro. Per Bacco!
Aquelas festas, no Santuário de Delfos, a partir de 582 a. C., duravam igualmente quatro dias e quatro noites. A partir do segundo dia, a bebedeira era generalizada, quando escravos, miseráveis, mulheres e até crianças, todos comungavam do desenfreado frenesi comunitário. Jogos de máscaras, ditirambos, cantos e representações satíricas e cômicas, tudo acontecia. É tudo verdade – e documentado pelos célebres historiadores da antiguidade greco-romana, pra quem quiser ver.


Os donos do mundo – e do vinho
Transferindo-se a Roma, o culto a “baca” – palavra latina que designava uva – arrebatou muitos adeptos e principalmente adeptas, as bacantes; mas também se ganhou em liberalidades, loucuras e orgias, perdeu no que possuía de espiritualidade e senso artístico, quando na Grécia. Parece que diante de completa liberdade – e vinho à vontade – aquelas sociedades não sabiam se comportar a altura e os excessos e violências se tornaram incontroláveis, a ponto de o Senado romano decretar a proibição da folia “Bacchanalibus” , em 186 antes da era cristã.
Mas se a folia desenfreada havia sofrido certa vigilância, o fato não significava que o Império romano tenha ficado mais sóbrio ou que o comércio do vinho entre suas distantes províncias declinaria – muito pelo contrário. A viticultura sempre foi de capital importância para a civilização dos romanos, que, assim como outros traços culturais, ao início foi importada e aprendida dos gregos e, num segundo momento, é por eles super desenvolvida, otimizada em todos os aspectos. A literatura sobre o assunto é ampla, sendo fartamente documentada (e graças a esses escritos latinos, após o declínio do poderio romano, os monges que deles se cercaram puderam reerguer tudo que os romanos haviam legado): são tomos e mais tomos de autores latinos se debruçando sobre minúcias em relação a técnicas de cultivo da vinha, tipos de poda, colheita, prensagem, armazenamento, envelhecimento do vinho, etc.
Eles foram tão bons na agronomia da vinha que os modos de cultivo desenvolvidos por esses romanos permaneceram os mesmos e sem grandes novidades quase que até o início do século passado! Não é de se espantar, em se tratando de um povo cujos intelectuais registravam, em alto e bom latim, considerações tais como: “Se me perguntarem qual entre os bens da terra vem em primeiro lugar, eu direi que é a vinha” – escreveu Catão; ou como assegurou Columela: “Consideramos, por ser justo, a vinha acima de quaisquer outras espécies”.

Francos e gauleses – invenção genial e definitivo amor ao vinho
A vinha também deu bons motivos à belicosas contendas dos romanos dentro das novas províncias conquistadas; a ponto de Júlio César se ver obrigado a empreender mais algumas de suas guerras, lá pelos lados do Ródano, na Gália, contra uma população local de camponeses e rebeldes incivilizados, que vinha demonstrando um entusiasmo exagerado em relação a todo aquele vinho que por lá trafegava – cobrando impostos absurdos ou retendo para consumo próprio aquela mercadoria de seu interesse. Há registros que a vinha gaulesa se expandiu de tal maneira que passou a concorrer com os vinhos de Roma, a ponto de o imperador Domiciano, no ano 92 da era cristã, ordena a devastação de mais da metade das plantações nas províncias da Gália e proibir novos cultivos, a não ser em propriedades de colonos romanos.
O fato é que esses gauleses haviam trocado com muito afã a desbotada cerveja celta pelo vinho dos romanos, com altos índices de consumo e ainda preterindo qualquer outro tipo de agricultura, como a do trigo, para se ocuparem apenas dos vinhedos. Não raro, são por isso descritos pelos historiadores latinos com palavras nada enaltecedoras – de beberrões inveterados a “raça ávida por vinho e em estado de embriagues permanente”. Ademais os romanos sempre misturavam água ao vinho antes de bebê-lo, mas, para seu horror, os ‘bárbaros’ da Gália só bebiam-no puro! Não demora muito e por quase todo o território da Gália irá crescer uma vasta plantação de videiras e eles passarão a produzir seu próprio vinho, livrando-se da importação romana.

A solidez de líquidas alianças etílico-políticas
Graças a esse ardor gaulês pela bebida de Baco, as populações de localidades como Bordelais, Lutécia (Paris), Loire, Lyon e Marselha, ainda nos tempos da dominação de Roma, e entre um pileque e outro, conseguiram desenvolver técnicas de agricultura, com muita arte e engenho, experimentaram e aprimoraram novas castas de uva, inventaram variações aromáticas e saborosas, misturando ervas, plantas e especiarias ao vinho, e ainda criando novas maneiras de conservar e transportar vinhos: esses gauleses aprimoraram seus antigos tonéis de madeira para cerveja e, no séc. III, eles irão aposentar de uma vez o ‘dolia’, os grandes jarros de cerâmica que armazenaram e transportaram o vinho ao longo de toda antiguidade.
Daí em diante o mundo irá assistir ao crescimento mercantil e a uma poderosa cadeia de produção do vinho, pelos solos da Gália, e que trará na dianteira os descendentes daqueles “beberrões” e “mal comportados” gauleses, sempre dispostos a um brinde a mais, como também a constantes aprimoramentos na vitivinicultura, num grau que o mundo jamais havia visto até então………………. ………………………………………………………………………….. (etc., etc., etc.,).

Jezebel Salem, jornalista por profissão que já atuou em áreas diversificadas, como cultura e economia, mas que logo se especializou no hoje chamado jornalismo gastronômico. Foi repórter e redatora em vários canais da imprensa, como os jornais O Estado de São Paulo, Gazeta Mercantil, Shopping News, Jornal da Tarde, entre outros, inscrevendo-se entre os pioneiros dessa especialidade que ao longo dos últimos 25 anos, tanto espaço e entusiastas conseguiria conquistar. Participou das primeiras edições da revista Gula (surgida no início dos anos 90) e assinou artigos em várias publicações do gênero.





Caro Jeriel;
É sempre um prazer receber-lo! Venha sempre nos visitar! um brande abraço,
Maurício
Maurício,
Também te agradeço pela forma cordial como fui recebido no estande da Domno.
abraço
Jeriel