Daily Archives: 13/09/2011

Mais um chileno sugestivo: Casa Mayor Carménère Reserva 2007

 

Cacho de Carménère

 

 

É voz corrente que cada país produtor de vinho deve ter uma identidade vitivinícola. A oportunidade do Chile se apresenta com a Carménère, uva bordalesa que se extinguiu por completo na França em razão da praga denominada Filoxera Vastatrix. Antes disso, foi trazida ao Chile e amplamente cultivada, porém, descobriu-se que grande parte das plantações de Merlot eram realmente de Carménère e o Chile é um dos poucos países onde está variedade é produzida e por isso que se converteu na sua bandeira. Seus vinhos são mais escuros que os Merlots e ao ser colhida no seu ponto de madurez (gosta do clima quente), apresenta aromas de café, chocolate e terra úmida.  Na boca seus taninos são aveludados e doces. Colhida antes de seu ponto de maturação seus aromas são predominantemente herbáceos, com notas de pimentão verde e na boca costuma apresentar um ligeiro amargor que lhe confere personalidade.

 

Ela é cultivada em outros países, mas quando se fala em vinho de Carménère a referência é o Chile. É no vale de Colchágua que há o maior cultivo e produção de vinhos dessa varietal. Os especialistas dizem que ela se deu bem na região por causa da geografia que cria barreiras naturais como o oceano Pacífico, o deserto de Atacama, a Cordilheira dos Andes e as águas frias do provenientes do Pólo Sul, que protegem essa região de pragas como a Filoxera e além disso o solo vulcânico e seco contribui para a composição de um terroir adequado à Carménère”.

Suas principais regiões de cultivo no Chile são: Vales de Cachapoal, Colchagua, Maule e Rapel.

   

Casa Mayor Carménère Reserva 2007: tipicidade à toda prova

 Degustação

Casa Mayor Reserva Carménère 2007 – álcool: 13,5% – região: Vale de Colchágua – importador: Orion Vinhos – tel. 011 3331 3808 – preço: R$ 29,90 (caixa com 12 garrafas) -  45% do mosto amadureceu em barrica de carvalho francês por seis meses. Quase retinto na cor com reflexo arroxeado, sem halo de evolução. Nariz pouco intenso exalando aromas que remetem a frutos pretos com alguns toques tostados, carvalho e alcatrão. No paladar o vinho se abriu e mostrou taninos de textura muito macia, suave e redondo com ameixa em profusão, geléia de frutas e persistência razoável com final um pouco secante. Poderia ter mais frescor. Não é um vinho “topo de gama”, mas de ótimo valor, que exibe as características herbáceas da casta e que por isso tem correta expressão varietal. Descomplicado, simples e direto,  perfeito para o dia a dia. Avaliação: 86/100 pts.+ 

Mais um Zin da Wine Lovers: Estrada Creek Zinfandel

Apesar de suas origens se encontrarem na costa do Adriático (Itália), a Zinfandel é considerada a grande uva dos Estados Unidos da América. Plantada em toda a Califórnia do Pacífico a Noroeste, a Zinfandel se dá melhor nas regiões quentes, com temperaturas mais baixas durante a colheita. Os vinhos podem variar de rosés secos aos brancos até os grandes e estilosos caldos de Russian River Valley, para não falar nos deliciosos vinhos de sobremesa. Os sabores variam da framboesa, amora, com profundidade e tons de especiarias que são os mais comuns. 

 

O Estrada Creek Zinfandel é um vinho leve, fácil de beber e de boa tipicidade. Importado por Wine Lovers, foi  degustado pela terceira vez e demonstrou consistência.

 

 

Degustação

Estrada Creek Old Vines Zinfandel 2005 (safra atual 2006) – álcool: 13,5% – região: Morgan Hill – Califórnia – importador: Wine Lovers – preço: R$ 62,00 – Contato: (11) 8439.3392 e (11) 5531-0081  – contato@winelovers.com.br - vermelho rubi de média concentração com reflexo granada. Nariz aberto com geléia de frutas negras (amora e ameixa). Na boca é um vinho de taninos leves, corpo magro, bom frescor. Frutado, é um vinho fácil de beber, de acidez média e persistência curta. Retrogosto adocicado.Avaliação: 85/100 pts.

A potência do Medievo MDV Graciano DOCA Rioja 2007

A Rioja é simplesmente a mais emblemática das regiões vinícolas espanholas. Atulmente possui cerca de 1.200 vinícolas. Situa-se no Oeste do Vale do Rio Ebro, entre as comunidades de Castilla y León,  País Vasco, Navarra e Aragón. Tem uma zona montanhosa no Sul e outra formada por terras de 300 a 600 metros de altitude no Norte. São cultivadas mais de 70 uvas, das quais muitas autóctones, mas o Conselho Regulador da DO autoriza a elaboração de vinho Rioja somente a partir de sete variedades,  quatro tintas, sendo a uva predominante  a Tempranillo, frequentemente associada com Garnacha, Mazuelo e Graciano. As brancas são Viura, Garnacha Blanca  e Malvasía Riojana.

Medievo Graciano 2007: ficha técnica

 

Medievo Graciano DOCA Rioja 2007: apresentação caprichada

 

O contra-rótulo já avisa: "vino potentísimo, muy floral en la nariz..."

Degustação

Medievo MDV Graciano DOCA Rioja 2007 – álcool: 13,5% -  Os vinhos da Denominación de origen Calificada Rioja normalmente resultam da mescla da Tempranillo (frescor e fruta) com  Garnacha (fruta, força, peso e álcool), Mazuelo (cor e álcool, também conhecida por Cariñena ou Carignan na França e no Chile, p. ex.) e Graciano (acidez, estrutura, elegância, aromas e taninos). O MDV é um raro varietal de Graciano, que foi vinificado para exibir o caráter varietal dessa intrigante cepa. Amadurecido durante 9 meses em barrica de carvalho francês. Análise organoléptica: vermelho rubi intenso com reflexo púrpura nas bordas. Aromas abertos com uma forte nota tostada dominando o conjunto, para depois de algum tempo ceder espaço para sugestões de tabaco, couro, fruta madura (figo, ameixa) e algum floral. Na boca a sua entrada revela um vinho que impressiona pela intensidade de seus taninos (potentes) e de sua acidez pungente. Para completar o conjunto, a generosidade do álcool e a integração entre fruta e madeira também chamaram atenção. Não é um vinho para principiantes, todavia, sua destinação é obrigatoriamente a mesa, de preferência escoltando carnes fortes, gordurosas ou com molhos condimentados. Termina salivante prometendo afinar na garrafa nos próximos anos. Cresceu na harmonização com o entrecôte do Ávila Restaurante. Brevemente no Brasil pela MS Import. Avaliação: 88/100 pts.+ 

Weinert Carrascal 2006 – 375 ml

Infomações do contra-rótulo: “Carrascal é a zona onde se fabricavam botijas o armazenamento de vinhos. Mendoza, século 19″. “Seu aroma de frutos maduros apresenta um caráter jovial que junto a seu corpo bem definido pelo envelhecimento em tonéis de carvalho francês, refletem uma harmonia que faz deste vinho um clássico. Sua versatilidade gastronômica o torna ideal para para acompanhar carnes e vegetais assados, massas e diferentes variedades de queijos. Uvas: Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot. Envelhecimento: 1,5 a 2,5 anos em toneis de carvalho francês”.

 

Weinert Carrascal 2006: rolha sintética. Um vinho desse padrão de qualidade merece uma rolha de qualidade superior!

 

Degustação

Weinert Carrascal 2006 – 375 ml – álcool: 14% – uvas: Malbec, Cabernet Sauvignon e Malbec – região: Mendoza - preço: n/c – importado por Aurora – quase retinto com nítido reflexo granada. Aromas abertos com notas oxidadas e sobra de álcool. Depois de algum tempo uma sugestão de ameixas sobre um fundo de especiarias e toques herbáceos. Na boca confirmou os aromas. Taninos aveludados. Acidez elevada. Encorpado, fino, denso e muito persistente. Picante, com a fruta madura aparecendo de forma discreta. Termina com uma gostosa nota de chocolate. O seu frescor é um de seus maiores atributos, porque neutraliza suas notas oxidativas, típicas dos vinhos deste produtor. Degustado no momento oportuno, ainda suportaria mais algum tempo na garrafa. Avaliação: 87/100 pts.