Daily Archives: 06/11/2011

Chile – O Vale de Casablanca

Esse vale foi “descoberto” por Pablo Morandé há vinte e nove anos (1982), ao buscar terroir com baixas temperaturas para o cultivo de variedades brancas (Sauvignon Blanc, Chardonnay e outras) e da tinta Pinot Noir. Pablo notou que este vale tinha muita semelhança com a zona de Carneros, na Califórnia e obteve inequívoco êxito, sendo apontado como o grande responsável pela modernização da vinicultura chilena. Seu solo é bem drenado, com encostas suaves e forte influência marítima e com amplitude térmica. 

A meio caminho entre a costa e o centro do país, o vale de Casablanca recebe muito sol e também a fria brisa do oceano. Daqui têm saído vinhos brancos premiados, ricos em cores e aromas. Tintos de Pinot Noir também se destacam e a Syrah começa a produzir vinhos interessantes no clima frio de Casablanca. Crédito da foto: revista Adega

 A principal características dos brancos e tintos dessa importante região produtora de vinhos finos do Chile é o caráter fresco e frutado de seus vinhos, plantados em 4 mil hectares que recebem brisas frias do Pacífico acrescidas da neblina matinal que tão bem caracteriza essa região. 

Tedeschi Valpolicella Classico Superiore DOC 2009

Valpolicella é um vinho tinto com Denominação de Origem Controlada  produzido na província de Verona, na  Itália. Nessa DOC permite-se a produção de quatro vinhos distintos dos mesmos vinhedos e do mesmo corte básico de Corvina, Molinara e Rondinella. Do mais leve ao mais encorpado, são o Valpolicella, Valpolicella Superiore, Amarone e o Recioto.

 

  

Tedeschi Valpolicella Superiore DOC 2009 – álcool: 13% – uvas: Molinara, Corvina, Corvinone, Dindarella, Negrara, Oseleta, Rondinella, Rossignola – Região: Vêneto – preço: R$ 41 (375 ml) – importador: Vinea – vermelho rubi com reflexo granada, límpido e brilhante. No nariz exibiu notas de frutas vermelhas e negras com média sustentação. Na boca taninos macios, médio frescor, corpo magro, persistência curta e final sem arestas. Avaliação: 84/100 pts.

Miguel Torres Manso de Velasco “Viejas Viñas” Cabernet Sauvignon 2005, um verdadeiro “Superchileno”

A Vinícola Miguel Torres é uma companhia familiar fundada em 1870 que ocupa posição de destaque entre as estrelas mundiais do vinho. Produz os melhores vinhos de Penedés – Catalunha, que é uma D.O. – Denominació d’Origen. Seus vinhos são exemplares e primam pela elevada qualidade. Atualmente é comandada por Miguel Augustin Torres, seu presidente que representa a quinta geração da família Torres e que já foi eleito o “Homem do Ano” pela revista britânica Decanter. Na Espanha, a Vinícola Miguel Torres é uma empresa moderna que está em constante renovação e expansão e que possui vinícolas nas principais regiões produtoras: Ribera Del Duero, Priorato, Jumilla e Toro. Também possui vinícolas no Chile e nos Estados Unidos (Califórnia). No Chile, foi a primeira vinícola européia a se instalar no Vale de Curicó no fim da década de 1970 e por isso liderou a modernização vinícola daquele país. Até hoje seus vinhos são premiados e se destacam na equação “preço-qualidade”. Cite-se, como exemplo, o paradigmático Santa Digna Sauvignon Blanc, primeiro vinho feito exclusivamente a partir da casta que lhe dá nome e que até hoje é uma referência naquele país. Na Califórnia, a vinícola é comandada pela irmã de Miguel, Miramar Torres que produz vinhos a partir das castas Cabernet Sauvignon e Chardonnay.

 

O Manso de Velasco é importado por DeVinum - telefone: (11) 7878-9271.

 

Degustação

Miguel Torres Manso de Velasco “Viejas Viñas” 2005 – Álcool: 14,5% – Região: Vale de Curicó – Uva: Cabernet Sauvignon – importador: DeVinum – Preço: R$ 192,00 (safra 2007) –  Retinto na cor com reflexo telha, este paradigmático vinho feito exclusivamente de Cabernet Sauvignon provém de um vinhedo centenário que lhe dá essa cor profunda e intensa com ricos aromas de fruta madura, geléia de framboesa, cassis, alcatrão, especiarias, algum vegetal e a típica goiabada em compota característica dos bons tintos chilenos. Aqui os clássicos taninos da Cabernet Sauvignon proporcionam uma boca macia, redonda, expansiva com a integral subscrição das sensações olfativas numa estrutura elegante e monumental, adornada pela sutil presença de carvalho francês “Nevers” (é mais suave com aromas e sabores mais finos, com destaque para as especiarias e dá uma maior estrutura e longevidade ao vinho) que resulta num vinho completo, com muita fruta madura (amoras e cerejas) e de nuances vegetais. Seu final é sem arestas e apresenta longo potencial de guarda. Premiações: obteve 94/100 pts. da Revista Wine Access (Canadá) 2007 (safra 2003) e 92/100 da Revista Wine Enthusiast Editors Choice (EUA) 2006 (safra 2003). Vinho que se converteu na bandeira de Miguel Torres no Chile principalmente por sua consistência e regularidade. O Guia Descorchados 2008 informa que pode ser guardado até 2015. Avaliação: 91,5/100 pts.+

Catena Chardonnay 2006

Responsável por colocar a Argentina definitivamente no cenário internacional de vinhos, a Bodega Catena está estabelecida em Mendoza e pode-se afirmar, com segurança, que  Nicolas Catena foi quem deu início à produção de vinhos de qualidade em grande escala. Resumidamente, Nicolas fez estudos e descobriu que ao cultivar determinadas cepas em altitudes diferentes os resultados eram positivos e foi assim que inseriu a Malbec no contexto dos grandes vinhos. Foi ele quem trouxe novos clones da França e dos EUA, amadureceu vinhos em pequenas barricas de carvalho francês, irrigação por gotejamento, enfim, a aplicação de tecnologia de vanguarda teve seu pioneirismo na sua vinícola, que sempre foi respeitada pela qualidade dos vinhos que produz tanto em nível interno como internacionalmente. Até hoje  os vinhos Catena são símbolo de qualidade. 

A safra disponível na Mistral é a 2009 por R$ 54

Degustação

Catena Chardonnay 2007 – álcool: 14% – região: Mendoza – preço: R$ 54 -  O vinho matura 9 meses em barricas de carvalho francês com as borras para adquirir complexidade. Entre 30 e 40% das barricas são novas. Análise organoléptica: amarelo brilhante com reflexo dourado. Aromas intensos com notas de abacaxi fresco, damasco, baunilha e uma ponta cítrica. Na boca é um vinho de acidez delicada, untuoso e com ótima concentração de fruta. Alcoólico, guloso, profundo, elegante e redondo, termina sem arestas. Um vinho de tipicidade exemplar, num estilo difícil de conseguir porque fruta e madeira estão entrosadas como nunca. À conferir. Obteve 90/100 pts. da Wine Advocate de Robert Parker. Avaliação: 88/100 pts.

Amaral Leyda Valley 2010: um Sauvignon Blanc que vale à pena!

Normalmente transcrevemos o contra-rótulo dos vinhos porque sempre há informações julgadas importantes pelo produtor. No vinho objeto do presente, a informação é relevante, eis que aponta algumas características do terroir. Senão vejamos: ‘Desde el limite del Océano Pacífico nace Amaral, nuevo viñedo establecido con el único propósito de producir vinos blancos. Super Premium de Clase Mundial. El terroir  marino del valle de Leyda es ideal para otorgarle un carácter único a la clásica cepa Sauvignon Blanc. La fuerte influencia de la Corriente de Humboldt en los viñedos plantados en las colinas de Amaral produce vinos frescos  llenos de carácter”.

 

Amaral Cool Climate Sauvignon Blanc: muita tipicidade por baixo custo.

Degustação

Amaral Cool Climate Sauvignon Blanc 2010 – álcool: 14,5% – região: Vale de Leyda – importador: Bruck – preço: R$ 54  – palha claro com reflexo esverdeado. Aberto no olfato com algumas notas de relva cortada, leve maracujá sobre um fundo cítrico e mineral. Na boca tem a mineralidade clássica do vale de Leyda conferindo-lhe  um toque de elegância. Seus 14,5% de álcool são facilmente perceptíveis mas não chegam a incomodar. Fresco, estruturado, com boa fruta e longa persistência, é um vinho que se destaca por sua tipicidade e relação preço-qualidade. Termina sem arestas. Avaliação: 88/100 pts.