Daily Archives: 01/12/2011

A África do Sul

Mapa vinícola da África do Sul. Fonte: Academia do Vinho

 A África do Sul, apontada como o mais velho produtor de vinhos dos países do chamado “Novo Mundo”, faz alguns vinhos elogiados pela crítica internacional. Alguns de seus vinhos se parecem com os similares europeus e vez por outra recebem altas pontuações de revistas como Wine Spectator (EUA), Decanter (Inglaterra) e da crítica local capitaneada pelo experiente John Platter (autor do festejado South African Wine Guide). A indústria do vinho deste país começou a reagir após o fim do regime do “apartheid”, em 1990. Em 2 de fevereiro daquele ano, um discurso do Presidente De Klerk deu início ao desmonte do regime opressor condenado mundialmente e isso possibilitou a reabertura e o consequente sucesso das vinícolas do Cabo e do restante do país.  Fonte: Hugh Johnson – Guia de Vinhos de Bolso 2008

Degustação Wines of Chile em São Paulo: Haras Elegance 2007

   O haras de Pirque Character Cabernet Sauvignon é o terceiro vinho da esquerda para direita A Wines of Chile promoveu, na noite de 11.11.11, com apoio da CH2A de Alessandra Casolato, uma degustação de vinhos ícones chilenos conduzida  por Carlos … Read more »

Deus e o Diabo na terra do Sauternes, por André Logaldi

Originalmente um distrito de Graves, esta região que é a referência mundial em vinhos brancos licorosos, recebeu sua denominação AOC em 1936, contando com algumas poucas comunas produtoras distribuidas ao longo de modestos 38km² de área, à margem direita do rio Ciron, tributário do Garonne.

No seu terroir, rico em aglomerados de cascalhos (de até 6 metros de profundidade), calcário, marga e arenito que foram formados á partir da erosão milenar das saliências da região, o ícone Château d’Yquem, localiza-se numa cúpula de argila calcária e cascalho arenoso, com uma suave inclinação que facilita a drenagem local. A assimetria do pequeno vale propicia a formação da névoa nas águas do Ciron, que por sua vez, encoraja a ocorrência da “podridão nobre”.

Se o vinho, sobretudo o Yquem que é o único detentor da patente de Premier Cru Supérieur da região, pode ser tomado por um néctar divino, uma obra de Deus, por outro lado ostenta uma curiosa fábula regional que lhe atribui a grandeza ao Diabo.

A fábula

Antes da presença do Castelo de Yquem, existia um vinhateiro chamado Alexandre, casado com Ségolène e pai de uma linda jovem de dezoito anos, Isabelle, cuja beleza tentou o próprio diabo. Este, desejando Isabelle, lhe prometeu as riquezas que a família não dispunha, mas não obteve senão o desprezo e surpreendeu-se mesmo ao ser agredido por ela, num gesto ousado que o fez querê-la ainda mais.

Com seu ardil, tentou convencer Alexandre, iludindo-o com promessas de riquezas e igualmente sem resultado. Irado com a situação fez com que o clima mudasse violentamente, fazendo tudo para ver apodrecer as uvas:  chuvas fortes alternadas com calor absurdo, nevoeiros que podiam ser cortados a golpes de foices. Ainda assim, Alexandre colhia as uvas  e fez com elas a beberagem mais divina da Terra. Todos os outros camponeses se encantaram e seguiram seus passos e mais, se uniram para destruir o demônio e envolvendo-o em correntes, o afogaram no rio, de onde imediatamente em meio ao borbulhar da água que ferveu, surgiu uma densa névoa.

O vinho

Château d’Yquem 2001 (RP 100)

O grande vinho tem começo, meio e fim. Não que sua cor e aromas sejam inatingíveis, mas no palato é que se mostra inolvidável: untuosidade, delicadeza e persistência inacreditável!

Visual: Amarelo ouro de brilho intenso, límpido, denso e de lágrimas lentas formando um colar nas margens da taça.

Olfativo: Aromas de média à forte intensidade com notas de frutas confeitadas como abacaxi, laranja, geléia de maracujá, florais, especiarias tipo noz-moscada, mel em favos, cera. Complexo!

Gustativo: untuosidade marcante, textura sedosa, com sabores de maracujá em geléia e frutas brancas, notas florais e também de damasco seco, conjunto muito elegante! Retrogosto de mel e persistência interminável, os sabores se perpetuam e somente desapareceram depois de 2 bons goles de água.

Este é o diferencial: tomei água e os sabores se mantinham, toda a cavidade oral parecia envolvida numa tênue película de textura sedosa e sápida. 

Vinho do mês: Sur de Los Andes Malbec Reserva 2007 – CBE #

Para o mês de dezembro de 2011, quem escolheu o tema para o 62° vinho da Confraria Brasileira dos Enoblogs, foi o  Silvestre Tavares, do blog Vivendo a Vida. O tema sugerido: “Malbec argentino até R$ 70″ foi bastante apropriado, eis que a qualidade dos Malbecs rgentinos  está cada vez melhor.  Assim sendo, escolhemos o Sur de Los Andes Malbec Reserva 2007, produzido em Mendoza – Argentina. 

A Bodega Sur de Los Andes foi criada em 2005, por Guillermo Banfi, filho de Rubén Banfi da Bodega Cinco Tierras. Especializada na produção vinhos de boa relação custo-benefício das castas Malbec, Bonarda e Torrontés, a Sur de Los Andes focou inicialmente o mercado norte-americano, que ele tão bem conhecia. Depois vieram Canadá, Reino Unido e Brasil.

Sur de Los Andes Malbec Reserva 2007

Sur de Los Andes Malbec Reserva 2007 - álcool: 14% – uvas procedentes do Vale de Uco (60%), Medrano e Agrelo em parte iguais (20%)  – corte: Malbec (95%), Bonarda (4%) e Cabernet Franc (1%) – Cerca de 30% do mosto passou por carvalho americano – Preço: R$ 34 – importador: MS Import – vermelho rubi intenso profundo com halo púrpura. Olfato com notas de especiarias e frutas negras sobre um discreto fundo floral (violetas). Na boca um vinho de taninos presentes, leve nota de chocolate, acidez média, corpo médio  e  final com levíssima adstringência. Vinho fácil de beber, de boa relação preço-qualidade e tipicidade. Apresentou boa harmonia com o “Filet au Poivre” do Restaurante Poivre de São Paulo. Avaliação: 87,5/100 pts.+