Daily Archives: 05/12/2011

A Áustria vinícola

A Áustria vinícola
A maior parte dos vinhedos austríacos concentra-se no Leste e no Sudeste do país. Muitos deles prolongam-se fora de suas fronteiras políticas, por territórios do antigo império Austro-Húngaro. perdidos os vinhedos dos velhos tempos, foram os monges medievais que os replantaram no século X. Atualmente há cerca de 45 mil empresas que produzem anualmente 2,8 milhões de hectolitros de vinho a partir de 50 mil hectares de vinhedos. É uma produção que não cobre a demanda interna de um país no qual são consumidos 37 litros por pessoa ao ano. Na Áustria bebe-se principalmente vinho branco, de preferência vinhos do ano, cuja presença nos bares é anunciada por bandeirinhas com a palavra Huerigen. São vinhos frescos, claros, leves e frutados.
 
 
 
Os vinhos austríacos são classificados em três grandes categorias: Tafelwein, vinho de mesa que deve ter pelo menos 11,5° de álcool; Landwein, equivalente ao vin de pays francês; e Qualitätswein, vinho feito com variedades selecionadas e em regiões cujos nomes devem aparecer no rótulo. Os Prädikat são vinhos de qualidade com normas estritas, em cujos rótulos deve constar, além da safra, o tipo: Kabinett, sempre seco; Spätlese, outro tipo de seco; Auslese, um pouco doce, e seco caso apareça como Trocken; Beerauslese e Trockenbeerenauslese, sempre doces; e Ausbruch, vinho de sobremesa.
Há 16 zonas vinícolas divididas em quatro grandes regiões: Baixa Áustria (Niederösterreich, Burgenland), Estíria (Steiermark) e Viena (Wien). A mais importante delas é a Baixa Áustria.
 
 
Clima
Os invernos na Áustria são frios, um pouco úmidos e longos, mas também verões quentes, elevada insolação e o efeito moderador do lado Neusiedler, que a tornam ideal para produção de tintos e brancos.
 
 
Baixa Áustria
É a grande produtora do país, com 75% dos vinhedos. A variedade predominante é a uva branca Grüner Vetliner. Os melhores vinhos são os das regiões de  Wachau (em especial os Kremser e os Dünsteiner), Weinviertel (a maior das 16 zonas e produtora de 30% dos vinhos austríacos), Kamptal (onde são elaborados os excelentes, ácidos e picantes vinhos de Grüner Vetliner), Thermen (a região mais meridional da Baixa Áustria, com excelentes vinhos brancos encorpados) e no entorno de Bad Vöslau, onde a cepa Portugieser dá origem ao excelente Vöslauer.
  

Terras do Condado meio seco branco e bruto tinto

“O primeiro espumante produzido na Adega Cooperativa de Barcelos com as castas tradicionais do condado Portucalense. Após vinificação à temperatura controlada de 23°C, foi preparado pelo método clássico de fermentação em garrafa e estagiou durante 10 meses nas caves da nossa adeg. Um espumante de cor carregada, de bolha fina, aromas a frutos vermelhos maduros e uma acidez bastante equilibrada. Na boca apresenta uma boa estrutura e com um final bem prolongado.”   Ambos serão degustados e avaliados neste blog proximamente.

Homenagem ao Dr. Sócrates

” Hoje eu poderia reclamar, xingar, tentar colocar areia no título do Corinthians. Afinal, rival é pra isso mesmo. Mas hoje também é o dia em que perdemos o Dr. Sócrates, corintiano e brasileiro da melhor qualidade. Com a bola nos pés, uma prova de que o talento e a inteligência superam a força e a velocidade. Como cidadão, um brasileiro pensante, falante e atuante como poucos. Esse campeonato é para você, magrão. Tome umas geladas no balcão do céu que a rodada é por nossa conta. Respeito!” – as palavras são de nosso amigo de longa data Werner Figueiredo, da Terramarceu Produção Eletrônica S/C Ltda. Filmes. E, por refletir o nosso pensamento, foram reproduzidas aqui como forma de homenagear o grande brasileiro que foi o Dr.Sócrates, cuja alma deve estar se encaminhando para a vida eterna.  Nota: numa de suas últimas entrevistas Sócrates confessou que havia trocado a cerveja pelo vinho…

Visita à Cooperativa Vinícola de Garibaldi

A Cooperativa Vinícola de Garibaldi (Av. Rio Branco 833 – centro – Garibaldi, RS – e-mail: sac@vinicolagaribaldi.com.br) completou 80 anos e abriu suas portas para vinte jornalistas de diversas regiões brasileiras. Com foco na sustentabilidade, a cooperativa incorporou nos seus objetivos o respeito pelo meio ambiente com aquisição de equipamentos modernos, a melhoria das condições de vida de seus cooperados e a união de todos para satisfação e continuidade das suas atividades. Seu objetivo maior é a sustentabilidade. Atualmente a Garibaldi conta com mais de 340 cooperados em 12 municípios do RS e totaliza 800 hectares de vinhedos. Os valores pagos pelo quilo da uva de seus cooperados é acima dos valores divulgados pelo respectivo órgão governamental. Por exemplo: paga-se R$ 0,60 pelo quilo da uva Concord quando a tabela menciona R$ 0,53; paga-se R$ 1,50 pelo quilo da Cabernet Sauvignon enquanto que a tabela indica R$ 0,92. 

A cooperativa possui 4.500 clientes, 50 representantes em todo país e sua produção é da ordem de 10 milhões de garrafas (2010). Cerca de 75% das uvas americanas (Concord, Isabel = doçura e Bordô = cor e sabor) plantadas são utilizadas na elaboração de suco de uva de qualidade elevada.  São elaborados pela Cooperativa, sucos de uva, espumantes e vinhos brancos e tintos. A agricultura é 100% familiar. O clima da região implica na elevação de custos, eis que chove na hora errada e por isso, a cooperativa tem por foco a produção de suco de uva e de vinhos finos de baixo preço.

A cooperativa produz um vinho fino branco, que custa aproximadamente R$ 12, da uva Lorena Ativa, variedade híbrida que existe há dez anos. Sua apresentação é moderna, com a adoção de tampa de rosca, inclusive. São utilizadas leveduras especiais. Os espumantes são elaborados com Chardonnay e Pinot Noir. Todos produzidos pelo método Charmat. Os Moscatéis se destacam, com inúmeras premiações nacionais e internacionais.  Na ala dos vinhos tintos, o vinho Acquasantiera se destaca, elaborado com Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat.     

Recentemente, a cooperativa incorporou a seu patrimônio um “dessulfitador”  e um “filtro tangencial”, equipamentos de preço elevado que demonstram a sua boa saúde financeira e a sua preocupação na melhoria da qualidade do suco de uva, um dos melhores produzidos no Brasil. Também foram adquiridos novos tanques (autoclaves) para fermentação de espumantes pelo método Charmat.

 

 

Vinhos produzidos pela Cooperativa Garibaldi. A única pretensão é a de produzir produtos de boa qualidade por preços acessíveis.

 

 

 

 

O Sr. Presidente da Cooperativa Vinícola de Garibaldi, Oscar Ló

 

 

linha de produção que está sendo moderniazada: há apenas cinco anos produzindo espumantes, a Garibaldi já é o quarto maior produtor de borbulhas no país. Seu garibaldi Moscatel é o mais premiado do Brasil.

 

 

 

 

A Cooperativa destaca a produção de suco de uva, sabidamente de ótima qualidade, comprado por países como China, Russia, EUA e alguns países árabes. Em 2.010, um milhão de litros de suco integral, isto é, 14% a mais que 2009, foram vendidos. O volume total de vendas atingiu a cifra de R$ 1,4 milhões.  Os espumantes também venderam 560 mil garrafas em 2010, com destaque para o premiado Moscatel, que vendeu sozinho 200 mil garrafas – 35% a mais do que em 2009. Vinhos finos e filtrado doce também obtiveram marcas expressivas de vendas. 

 

Perfil: Bruno Airaghi

Bruno Airaghi, da Interfood

A seguir, uma homenagem ao respeitado Enófilo Bruno Airaghi, Diretor de Planejamento Estratégico da importadora Interfood – São Paulo, através de autobiografia gentilmente preparada por solicitação deste blogueiro.

Bruno nascido em Milão – Itália.
Atuando em bebidas desde 1984, com breve intervalo  trabalhando em outros segmentos de mercado ( Kodak , Abril , Playarte) sempre na area de marketing, novos negócios.
Em vinhos fui da escola  Heublein do Brasil, que na época era mais conhecida pelas marcas ícones que vendia: whisky Old Eight , Drury’s, Smirnoff , conhaque Dreher.
O portfólio vinhos contava com rótulos que trazem boas lembranças : Lejon, Castel Chatelet, vinhos  nacionais do RGSul. O mentor desta área, que englobava também destilados, foi a figura emblemática de Dante Calatayud, um mendocino de fibra que adotou o Brasil como  a terra que iria fazer bons vinhos, com sua base experimental em Pinheiro Machado sempre no Sul do País.
Dr. Dante era um purista em sua essência, que se dedicava como ninguém para apresentar novidades sempre com qualidade e muita perseverança, um  verdadeiro “Sir”.
Dez anos foram de grande aprendizado nesta Empresa com passagens por alguns países: Colômbia, Nigéria e Uruguai .
Em 2002, ingressei na Interfood na recém-criada area de marketing e Santa Helena já era a marca em vinhos chilenos, a sequência de conquistas de marcas (Codorniu, Planeta, Riscal, Molinari, Obikwa, etc)  se traduz hoje na empresa sólida e competente, que  se atualizou com comunicação digital nas redes sociais, com e-commerce (TodoVino) e uma distribuição nacional cobrindo todos os canais.
O vinho é parte do meu DNA, consumidor moderado, sempre me provocou a curiosidade e assim permitiu conhecer  pessoas, produtores, agentes, lugares, vinícolas  que muito alargaram minha visão de negócio. Como  se diz : “vinho para conhecer é litragem percorrida ou bebida … é um estudo interminável porém prazeroso”.
São 20 anos no setor e esta trajetória vinícola acompenhei bem de perto, o mercado interno evoluiu  e o desafio continua sendo aumentar o consumo de forma consistente e responsável. Salute!

Bruno Airaghi brindando com Raffaella Federzoni, da Fattoria Barbi – Brunello di Montalcino

 

Degustação Wines of Chile em São Paulo: Don Melchor 2007

O Don Melchor 2007 é o segundo vinho da esquerda para direita

 
A Wines of Chile promoveu, na noite de 11.11.11, com apoio da CH2A de Alessandra Casolato, uma degustação de vinhos ícones chilenos conduzida  por Carlos Cabral  seguida de jantar harmonizado. A degustação contou com a participação dos principais jornalistas, blogueiros e formadores de opinião. O serviço do vinho coube a Manoel Beato e sua equipe. A seguir a descrição e avaliação do Don Melchor 2007:

Carlos Cabral coordenou a degustação destinada aos jornalistas

Don Melchor 2007 (14,5% álcool – 98% Cabernet Sauvignon e 2% Cabernet Franc – 15 meses em barrica francesa 70% de primeiro uso e 30% de segundo uso) - Vermelho rubi intenso, profundo, quase retinto com halo púrpura.  Nariz  fechado com sutis notas de licor de cassis, frutas vermelhas e negras sobre um fundo de baunilha. Muito complexo já sinalizando grande potencial de evolução. Na boca taninos vivos, de fina textura e sobretudo jovens. Álcool, acidez, fruta e madeira integrados. Persistente, profundo e longo no palato, abrir este vinho no momento é quase cometer um “infaticídio viníco” de tão jovem que está. Mesmo assim não irá decepcionar quem fizer isso. Com mais dez/quinze anos de garrafa pela frente. Avaliação: 92,5/100 pts.++ 

Château de Beaucastel

 

 

Uma das  maiores e bem administradas  propriedades de Châteauneuf. Vinhos complexos, de colorido profundo, a serem bebidos nos dois primeiros anos ou entre sete e oito; mistura varietal incomum, composta de terço de Mourvèdre. Pequenas quantidades do maravilhoso Roussanne: guardar por 5 a 14 anos. Excelente Côtes du Rhône tinto (vive 8 ou mis anos) e branco Coudoulet de Beaucastel. Perrin, Rasteau, Vinsobres (Les Cornuds, Hauts de Julien) da melhor qualidade. Muito bom Côtes du Rhône de Perrin Nature, orgânico, Vacqueyras (ver também Tablas Creek, Califórnia). Fonte: Guia de vinhos – edição de bolso 2008 – Hugh Johnson.

Hugh Johnson