Daily Archives: 11/01/2012

Série vinícolas chilenas: Viña Matetic

Em 1999, a família Matetic decide diversificar seus negócios e também investir em vitivinicultura no Vale de Rosário, uma subdivisão do Vale de San Antonio, a 120 km de Santiago. Seus 90 hectares de vinhedos são cultivados com princípios orgânicos e sua primeira safra certificada como orgânica foi a de 2004. O terroir sofre influência oceânica e experimenta grandes oscilações térmicas durante o dia, com até 20 graus no período de maturação. Para o enoturista, uma opção é se hospedar em uma das 3 suítes da casa de hóspedes, que, construída em 1900, foi restaurada e cercada por jardins com belo paisagismo. O restaurante da vinícola também se destaca como boa opção gastronômica com pratos preparados à base de produtos locais. Importador: Grand Cru

Tenuta San Guido Olio Extravergine di Oliva

Este azeite de oliva tem sua origem na Toscana, mais precisamente em Bolgheri, produzido pela Tenuta San Guido, que produz um dos vinhos mais famosos da Itália, o Sassicaia.  Este denso azeite é de categoria superior obtido diretamente da oliva unicamente mediante procedimento mecânico, apresentou cor amarelo dourado com reflexos esverdeados. Aromas vegetais com notas de folhas secas e pasto verde. Na boca é denso, escorregadio e sobretudo saboroso. De constituição delicada, chama atenção por sua untuosidade e excelente acidez. Muito bom com pão e melhor ainda se adicionado a comida, sua verdadeira vocação. Preço: R$ 178 -  importado por: Ravin.

A reinvenção dos vinhos verdes, por Patrícia Jota

” Eles estão um pouco mais alcoólicos e modernos, mas ainda tem gente que não se conforme com isso”

Leves e refrescantes. São assim, por natureza, os brancos do noroeste de Portugal, produzidos na região batizada, há mais de um século, de Vinhos Verdes. É o canto mais verdejante do país e onde fica o Parque Nacional da Peneda-Gerês, uma espécie de Amazônia lusitana.

Isso explica a origem do nome da bebida, que não tem nada a ver com sua cor (existem, inclusive, vinhos verdes tintos, nada populares por causa da aspereza).

Lembro-me de um debate, em 2005, no curso de pós-graduação em enologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, sobre a descaracterização dos vinhos verdes, que estariam se tornando mais alcoólicos e modernos.

“Essa discussão está mais pacífica”, contou o enólogo Manuel Soares, da Aveleda.

“A maturação da uva se dá mais rápido em virtude das alterações climáticas e, sobretudo, de uma melhor vinha. Com isso, temos que vindimar mais cedo e, embora o teor alcoólico seja mais elevado, os vinhos mantêm-se equilibrados e muito frescos.”

Mas há gente que não se conforma com o rumo das coisas. “Por que é que os vinhos verdes estão cada vez mais alcoólicos? Por que é que se pretende fazer vinhos supersérios dos vinhos verdes?”

O produtor Dirk Niepoort, do Douro, não só estampou essa “irritação” no seu site como “infiltrou-se” no noroeste do país para elaborar, a partir de 2006, um branco alegre.

O Girosol, rebatizado de Dócil, não é vendido no Brasil, mas fica a dica para quem passar pela terrinha. Foi com boas taças de Girosol que eu rebati, em 2009, o calor de mais de 30ºC do verão lisboeta.


Quinta de Linhares Colheita Selecionada 2010

Aroma delicado com notas florais e de fruta tipo pera

ONDE Premium

tel. 0/xx/11/2574-8303

QUANTO R$ 63

Varanda do Conde 2009

Branco fresco com toque de fruta cítrica

ONDE Casa Flora

tel. 0/xx/11/2842-5199

QUANTO R$ 31

Muros Antigos Loureiro 2010

Leve nota mineral. Boa pedida para a piscina.

ONDE Decanter

tel. 0/xx/11/3073-0500

QUANTO R$ 49,80

Aveleda Follies Alvarinho 2010

Lembra pera e melão. Paladar vibrante

ONDE Interfood

tel. 0/xx/11/26027266

QUANTO R$ 72,90

Artigo publicado na Folha de S. Paulo  de 11.01.2012, caderno comida, F4

Os “vinhos doces naturais”

Crédito da imagem - portal Enoeventos.

Os “vinhos de licor” ou fortificados, são os que sofrem a interrupção da fermentação deixando açúcares residuais e com teor alcoólico “turbinado” pela mutage, técnica de se adicionar aguardente vínica ao mosto em fermentação (caso do Porto, por exemplo) ou antes da fermentação (caso das mistelas). Os VDN (Vin doux naturels), ao contrário, são fortificados com álcool neutro. A técnica data, pasmem, do século XIII, quando o catalão Arnaud de Villeneuve, médico, filósofo e reitor da Universidade francesa de Montpellier trabalhava na busca de um “elixir da vida eterna”, que seria chamado de água da vida (eau-de-vie). Esta espécie de aguardente constitui a base da técnica de fortificação dos vinhos como o Banyuls, o Porto, o Málaga entre outros. Homem considerado um dos mais sábios de seu tempo, ele certamente se eternizou.

Aspectos técnicos da vinificação

O ponto fundamental destes vinhos (brancos ou tintos) que os caracterizam, é a técnica de “mutage” (fortificação), que é a adição de álcool (aguardente vínica ou álcool neutro), transformando-os em vinhos com grande teor de açúcares e “quentes” ao paladar pela alta concentração alcoólica. Vejamos a seguir o processo de mutage dos VDN.

Vin doux naturels (VDN)

Os principais representantes destes vinhos na França são as AOC Rivesaltes, Rasteau, Banyuls e Maury. As uvas são a Grenache (branca, rosé ou tinta), Macabeo, Malvasia de Roussillon e as Muscat de Alexandria (“gros grains” e “petit grains”).

As condições climáticas destes terroirs garantem uvas maduras e com muito açúcar. O mínimo para que um bago se destine à produção dos vinhos do tipo VDN é de 252 gramas por litro.

A adição de álcool se dá durante a fermentação e quanto aos métodos, os tintos passam por uma maceração do suco e cascas por dois a três dias e depois são retiradas as partes sólidas, antes da adição de álcool neutro (só adicionado na “fase líquida”). Em alguns casos em Banyuls e Maury se pratica a “mutage” sobre a fase sólida, ou seja, sobre os bagaços resultando em vinhos muito mais concentrados e ricos em aromas, cor e taninos.

Eles sofrem uma lenta oxidação em tonéis de madeira que não são completamente cheios, permitindo contato do líquido com o ar ou com os vinhos sendo mantidos nas célebres “bombonnes” ao ar livre. Estes vinhos que vão sofrendo um processo brutal de envelhecimento dado pela ação climática, podem ser engarrafados ou usados para se fazer cortes de acordo com o perfil do produtor.

Os vinhos adquirem cores de âmbar ou atijolados e tomam para si aromas empireumáticos potentes, de torrefação (café, cacau), frutas secas e especiarias exóticas, além do famoso “rancio”, uma nota oxidativa muito apreciada pelos catalães também. Há porém vinhos que são vinificados protegidos do contato com o ar, exibindo aromas de frutas maduras, cassis, especiarias e alcatrão. Estes vinhos são ótimos companheiros de chocolate ou sobremesas à base deste ou escoltando queijos “azuis”.

Características organolépticas

Como os vinhos citados têm uma personalidade bastante pronunciada, fica difícil determinar ou talvez melhor dizendo, unificar seus traços estimulantes sensoriais. Assim irei descrever alguns deles separadamente.

De qualquer forma, nos vinhos doces fortificados é de suma importância a percepção do equilíbrio entre álcool e doçura. Um vinho doce jovem com uma paleta aromática muito rica pode fazer com que a percepção do álcool se faça de modo atenuado, bem integrado e só incrementando a riqueza do conjunto.

O açúcar residual é fundamental para que se note o equilíbrio geral do vinho na boca, conferindo-lhe além da riqueza de aromas de boca, agradáveis sensações táteis, com a presença de texturas aveludadas.

Vamos aos vinhos numa descrição bastante resumida!

Os fortificados tintos

Rivesaltes

Na versão tinta tem cor atijolada, aromas de cacau, café, figo, ameixas secas, marmelo e frutas confeitadas. Excelente equilíbrio na boca das sensações provocadas pela tríade compreendida por álcool, taninos e açúcar.

Rasteau*

Também feito com predomínio da casta Grenache Noir, os vinhos desta AOC são raros, graças à uma área minúscula de produção (40ha), perto da cidade de Avignon e vizinhos à AOC Gigondas. Cor granada, aromas de frutas vermelhas e especiarias, taninos sedosos e sabor condimentado.

Maury

Quase puramente de grenaches de solos xistosos, a apelação dá vinhos ricos e tânicos, fortemente tintos, com aromas de café, chocolate, couro, especiarias, alcaçuz. Na boca apresentam grande equilíbrio graças á riqueza aromática e sua potente “espinha dorsal”.

Banyuls

Produzido na fronteira espanhola é talvez o mais célebre dos VDN, baseado também na Grenache de solos xistosos e terrenos muito escarpados. Dependendo de como é elaborado, pode dar matizes de acaju, com aromas de frutas secas, torrefação, couro, cacau e especiarias, sempre muito estruturados na boca. No método não oxidativo dá aromas de cerejas em licor, cassis, alcaçuz e precisa de muito tempo para domar seus potentes taninos.

* Até o momento, creio que seja o único não disponível no Brasil

As melhores parcerias gastronômicas

- Chocolates (acima de 40% de cacau)

- Tortas, fondues, “petit gateau”, brownies (á base de chocolate)

- Profiteroles, Sachertorte (chocolate e damascos)

- Pêras Belle-Hélène (“ao vinho”)

- Tiramisu

- Queijos de mofo azul (Gorgonzola, Stilton, Roquefort, Danish Blue etc).

Texto de André Logaldi.