Daily Archives: 23/01/2012

Vinhos Carpineto agora comercializados com exclusividade pela importadora Costazzurra

 

Seguindo a filosofia de apresentar produtos diferenciados, com excelente qualidade e custo/benefício, a importadora Costazzurra passa a importar no Brasil com exclusividade os vinhos da vinícola italiana Carpineto.

Integrados recentemente ao catálogo de bebidas da Costazzurra, os vinhos Carpineto são produzidos na região da Toscana, na Itália, e são conhecidos em diversas partes do mundo como: Canadá, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e, é claro, Itália.

A vinícola Carpineto foi fundada em 1967 pelos renomados enólogos italianos, Giovanne Sacchet e Antonio Zacheo, que decidiram dedicar tempo e energia na elaboração de vinhos de qualidade. Através de muito empenho e diversas técnicas de produção, os vinhos Carpineto apresentam-se elegantes e de grande longevidade, destacando o caráter de cada vinhedo e denominação.

 

Os vinhos da linha Carpineto possuem diversas premiações e receberam importantes pontuações de veículos especializados em vinhos. Um dos destaques dessa linha é o vinho Chianti Clássico Reserva 2006, que recebeu 92/100 pts. na revista Wine Spectator (ed. outubro/2011), na revista Decanter (edição junho/2011) obteve quatro estrelas, foi capa da revista Wine Enthusiast (ed. abril/2011) sendo congratulado com 91/100 pts., no guia italiano I Vini di Veronelli 2012 conquistou 91/100 pts. e também foi medalha de ouro no concurso de vinhos ” La selezione del Sindaco” realizado em 2010, em Brindisi, na Itália.

Outro vinho de grande prestígio da linha Carpineto é Farnito IGT 2005 que foi classificado pela publicação italiana IL Mio Vino 2011 como o melhor Cabernet Sauvignon produzido na Itália.

 

 

Preços sugeridos:

Dogajolo Branco 2010 750 ml. Preço sugerido: R$ 49,00;

Dogajolo Tinto 2009 750 ml. Preço sugerido: R$ 49,00;

Rosso di Montepulciano 2009 750 ml. Preço sugerido: R$ 49,00;

Chianti Clássico 2009 750 ml. Preço sugerido: R$ 49,00;

Chianti Castaldo 2009 750 ml. Preço sugerido: R$ 59,00;

Chianti Clássico Reserva 2006 750 ml. Preço sugerido: R$ 129,00;

Farnito Cabernet Sauvignon IGT 2005 750 ml. Preço sugerido: R$ 139,00;

Brunello di Montalcino 2005 750 ml. Preço sugerido: R$ 199,00.

SAC Costazzurra (11) 3663-1837. Site: www.costazzurra.com.br

Série “a produção do vinho” – a fermentação alcoólica

O mosto que se obtém da prensagem é um líquido denso e muito doce, que contém significativa quantidade de glicose e frutose – açúcares naturais da uva que se transformarão em álcool etílico. Os agentes dessa transformação são as leveduras, microorganismos naturalmente encontrados nas cascas das uvas ou adicionados ao mosto pelo enólogo. As leveduras ou fermentos, consomem os açúcares e produzem o álcool. Esse processo é interrompido naturalmente quando o mosto atinge um certo grau de álcool, pois o  próprio álcool mata as leveduras. Após serem esmagadas e separadas (ou não) de seus engaços, as uvas tintas, já em forma de suco ou mosto, recebem (ou não) a adição de leveduras e conservante SO2 (anidrido sulfuroso). Nesse momento, inicia-se a fermentação alcoólica, que para os tintos acontece a temperaturas mais altas do que para os brancos, entre 25 e 28 graus celsius. O controle da temperatura é importante, pois, se a temperatura for baixa demais, a fermentação não ocorre, ou a extração de cores de substâncias gustativas  e aromáticas não será a ideal. Já se a temperatura for alta demais, aromas podem se perder e amargores podem surgir. Fonte: Vinhos do Mundo, volume 8, Elaboração do Vinho.

Dois vinhos abaixo dos R$ 30 que valem à pena: Lorca Temático Torrontés 2009 e Vale da Mina Alentejo 2008

 

 

 

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Provamos juntamente com o Fábio Gregório da Vinho Sul (tel. 11 3901 6887 – vendas@vinhosul.com.br), dois vinhos abaixo dos R$ 30 num almoço na Churrascaria North Grill Frei Caneca: o primeiro foi um Torrontés, uva que os argentinos estão tentando erigir à categoria de “símbolo” da Argentina, produzido por alguém que sempre demonstrou invejável manejo da cepa: Maurício Lorca, um dos mais respeitados enólogos argentinos. O vinho provado foi o “Tematico”, safra 2009. O tinto que veio logo depois é, seguramente, uma das maiores barganhas portuguesas existentes em nosso mercado – “Vale da Mina”, um vinho regional alentejano – VRA, safra 2008. O serviço  do vinho foi executado com precisão pelo Sommelier  Eriomar Novaes  e o atendimento coube ao sempre atencioso Genivaldo. A seguir, algumas linhas extraídas do catálogo da Vinho Sul:

“Maurício Lorca é um renomado enólogo que trabalhou nas mais importantes bodegas argentinas e resolveu abrir sua própria vinícola, a Temático. Sua proposta é promover o delicioso vinho argentino como parte fundamental da identidade, da qualidade e da riqueza cultura do país. Instalada na zona alta  do rio Mendoza, as vinhas apresentam plantas com baixo rendimento, típico da região, permitindo extrair muita concentração de aromas, cor e taninos das uvas. São características únicas do terroir que acentuam ainda mais o sabor da Argentina”

 

Degustação

Temático Torrontés 2009   – álcool: 14% – região: Mendoza – preço: R$ 29,90 – amarelo com reflexo na transição para o dourado. Aromas típicos da casta com erva cidreira, frutas cítricas, jasmim e flores brancas. Na boca é fresco, expansivo, macio, persistente e sem o amargor apresentado por alguns exemplares dessa casta. Mostrou vocação gastronômica à mesa  por conta de sua boa estrutura e acidez. Avaliação: 87/100 pts.

 

Vamos ao segundo vinho, produzido por Van Zeller, um gigante mundial na produção de vinhos portugueses, que produz diversos rótulos no Douro e também em outras regiões portuguesas, como Alentejo.

 

Degustação

Vale da Mina Vinho Regional Alentejano 2008 – uvas: Trincadeira (40%), Castelão Francês (30%) e Aragonês (30%) – álcool: 14% – preço: R$ 22,50 - Vermelho rubi com reflexo violáceo. Aromas pouco intensos mas revelando alguma complexidade com sugestões de frutas vermelhas, chocolate e especiarias. Na boca exibiu taninos presentes de boa qualidade. Sua estrutura está calcada na fruta. Intenso, termina limpo, sem arestas. Provavelmente, um dos melhores alentejanos da sua faixa de preço. Um vinho moderno que representa a evolução dessa importante região vinícola de Portugal. À conferir. Avaliação: 87/100 pts.

A história por trás da qualidade e preços dos vinhos

Crédito da imagem - Revista de Vinhos - Pt.

Os vinhos possuem na diversidade incrível de estilos, uma grande parte da manutenção do seu interesse. É praticamente inesgotável e plenamente impossível para um ser humano provar tudo o que é produzido, sem mencionar as variações de safras. Além disso, conforme já mencionei no meu texto sobre as avaliações de vinhos por notas, eles são diferentes o suficiente para que possamos estabelecer uma hierarquia, que vai além da questão de preferência pessoal.

Como sempre reforço, o vinho como objeto se assemelha a formas de arte pois traz consigo um processo histórico que se confunde com a própria evolução humana. E tem um tal nível de racionalização (sujeição à evolução técnica e teórica) que constitui uma espécie de esfera autônoma, ou seja, se transformou ao longo da história de um objeto “mágico-simbólico” até a aquisição de um caráter sociológico, passando de mero adjuvante de cultos religiosos até alcançar o status de um dos muitos símbolos modernos de representação de estilos de vida.

Sua relação com a humanidade é tão social quanto política, uma vez que também submetida à questões econômicas, religiosas e até morais: eles têm um valor guiado pelo fluxo de mercado, sofrem variações derivadas de implicações religiosas e éticas na questão do seu consumo!

OS PIONEIROS DA HIERARQUIZAÇÃO

Conforme ensaio de Jacky Rigaux, da Universidade da Borgonha, a relação entre localização de vinhedos e qualidade dos vinhos é conhecida e descrita desde a Antiguidade, com os agrônomos latinos (Columela, Plínio).

Consoante com a noção atual de “terroir”, Albert Legrand no século XIII já afirmava que “as vinhas têm a propriedade de alterar seus sabores conforme mudam de lugar”. A Borgonha, rica em diversidade de terrenos e microclimas, deu origem no século XVI ao “GOURMET”, indivíduo que tinha a função de degustador, função essencial à organização e comércio dos vinhos. Descrito por Jules Lavallé em 1855 no livro “Histoire et Statistique de la Vigne des Grands Vins de la Côte d’Or”, o Gourmet era funcionário municipal encarregado de provar os vinhos e atestar sua autenticidade, qualidade, fixar os preços de venda e prevenir fraudes como identificar pela degustação a presença de uvas de outras procedências ou a utilização de uvas Gamay (já proibidas então) misturadas à Pinot Noir.

Uma deliberação da prefeitura da cidade de Beaune, em 1576, determinava que todos os vinhos deveriam ser submetidos à degustações e julgados antes de serem postos à venda! Era o embrião histórico do conceito de “denominações de origem”! E estes Gourmets eram fiscalizados também: oito deles foram condenados em Dijon no ano de 1601 por autorizarem a venda de vinhos fora das especificações (vinhos “ruins”).

A UNIVERSALIZAÇÃO DO GOSTO

Não tenho pretensão de martelar um assunto batidíssimo, mas a questão da imposição do gosto pessoal de grandes degustadores, sendo sempre Parker o grande alvo, também merece relativização. A universalização é também uma forma de se estabelecer uma hierarquia: os “pequenos” degustadores seguem as indicações dos “grandes”. Cria-se então uma nova demanda, cuja “matriz” se concentra na opinião de um ou de poucos.

A meu ver, se trata de uma via de mão dupla: sob a égide de agradar aos consumidores (e aumentar as vendas) os produtores visam atingir um padrão de qualidade com características que se equiparem às preferências do “guru”.

Isso pode acabar por gerar uma “commoditização” do vinho ou como disse Luis Pato, das uvas! Não só a influência supostamente nociva de Parker pode ser ruim, mas outros fatores que deslocam a relação oferta-demanda também, como por exemplo a entrada agressiva da China como forte importador, sobretudo dos vinhos que se submetem intensamente à especulação de mercado, como os Bordeaux.

Grandes Bordeaux sempre foram para poucos e a questão é como podem se inserir num mundo pós-moderno que clama a inclusão social, se não puderem ser adquiridos pelos “caboclos que querem ser ingleses” do mundo todo?

CONCLUSÃO

O vinho tem um gosto, que vai agradar X ou Y mas a bebida tem de ser vista em face de sua natureza múltipla, de sua diversidade e não seu gosto!

A grande questão, voltando à Jacky Rigaux, não passa pela questão do GOSTO e nem pode, mas apenas de certas singularidades que devem ser respeitadas. Nas palavras dele:

O gosto e o charme de um vinho nascido de uma terra particular, nada tem a ver com sua eventual superioridade em relação a um outro vinho, mas se incluem dentro da profundidade e sutileza de suas diferenças”.

Não por acaso, a Borgonha, área viticultural que exibe enorme diversidade em cada parcela que constitui a sua “colcha de retalhos”, não obstante a utilização de praticamente uma única uva para brancos e outra para tintos, pleiteia o título de “Patrimônio cultural mundial da Humanidade” a ser concedido pela UNESCO.

Além disso, embora seja um elemento ativo dentro da esfera econômica não deve ser à ela sujeitada como se não possuísse suas próprias diligências particulares. A relação entre ambas as esferas, vinho e economia, deveria ser de paralelismo e não de subserviência do vinho em face de sua demanda!

Enfim, o vinho vive e sobrevive da diferença e até mesmo de sua escassez, que lhe conferem autonomia e identidade e não da homogeinização que a transformação, ainda que passiva, de uvas em commodities poderiam lhe impor.

Texto de André Logaldi.