Daily Archives: 30/01/2012

Série vinícolas chilenas: William Cole

Após desenvolver suas carreira nos EUA, William Cole estabeleceu sua jovem vinícola em estilo californiano no Vale de Casablanca, distante 80 km de Santiago e 49 km do Pacífico. Com 130 hectares de vinhedos produzindo Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Carménère, Merlot e Pinot Noir, todas com densidade de 5.333 plantas por hectare, com exceção da Sauvignon Blanc com 4.000 plantas por hectare. Seus Sauvignons e Pinots são muito elogiados pela crítica.  Importador: Ana Import.

Os doces se destacam entre os grandes vinhos do mundo

Crédito da imagem - Maria Ripardo

“A importância do vinho doce entre os vinhos mais clássicos do mundo é consideravelmente alta. Uma das mais belas publicações sobre vinhos finos é o livro “100 Vins de Légende”, publicado pela editora Solar na França. Esse vinho é uma publicação da família Vrinat, proprietários do Restaurante Taillevent de Paris, que ostenta o título de ter a segunda maior adega do mundo, segundo o Guinness Book of Records, com quase 400.000 garrafas de vinho. Pois bem, no livro segundo a visão da família Vrinat e seus sommeliers do Taillevent, estão classificados os cem mais importantes vinhos do mundo e dentre eles temos nada menos que doze vinhos doces naturais”. Fonte:  Vinhos do Mundo – Adega Veja – volume 12.

Espumante Pisani Brut 2011: tipicidade e frescor

O espumante catarinense Pisani Brut recebeu vários elogios dos degustadores que tiveram a oportunidade de degustá-lo. Um espumante delicioso, elaborado na Serra do Marari, Distrito de Tangará,  Oeste Catarinense,  a 1.200 metros de altitude. Esta é uma das regiões do Brasil que vem se destacando na produção de alguns dos melhores vinhos finos e espumantes do Brasil.

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Pisani Brut – elaborado exclusivamente com Chardonnay, apresentou bom equilíbrio gustativo. Sua tipicidade é surpreendente!

Espumante Brut 2011 – álcool: 12,1% – uva: Chardonnay (100%) – região: Santa Catarina/Serra do Marari - tel. 041 3072 6907 – preço: R$ 36 - atraente cor palha com reflexo levemente dourado brilhante. Aromas típicos com leveduras, pão fresco e fruta madura. Perlage média com borbulhas pequenas. Pouca espuma. Na boca a sua entrada revela um espumante de corpo leve, macio, seco (sem ser austero), cremoso, frutado (toques cítricos) e sobretudo fresco. Harmônico e equilibrado, teve frescor suficiente para lhe conferir personalidade. Termina limpo, sem amargor. Avaliação: 87,5/100 pts.

Série a produção do vinho: cortes, blends, assemblages e varietais

 

O próximo passo (opcional) é o corte, que consiste em misturar  vinhos diferentes para obter um resultado mais equilibrado e complexo. Misturam-se, por exemplo, Merlot e Cabernet Sauvignon para ter o aveludado do Merlot com a estrutra da Cabernet Sauvignon. Vinhos compostos somente por um tipo de uva são chamados de varietais, os demais são os cortes, lotes, blends ou assemblages. Normalmente identifica-se um varietal quando o vinho traz o nome da uva no rótulo. Quando não traz, trata-se de um corte de uvas. Os vinhos tintos de Bordeaux, por exemplo, são – por lei – sempre compostos por uma ou mais destas uvas misturadas: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot e Malbec. Não há regra no sentido de varietais serem superiores ou inferiores a vinhos de corte ou de lote. Por uma questão de lógica, os varietais seriam mais simples e os vinhos de cortes seriam mais complexos por trazerem características de mais de um tipo de uva, mas as exceções são tantas que é impossível estabelecer uma regra nesse sentido. Alguns vinhos são famosos por serem compostos por muitas uvas, caso notório do Chateauneuf-du-pape e suas 13 uvas. Por outro lado, existem grandes clássicos  que  são elaborados com um único tipo de uva, como o Barolo (Nebbiolo) e os grandes tintos da Borgonha (Pinot Noir).

Elegância, frescor e complexidade – White Oak Sauvignon Blanc 2007 – Russian River Valley

Nascido em Los Angeles, Bill Myers trabalhou como empreiteiro e pescador de salmão no Alasca. Durante a década de 1970, Bill mudou-se para a bucólica cidade de Healdsburg, Califórnia, vendeu seu barco, comprou seu primeiro vinhedo em Alexander Valley e começou a produzir vinho.

Com seus vinhedos recém-adquiridos,  Bill montou uma pequena sala de degustação  proxima da praça  central de Healdsburg e começou a fazer vinhos. Ele rapidamente se tornou conhecido por produzir  maravilhosos Chardonnay e Zinfandel  e também aquele que viria a ser o vinho emblemático da White Oak Vineyards & Winery: Sauvignon Blanc. Em 1991, Bill levou para casa seu primeiro prêmio “Sonoma County Harvest Fair Sweepstakes Award” por seu  Sonoma County Chardonnay 1990.

Em 1997, Bill formou uma aliança com  “Burdell Properties” para continuar  a expansão de sua vinícola, criando,  assim,  as bases da White Oak Vineyards de hoje. “Don Groth” e “Burdell Proprierties” trouxeram mais de 750 hectares de vinhas de primeira no Napa Valley e do Russian River Valley para a vinícola.

Pouco tempo depois Bill construiu uma impressionante adega de estilo mediterrâneo numa das áreas mais belas de Alexander Valley.

Sauvignon Blanc de Russian River Valley é uma das estrelas da vinícola

A propriedade possui cerca de 17 hectares de vinhas de Zinfandel que remonta a 1929 e 1935. Bill então adicionou  pequenos lotes de Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc nesse vinhedo.

A nova sala de degustações da White Oak em  Alexander Valley foi inaugurada  outubro de 1998. A equipe que atua nessa sala de provas está composta de entusiastas e conhecedores. A White Oak é uma vinícola que sempre participa dos eventos anuais “Wine Road  Events” realizados em Alexander Valley e também no Russian River Valley. Os membros do “Wine Club”  tem a oportunidade de desfrutar e participar de quatro eventos promovidos pela vinícola ao longo do ano.

Atualmente, White Oak Vineyards & Winery tem cerca de 750 hectares de vinhedos divididos entre o Vales do Napa, Alexander e Russian River. Cerca de 10% desses vinhedos são utilizados na produção de  vinhos White Oak e o restante vendido para outras vinícolas de prestígio conhecidas na região. White Oak produz atualmente cinco vinhos de qualidade artesanal para distribuição nos EUA e dois vinhos “Estate”, que só estão disponíveis para vendas no “Tasting Room”. Aconselha-se telefonar antes para verificação da disponibilidade.

White Oak Sauvignon Blanc

Notas de Prova do Enólogo

White Oak  Russian River Sauvignon Blanc 2007 - preço: R$ 102 -  Aromas de lichia, pêra e laranja zest com um toque de mineralidade. Sabores de limão, kiwi, pêra e fuji. Um toque de maçã completa este vinho. O vinho termina com resultado muito agradável no paladar de acidez e sabores de frutas. Fermentado 100%  em cuba de aço inoxidável, com idades entre sur-mentira para preservar a complexidade aromática da fruta e completar a sensações gustativas. Não realizou fermentação maloláctica.

tel. 011 5531 0081 ou 011 8439 3392 – e-mail: contato@winelovers.com.br ou www.winelovers.com.br
Degustação
White Oak  Russian River Sauvignon Blanc 2007 - preço: R$ 102 – Palha claro com reflexo esverdeado sem evolução. Aromas que se destacam mais por sua complexidade do que por sua intensidade. Sugestões de lichia, pêra, maçã verde  com um toque de mineralidade. Na boca revelou elegância, frescor e complexidade sem denunciar o peso dos anos. Sabores delicados de kiwi e pêra sobre uma nota vegetal. Um toque de lima-da-pérsia completa este vinho, que termina com resultado muito agradável no paladar por conta de sua  acidez, fruta e mineralidade. Fermentado 100%  em cuba de aço inoxidável. Não realizou fermentação maloláctica. Ainda tem vida na garrafa pela frente. Avaliação: 90/100 pts.

Generalidades e dicas: a uva Carmenère

Muitos enófilos iniciantes começam a incrementar seu aprendizado se lançando à prova de vinhos de qualidade por um preço ainda acessível e para isso nada melhor que os produzidos por Chile, Argentina, Uruguai e futuramente, se o governo ajudar, pelo Brasil.

Alguma acessiilidade gustativa também marca a Carmenère, que já é cativa de alguns destes amigos que amam vinhos e preferem começar pelos vizinhos sul-americanos!

Há uvas que se tornam estandartes de certos países, mesmo que sejam originárias de outras terras e a Carmenère é a uva emblemática chilena, depois de muitos anos sendo plantada em meio a vinhas de Merlot, com a qual era confundida. Coube a um ampelógrafo francês, Jean-Michel Boursiquot, desfazer a confusão em 1994. À partir de 1996, embora haja controvérsias, a Viña Carmen assumiu a “maternidade” do primeiro rótulo varietal, em nível mundial diga-se, já que a França jamais fez um vinho somente com Carmenère!

A Carmenère é uma uva que por regulamentação oficial, pode e ainda é utilizada na região de Bordeaux, sua origem, ainda que em mínima escala, pois estatísticas indicavam uma superfície de apenas dez hectares plantados (portanto ela na verdade não está extinta como alguns dizem). Em sua terra natal esta uva se mostra predisposta a doenças e de maturação complicada, por isso só é vista em cortes (assemblages) com concentrações reduzidas e somente em anos muito bons em que ela alcança a plena maturidade. Um exemplo famoso é o Chateau Clerc-Milon, que usa cerca de 1% da Carmenère em seu blend em certas safras. Idem para os vinhos do Château Le-Puy.

Muita gente sabe que a Carmenère se tornou a uva emblemática do Chile, mas não confundam, o nosso esguio vizinho sul-americano tem na Cabernet Sauvignon a sua rainha das uvas tintas.

Todavia, a novidade é que o Chile NÃO é mais o único país vinícola a produzir vinhos varietais desta uva. Há algum tempo, pode-se encontrar um varietal italiano da prestigada Cá del Bosco, o “Carmenero”, um vinho na faixa dos US$ 80, que passa 15 meses em barricas de carvalho. Se no Chile esta casta era confundida com a Merlot, curiosamente ela era confundida entre os italianos com outra uva de Bordeaux, a Cabernet Franc.

Embora indisponível em nosso país, até onde sei, a pequeníssima vinícola norte-americana Nodland Cellars com vinhedos em Columbia Valley e Walla Walla Valley (estado de Washington) produzem um varietal de Carmenére.

O “Nodland Walla Walla Valley Avant-garde Carmenère 2007” (Carmenère e pequenas quantidades de outras uvas bordalesas, a US$ 28) recebeu elogios e notas bem interessantes: 88/100 pts.  da Wine Enthusiast e 90/100 pts. da Wine & Spirits, ambos avaliados em 2011.

Onde quer que seja elaborado um vinho de Carmenère, trata-se de uma uva de relativamente baixa acidez, frutado que traz à lembrança as ameixas e as frutas silvestres escuras, aromas de pimenta que são uma boa “impressão digital” quando não encobertos por notas vegetais desagradáveis (sinal de maturação insuficiente). Em cortes de uvas de Bordeaux, a Carmenère se aproxima das características da Petit Verdot, pois pode aportar cor e taninos, que são menos potentes do que os da Cabernet Sauvignon.

Vários vinhos chilenos famosos levam Carmenère em seu corte: Almaviva, Viña Seña, Purple Angel e Clos Apalta são notáveis exemplos. Os vales de Cachapoal, Colchágua e Maule são referências importantes.

Considero o “Viña Montes Purple Angel”, como o melhor desta uva que já degustei, mas é um vinho caro. Para efeito de dica potencialmente útil a quem não quer gastar demais, recomendo outra vinícola de alta confiabilidade: a De Martino, importado pela Decanter.

O que mais me agradou, por sua qualidade aliado ao ótimo custo-benefício, foi o da linha mais simples, o “Reserva 347 Vineyards 2007”, por cerca de R$42 (safra 2008). Leiam as notas de degustação:

De Martino Reserva 347 Vineyards Carmenère 2007

Típico, quase didático, fresco, agradável.Tecnicamente o vinho é separado da seguinte maneira: 40% do volume passa em barricas de carvalho por 8 meses e os restantes 60% se manteve em cubas de aço até a mistura final.

Uvas dos Vales de Cachapoal, Maule e Maipo – Álcool: 13,5%

Rubi púrpura intenso, quase negro, lágrimas numerosas e rápidas, brilhante. Aromas intensos de compota de frutas escuras, framboesas, leve toque de especiarias e madeira bem integrada. Seco, de corpo médio, acidez muito boa, álcool equilibrado, taninos de boa qualidade e explode na boca em sensações picantes, com a típica nota de pimenta-do-reino presente nos Carmenère de boa maturação.Persistência média. Nota: 88/100 pts.

Texto, descrição e avaliação por André Logaldi.