Daily Archives: 06/02/2012

Série vinícolas argentinas: Altavista

Alta Vista foi criada em 1997 e faz parte do grupo francês Edonia, proprietário de vinícolas na França, Argentina e Hungria. Em Mendoza possui quatro vinehdos – Las Compuertas, Alto Agrelo, La Consulta e Vistaflores – que totalizam 175 hectares. Nos vinhedos destaca-se a Malbec, com a presença de videiras de quase 70 anos de idade. Apesar das análises laboratoriais, seus enólogos consideram a análise gustativa da uvas no vinhedo como a melhor forma de identificar o ponto ótimo da colheita. Importador: Épice

Série vinícolas argentinas – Altos Las Hormigas

Esta vinícola de 206 hectares possui 40 hectares de vinhedos plantados entre 1996 e 1999. Nestes, produz-se exclusivamente a variedade Malbec, com densidade superior a 4.000 plantas por hectare. A vinícola foi iniciada em 1995, por Alberto Antonini, enólogo da Toscana e Antonio Morescalchi, jovem empreendedor. Ambos entusiastas do potencial da uva Malbec, em Mendoza, para a produção de vinhos de altíssima qualidade. Aos dois uniram-se outros sócios, num time extremamemte eclético (outro enólogo italiano, um negociante de vinhos italianos, um consultor de investimentos suíço e um ítalo-argentino, que se autodenomina enólogo e grande fã de Bob Dilan). Importador: Mistral

Dicas de harmonização: taninos e ponto de cozimento

 

Steak au Poivre do Restaurante paulistano Poivre

Ontem almoçamos juntos, eu, Jeriel e cada uma das respectivas esposas. Três de nós escolhemos um prato clássico, o “Steak au poivre”, filé mignon bem selado em seu próprio molho com um pouco de creme de leite e pimentas frescas (que podem ser verdes, pretas, rosas ou um mix), acompanhado de batatas, assadas com manteiga e queijo (rösti) ou um purê.

Para acompanhar tal prato, há uma gama enorme de vinhos possíveis, mas a pergunta é “o que poderia levar a escolher cada um deles”? Quais são as bases racionais da harmonização?

HARMONIZAÇÃO “LATO SENSU”

Aquilo que chamamos de uma boa harmonização em eno-gastronomia é uma soma favorável e satisfatória de sensações gustativas que os aromas e sabores do vinho e da comida nos proporcionam, quando provados juntos. A soma das partes deve ser tão agradável quanto possível, formando um conjunto uniforme. As percepções que obtemos são diferentes daquelas quando degustamos cada um separadamente.

Quero dizer com isso é que cada um pode escolher o que bem entender, até mesmo as combinações mais esdrúxulas, mas que existem algumas regras básicas que comprovadamente trarão impressões bem mais interessantes.

CARNES VERMELHAS E VINHOS

Por que vinhos “sempre” (toda regra tem exceções) são bons companheiros de carnes vermelhas? Um dos motivos é que as carnes brancas, de aves ou peixes raramente poderão ser servidas com um ponto de cozimento que beire o cru, e quando isso acontecer lhes faltará o que sobra nas carnes vermelhas: a suculência.

Características gerais de cada um:

- Carnes vermelhas: possuem sabor próprio, textura variável em função do cozimento. Quanto mais cozidas, menos suculentas (mais secas) e menos macias (há formas de cozimento longo que deixam as carnes macias, mas são reservadas às aves de sabor delicado).

- Vinhos tintos: possuem aromas, sabores e sobretudo TANINOS, que serão o ponto crucial do equilíbrio das sensações gustativas (com carnes vermelhas, além da óbvia mescla de aromas e sabores, há de se valorizar as sensações táteis!).

SENSAÇÕES TÁTEIS

Portanto, como dito, é o ponto-chave da harmonização que discutimos! Por que ocorrem?

As carnes bem seladas, de textura interna bem macia, liberam sucos, que embora interessantes, alcançam o equilíbrio perfeito através da interação com um elemento de efeito contrário, “secante”, que são justamente os taninos dos vinhos tintos! A sensação, muito boa, é de complementaridade, num equilíbrio que nenhum dos dois componentes, carne e vinho, seriam capazes de dar se degustados isoladamente!

Deste modo, conforme exposto, devemos raciocinar assim: carne mais crua e suculenta pede vinho mais tânico, quanto mais cozida menos os taninos ajudarão, podendo até resultar em amargor. Também é condenável, a presença excessiva de sal, que não formam bom par com taninos.

Portanto, numa situação ideal é que todos à mesa peçam suas carnes com um cozimento parecido, pois se isso não ocorrer, cada um poderá dar uma impressão diferente, positiva ou negativa, sobre a combinação com o vinho escolhido!

COZIMENTOS

- Mal-passado: vinho tânico, pode ser relativamente jovem

- Ao ponto: vinho tânico, porém maduro ou de média tanicidade

- Bem-passado: preferência para vinhos de baixa carga tânica, jovens, frutados

A IMPORTÂNCIA DOS MOLHOS

Enfim, os molhos são personagens centrais e determinantes para a escolha. Aqui, ao invés do saudável antagonismo entre “taninos-suculência”, teremos uma pista para a harmonização por similaridade. E o que é isso? No caso, o fato do molho conter pimentas, sendo assim aromático e também picante.

O vinho a se escolher deve ter as mesmas características, ou seja, ser aromático, frutado e sobretudo com uma dose de picância, quer dizer, aromas e sabores de especiarias!

DICAS ESPECÍFICAS PARA STEAK AU POIVRE

Mal-passado: Tannat uruguaio jovem com passagem em madeira; Bordeaux jovem à base de Cabernet Sauvignon; vinhos à base de uva Mourvédre (sul da França, Chile)

Ao ponto: tintos maduros, podem ter idade entre 6-10 anos, média a boa tanicidade tais como Chiantis e de uva Aglianico (Itália), Rioja/Ribera del Duero/Toro (Espanha), Crozes-Hermitage, Chateauneuf-du-pape (França), Carmenére chileno, Zinfandel norte-americano

Bem-passado: Beaujolais “Crus” (Morgon, Moulin-a-vent), Cabernet Franc do Vale do Loire (Bourgueil), Syrah do sul da França (Nîmes), Barberas ou Dolcettos (Itália)

Texto de André Logaldi