Daily Archives: 07/02/2012

Série a produção do vinho: maceração carbônica

Uma variação do processo de maceração é a maceração carbônica. As uvas são prensadas e mantidas em um recipiente lacrado. O próprio peso dos cachos faz com que algumas uvas sejam esprimidas e comecem a fermentar, liberando dióxido de carbono (gás) e aumentando a pressão no recipiente. Essa pressão permite que a fermentação aconteça dentro das uvas, produzindo vinhos com pouca cor, aromáticos, macios e que precisam ser bebidos jovens. O Beaujolais Nouveau é um exemplo de vinho feito por maceração carbônica, com máxima concentração de aromas e mínima de cor e corpo. Fonte: Adega Veja do Vinho – vol.8 

A vivacidade do José de Souza Mayor 1994

 
Sobre a José Maria da Fonseca

A JMF tem mais de 175 anos e  longa tradição na produção de vinhos. Da sua produção total, 80% é exportado para os seguintes países: Brasil (principal), Suécia, Escandinavia, EUA, Canadá, Holanda, Itália, França e Espanha e até o mercado árabe, que exige vinho sem álcool, está contemplado com 200.000 garrafas anuais.

 

A casta Grand Noir

Casta  de bagos pequenos,  criada por Henri Bouschet, desacreditada na França, encontrou na Península de Setúbal um ótimo terroir para desenvolver-se. Sua acidez ajuda a dar equilíbrio e reduzir o grau alcoólico, eis que possui grande quantidade de ácidos primários. Resultado do cruzamento das castas Petit Bouschet e Aramon, é uma casta tintureira. Eduardo Paes, da Inovini, ressaltou que a Aramon, foi a casta mais plantada na França no século XIX até a primeira metade do século XX. A Petit Bouschet, de seu turno, resulta do cruzamento Aramon e Teinturier du Cher. Já a conhecida Alicante Bouschet nasce do cruzamento da Petit Bouschet com a Grenache.

 
 

O José de Souza Mayor é reconhecida-mente um vinho longevo. O deste post ainda estava palatável, mas seu auge já deve ter ocorrido há

Degustação

José de Souza Mayor 1994 – região: Alentejo – uvas: Trincadeira, Aragonês  e Grand Noir – álcool: 13% – importador: Mistral (atualmente importador Inovini) – granada brilhante com sedimentos em suspensão. Aromas abertos com tabaco, leve terroso sobre notas defumadas. Na boca se mostrou um vinho de taninos delicados, algum frescor, leve vinagrinho com notas achocolatadas. Acidez presente, final limpo e persistente com a ratificação das notas olfativas. Avaliação: 88/100 pts.

Pira Luigi Dolcetto D’Alba 2010

Pira Luigi é uma vinícola estabelecida no Piemonte,  em Serralunga D’Alba,  de propriedade da  Família Pira. A propriedade foi criada no início dos anos cinqüenta e no início apenas produzia uvas para vender para outras vinícolas. Numa segunda fase  começou a produzir vinho  vendido a granel para negociantes locais, entre os quais, uma pequena quantidade de Barolo “base” começou a ser engarrafada. Anos depois passou a produzir dois Barolos de vinhedo único (sim, os italianos também tem tradição na produção de vinhos elaborados com uvas de um único vinhedo),  a partir dos premiados “crus”  “Margheria” e “Marenca”. O Barolo Vigna Rionda foi lançado pela primeira vez ostentando no rótulo a  safra 1997. Os vinhos refletem o grande terroir de  Serralunga, mas também a extrema dedicação e paixão da família Pira nas vinhas e na adega.

Algumas informações

Ano de fundação: 1950

Produção anual total / garrafas: 45.000

Extensão total dos vinhedos: 11,00 ha

Variedades plantadas e extensão (em hectares):

Barbera – 2,00

Dolcetto – 2,50

Nebbiolo – 6,50

Sistema de espaldeira, método Guyot. Existência de grama entre os vinhedos colheita verde. Época de colheita: primeira semana de setembro (Dolcetto), meados de outubro (Nebbiolo).

Engenheiro agrônomo e enólogo: Gianpaolo Pira 

Tipo de viticultura: integrada / sustentável.

Extensão dos vinhedos (Dolcetto): 2,20 ha
Ano de plantação: 1980
Tipo de solo: calcário-argiloso
Exposição: Norte

Vinificação e amadurecimento: vinificação em fermentadores rotativos com controle de temperatura durante 6-7 dias. Maturação em tanques de aço durante 8-9 meses. Sem passagem por madeira.

Análise organoléptica (Enólogo): “rubi intenso vermelho com reflexo violeta. Aromas: frutado, floral, trufas. No paladar um vinho bem equilibrado e persistente, longo e complexo. Vai bem com pratos à base de massas com molho de carne, pratos de carne branca. Temperatura de serviço: 18 ° C”
Produção garrafas / ano: 15.000

Pira Luigi Dolcetto - vinho fácil, de boa tipicidade

Degustação

Pira Luigi Dolcetto D’Alba 2010 – álcool: 14% – uva: Dolcetto – região: Serralunga D’Alba – importador: MS Import – preço: R$ 59 – Púrpura intenso com reflexo arroxeado. Aromas com enfase nas frutas negras, especiarias e algum floral, leve adocicado. Na boca é um vinho fresco, de taninos vivos, ótima acidez e razoável concentração de fruta. Intenso, mineral, de média persistência apresentou bom comportamento à mesa, notadamente com pizza. Apresenta uma adstringência inicial que logo cede espaço para uma particular doçura final. Mais algum tempo na garrafa concorrerá para o afinamento do conjunto, que no momento já agrada. Um Dolcetto surpreendente. Avaliação: 87/100 pts.

 

Novos vinhos da Azienda Agricola Pira Luigi com exclusividade na MS Import

Segunda seleção de vinhos “bons e baratos”

Atendendo pedidos de nossos leitores que são os únicos responsáveis pela quantidade mensal de acessos que recebemos, vamos repetir a pergunta que já rendeu um dos posts mais acessados deste blog: “é possível degustar vinhos de até R$ 49 que possam ser qualificados como muito bons 85 a 89 pts.?”  Num despretensioso churrasco de sábado, podemos afirmar que sim, isto é, a resposta para essa questão é afirmativa. Começamos pelo argentino de Mendoza, Finca El Rosal Malbec 2008, importado por El Rosal, custa R$ 45,00 (vivovinho.com.br).  Exibiu aromas  florais sobre frutas negras, taninos macios e persistência um pouco curta (85/100 pts). Depois passamos para um tinto nacional, o premiado Aurora Tannat Reserva 2010 (Preço médio  – R$ 25). O mais tânico de todos, com aromas de framboesa e marmelada. Na boca taninos presentes de boa qualidade, fruta em evidência, final suave com leve aspereza (86/100 pts) sem incomodar. Seguimos para o chile com o Valdivieso Winemakers Reserva Merlot 2009 (Ravin – R$ 47).  Exibiu cor vermelho rubi profundo. Aromas frutados com ameixas sobre uma nota de chocolate. Na boca um vinho frutado, com a madeira presente mas plenamente integrada, final fresco com a subscrição das sensações olfativas iniciais (87/100). Enfim, um Merlot chileno de boa tipicidade, como antigamente. Terminamos a prova com  Club des Sommeliers Shiraz 2009 (Austrália). Aromas que realmente remetem à casta estampada no rótulo com fruta madura e um toque de especiarias. Na boca exibiu  taninos leves, corpo médio (álcool na casa dos 13,5%) e boa concentração de sabor, com gostosas lembranças de groselha e chocolate. Final curto com alguma rugosidade. A tipicidade e o seu preço são as maiores virtudes desse tinto importado pela CBD, produzido por Casella Wines. Preço no Pão de Açúcar: R$ 25,90 (85/100 pts.) Uma boa pedida para se conhecer um Shiraz australiano sem gastar muito, eis que este vinho no quesito relação preço-qualidade é, comparado com outros vinhos australianos desta cepa, imbatível! 

Dificilmente o consumidor encontrará um Shiraz australiano detentor de relação preço-qualidade tão vantajosa quanto o Club des Sommelier, importado por Cia. Bras. de Distribuição - CBD (Supermercados Pão de Açúcar e Extra)

 

Nota: a garrafa de Santa Helena no balde não foi incluída por se tratar de vinho trazido do Chile, indisponível no Brasil. Uma nova lista será publicada na semana que vem!

Os Crus de Beaujolais – vinhos universais

Quando escrevi sobre vinhos para quem está começando, citei o conceito de “vinho universal”, ou seja, o estilo de vinho capaz de comportar dezenas ou centenas de rótulos e denominações ao longo de todo o mundo vinícola e cujas características essenciais são: qualidade e preço!

Estes vinhos podem ser coringas para o consumidor médio, sobretudo em restaurantes, um dos locais onde infelizmente ainda corremos o risco de experimentar as bárbaras flutuações da “livre-especulação” de preços (mesmos vinhos de mesmas safras podem ter variações de 15-300% senão mais, conforme o local visitado).

EXPECTATIVAS DE CONSUMO

Não é por casualidade que toda vez que se oferece dicas de vinhos, o quesito custo-benefício se sobrepõe sobre outras qualidades como a raridade ou nobreza de um vinho. Se eu postar impressões de três safras de Mouton-Rothschild terei bom, acesso, mas se eu postar que degustei um dos melhores vinhos da minha vida, pagando menos de cem reais, o interesse explode!

Portanto entre nós, os não-ricos e não-pobres, a experiência gastronômica é válida quando desfrutamos o que de melhor qualidade um montante razoável de dinheiro puder pagar, incluindo o vinho. Se você gostaria de provar um soberbo vinho e crê que a ocasião acaba de chegar, não o compre no restaurante, compre-o numa importadora confiável, depois de pesquisar os preços você saberá quais são e então ligue para o restaurante, pergunte se pode levá-lo e em caso afirmativo, leve-o e pague a taxa de rolha (a menos que você realmente possa pagar por ele!!).

OS CRUS DE BEAUJOLAIS

A pequena Beaujolais, ao sul da Borgonha, abriga 10 denominações de “crus”, que na tradição vinícola francesa (e de alguns vizinhos também), se refere a vinhedos de qualidades singulares, gerando vinhos com certas distinções.

Particularmente, esta região sofre com preconceitos que ostentam uma opinião pouco racional, de que ali se fazem vinhos “menores”. Não se pode afirmar que haja vinhos inferiores, quando se trata de expressão de um dado terroir! É uma linha tênue de compreensão! Há sim, em toda parte, vinhos bons e medíocres, mas o melhor de uma região, seja qual for, sempre será um bom vinho. Se ele agrada o paladar de todos é outra questão!

São eles:

Brouilly

Côte-de-brouilly

Chénas

Saint-amour

Régnié

Chiroubles

Juliénas

Fleurie

Morgon

Moulin-à-vent

Os cinco primeiros podem ser tidos como os mais “leves”, os três seguintes de médio corpo e intensidade e enfim, os dois últimos, as estrelas da região.

Nem pense em compará-los aos Beaujolais mais simples e muito menos com os Noveaux! Alguns possuem capacidade de envelhecer na garrafa por 6-10 anos e são vinificados de forma bem diferente dos demais.

Possuem bela cor púrpura na juventude, exalando notas de frutas vermelhas (lembrando “Kirsch”), violetas, às vezes almiscarados, amadeirados e até minerais!

O reconhecimento exige a memorização, mas compensa, pois vários deles são verdadeiros vinhos universais, capazes de acompanhar uma refeição com elegância, dando satisfação a baixo custo.

NÃO vou falar sobre todos! Meu texto é uma dica e não um relatório oficial! Pois bem, aí vão:

DICAS FINAIS E PARTICULARIDADES

Todos são feitos de uva Gamay (havia permissão de utilização de outras uvas, incluindo a Pinot Noir, nos Brouilly e Côte-de-brouilly)

NÃO são vinhos de maceração carbônica!

Vários possuem suas AOC (denominação de origem) antes mesmo dos Beaujolais e Beaujolais-villages! Saint-amour (1946) e Régnié (1988) são os “bebês”!

Até onde sei, apenas o Régnié não é encontrado no Brasil

O Brouilly é o “Rei” que brilha em quase todo bistrozinho de Paris (servido em jarras ou pichets e raramente mencionado, a menos que pergunte)

Existe uma pequena diferença de qualidade em favor do Côte-de-brouilly em relação ao Brouilly (porque seus vinhedos estão nas melhores encostas do Monte Brouilly, um vulcão extinto)

Os preços por aqui podem variar de cerca de R$55-60 até R$120

O Saint-amour é um dos presentes comuns do “Dia dos namorados” francês, que assim como nos Estados Unidos, se comemora no dia 14 de fevereiro

O Fleurie é a melhor opção dos crus de corpo médio

Morgon e Moulin-à-vent, além de serem os mais refinados, encorpados e complexos, são as melhores opções de escolta gastronômica. Bastante presentes em TODOS os bons restaurantes de São Paulo e do país, eles são ótimos para acompanhar:

Carnes de caça: perdiz, codornas, faisão, patos (toda caça “de pena”)

Terrines condimentadas

Frangos, galetos

Queijos de massa mole: Camembert, Brie (o Brie é uma combinação maligna com vinhos tintos muito tânicos! Prefira Chardonnay ou Gamay)

Algumas preparações de cordeiro (“Gigot d’agneau” ou “Stinco”)

Ensopados, “Coq au vin”

Tender à Califórnia, Steak Tartar (excelente opção)

Texto de André Logaldi