Escolhendo vinhos num restaurante – primeira parte

 

Hoje passarei a minha visão quando penso na escolha de vinhos em restaurantes, reafirmando que é apenas uma das visões possíveis, cada um escolhe o que achar melhor! Como gosto de ser meticuloso, creio que haja algumas reflexões a serem feitas antes mesmo de chegar ao local.

AS REFLEXÕES MANDATÓRIAS

ANTES

A primeira coisa a se pensar é o aspecto cultural, quero dizer, que tipo de restaurante é? É do tipo de cultura gastronômica que se casa bem com vinhos? É claro que algumas culinárias não são do tipo “wine-friendly”.

As culinárias “clássicas” são as que, obviamente, permitem as maiores facilidades. Cozinhas tradicionais italiana, francesa, espanhola, portuguesa, alemã e afins tem sempre seus “casamentos” na ponta da língua! As culinárias orientais, americanas e “contemporâneas” podem exigir noções de enogastronomia. Grandes sequencias de menus-degustação dificultam muito esta tarefa!

Se a compatibilização for possível, será que há uma disponibilidade de vinhos que se prestem às harmonizações de acordo com o seu gosto pessoal? Vale a pena saber mais sobre a carta de vinhos! Por isso, prefira as que disponibilizam a mesma on-line.

Mais do que isso, qual a intenção da refeição? Serão bem diferentes as escolhas conforme seja um encontro romântico, profissional ou algum tipo de celebração. Naturalmente isso se reflete também no número de pessoas presentes!

Enfim, você pode optar por levar o vinho. Para isso é preciso obedecer algumas regras bem-educadas como:

- perguntar se o restaurante permite que leve o vinho (alguns não deixam!)

- se a resposta for sim, procure saber se o vinho que pretende levar não consta da carta (se constar, é mais elegante que leve outro)

- consulte sobre as tarifas de serviço, o que chamamos de “taxa de rolha”

- tenha certeza de que o vinho escolhido está em boas condições: tanto de armazenamento como de “saúde” (cuidado com vinhos de safras antigas que podem estar deteriorados, o que pode ser fonte de grandes constrangimentos)

- ainda em caso de vinhos envelhecidos, consulte sobre a possibilidade de levá-lo algumas horas antes, para que se proceda a decantação

DURANTE

Quando já estiver lá, convém verificar a adequabilidade das opções bem como da disponibilidade, desta vez em termos quantitativos. Exemplo: se estiver num grupo de várias pessoas, tenha certeza de que se pedir várias garrafas, elas estejam disponíveis (talvez possuam outra garrafa mas de safra diferente, que pode resultar em sabor diferente)

Há muitos casos em que pode fazer uma consulta on-line da carta de vinhos, mas não ter acesso aos preços. Assim, ao chegar ao local, veja a carta e verifique a questão do custo-benefício!

AS DIVERSAS SITUAÇÕES

Voltando às intenções, várias perguntas podem surgir. Almoço de negócios? Jantar romântico? Primeiro encontro? Aniversário de namoro/casamento? Aniversário?

Tanto no “business-lunch” como no jantar romântico, tudo vai girar em torno da sua intenção. Você pode desejar causar uma boa impressão a um executivo ou prometer uma harmonização inesquecível que vai estar sempre nas memórias de uma boa história de amor! Assim, existe uma dicotomia: a boa harmonização é mesmo imprescindível e em caso afirmativo, será possível?

Geralmente num almoço entre executivos, como o foco é unir prazer e negócios, nem sempre precisamos nos preocupar em uma boa parceria enogastronômica, mas apenas que cada um tenha um pouco de prazer ao beber um bom vinho.

Uma situação curiosa e corriqueira entre pares enamorados leva sempre à um dilema: o cônjuge escolherá um prato que vai bem com o SEU vinho? Acontece comigo sempre! É preciso relaxar então, pois o amor supera tudo (rs)!

No caso de outras dificuldades tais como um número grande de pessoas à mesa ou os menus-degustação de longas sequencias de pratos, considere a possibilidade de pedir vinhos em taça ou meias-garrafas. Vinhos em taças são boas opções para aperitivos ou sobremesas, mas podem ser coringas nos grandes desfiles de pratos. As desvantagens dos vinhos em taça tem a ver com o preço (pode não valer a pena à partir de uma segunda taça) e as condições de conservação (afinal muitas garrafas já estão abertas) e por fim com a temperatura de serviço, que sobretudo em caso de brancos e doces, chegam “quentes” à mesa.

A CARTA DE VINHOS

É um cartão de visitas do restaurante! Dever ser bem apresentada, limpa, atualizada e de fácil leitura, de preferência ordenada por tipos, origens, com menções de safras e preços, e se possível, para facilitar a vida do cliente, sugestões de harmonizações (os sommeliers de vários restaurantes fazem isso, com maestria).

A carta deve ser abrangente, porém adequada com os pratos, de novo facilitando uma boa escolha. Devemos lembrar que uma boa carta se presta a informar e não a educar o cliente!

Alguns rótulos consagrados e interessantes, sobretudo franceses, EXIGEM conhecimento prévio do consumidor. Conforme citei em outro texto, há opções excelentes em bons restaurantes como os Crus de Beaujolais, mas o rótulo não ajuda o iniciante, simplesmente diz “Morgon, Moulin-à-vent ou Chénas”! Assim, uma dica fundamental: jamais deixe de consultar o sommelier/sommelière!!

Na parte II, escreverei sobre preços, noções de enogastronomia, as “filosofias” das escolas de harmonização e claro, sobre os vinhos e suas características desejáveis para um bom almoço/jantar.

Artigo de André Logaldi

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