Daily Archives: 07/03/2012

Áreas vinícolas da Toscana: Bolgheri

 

Esse  distrito vinícola desenvolveu-se em torno da lendária Tenuta San Guido, famosa pelo Sassicaia. Bolgheri DOC, usada pela maioria dos produtores, inclui uma subdenominação exclusiva de uma propriedade para o Sassicaia. Investimentos nos últimos anos indicam que a produção está prestes a estourar com as primeiras safras de novos vinicultores (como Angelo Gaja). Os vinhedos cobrem o solo sobretudo arenoso-rochoso das comunas de Bolgheri e Castagneto Carducci, próximo da costa. As condições não são ideais para Sangiovese, mas Cabernet Sauvignon, Merlot e recentemente, Syrah têm feito vinhos de grande classe e equilíbrio. Fonte: Adega Veja do Vinho volume 6

Château Giraud-Larose St-Julien

O Château Gruaud-Larose fica acima de um pequeno riacho ao sul da denominação  St-Julien. O vinhedo bem exposto está em um único terreno de solo cascalhoso profundo com alta porcentagem de argila, o que contribui para a natureza rica e cheia do vinho. A vinícola mudou de mãos muitas vezes nops últimos vinte anos, mas entre 1993 e 1997 se beneficiou de pesados investimentos sob o comando do conglomerado industrial Alcatel-Alstom. A família Merlaut é a atual proprietária desse château de segundo vinhedo”.

O espetacular Caymus Vineyards Special Selection Cabernet Sauvignon 2000

O vinho estava tão bem conservado que a sua cor era viva que parecia ser de uma safra mais recente!

 

Degustação

Caymus Cabernet Savignon 2000 – álcool: 14,1% – região: Califórnia/Napa Valley/Rutherford – importador: Mistral – preço: US$ 319,50 (safra 2005) e R$ 632,72 (safra 2008)  - Vermelho rubi violáceo intenso, profundo com levíssimo halo de evolução. Nariz sóbrio, sério e harmonioso, com notas de groselha, amoras, licor de cassis, algum floral sobre um fundo defumado. Na boca causa impacto por conta de seu elevado frescor e taninos de excelente textura, a proporcionar um vinho rico, aveludado, maduro, limpo, na qual está clara a opção pela elegância. Álcool, acidez, madeira e fruta absolutamente integrados, com essa última em evidência. Termina longo e guloso. Vinho completo, é um digno Cabernet Sauvignon comparável aos melhores cortes bordaleses. Beber agora, porém, vai continuar a evoluir na garrafa nos próximos dez anos, eis que sua fama é a de amadurecer lentamente. Avaliação: 93,5/100 pts. ++

 

Vinho e Saúde: o Paradoxo Francês

Estudo realizado com 34 mil adultos franceses que constatou, no final dos anos 1980 (publicado no British Medical Journal em 1991 por Renaud e De Lorgeril), que o povo francês apresentava uma taxa de mortalidade por cuasas coronarianas três a quatro vezes menor  que a taxa entre norte-americanos e ingleses – e era também, em média, bem menos afetado pela obesidade. O caso ribombou para valer nos EUA em 17 de novembro de 1991, quando o programa da rede CBS de televisão entrevistou o cientista Serge Renaud e foi visto por cerca de 50 milhões de norte-americanos.

A questão paradoxal é: por que os franceses, com níveis de consumo de bebidas alcoólicas – e de tabagismo – superior ao dos anglófonos, além de notórios apreciadores de comidas com manteiga, foie gras e carnes gordas, morrem até quatro vezes menos do coração?

Serge Renaud, em companhia de Curtis Ellison, que dava continuidade ao trabalho na América, apresentou sua hipótese: o vinho, em quantidades moderas e regulares, tomado ao longo de refeições longas e relaxadas, reduziria o risco coronariano.

Segundo a Doutora Dominique Lanzmann-Petithory, médica especializada em nutrição e gerontologia, professora de saúde pública e chefe do serviço de nutrição do Hospital Émile-Roux, em Paris, além de participante ativa do grupo de Renaud no European Institute for Wine and Health, quase 20 anos depois de ventilado o primeiro estudo, os franceses ainda confirmaram suas hipóteses: apresentam a menor mortalidade devida a causas cardiovasculares do mundo ocidental, apesar do tabagismo ainda elevado em termos gerais e da inapetência francesa (da média população, naturalmente) para as atividades físicas.

A França perde em índices de saúde coronariana, entre os países industrializados, apenas para o Japão, exatamente o que acontecia há cerca de 20 anos, quando da divulgação inicial do “Paradoxo Francês”. Segundo Petithory, a França é o 15° país em consumo de álcool no mundo, segundo a OMS, mas ainda figura entre os dois primeiros em consumo de vinho.

 

Há outros fatores, além dos benefícios da ingestão moderada de vinho na dieta francesa, a estimular a longevidade cardiovascular. Refeições longas, de em média uma hora, como parte de um ritual de sociabilidade à mesa, com pratos recém-cozidos de hortaliças, legumes, carboidratos integrais e azeite de oliva, também são fatores de boa nutrição, em vez de comida industrializada, sanduíches e frituras diante do computador, p. ex., acompanhados de um refrigerante pleno de categorias vazias, corantes, acidulantes, conservantes e gás carbônico.

 

O principal valor do estudo que veio a se celebrizar como “O Paradoxo Francês” foi mesmo avançar no debate da importância da boa alimentação e do imenso benefício de dedicar atenção e tempo às refeições, mesmo as diárias e rotineiras, muito mais significativas do ponto de vista nutricional do que as especiais. O vinho é parte importante de uma refeição equilibrada, mas não é a única mola dessa engrenagem, além de só trazer beenfícios se ingeridosob determinadas condições – ao contrário, se consumido acima de certas doses, pode ser fator causador e agravante de graves doenças.

 

De acordo com o Dr. Curtis Ellison, chefe do Depto. de Medicina Preventiva e Epidemiologia e Professor na Escola de Medicina na Boston University, o estilo de vida dos franceses também é importante na equação. Ellison enumera algumas características desse sistema alimentar, incluindo o consumo moderado e regular de vinho, especialmente tinto, às refeições. Os franceses comem mais frutas e vegetais, dedicam mais tempo e atenção à comida e à mesa, abrindo mão de petiscos industriais; comem menos carne vermelha, menos leite integral, e mais queijo e azeite de oliva, em vez de toucinho ou gordura animal.

O europeu considera o vinho como alimento, parte da refeição, e não como bebida alcoólica.

 

 Texto de Eduardo Viotti. Coleção “Folha – o mundo do vinho” A Harmonização do Vinho.