Daily Archives: 16/03/2012

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio abre investigação sobre salvaguarda contra vinho importado

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), abriu investigação para averiguar a necessidade de adoção de salvaguardas sobre as importações brasileiras de vinho. A medida, que está na edição de hoje do Diário Oficial da União, atende à pressão das vinícolas, que desde agosto de 2011 esperavam a ação do governo.

O setor vitivinícola (que produz tanto uvas quanto vinhos) reclama do aumento das importações, argumentando que os estrangeiros competem em condições desleais com os brasileiros por gozarem de vantagens tributárias na origem. Também alega que boa parte dos vinhos importados é de baixa qualidade, subfaturada e até contrabandeada.

Dados recentes da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) apontaram que em 2011 os importados dominaram 78,8% do mercado legal de vinhos finos no país. A indústria quer que o governo crie barreiras, como aumentar a alíquota atual de 27% do imposto sobre importação de vinhos para 55%.

A adoção de barreiras ou não pelo governo dependerá do resultado da investigação técnica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que vai analisar o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2010.

(Azelma Rodrigues | Valor Economico, 15.03.2012)

Série vinícolas argentinas: Casa Miriam

Ao criar a Casa Miriam, Mariano di Paola buscou elaborar vinhos de caráter gentil e acolhedor, que agradasse desde o dia-a-dia até os grandes momentos. Seu staff logo sugeriu que o nome deveria homenagear Miriam, sua esposa e fonte de inspiração para toda a equipe por sua personalidade ho­nesta, gentil e sua forma de tão bem receber a todos. Um dos grandes enólogos argen­tinos da atualidade, Mariano di Paola é titular da cadeira de Eno­logia da Universidade Don Bosco de Mendoza. Em parceria com o enólogo Pepe Galante criou o Mapema – um dos mais reconhe­cidos vinhos argentinos da atu­alidade – , e desde 1995 foi sele­cionado por Nicolás Catena para ser o responsável pelos vinhos da Bodega La Rural – Rutini.  Importador: Ana Import

Projeto imagem Ibravin 2012 – degustação “Vinhos mais exportados em 2011″

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Na tarde de 15 de fevereiro, os jornalistas convidados do Projeto Imagem Ibravin 2012, participaram de uma degustação dos vinhos nacionais mais exportados em 2011, ano em que as exportações brasileiras cresceram 33,6%, aumentando o destino do vinho nacional para 31 países, contra 27 em 2010. Destaque-se que a Holanda foi o nosso mercado  mais importante em 2011, seguida da China, Reino Unido, EUA, Colômbia,  Alemanha, Canadá, Japão, Noruega e finalmente a Dinamarca. Andréia Gentilini Milan, Gerente de Exportações da Wines of Brasil, salienta que: “Nosso planejamento estratégico tem como objetivo  posicionar o vinho brasileiro entre os melhores do mundo (o grifo é deste escritor). Por isso, não privilegiamos quantidade ou volume exportado e sim a conquista de bons preços para nossos rótulos”.  A seguir a descrição e avaliação de cada vinho degustado:

 

Aurora Moscatel White Sparkling Wine – álcool: 12% – uva: Moscatel – comercializado no exterior por US$ 10 – palha claro com reflexo esverdeado. Aromas florais  e terrosos, vivacidade no paladar, boa cremosidade e  persistência média-longa. Aveludado, termina limpo, sem amargor. Avaliação: 86/100 pts.

 

Valduga Duetto Chardonnay – Riesling Itálico 2011 -  Preço médio na Alemanha: US$ 12 – palha claro com reflexo esverdeado. Aroma floral. Alguma fruta madura. Boca mineral, cítrica, sem amargor. Após algum tempo na taça surgiu um toque terroso. Avaliação: 85/100 pts. 

 

 

Alísios Seival Estate 2011 – uvas: Pinot Grigio e Riesling Itálico – álcool: 12% – produzido por Miolo – vinho brasileiro produzido com uvas da região da Campanha (RS), exportado para  o Reino Unido, onde custa de 7 a 9 libras; até 16 libras nos restaurantes. Dotado de tampa de rosca  - análise organoléptica – palha claro quase translúcido. Aromas abertos, frutados e levemente florais. Na boca é um vinho fluído, acídulo, fresco, sem amargor ou doçura excessiva tão comuns nos brancos nacionais. Final redondo, limpo. Avaliação: 86/100 pts.

 

Lídio Carraro Dadivas Chardonnay 2011 – álcool: 13% – vendido no exterior por US$ 20 – Palha com leve  reflexo dourado. Leve nota amanteigada nos aromas. Fruta escassa. Na boca médio frescor. Algum dulçor. Final simples, limpo, sem complexidade. Avaliação: 83/100 pts.

 

 

Lídio Carraro Agnus Merlot 2009 – álcool: 12,5% – vendido nos EUA por US$ 15 – elaborado com uvas de Encruzilhada do Sul – RS, este Merlot exibiu cor vermelho rubi intenso com reflexo púrpura. Perfil aromático unidimensional com fruta vermelha apenas. Média sustentação aromática na taça. Boca macia, acidez regular, final curto e simples.  Fácil de beber e de gostar. Avaliação: 84/100 pts.

 

Aurora Varietal Cabernet Sauvignon 2010 – comercializado no exterior com o rótulo “Brazilian Soul” por cerca de US$ 9 – menos intenso do que o vinho anterior na cor. Herbáceo no nariz. Macio e curto na boca, com alguma aspereza ao final. Avaliação: 83/100 pts. 

 

 

Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2008 – álcool: 13,5% – comercializado na Alemanha por US$ 18 – vermelho rubi violáceo. Média complexidade olfativa com notas de geléia de frutas vermelhas e leve terroso. Na boca é um vinho macio, de taninos de boa qualidade, expansivo, persistente e secante ao final. Avaliação: 86/100 pts.

 

Salton Classic Tannat 2011 – álcool: 12,5% – comercializado na Bélgica por 9 euros – vermelho rubi intenso. Aromas frutados com boa sustentação na taça. Boca que confirma os aromas, taninos presentes de média/boa qualidade, tipicidade que se destaca, final seco, ligeiramente áspero, mas palatável. Avaliação: 85/100 pts.

 

 

Cuvée Giuseppe 2008  - uvas: Merlot (60%) e Cabernet Sauvignon (40%) – comercializado no exterior por 9/13 euros - vermelho rubi intenso com alguma profundidade. Aromas complexos com frutas vermelhas, especiarias sobre um fundo defumado. Exibiu taninos macios com alguma finesse, corpo pleno e bom entrosamento de todos seus elementos. Longo, persistente, promete boa evolução na garrafa. Avaliação: 87/100 pts.+

 

 

Salton Flowers Demi-Sec 2011 – uvas: Gewürztraminer, Malvasia e Moscato Giallo – vendido no exterior por 4 Euros – Palha claro. Aromas terpênicos com predomínio de notas florais. Na boca é um vinho magro, ligeiro, fresco, ligeiramente adocicado, sem amargor. Avaliação: 82/100 pts.

Union des Grands Crus de Bordeaux – Grand Hyatt – São Paulo

 

 

Fechando a semana, grandiosa pela oportunidade de provarmos dezenas de produtores paradigmáticos desta região francesa e da vinicultura mundial, passo a um breve comentário sobre alguns nomes que chamaram a atenção dos enófilos que compareceram a este magnífico evento.

 

Antes de mais nada, concordo com um colega que ponderou sobre as dificuldades de se reter informações bem delineadas sobre cada terroir, em meio a tantas amostras, mas de modo realmente bem geral, é possível ao menos avaliarmos se nossas expectativas foram ou não satisfeitas.

 

É desnecessário e enfadonho falar sobrte todos os vinhos, por isso tal qual como na degustação, comentarei alguns vinhos divididos por região (não todas)! Assinalo também que dada a brevidade do tempo, não se pode estabelecer avaliações técnicas abrangentes e por isso, me abstenho de dar notas.

 

Enfim, não tenho pretensão alguma de definir os caráteres dos vinhos, apenas mostrar aos interessados como pude percebê-los de acordo com as minhas possibilidades e habilidades. Citarei uns poucos e darei uma pincelada caprichada nos que julguei os melhores do dia! Vamos relaxar e desfrutar!

 

GRAVES E PESSAC-LÉOGNAN

 

Presença de aromas consistentes de frutas maduras, notas defumadas, são parte da “assinatura” do terroir desta região. E sim, estava presente em vários vinhos degustados com destaques para Domaine de Chevalier, Château Fieuzal, Larrivet Haut-Brion, este com notas defumadas muito presentes. O Château Haut-Bergey tinha toques de ervas frescas e notas minerais que lhe conferiam singularidade. Latour-Martillac mostrou-se com um conjunto delicado e elegante, com framboesas maduras, de grande finesse. O vinho mais “moderno” (quase adocicado, novomundista) foi o Malartic-Lagravière. Não chega a ser um defeito, mas um Bordeaux tem de ser um Bordeaux! Esperava um pouquinho mais de Pape-Clement, que tinha taninos um pouco adstringentes.

 

Destaque: CHÂTEAU LA LOUVIÈRE

 

Coloração rubi violáceo densa, frutado intenso com amoras maduras, notas condimentadas, macio e ao mesmo tempo concentrado e elegante, taninos finíssimos com presença notavelmente sedosa no fim de boca.

 

SAINT-ÉMILION GRAND CRU

 

As características dominantes deste terroir é o frutado e a maciez da Merlot. A elegância sobrepujando a potência. No geral, os vinhos se mostraram acima da média, numa sequência extremamente prazerosa, com todos os elementos da grandeza deste segmento da margem direita.

 

Toques de modernidade em La Dominique e Figeac, elegância à toda prova em Château Canon La Gaffelière, Château Franc Mayne e Pavie-Macquin, este excepcional com notas de figos, especiarias, rico em extrato porém macio e com notas aromáticas ímpares, graças à sua madeira (Larcis Ducasse e Pavie Macquin possuem os mesmos fornecedores de barricas de madeira e os resultados são fantásticos!).

 

Destaque: CHÂTEAU TROPLONG MONDOT

 

Um dos mais fantásticos vinhos de todo o evento! Cor maravilhosa, púrpura, concentrado, fruta brilhante, notas de figos e café finamente torrado, macio, trama tânica envolvente e sedosa, final interminável.

 

POMEROL

 

Aqui as expectativas me levam à maciez, elegância casada com potência, dentro da máxima consagrada de “punhos de aço em luvas de pelica”. Notas de violetas e trufas, frutado rico.

 

Château Clinet, La Conseillante e Petit Village foram soberbos, mas o destaque vai para o vinho abaixo.

 

CHÂTEAU GAZIN

 

Rubi concentrado, notas de frutas ao licor, especiarias, aromas balsâmicos, café e figos. Uma elegância incrível, num corpo delicado sem jamais parecer magro, final longo. Excepcional!

 

MARGAUX

 

A comuna de Margaux carrega consigo a feminilidade, a elegância, maciez e notável presença de frutas. Difícil se decepcionar com Margaux, a única decepção que EU tive, foi chegar ao Château Rauzan-Ségla e simplesmente não ter mais vinho!! Eles eram o último stand quando se seguia uma sequência “horária” de degustação.

 

Praticamente todos os vinhos mostravam tais qualidades, destaques para Angludet, Lascombes, Brane-Cantenac, Giscours (com notas de caça), Marquis de Terme mostrava uma nota de evoçlução precoce (aromas de ameixas), mas muito elegante.

 

Destaque: CHÂTEAU DAUZAC

 

Rubi violáceo brilhante e intenso, frutado exuberante, notas de café torrado, couro e boca impecável, taninos macios, finos e longa persistência. Agradável surpresa!

 

PAUILLAC

 

Grande finesse, aliando alguma potência, Pauillac teve seus “highlights” em Lynch-Bages, Clerc-Milon, Château d’Armailhac.

 

Destaque: PICHON-LONGUEVILLE COMTESSE DE LALANDE

 

Rubi de tons púrpura, intenso e brilhante. Notas deliciosas de frutas maduras, creme fresco e baunilha. Na boca, ataque macio, notas quase adocicadas, com taninos muito finos, notas de alcaçuz no longo final.

 

SAINT-JULIEN e SAINT-ESTÈPHE

 

Ótimos vinhos com meu maior destaque par ao Château Gloria, que é um grande custo-benefício, muito rico e denso, com camadas de frutas negras (cassis), aromas de café, textura impecavelmente macia, taninos finos e boa persistência.

 

SAUTERNES-BARSAC

 

Dentre os vinhos provados, Châteaux Guiraud, Suduiraut e Doisy Daëne, destaque absoluto para este último, não obstante as vantagens hierárquicas dos dois primeiros.

 

Apresentado pelo filho de Dennis Dubourdieu, num espanhol fluente, este vinho combina com maestria os ingredientes mágicos da região que equilibram doçura, acidez, maciez, notas de botrytis (verniz) e grande expressão de fruta. Tudo isso esbanjado pelo Château Doisy Daëne.

 

OUTRAS REGIÕES MÉDOC

 

Dentre as regiões de Médoc, Haut-Médoc, Listrac e Moulis-em-Médoc, destaco os Châteaux Maucaillou, Poujeaux e La Tour de By.

 

RESUMO

Saldo extremamente positivo para um evento grandioso que espero não seja obnubilado pelas intenções políticas de várias das grandes vinícolas do sul do Brasil que pretendem levar adiante a suprema mediocridade das medidas de salvaguarda para banir de nossas mesas, por meios lícitos, os vinhos importados que contribuem para a educação do paladar dos nossos pobres enófilos.

Descrição dos vinhos  e texto de André Logaldi.