Daily Archives: 18/03/2012

Série vinícolas argentinas – Trapiche

Esta vinícola, com mais de 120 anos, exporta para mais de 60 países. Hoje conta com uma produção de três milhões de litros de vinhos finos, que se originam em seus 1.000 ha de vinhedos. Há alguns anos a Trapiche vem fazendo sólidos investimentos tanto nos vinhedos – plantados em grande densidade -, como na vinícola. Esta última tem seu estilo e paisagismos elaborados com inspiração nos Chateaux de Bordeaux. Importador – Interfood

Quem paga a conta da proteção ao vinho nacional

O governo está cogitando afogar as mágoas do produtor nacional de vinhos com um pacote de medidas de salvaguarda que poderão encarecer ou dificultar a chegada dos rivais importados ao copo do brasileiro. Mas, na opinião de analistas de mercado, a festa pode acabar em ressaca.

Medidas protecionistas para dar fôlego ao vinho brasileiro podem acabar prejudicando o consumidor e a própria indústria nacional, dizem analistas

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o Brasil importou 77,6 milhões de litros de vinho em 2011, quase o dobro do volume importado em 2004, que foi de 39,1 milhões de litros. Em contrapartida, a indústria nacional patinou no mesmo período. As vendas dos produtores do Rio Grande do Sul, que respondem pela maior parcela da produção brasileira, empataram nos 19 milhões de litros – após atingirem o pico de 22 milhões em 2006, foram recuando ao longo dos anos até voltarem no ano passado ao mesmo nível de 2004.

Diante do avanço dos estrangeiros no mercado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) estuda adotar medidas de salvaguarda para dar vantagem competitiva à indústria nacional durante três anos, incluindo o estabelecimento de cotas de entrada para produtos estrangeiros e um possível aumento do imposto de importação de 27% para 55%.

Mas o que, à primeira vista, pode parecer motivo para brinde, corre o risco de terminar em dor de cabeça para os próprios produtores nacionais. 

Após os duros anos de reserva de mercado, os vinhos importados começaram a ganhar popularidade no Brasil ao longo da década de 1990. Junto com a invasão dos rótulos estrangeiros, veio um amadurecimento dos consumidores e da própria indústria nacional.

A entrada dos vinhos argentinos e chilenos a taxa zero forçou uma profissionalização do mercado brasileiro nos anos 2000, com investimentos na contratação de enólogos e em novos métodos de poda e colheita, maquinários, barris, garrafas, rótulos, transporte, acondicionamento e até nos pontos de venda. Isso impactou muito na qualidade do produto final”, avalia Túlio Rodrigues, coordenador do curso Negócios do Vinho da FGV.

Além de ter melhores vinhos nacionais à disposição, o consumidor brasileiro passou a encontrar uma maior variedade de importados a preços interessantes nas prateleiras, principalmente após a crise de 2008, que impactou o consumo interno do mercado europeu e fez com que mais rótulos do velho continente encontrassem seu destino final nas mesas brasileiras. “O mercado ficou mais competitivo e o consumidor mais educado, exigindo mais dos produtos”, explica Rodrigues.

Mas este avanço pode ser prejudicado com uma alta nos preços, na avaliação de especialistas do setor. “É uma medida que protege os produtores de vinho, mas é péssima para o consumidor. O vinho brasileiro não vai ficar mais barato, pelo contrário, a média de preços vai subir. O consumidor vai ter um espectro de qualidade e variedade menor”, aponta Alberto Bueno, da Prospectiva Consultoria.

Para os analistas, o consumo de vinhos no Brasil, que já é baixo (a média anual per capta aqui é de 2 litros, enquanto em países como França, Itália e Portugal supera os 40 litros per capta), pode ser ainda mais impactado pela estratégia. “Com este tipo de medida, o consumidor tem menos incentivo a comprar o produto e toda a indústria perde”, opina Rodrigues.

O caminho das uvas

Para o professor, o caminho para o sucesso do vinho nacional está na receita adotada por países que se tornaram referência no mercado mundial nas últimas décadas, como Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e Chile.

O salto de competitividade destes países veio da introdução de novas técnicas produção aliadas à criação de leis que incentivaram o cultivo e a produção local, com estratégias de marketing globais muito bem elaboradas arrematando o ciclo.

Segundo Carlos Paviani, diretor-executivo do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), a indústria brasileira está fazendo sua lição de casa e deve investir 18 milhões de reais na modernização do setor e outros 15 milhões de reais na promoção e divulgação do produto nacional como contrapartida às medidas de salvaguarda.

“Hoje a participação do vinho nacional no mercado é de menos de 20%. Se conseguirmos dobrar esse número ou até aumentar em 50% nestes três anos, já seria ótimo”, diz.

Embora no momento o governo esteja apenas estudando a proposta, Paviani disse que o setor está confiante de que as medidas serão aprovadas. A demanda principal, de acordo com o produtor, não é o aumento dos impostos, mas sim o estabelecimento de cotas de importação.

“Isso deve fazer com que produtos de melhor qualidade cheguem ao mercado, pois os importadores serão mais criteriosos na hora de comprar”, argumenta. A associação defende que os produtores europeus desovam no mercado brasileiro produtos de qualidade inferior, a preços que inviabilizam a competição, e que os três anos de salvaguarda dariam aos produtores locais fôlego para se reestruturar e competir em condições mais justas.

O alvo, ao que parece, são principalmente os países europeus, já que Argentina e Chile não serão impactados pelo acordo – a primeira por fazer parte do Mercosul, e o segundo por ter um acordo de tarifa zero com o Brasil, que não seria invalidado pelas medidas.

Para Celina Ramalho, professora da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), a demanda é justa. “O protecionismo permite que indústrias nascentes se desenvolvam melhor. Quando abre, a pujança é maior. Foi assim que os asiáticos conseguiram se estabelecer no mercado global e se tornar competitivos”, defende. “É a hora e a vez do Brasil se posicionar no mundo”, acrescenta.

Mas, mesmo que a indústria saia fortalecida deste período de “reabilitação”, quem pode acabar com um gosto amargo no copo é o consumidor.

Artigo de Daniela Moreira – portal da revista Exame

Novo Santa Julia Malbec Oak Aged [+] 2010

Nascida em princípio dos anos 90, a Santa Julia é uma das marcas emblemáticas do vinho argentino.  A Bodega Santa Julia é uma clara amostra da combinação de qualidade e diversidade dos solos de Mendoza, dando como resultado vinhos modernos e fáceis de beber. Em suas diversas categorias, encontramos desde uvas clássicas como Malbec, Chardonnay, Torrontés ou Cabernet Sauvignon, até variedades pouco convencionais na Argentina tais como Viognier e Pinot Grigio. Criada em homenagem à única filha de José Alberto Zuccardi, a Bodega Santa Julia representa o compromisso em alcançar os níveis mais altos de qualidade, mediante práticas sustentáveis que contribuam para o cuidado do meio ambiente e sendo úteis para a comunidade em que vivem. A terceira geração da família através de diferentes programas trabalha com o cuidado da terra, das pessoas que nelas trabalham e com a comunidade. Para eles não se pode produzir vinhos de alta qualidade sem o cuidado perfeito das condições ambientais em que trabalham. É por isso que estão focados na agricultura sustentável, interagindo  com o meio ambiente sem agredi-lo. A Bodega Santa Julia acredita que o vinho não é apenas a expressão do solo, clima ou a variedade que é cultivada, mas é fundamentalmente a expressão de todas as pessoas envolvidas em sua preparação.

 

Contrarrótulo

[+] significa:

+ 100% das uvas cultivadas de forma sustentável.

+ programas de bem estar social.

+ conservação de energia.

+ uso de adubos verdes.

+ preservação da vida selvagem.

+ irrigação dos vinhedos com a pura água da montanha e programs de reciclagem de água.  

Degustação

Santa Julia Oak Aged [+] “Mais” Malbec 2010 – álcool: 13,5% – região: Mendoza  – importador: Ravin – preço: R$ 38 - Vermelho rubi com reflexo violáceo e halo púrpura nas bordas. Nos aromas as notas florais  típicas da Malbec com violetas, lavanda, especiarias e chocolate. No paladar é um vinho macio, salivante e integrado.  Termina persistente, marcante e sem amargor. Ótima relação preço-qualidade. Avaliação: 88/100 pts.

Post n° 2.400 – Vinícola nacional promete ampliar e melhorar produção

Caso o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) decida impor salvaguardas contra vinhos finos importados, as vinícolas brasileiras se comprometem a ampliar e desconcentrar a produção de uvas viníferas no país, reduzir custos e melhorar a qualidade da bebida nacional. Só na implantação de 3 mil hectares de novos parreirais os aportes chegarão a R$ 219 milhões em oito anos, além de R$ 40 milhões em um programa de marketing para estimular o consumo do vinho nacional.

As medidas integram o termo de compromisso incluído na circular que oficializa o início da investigação pelo Mdic, publicada ontem, na qual a indústria também reivindica ajustes nas áreas tributária e “creditícia”, entre outras, para garantir a “sustentabilidade” do setor. Mas nem as promessas nem os indícios de “grave prejuízo” causado ao setor pelos produtos estrangeiros, identificados pelo ministério, vão encerrar a queda de braço entre produtores nacionais e importadores.

No pedido de salvaguardas, as vinícolas alegam que a participação dos importados no consumo doméstico de vinhos finos cresceu de 67,1% para 78,7% de 2006 a 2010, estimulada pela redução da demanda nos países desenvolvidos e pela entrada, em alguns casos, de produtos com preços similares aos custos de produção no Brasil. Em 2011, a fatia chegou a 78,8% do mercado, que totalizou 92,2 milhões de litros, conforme a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), uma das signatárias do pedido ao Mdic.

O problema, conforme a diretora executiva da Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (ABBA), Raquel Salgado, é que o pedido de salvaguarda adota uma premissa “equivocada” ao expurgar dos dados o consumo de vinhos de mesa, feitos a partir de uvas comuns. Nesse segmento, no qual os importados não concorrem, a demanda chegou a 222 milhões de litros em 2009, diz a executiva.

Segundo Raquel, os importadores vão preparar a defesa para apresentar ao Mdic no prazo estipulado de 40 dias. “Lamento profundamente a atitude deles (dos fabricantes nacionais)”, diz ela, que propõe, como alternativa, ações conjuntas de promoção do vinho brasileiro e importado e pela desoneração do produto nacional. Para ela, enquanto o setor briga entre si, bebidas concorrentes como as cervejas especiais ganham espaço no mercado.

Carlos Paviani, diretor executivo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), outra entidade que pede as salvaguardas, pensa diferente. Para ele, a proteção é necessária para permitir que o setor ganhe competitividade e cresça de forma equilibrada com os importados no mercado nacional. O setor afirma ainda que os importados forçaram uma redução de 20,3% nos preços do vinho nacional no mercado interno de 2006 a 2010, em valores corrigidos, o que reduziu em 85,6% o resultado operacional das indústrias brasileiras no período.

Segundo Paviani, o pedido das entidades é que a salvaguarda seja aplicada por três anos, prorrogáveis por mais cinco. Nesses oito anos, o setor promete aumentar de 8 mil para 11 mil a área de parreirais de uvas viníferas no país, dobrando as plantações nas novas regiões produtoras (Vale do São Francisco, metade sul do Rio Grande do Sul e serra catarinense), para 6 mil hectares. Ao mesmo tempo, os 5 mil hectares na serra gaúcha, polo mais tradicional do país na produção de uvas e vinhos, seriam modernizados e qualificados.

Jornal Valor Econômico, 15.03.2012

Série vinícolas argentinas – Pulenta Estate

A família Pulenta participa há gerações da construção da história do vinho na Argentina. Após a venda de sua participação majoritária na vinícola Trapiche em 1997, a 3a. geração da família decidiu continuar com sua tradição e fundou, em 2002, a Pulenta Estate.  Hoje com 135 hectares a 980 metros de altitude, a vinícola é sóbria e equipada com grande  tecnologia para produção de vinho. Esta casa concebeu uma linha de vinhos especialmente para que a Porsche apresentasse mundialmente seu Porsche Cayenne, sendo estes vinhos batizados como Cayenne Malbec-Cabernet Sauvignon e Cayenne Chardonnay. Importador – Grand Cru.