Monthly Archives: maio 2012

Lima Mayer VRA 2007, um vinho de boa relação preço-qualidade

Situada no Alto Alentejo, na Quinta de São Sebastião, em Monforte, é uma vinícola que se caracteriza por unir cuidado artesanal às técnicas modernas de produção. O solo é arenoso. As uvas são manualmente selecionadas e a vinificação se dá em cubas de aço inoxidável, com controle de temperatura. O resultado, vinhos de alta qualidade que revelam paladar de aromas intensos, típicos da região, cujo solo rústico, de relevo suave e alta variação térmica durante o verão produz em pequenas quantidades por hectare, uvas excepcionais. 

O Lima Mayer VRA 2007 é o segundo vinho da esquerda para direita

Lima Mayer Vinho Regional Alentejano 2007 – álcool: 14% – uvas:  Syrah, Aragonês e em proporções menores Petit Verdot, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet – importador: MS Import – preço: R$ 70 – Vinho que estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho francês e amaericano e depois afinou mais seis meses na garrafa antes de sua liberação ao mercado. Análise organoléptica: vermelho rubi intenso, brilhante com reflexo violáceo. Aberto nos aromas com notas de frutas vermelhas, mentol e algo medicinal. Na boca exibiu taninos presentes porém macios, álcool generoso, fruta presente conferindo boa concentração de sabor e madeira plenamente integrada. Parafraseando João Paulo Martins no seu festejado Guia de Vinhos de Portugal – edição 2012:  “Bom conjunto, de médio porte mas com categoria”. Avaliação: 88,5/100 pts. 

Boa leitura: em memória de Marcel Lapierre

  

O Beaujolais do outono de 2010 foi um pouco  amargo. Marcel Lapierre morreu no dia 11.10, em sua casa de Chênes, Villié-Morgon. Tinha 60 anos. O rótulo branco ornado com elegantes letras negras de suas garrafas de lacre vermelho tinha fama no mundo todo. Em Paris, Bruxelas, Berlim, Tóquio, Nova York ou São Paulo, seu Morgon natural, não filtrado e sem sulfitos, era uma presença mitológica. Como resistir à graça desse vinho de bela intensidade, nariz fresco e puro, finos aromas de framboesa e violeta, taninos macios, boca longa e leve? Como ficar insensível a esse homem?

Marcel Lapierre não era apenas um dos dez maiores vinhateiros franceses de seu tempo. Era um educador, detentor de uma arte preciosa, difícil e rara. Um homem que sabia o que significa fazer. Com Marcel, vinho era muito mais que vinho. Era o riso e a fartura, os belos passeios em Paris e na vinha, a ousadia, os perigos, os recursos. Muito antes de a tendência virar moda, ele havia deixado de lado os inseticidas, os pesticidas, os adubos sintéticos e retomado a lavra do solo para colher uvas cheias de vida, que vinificava do modo mais doce e natural possível, sem aditivos, com a ambição de lutar contra os que se empenham em apagar a memória do gosto.

Além do Morgon, seu Beaujolais Nouveau, produto de uma maceração carbônica de uvas inteiras, fez sua reputação. O esmero com que ele vinificava no Château Cambon tinha uma gourmandise e um frescor que frequentemente se perderam na região de Beaujolais.

A comoção mundial criada com a morte de Marcel Lapierre teve algo de choque. Raramente a morte de um vinhateiro causa tanta tristeza. Isso se deve a sua personalidade excepcional, sua humildade, seu prazer em compartilhar, sua generosidade desinteressada. Os que tiveram a oportunidade de encontrá-lo no Brasil, com seu sobrinho Philippe Pacalet, na degustação em São Paulo em 2008, lembram-se bem.

A bela história que é a vida de Marcel Lapierre será contada por muito tempo no mundo do vinho – porque ele muito batalhou. Esse homem que conviveu com Guy Debord, autor de A Sociedade do Espetáculo, tinha algo de rebelde revolucionário. Em 1973, a morte do pai obrigou-o a assumir o comando do domaine familiar fundado por seu avô Camille. Marcel tinha apenas 23 anos, mas já sonhava com coisas grandiosas. O vinho feito sob os métodos aprendidos no escola agrícola não o satisfazia.

Após andar muito pelos vinhedos franceses, na Borgonha, Alsácia e Champagne, Marcel iria receber de Jules Chauvet a lição que lhe permitiria produzir um Morgon 100% natural. Negociante estabelecido em Chapelle-de-Guinchay, químico e degustador excepcional, Chauvet tinha uma percepção aguda do aroma de vinhos finos e do trabalho dos vinhateiros para que esse aroma se expressasse em todo seu esplendor. Introduzido pelo prestígio de sua reputação, ele havia vendido seu Beaujolais ao Palácio do Eliseu, para o general Charles de Gaulle, que o mandava servir no dia a dia. Antes de conhecer Chauvet, Marcel já tinha uma ideia do vinho que queria. Ao conhecer esse Sócrates do Beaujolais, ele refinou a ideia.

Depois de recomeçar a lavrar suas vinhas, Marcel se empenhou em conseguir um mosto translúcido e puro da Gamay tinta, bem rico em leveduras nativas. Ano após ano, tratou de abandonar todos os produtos que aprendera a usar na escola no fim dos anos 60, quando a moda era a química e os vinhos tecnológicos. Após tatear um pouco, acabou por descobrir o segredo do vinho natural. E fez escola. Durante mais de 20 anos, vinhateiros foram se sucedendo em Villié-Morgon para ouvir de sua boca a lição que ele havia recebido de Jules Chauvet. Marcel Lapierre gostava de receber os jovens, partilhar com eles suas experiências e ouvir suas opiniões. Na França, existem hoje 20, 30, 50, 100 artesãos resistentes às injunções da agroindústria que devem a ele sua arte. Entre eles, seu filho Mathieu, associado ao destino do domaine da família desde 2005, que recebeu do pai muito mais que uma herança: recebeu um estado de espírito. Sébastien Lapaque é autor de Chez Marcel Lapierre (Ed. de La Table Ronde). A matéria supra foi publicada no caderno Paladar do Estadão de 21.10.2010 

Azeite de Oliva tem o pior preço desde 2002

O preço do azeite de oliva, alimento básico da dieta mediterrânea, caiu à marca mais baixa em dez anos, devido à queda no consumo interno causada pela crise financeira nos principais países produtores do sul da Europa. O azeite de oliva extravirgem de alta qualidade caiu US$ 2.900 por tonelada no mercado de atacado neste mês, o preço mais baixo desde 2002 e com queda de mais de 50% antes os quase US$ 6 mil por tonelada de 2005, de acordo como o FMI. A queda coincidiu com safra recorde na Espanha, o que gerou excedente que forçou a União Européia a intervir para reduzir estoques. “É uma safra vital aos países produtores, no que tange a preservar empregos nas áreas rurais”. diz Pella Pesonen, Diretor central de Cooperativas Agrícolas Copa-Cogeca, em Bruxelas, Bélgica. Espanha, Itália e Grécia são, de longe, os maiores produtores, respondendo por 70% do consumo mundial. Com suprimento muito acima da demanda, a UE tenta reduzir excedente pagando a empresas para manterem o azeite estocado. Fonte: “Financial Times” – tradução de Paulo Migiliacci para o caderno Mercado da Folha de S. Paulo de hoje, 29.03.2012.

Vinhos italianos do “Grandi Vini D’Itália Group” brilharam em jantar harmonizado do Villa Cioè

Na noite de 18 de maio, Roberto Actis, representante no Brasil “Grandi Vini D’Itália Group” , que inclui produtores da envergadura de Bisol (Veneto), Michele Chiarlo (Piemonte), Carpineto (Toscana) e Garofoli (Marche), promoveu um concorrido jantar harmonizado com vinhos dos produtores retromencionados. O local escolhido foi o restaurante “Villa Cioé – Cucina Toscana”, localizado na Rua Tupi 564, Higienópolis, São Paulo, que teve um número expressivo de comensais na noite do evento. Além de Roberto, estiveram presentes José Luiz Ribeiro (Revista Elite), Paula Andrea Pronotti, Dayana Torres (Mistral) e o Sommelier Renato Caparica. A seguir o menu degustação: 

 

A mesa é a verdadeira vocação dos vinhos italianos !

 

Abaixo, a descrição e avaliação dos vinhos harmonizados especialmente com os pratos do Villa Cioè:

 

O Prosecco Bisol brilhou com sua tipicidade.

Prosecco Superiore Bisol Crede Valdobbiadene DOCG Brut 2010 - álcool: 11,5% – região: Conegliano/Valdobbiadene – Importador: Mistral – Palha com reflexo ligeiramente esverdeado. Perlage intenso. Aromas florais sobre um fundo mineral. Levedura discreta. Na boca a sua entrada revela um Prosecco fresco, rico, fino, sápido, mineral e muito macio. Além de sua acidez delicada, sua persistência também é digna de nota. Final limpo, exibindo boa fruta. Avaliação: 89/100 pts. 

Sangiovese da Umbria com Polenta - harmonização simples que sempre é aplaudida!

Garofoli Monte Reali IGT Sangiovese – álcool: 11,5% – região: Marche – importador: Grand Cru - Vermelho rubi de média concentração. No nariz frutas vermelhas e sobra de álcool. Na boca a confirmação desses aromas, com taninos presentes, acidez intensa, alguma fruta e média persistência. Sua adstringência praticamente desapareceu na harmonização de polenta com ragú de linguiça.Boa tipicidade da Sangiovese em Marche. Avaliação: 86/100 pts. 

Roberto Actis segurando a garrafa de Barbera produzido por Michele Chiarlo

Le Orme – Barbera D’Asti Superiore Michele Chiarlo DOCG 2009 – álcool: 13,5% – região: Piemonte – importador: Zahil – vermelho rubi medianamente concentrado com rflexo violáceo. Nariz aberto exibindo um frutado copioso com prevalência de cerejas e morangos sobra uma notinha de baunilha. Na boca a sua entrada revelou um vinho de taninos macios e aveludados os quais encontram contraponto na sua acidez nitidamente gastronômica. Aqui a fruta se exprime como nunca, revelando o invejável manejo desta casta por esse produtor. Na harmonização também se sobressaiu pela pujança de seus aromas frutados que combinaram com os aromas do prato (ravioli de vitela ao molho funghi). Um vinho que costuma exibir ótima relação preço-qualidade e desta vez não foi diferente. Avaliação: 89/100 pts.

 

Supertoscano Dogajolo importador por Costazzurra

Carpineto Dogajolo Toscana IGT 2009 – álcool: 13% – uvas: Sangiovese (70%) e o restante Cabernet Sauvignon e outras variedades - região: Greve in Chianti – álcool: 13% – importador: Costazzurra – mais intenso do que o vinho anterior na cor. Nos aromas frutas vermelhas sobre um leve fundo terroso. Na boca taninos adstringentes encontram equilíbrio na acidez salivante. Álcool generoso. Boa presença de fruta. Aqui toda rusticidade da Sangiovese foi suavizada pela perfeita combinação da bisteca fiorentina corretamente preparada. Supertoscano ideal para harmonizações com pratos à base de carnes e que não custa muito. Avaliação: 87,5/100 pts.

Paula Andrea, Roberto Actis e Dayana Torres

 

José Luiz Ribeiro (Revista Elite), amigo do José Luiz, Roberto Actis, Paula Andrea Pronotti, Dayana Torres, Renato Caparica e Jeriel

Oito vinhos da KMM numa manhã de sábado

Na manhã de 19 de maio, tivemos a oportunidade de degustar vinhos de diversas procedências na KMM, sito à Rua Medeiros Alburquerque 23, Vila Madelena, São Paulo. Lá, fomo recebidos por Marli Predebon, Diretora da Importadora e por Gilson Silva, … Read more »

Vinhos Australianos da KMM se destacaram no North Grill Vila Nova

    O Restaurante North Vila Nova (Rua Jacques Felix 365, Vila Nova Conceição, São Paulo – SP, tel. 011 3044 4885) e a Importadora KMM promoveram um jantar harmonizado com vinhos australianos na noite de 20 de abril, sexta-feira. … Read more »

Poggio Bestiale Rosso della Maremma IGT Toscana 2007

O leitor já deve ter percebido que quem escreve dá bastante espaço para os vinhos da Toscana, notadamente aqueles denominados “Supertoscanos”. O motivo é simples. É porque esses vinhos normalmente levam uvas francesas na sua elaboração: Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Cabernet Franc, mais ou menos nesta ordem. Até a Petit Verdot é cultivada nesta região que é apontada, justificadamente, como um dos melhores terroirs do mundo. Além das castas francesas, a maioria desses vinhos adotam a Sangiovese, que encontra ali uma das suas maiores expressões, seja “in purezza” ou misturada com cepas francesas ou “internacionais” supramencionadas. É impressionante como as castas francesas conferem elegância e tornam a onipresente Sangiovese mais mansa. O resultado são vinhos deliciosos, elegantes e ao mesmo tempo com um acento rústico, que dá movimento e personalidade ao vinho, por conta da participação da Sangiovese no corte. Segundo a importadora Cellar, “Agostino Lenci, empresário e apaixonado pelos vinhos da Maremma Toscana, é o responsável pelo Poggio Bestiale que é um corte de Cabernet Sauvignon (predominante) e Merlot é amplo, profundo e opulento, exibindo agradáveis tons defumados”.

 

Degustação

Poggio Bestiale Rosso della Maremma Toscana IGT 2007 – uvas: Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc – álcool: 13,5% – importador: Cellar – preço: R$ 170 - amadurecido em barrica de carvalho francês (allier, média tostagem, grão fino primeiro uso) durante 18 meses acrescidos de mais seis meses de afinamento na garrafa. Vermelho rubi intenso de média profundidade. No nariz despontam aromas de frutas negras e vermelhas, notas de baunilha sobre um fundo defumado. Na boca taninos volumosos e macios, boa acidez, álcool generoso sem incomodar e ótima concentração de sabor. Vinho elegante, sofisticado, estilo bordalês com acento italiano. À conferir. Avaliação: 91/100 pts.+

O Beaujolais e a maceração carbônica

A colheita manual é norma em Beaujolais. Embora tenha um custo maior, a principal vantagem para a Gamay é simples: ela permite levar cachos inteiros de uvas para a adega. Esses são então colocados num recipiente de fermentação e selados. Com seu peso, a pilha de bagos e hastes de cima esmaga a plha do fundo e inicia uma fermentação espontânea. Nesse ambiente anaeróbico, o dióxido de carbono cobre as uvas de cima, estimulando a fermentação dentro delas. Disso resulta um vinho com textura leve, suculento e de gosto frutado. Alguns produtores preferem uma maceração carbônica curta (dois dias) seguida pelo esmagamento tradicional, desengaçamento e fermentação com a tampa superior aberta. Fonte: O Grande Livro dos Vinhos – Publifolha – edição 2012.

Treze linhas sobre Marcel Lapierre – Morgon – Beaujolais

Marcel Lapierre era conhecido por duas coisas: sua sólida crença na vinicultura natural e sua cordialidade (qualidades raras no mundo do vinho). Inspirados pela liderança de Jules Chauvet, Lapierre e quatro outros vinhateiros começaram a se opor ao fenômeno Beaujolais Noveau fazendo vinhos de vinhedos únicos de vinhas velhas, com o mínimo de adições possível. No caso de Lapierre (morto no segundo semestre de 2010 com apenas 60 anos de idade), isso significa o mínimo de dióxido de enxofre, o que permite aos aromas do vinho se desprenderem sedutoramente na taça. Lapierre gostava de beber seus vinhos, em geral com a linguiça local e disse que foram os prazeres da mesa que aproximaram os membros do “Bando dos Quatro” (Jean-Paul Thévenet, Jean Foillard, Joseph Chamonard – falecido em 1990 e Guy Breton). O filho de Marcel, Matthieu, tem um papel cada vez maior no domaine nos dias atuais e adota uma filosofia similar de não intervenção na elaboração dos vinhos. Fonte: O grande livro dos vinhos – Publifolha – edição 2012

Comida orgânica atrai pela saúde e repele pelo preço. E com o vinho, não acontece a mesma coisa?

“Durante uma hora, a prateleira voltada para produtos orgânicos em um supermercado de São Paulo não sofre nenhuma baixa. Algumas pessoas passam e conferem os preços. E fogem. A diferença é grande. Para fazer uma salada com 100 gramas de cenoura, 600 gramas de chuchu, 500 g de tomate, 100 g de milho e 150 g de alface, quem optar por orgânicos gastará R$ 21,37. Se comprar produtos comuns poderá gastar R$ 7,08. O preço dos alimentos chega a ser seis vezes maior, como no caso do chuchu, vendido por R$ 5,19 a cada 600 g pela Taeq, do ramo orgânico, contra R$ 0,80 cobrado por uma marca comum. A fisioterapeuta Dione Tahara, 44, diz que gostaria de comprar produtos orgânicos por serem mais saudáveis. “Se pelo menos não fossem tão caros”. A única consumidora em quase uma hora e meia, a psicanalista Maria, 60, diz que mantém o hábito há cerca de 20 anos. Para ela, o maior preço é compensado pelo ganho em saúde. “E hoje em dia tem mais variedade”, afirma. Matéria de autoria de Marcelo Almeida, publicada na Folha de S. Paulo de 25.05.2012 – caderno mercado. Optamos por sua reprodução aqui neste blog de vinhos porque a mesma situação aqui descrita se repete. Normalmente a qualidade dos vinhos orgânicos é superior, mas a diferença de preço assusta os consumidores. Além disso, a oferta é muito pequena e o governo brasileiro tem regras rígidas demais que acabam por inviabilizar o ingresso desses vinhos em território nacional. Mais uma vez, quem perde, é o consumidor.