Daily Archives: 11/06/2012

Grande Degustação de Vinhos Portugueses em São Paulo no próximo dia 27 de junho

Visita à vinícola Morandé – última parte

A Viña Morandé possui vinhedos no Vale de Casablanca, onde foi pioneira no cultivo de vitisvinifera na região.  Fundada em 1996 com o propósito de elaborar vinhos inovadores de grande qualidade, focando no desenvolvimento de suas marcas e na entrega de um serviço de excelência comprometido com os clientes, consumidores e meio ambiente. São desenvolvidos processos de produção e garantia de qualidade na seleção dos terroirs, castas e clones, arquitetura dos vinhedos, sistemas avançados de irrigação, manejo orgânico em alguns setores e sistemas para monitorar o crescimento, maturidade e desenvolvimento dos frutos até a colheita. Atualmente, os vinhos Morandé (Vales do Maipo e de Casablanca) são distribuídos em todo mundo, o que permite estar presente em mais de 45 países nos cinco continentes. A vinícola possui a liderança chilena no desenvolvimento de canais de distribuição direta, permitindo a excelente comunicação com clientes e cumprindo os desafios com mais conhecimento e oportunidades.

Ao lado de uma parreira de Pinot Noir

Degustação

Morandé Edición Limitada Sauvignon Blanc 2009 – álcool: 12,5% – (indisponível no Brasil) – palha claro, aromas de lima, mel e fruta tropical. Na boca é tão macio que chega a ser cremoso porque acaricia as papilas gustativas. Longo, persistente, sem arestas. Avaliação: 90/100 pts.

CONCLUSÃO

A visita realmente nos impressionou e a recomendamos para quem quiser conhecer o Vale de Casablanca, certamente um dos mais belos vales chilenos. Visitar a Morandé implica em passar ao menos metade do dia na vinícola e almoçar no seu restaurante, fechado no dia de nossa visita, mas bastante comentado por quem o conhece.  E não esqueça de comprar algumas garrafinhas, porque os preços são convidativos. A vinícola atravessa um bom momento agora sob a direção do poderoso Grupo Belén, mas a condução enológica continua de Pablo Morandé, um dos mais importantes enólogos chilenos da atualidade. Os vinhos realmente justificaram a fama e se destacam não somente porque são bem feitos, mas porque exprimem o caráter varietal e o terroir local. Acrescente-se ainda que a importação é da Expand, que sabidamente tem uma boa rede de distribuição e várias lojas espalhadas por todo país. Encerramos nossa série externando agradecimentos para todo pessoal da Expand, especialmente para Adriana Fernandes e Luciana Pacheco e também para Cláudio Germain, Diretor da Vinícola. Esclareço ao leitor que todas despesas dessa viagem foram custeadas por quem escreve.

Harmonizações do dia-a-dia: moqueca capixaba e vinhos

Moqueca Capixaba

Neste fim de semana tive um convite para comer uma variação da famosa Moqueca Capixaba, feita por uma pessoa nativa deste pequeno e acolhedor estado da região sudeste. Digo uma variação porque não tinha creme de leite, mas com direito à panela adequada, peixe fresco (cação), camarões no ponto certo, muita cebola e uma dose moderada de coentro (ainda bem! rs). Outra ausência sentida, os pimentões, foram fartamente substituidos por tomates italianos (baixa acidez). Por fim, um item que me soa familiar à tradição caiçara do Estado de São Paulo, a banana da terra, também participou do prato.

TENTANDO ENTENDER O PRATO

O prato tem um certo peso, médio, não é excesivamente gorduroso (a escolha do peixe influencia), tem elementos que beiram o adocicado (camarão e banana), outros que são relativamente acres mesmo cozidos (alho e cebola, coentro) e enfim, especiarias básicas (sal e pimenta). O coentro mesmo sob cozimento ainda confere um sabor herbáceo que não é negligenciável.

TENTANDO ADEQUAR O VINHO

A meu ver, as escolhas que seriam possíveis (e óbvias): branco e rosés! E mais duas variações: secos “tranquilos” ou com bolhas (espumantes)!

O meu pensamento nesse tipo de prato é buscar a harmonização sinérgica, valorizando os elementos presentes, realçando-os e não por contrastes. Assim, sobretudo com espumantes com seus açúcares residuais (mesmo que pouco perceptíveis), temos:

- se realça a delicada doçura do prato, além de contrabalançar os elementos amargos (da cebola e do coentro)

- a poderosa acidez confere uma deliciosa refrescância, fato que valoriza também o toque herbáceo do coentro (a Sauvignon Blanc – branco seco de ótima acidez e traços vegetais – seria opção sagaz)

- pela presença marcante do tomate, neste caso específico, acreditei mais nos frutados dos rosés (que se não forem espumantes, devem ter acidez bem marcada e pode ter um açúcar residual que adentre o paladar meio-seco)

VARIAÇÕES PONTUAIS

E se eu puser azeite de dendê ou creme de leite? Pense em mais acidez!

E se eu puser pimentões e menos tomates? Pense num branco seco aromático de grande acidez!

CONCLUSÕES

Devemos prezar a liberdade total, mas uma vez que desejemos testar as nossas habilidades nas harmonizações com vinhos, não custa observar algumas regras básicas, podendo se permitir quebrá-las, tudo em nome do saudável e divertido exercício de criar e sentir prazer através do paladar, de forma consciente!

Afinal, ninguém brinca de jogar frescobol atirando a bola na direção do mar ao invés de mandá-la em direção ao oponente. Há regras básicas sim, em tudo, a menos que brinque sozinho!

Um grande abraço aos anfitriões, Bárbara e João Paulo! Saúde a todos!

Texto de André Logaldi