Dando sequência ao primeiro artigo publicado ontem, neste post mais informações sobre a vinícola chilena Odfjell, atualmente comandada por Laurence Odfjell, que tem compromisso de longo prazo com uma agricultura sustentável e com práticas de produção de vinhos ecologicamente corretas.
Certificação orgânica e práticas biodinâmicas
Em 2011 70% dos vinhedos (250 ha é o tamanho da área total – 85 ha de vitis vinifera) obtiveram essa certificação e 80% dos vinhedos de Cabernet Sauvignon e todos de Malbec já são orgânicos. A meta é atingir 100% em 2012. A criação de cavalos (tópico seguinte) visa integração do manejo orgânico das uvas com a adoção de práticas biodinâmicas. As uvas são colhidas a mão e são utilizados arados com cavalos, eis que o solo não fica compctado ampliando a vida útil dos vinhedos. Uvas como Carménère e Cabernet Sauvignon são colhidas alternadamente para se agregar complexidade entre fruta fresca e fruta madura. Na adega usa-se gravidade desde 1997 para reduzir o uso de bombas. As leveduras usadas são nativas. Por fim, o vinho Odfjell Malbec 2009 não pôde ser considerado orgânico porque na sua composição entrou apenas 2% de Syrah não orgânica. Vinhedos que já obtiveram certificação orgânica: Padre Hurtado (Maipo), Rio de Piedras (Colchagua), Ribera Del Rio Claro (Lontué) e Tres Esquinas (Maule).
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A linha de vinhos Odfjell assim se constitui:
- Babor Varietais (sem passagem por madeira) CS, Merlot, Carménère/Syrah e Sauvignon Blanc.
- Armador (caracteriza-se pelo vigor da fruta fresca) – CS, Carménère, Malbec, Syrah, Cabernet Franc e Carignan (orgânico).
- Orzada (aqui o foco é a fruta madura)
- Aliara – uvas variáveis de acordo com a safra
- Odfjell – safra 2004 produzido somente com Carménère de Apalta, 2005 com Carignan do Maule, 2007 com Malbec do Maule e 2010 novamente 100% Malbec, que já obteve certificado orgânico. Este vinho é o melhor que a vinícola, mãos do homem e a natureza podem oferecer.

Babor by Odfjell Cabernet Sauvignon 2011 - sem passagem por madeira, um vinho que tem a fruta como protagonista
Adega
As uvas são recebidas e fermentadas em cuba de aço inoxidável de 40.000 litros ou piletas de cimento revestidas com aço inoxidável. As barricas para o amadurecimento são francesas (75%) de 400 litros e americanas (25%) de 225 litros. As de primeiro uso são destinadas à elaboração dos vinhos Odfjell.
Vinhedo Padre Hurtado
Está situado no Vale do Maipo (médio), a 50 km do oceano Pacífico e assim se caracteriza: manhãs frescas soprando vento que modera as temperaturas altas do final da manhã e começo da tarde. As uvas que se beneficiam desse clima são Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Malbec.
Enólogos
Arnaud Hereu, de Bordeaux é o enólogo residente. Nos vinhedos, o chileno Arturo Labbe e Marcela Garate. O comando da vinícola é de Laurence Odfjell, filho de Dan, fundador.
A seguir a descrição e avaliação dos vinhos degustados sob orientação da enóloga Marcela Garate:
Armador Sauvignon Blanc 2011 – Elaborado com uvas do Vale de Casablanca – preço: R$ 45 - Palha claro quase translúcido. Nos aromas maracujá (lembra mousse), abricot sobre notas vegetais. Na boca chama atenção por seu intenso frescor e equilíbrio gustativo. Boa tipicidade, vinho sem arestas. Avaliação: 88/100 pts.
Baboor Cabernet Sauvignon 2011 – R$ 28 – Vermelho rubi de média concentração. Aberto nos aromas com notas de groselha, amora e cereja. Na boca apresentou taninos macios, redondos, álcool integrado (13,5%) e tem toda sua estrutura calcada na fruta copiosa. Destaque para seu frescor. O estilo é de um vinho guloso, que já está sendo comercializado no Brasil por menos de R$ 30. Experimente se tiver oportunidade. Avaliação: 86/100 pts.
Armador Carménère 2010 – preço: R$ 45 – Intenso na cor, aromas vegetais com leve toque de especiarias e café torrado. Boca em sintonia com o nariz, plena, macia e levemente picante. De boa persistência, é um Carménère redondo, gostoso, pronto para o copo. Avaliação: 88/100 pts.
Armador Cabernet Sauvignon 2010 – R$ 45 – Intenso na cor com um pouco mais de profundidade do que o vinho anterior, aromas fechados com matiz mentolado. Na boca é um vinho de média densidade, taninos macios com leve toque de groselha e pimentão. Vinho bem feito, sem excessos (álcool na casa dos 13,5% de madeira integrada). Avaliação: 88/100 pts.
Armador Syrah 2008 – R$ 45 – Intenso na cor com levíssimo halo granada em formação, aromas complexos com notas de tabaco, couro, especiarias sobre um fundo floral. Na boca é um vinho potente, guloso, de taninos mastigáveis que encontram contraponto na acidez fresca e no álcool generoso. Nariz e boca em plena sintonia neste vigoroso Syrah de baixo custo (R$ 46), forte na tipicidade e muito gostoso no sabor. Sem arestas. À conferir. Avaliação: 89/100 pts.

Linha Orzada: o destaque fica por conta do Carignan, denso, macio, acídulo e frutado. Todos os requisitos de um grande vinho, por menos de R$ 100 no Brasil !
Orzada Carménère 2010 – R$ 75 – Elaborado com uvas do Vale do Maule, sua descrição é praticamente a mesma do Armador, todavia, aqui temos taninos mais vigorosos não menos macios (chegam a ser aveludados), boa acidez, ausência das cansativas notas herbáceas, final longo, frutado e intenso. Avaliação: 89/100 pts.+
Orzada Carignan 2009 – R$ 75 – Elaborado com uvas do Vale do Maule com “parras em cabeza” de mais de 100 anos com produção de 2,5 toneladas por hectare; É, com justiça, um dos mais comentados vinhos da Odfjell. Um vinho que chama logo atenção por sua cor púrpura intensa com reflexo violeta, um pouco alcoólico no nariz (15,5%), sugestões mentoladas ao lado de notas florais bem típicas da Carignan (lembra violetas) formam um conjunto harmônico no qual as sensações olfativas foram plenamente confirmadas no paladar quente, volumoso, denso, profundo, fresco, salivante e longo, marcado pela nítida vocação gastronômica deste vinho. Como não há sobra de madeira, às cegas pode enganar até o mais experiente dos degustadores por conta de seu estilo. Avaliação: 90/100 pts.++
Orzada Cabernet Franc 2007 – O vinho mais velho do painel exibiu cor violácea com halo granada nas bordas ainda em formação. Aromasa pasto, estábulo, algo floral sobre notas etéreas. Na boca a força de suas taninos chama atenção por sua profundidade e concentração. Acidez média. Fruta pouco aparente. Boa persistência num final mais harmônico do que sua impactante entrada no paladar. Boa tipicidade. Avaliação: 87/100 pts.+
Orzada Malbec 2009 – Por possuir apenas 2% de uva Syrah não cultivada sob método orgânico não pôde ser considerado um vinho orgânico (98% Malbec do vale de Lontué). Vinho que nas safras anteriores já obteve várias premiações em diversos concursos de vinhos. Exibiu atraente cor violácea intensa e profunda. No olfato os típicos aromas da casta no Novo Mundo com violetas e geléia de frutas negras. Na boca é um vinho forte no álcool (14,5%), de taninos finos, equilibrado e com a madeira aparecendo um um pouco sem subjugar a fruta. Avaliação: 89/100 pts.+

Cavalos dos Fiordes noruegueses. Durante a última Era do Gelo, os ancestrais desses cavalos migraram da Ásia Central para a região hoje conhecida como Noruega.
Winemaker’s Traversy Malbec (43%), Carignan (32%) e Syrah (25%) - vinho recentemente integrado ao portfólio da Odfjell, quase retinto na cor e um pouco alcoólico no nariz, aqui a Odfjell reuniu três uvas que à despeito dos vinhos até aqui provados, exibe ótimo manejo. E aqui também não foi diferente, eis que se nos aromas este vinho não empolgou, mostrou virtudes de sobra na boca, ao exibir taninos macios, poderosos e de qualidade acima da média. A fruta aqui assume o papel principal e a madeira é coadjuvante, sendo que aparece mais no final de boca na forma de notas de torrefação. O álcool se comporta melhor na boca do que no nariz. Potente sem desequilibrar o conjunto, é um vinho de bom frescor que entrega mais do que mostra. Avaliação: 90/100 pts.+
Aliara 2008 – R$ 135 – Elaborado com Syrah (50%), Carignan (30%) e Malbec (20%). Amadurecido em barrica francesa de primeiro uso durante 18 meses, exibiu cor intensa, aromas finos com a fruta em primeiro plano e depois notas de baunilha com boa sustentação na taça. Na boca subscreveu a fineza dos aromas com taninos igualmente gentis, bom equilíbrio dos componentes álcool (14%), acidez, fruta e madeira. Persistente, promete boa evolução na garrafa. Avaliação: 90/100 pts.++ 
Odfjell Malbec 2005 - R$ 350 – Elaborado somente com uvas Malbec do Vale do Maule, amadurecido durante vinte e quatro meses em barrica nova de carvalho francês, é um vinho que só é elaborado quando a natureza permite. É exclusivo, amadurecido durante 24 meses em barrica francesa de primeiro uso, quase retinto na cor, fechado nos aromas com leves notas de frutas negras, tabaco e muita madeira. Na boca é um caldo bastante concentrado, com camadas sobre camadas de sabores. Tânico, acídulo e alcoólico é preciso dar-lhe tempo para o conjunto aparar suas arestas, eis que bebê-lo agora é no mínimo um “infaticídio vínico”. A fruta no momento está escondida, mas pode ser percebida. Enfim, um vinho para ser bebido em ocasiões especialíssimas e cujo tempo na garrafa joga a seu favor. Avaliação: 90,5/100 pts.++
Conclusão
Os vinhos Odfjell estão num patamar qualitativo acima da média dos produtores chilenos. A vinícola na atualidade tem se pautado pelo uso judicioso da madeira, pela adoção de métodos orgânicos nos vinhedos e pela máxima expressão de fruta nos seus vinhos. Modestamente, julgamos esse o caminho certo e a nossa torcida é para que outros produtores chilenos também produzam vinhos com menos madeira. Para terminar, avisamos o turista que quiser conhecer a vinícola, importante telefonar para se instruir caso vá de condução própria porque o local não é de fácil acesso, todavia, vale o sacrifício!







































































