Daily Archives: 13/07/2012

Torrevento “Torre del Falco” Nero di Troia IGT Murgia 2008

 Sobre a uva Nero di Troia

Basilicata e Abruzzo tem apenas seis DOCS a maioria de varietais mirando um trio de uvas: Montepulciano, Trebbiano e Aglianico. Já a casta indígena Nero di Troia tem crescido nas colinas de Puglia. É púrpura, com aromas de violetas e um paladar macio, aveludado, cheio de sabores de frutos vermelhos escuros. Como retromencionado, é uma casta cultivada na região italiana da Puglia, em particular nas áreas ao redor de Andria e Barletta e na província de Bari. O nome provavelmente deriva da cidade de Tróia, na província de Foggia, cujo lendário fundador foi o herói grego Diomédes, que havia destruído a antiga Tróia. Sinônimos incluem: Uva di Troia, Sumarello, Uva di Canosa, Uva di Barletta, Troiano, Tranese e Uva della Marina. 

Sobre Torrevento

Torrevento é um dos maiores produtores de vinho da Puglia, com  400 hectares de vinhas. Como a maioria das grandes vinícolas Puglia,  começaram a vender vinhos de cisterna,  tânicos e com teores de álcool elevados que os vinicultores do Norte compravam para serem transportados em caminhão tanque para reforçar sua produção. No entanto, quando a geração mais jovem passou a administrar as vinícolas na década de 1990,  decidiram começar a colocar seu próprio nome nas garrafas. Demorou um pouco para se notar a elevação da qualidade, mas com o tempo um fluxo constante de sucessos  se seguiu dando boa fama aos vinhos. Francesco Liantonio foi um dos primeiros a trabalhar seriamente com a casta Nero di Troia, a uva do Norte da Puglia que atualmente está atraindo muita atenção. Não foi  sempre assim, no entanto, porque, em comparação com algumas outras uvas do Sul os rendimentos dela são muito baixos o que lhe permite fazer vinhos de razoável padrão de qualidade (especialmente mais ao Norte, onde o sol é menos intenso), sem adicioná-la a outras uvas para fazer lucrativos vinhos de mistura. Assim, enquanto outros produtores foram abandonando-a, Francesco e seus companheiros estavam entre os poucos que estavam olhando para a Nero di Troia  com um olhar diferente e gostando do que viram. Eles também souberam valorizar outras variedades autóctones do Sul elaborando vinhos que se destacaram. 

Torre del Falco – Nero di Troia – IGT Murgia 2008 – álcool: 13% – uva: Nero di Troia – região: Puglia – importador: Race Com. Imp. e Exp. Ltda. – vermelho rubi de média intensidade. Aromas frutados sobre uma nota floral. Na boca a sua estrutura é leve e confirma os aromas. Taninos macios, acidez na medida e álcool integrado. De média para curta persistência, termina como começou, frutado. Avaliação: 86,5/100 pts. 

Alsace Gewürztraminer P. E. Dopff & Fils 2003 – 375 ml

Na Alsacia existem 51 “Grand Cru”, número elevado, embora não existam segundo e terceiro níveis. Será que todos vinhedos espalhados pela rota do vinho de 170 km desde Than, no Sul, até Marlenheim  no Norte, equiparam-se, sobretudo tendo as mesmas variedades permitidas? Esses vinhedos excelentes produzem alguns dos melhores vinhos gastronômicos do mundo – o sublime Pinot Gris (todos maçã e pera defumadas com boca encorpada), os minerais, firmes e longevos Rieslings (Em geral secos, ao contrário dos da vizinha Alemanha), o aromático Muscat, apéritif por excellence e o marcante Gewürztraminer, com aroma de fruta e gengibre – e mesmo assim esses terroirs são ignorados por certos produtores. Fonte: O Grande Livro dos Vinhos – informações atualizadas sobre vinhos de mais de 4.000 vinícolas em todo o mundo – Publifolha – edição 2012.

Degustação

Alsace Gewürztraminer  P. E. Dopff & Fils 2003 – álcool: 13,5% – região: Riquewihr, Haut-Rhin, Alsacia – importador: Mistral – preço: US$ 22,90 (2005) – amarelo com reflexo dourado brilhante. Aberto nos aromas de perfil nitidamente elegante com notas de lichia, pétalas de rosa e erva cidreira com ampla sustentação na taça. Na boca é seco e a sua acidez delicada logo se impõe e secundada pelas notas de fruta madura como pêssego e damasco que completam o conjunto que se destaca por seu rico perfil gastronômico. Profundo, longo, termina fresco e sem arestas. Avaliação: 89/100 pts. 

Valdivieso Single Vineyard Carménere D. O. Peumo 2010

A Viña Valdivieso remonta a 1879 quando Alberto Valdivieso fundou o Champagne Valdivieso, primeira empresa no Chile e na América do Sul a fazer o vinho espumante. Passado mais de 100 anos, no final de 1980, a empresa expandiu-se em uma nova direção quando começou a produção comercial de vinhos finos, com o nome Viña Valdivieso, no Vale de Curicó, mais precisamente em Lontué. Produzir vinhos de qualidade requer um cuidadoso e equilibrado manejo em cada uma das etapas de vinificação. Os maiores esforços da bodega se concentram nos vinhedos na busca continua da obtenção das melhores uvas, fator determinante para qualidade e tipicidade de cada rótulo. Na bodega durante o processo de vinificação a busca é por resgatar as qualidades de cada variedade com a menor intervenção possível para evitar perda de potência ou complexidade. Para os vinhos que são envelhecidos em barricas, a regra básica é o equilíbrio, para que a madeira potencialize as características da fruta sem superá-la. Por este motivo os vinhos da Viña Valdivieso triunfam nos principais mercados mundiais e alcançam as mais altas distinções em competições internacionais, com vinhos de qualidade superior, diferenciados e muito atraentes.

Novo Valdivieso Single Vineyard Carménère elaborado com uvas de Peumo, o melhor terroir para a Carménère no Chile – o vinho é sedoso, sem notas herbáceas ou enjoativas.Longo, aveludado, um ótimo vinho!

Valdivieso Single Vineyard Carménere  D. O. Peumo 2010 – álcool: 14% – região: Peumo – importador: Ravin – preço: R$ 98 – As uvas são colhidas e selecionadas manualmente, e em seguida delicadamente desengaçadas. A fermentação acontece em tanques de aço inox por 7 a 10 dias com temperatura controlada entre 26º e 28ºC. O mosto é fermentado com as cascas e remontado 3 vezes ao dia. O vinho então permanece de 7 a 14 dias em maceração pós-fermentativa e amadurece por 12 meses em barris de carvalho francês. Análise organoléptica – vermelho rubi intenso com reflexo púrpura. Aromas aberto com notas de licor de cassis, frutas vermelhas e negras  sobre um fundo balsâmico. Na boca taninos aveludados, madeira e fruta em sintonia, álcool integrado e acidez muito boa para um Carménère. Longo, profundo, termina redondo, sem arestas. Avaliação: 89/100 pts.+

A uva Carignan

A uva Carignan tem uma provável origem espanhola, onde pode ser chamada de Cariñena (em Aragón) ou Mazuelo (Rioja), apesar de ser a uva tinta mais plantada da França com cerca de 100 mil hectares (já teve quase o dobro, quase 212 mil hectares até 1968, mas muitos vinhedos foram arrancados). Tanto na França como na Espanha é mais utilizada em cortes do que na elaboração de vinhos varietais.

Largamente distribuída na quente região francesa do Languedoc-Roussillon, esta uva pode ser plantada em planícies onde dá altíssima produção (200 hectolitros por hectare) com baixa qualidade ou nas encostas, quando mostra melhor seu bom potencial (30 a 70 hectolitros por hectare).
Como quantidade é inversamente proporcional à qualidade, pode se entender porque ela acabou sendo abandonada, sobretudo nas planícies do sul da França.
No Velho Mundo ainda é plantada na Itália, chamada de Carignano, presente na Lombardia e sobretudo na ilha da Sardenha e também em Portugal (Ribatejo) e na Grécia. No Novo Mundo pode se encontrada na Argentina, Califórnia e sobretudo no Chile, país que mostra bons varietais, como da vinícola Odfjell, ou cortes em que ela predomina, como por exemplo em alguns vinhos da vinícola Morandé.
Esta uva tem um amadurecimento tardio, gosta de regiões ensolaradas e tem a pele bem espessa. Seus vinhos são bem carregados em cor, teor alcoólico relativamente alto, boa acidez, uma carga tânica moderada e aromas de frutas escuras, ameixas, pimenta e um descritor no mínimo curioso, que é o aroma de tinta (lembra nanquim), que pode estar presente em vinhos com forte extração de fenóis das cascas (macerações longas ou técnicas violentas de extração).
Texto de André Logaldi originariamente publicado no blog “O Tanino” em 06.08.2009