Matéria completa: degustação de vinhos “Sicilia Wine Odyssey” – São Paulo

Na tarde de 21 de junho de 2012, realizou-se uma  prova de dezessete vinhos sicilianos no evento denominado “Sicilia Wine Odyssey”. O evento  foi organizado por Cristina Neves. Estiveram presentes além de Cristina Neves, jornalistas e demais formadores de opinião. Na oportunidade puderam ser degustados os  vinhos abaixo descritos e avaliados:

Alessandro di Camporeale – Kaid Sauvignon Blanc IGT Sicilia 2010 – sem importador – álcool: 13% – vinho orgânico. Amarelo esverdeado.  Nariz floral. Boca neutra, mineral, sem amargor. Avaliação: 86/100 pts.

Geraci Tarucco Colonna Bianco IGT Sicilia 2010 – importador: Sicilianess – álcool: 13,5% – região: Palermo/Corleone – uvas: Grillo (95%) e Chardonnay (5%) – palha verdeal. Aromas complexos com notas florais e de frutas maduras com ampla sustentação na taça. Untuoso e macio na boca. Longo, profundo, persistente. Avaliação: 88/100 pts.

Valle dell’Acate Cerasuolo di Vittoria DOCG 2009 – Casa Flora – vermelho rubi de média intensidade. No olfato exalou aromas de frutas vermelhas doces. Boca macia, taninos redondos, média persistência, final limpo. Bom frescor e acidez na medida. Avaliação: 88/100 pts.

Nicosia Fondo Filara Etna Rosso DOC 2009 – sem importador – álcool: 13% – uvas: Nerello Mascalese (80%) e Nerello Capuccio (20%) - vermelho rubi pouco intenso, brilhante. Aromas bem definidos com frutas negras em profusão. Frutado, boca macia, alcoólica, redonda, boa acidez   e  média/curta persistência. Avaliação: 86/100 pts.

Benanti Serra Della Contessa Etna Rosso DOC 2004 – sem importador – uvas: Nerello Mascalese (80%) e Nerello Capuccio (20%) –  uvas cultivadas a 3.000 metros de altitude. Os vinhedos estão localizados numa extinta cratera vulcânica. Os vinhos são comercializados apenas após 4 anos da vinificação. Análise organoléptica: vermelho rubi na transição para o granada. Aromas defumados, notas de tabaco, madeira e depois de algum tempo fruta negra. Na boca álcool generoso, taninos macios, corpo bom, boa acidez e final redondo. Avaliação: 87/100 pts.

Corbera IGT Sicilia Nero D’Ávola 2011 – sem importador – vermelho rubi intenso com reflexo púrpura. Aromas abertos com notas florais e de groselha, Boca tãnica (boa qualidade), álcool marcante, mineral quase salgado, bom frescor, suclento, profundo e longo Avaliação: 88,5/100 pts.

Cassará Adelante Rosso IGT Sicilia 2008 – sem importador – uvas: Nero D’Ávola (60%) e Syrah (40%) – vermelho rubi com halo granada em formação. Aromas frutados, notas de mentol e leve defumado. Boca generosa no álcool, taninos presentes, acidez  mediana, boa concentração de fruta, final curto, macio. Avaliação: 87/100 pts. 

Feudo Maccari Saia IGT Sicilia Rosso 2008 – Grand Cru – uva: Nero D’Ávola – importador: Grand Cru -  R$ 145 – vermelho rubi intenso e profundo. Taninos aveludados. Boca concentrada, equilibrada, fruta e madeira em harmonia. Avaliação: 89/100 pts.

Cusumano Sagana IGT Sicilia 2008 – Inovini – vermelho rubi intenso. Aromas complexos com frutas vermelhas e negras secundadas por especiarias. Boca macia, tanino finos, vinho elegante, bem feito, longo, profundo  e persistente. Avaliação: 89/100 pts.

Planeta Santa Cecilia Rosso Sicilia IGT 2007 – Interfood – vermelho rubi intenso, profundo com halo granada. Na boca é um vinho tânico (ótima qualidade), generoso no álcool, estruturado, de boa acidez, frutado e persistente. Avaliação: 90/100 pts.

Tasca D’Almerita Rosso del Conte Di Sciafani DOC 2007 – Mistral – uvas: Nero D’Ávola (55%), Perricone (17%) e outras uvas autorizadas (28%) – vermelho rubi intenso com leve halo granada. Aromas complexos com frutas vermelhas, madeira (cedro)  e mentol tudo confirmado no paladar elegante e macio. Acidez gastronômica. Final intenso, prometendo arredondar na garrafa. Avaliação: 90/100 pts.

Morgante Don Antonio Nero D’Ávola IGT Sicilia 2009 – Ravin – preço: R$ 188 (2006) -  vermelho rubi intenso, profundo. Aromas complexos com notas tostadas, frutas negras, sous-bois, mentol, alcaçuz, tudo confirmado na boca estruturada, macia, longa, acídula, profunda  e persistente. Longa vida na garrafa pela frente. Avaliação: 90/100 pts.

Cambria Mastronicola Nocera 2010 IGT Sicilia – sem importador – região: Messina – uva: Nocera – vermelho rubi intenso com reflexo púrpura. Aberto nos aromas com groselha, frutas vermelhas e leve nota herbácea. Na boca sua entrada revela um vinho de acento mineral, taninos macios, bom frescor, álcool elevado, concentrado,  suculento e profundo. Avaliação: 88/100 pts.

Cellaro Due Lune IGT Sicilia  – sem importador – uvas: Nerello Mascalese (70%) e o restante de Nero D’Ávola - álcool: 13,5% – elaborado com uvas semi-desidratadas, exibiu cor intensa, aromas complexos a lembrar uva-passa, geléia de ameixa sobre uma nota defumada. Toda essa complexidade foi integralmente subscrita no paladar, volumoso, denso, generoso no álcool e solidamente estruturado. Taninos de ótima qualidade num final que remete às sensações gustativas iniciais. Avaliação: 90/100 pts.

Poggio Grafetta IGT Sicilia 2009 – sem importador – uvas: Cabernet Sauvignon e Merlot - exibiu cor vermelho rubi intenso com alguma profundidade. Aromas frutados, boca macia, vinho redondo, bem feito, sem arestas. Avaliação: 87/100 pts.

 

Baglio dei Fenicotteri Repensa Nero D’Ávola DOC Eloro Riserva 2007 – sem importador – região: Siracusa – uva: Nero D’Ávola – quase retinto na cor, exibiu aromas complexos com caixa de charutos,  tabaco, madeira (cedro), sobre frutas negras. Boca macia, expansiva, forte no álcool e bem estruturada. Vinho distinto, elaborado com uvas de um vinhedo equiparado a um “Cru de Nero D’Ávola, agricultura biológica desde 1997. Um dos melhores da degustação. Avaliação: 89/100 pts.

Proprietário da Abraxas, Calogero Mannino

Passito di Panteleria Abraxas “Vigna de la Fortezza” 2000  - sem importador – amarelo com reflexo dourado brilhante. Inebriante paleta de aromas com notas de frutas confitadas, laranja em calda, ervas aromáticas com destaque para erva cidreira sobre uma gostosa nota de favo de mel.  Na boca é um vinho expansivo cuja doçura encontra ponto na elevada acidez que lhe dá o frescor. Concentrado, profundo, seu álcool lhe dá sustentação e não incomoda. Enfim, um vinho soberbo que tem que estar presente nas melhores adegas. Avaliação: 92/100 pts.

 

Conclusão

A degustação revestiu-se de importância porque permitiu aos presentes que aquilatassem o atual estágio do desenvolvimento da vitivinicultura siciliana. A tinta Nero D’Ávola pontificou, mas uvas como a  branca Grillo e tintas Nerello Macalese, Nocera, Perricone, Frappato desempenham papel importante na vinicultura local, assim como as onipresentes cepas francesas Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. Enfim, o nível dos vinhos foi elevado e poucos apresentaram superextração, níveis elevados de álcool e taninos ásperos, ao contrário, a maior parte dos vinhos provados eram macios e equilibrados. Um ou outro acusava um pouquinho a mais de álcool sem prejudicar a imagem dos vinhos no conjunto.  Por fim, cabe destacar que muitos produtores vieram apresentar seus vinhos na expectativa de encontrar um importador e a nossa torcida é pelo êxito desses produtores porque sempre haverá mercado para bons vinhos. Trago à colação o trecho que segue, extraído do portal da ABS-SP, o qual reputamos interessante: ” Não por acaso, a Sicília, com a vizinha Calábria, fazia parte da região que os gregos denominaram de “Enotria”, literalmente, “terra do vinho”, pois lá se produz vinhos há muitos séculos (consta que vinha da ilha o preferido do imperador Júlio Cesar). Há até não muitos anos, porém, a Sicília era mais conhecida por sua estonteante beleza natural — e riquíssimo acervo de ruínas gregas — do que por seus vinhos, cujo consumo se limitava praticamente a seus próprios habitantes. Não mais. Com o advento de novas e modernas vinícolas, os vinhos sicilianos estão, hoje, cada vez mais populares, dentro e fora da Itália. Razões para isso não faltam, como ficou amplamente comprovado na degustação supramencionada. Nela, tivemos uma seleção representativa do que de melhor se produz em suas diferentes sub-regiões, mostrando toda a riqueza e diversidade dos tintos sicilianos, inclusive com exemplares ainda pouco ou absolutamente desconhecidos no Brasil (esse último parágrafo é de nossa autoria).

 

One Response to
Matéria completa: degustação de vinhos “Sicilia Wine Odyssey” – São Paulo

  1. Info Molto utile. Spero di vedere presto altri post!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>