Decanter Wine Show 2012 – segunda parte

Dando seqüência ao texto anterior sobre a feira da importadora Decanter na semana passada aqui no Tivoli Hotel, em São Paulo, apresento os stands remanescentes que visitei.

GRANS-FASSIAN (Mosel – Alemanha): vinícola familiar estabelecida desde 1624, detém o selo VDP, que engloba produtores alemães ultra-selecionados e de enorme reputação. Apresentou vinhos equilibrados, dos secos (trocken) passando por meio-secos e os levemente doces, Spätlese e Auslese.

Riesling Kabinett Trittenheimer 2008: elegante e macio, totalmente focado no equilíbrio entre fruta e mineralidade (R$121,00)

HIEDLER (Kamptal – Áustria): recém-incorporado ao catálogo, os vinhos de cultivo orgânico de Ludwig Hiedler causam excelente impressão! Notas típicas apimentadas, mineralidade notável e muita vivacidade em cada varietal.

Grüner Veltliner Thal 2010: cor jovial, aromas ricos em pêssegos, pêras, notas minerais e a típica pimenta branca da casta em meio a uma excepcional acidez e textura macia (R$129,95)

PALÁCIO DE REFIÑANES (Rias Baixas – Espanha): relembro que a ordem é alfabética, porque pode parecer que inicio em ordem de refrescância. Absolutamente magníficos Albariños da Galícia! Totalmente gastronômicos, pediam “tapas” e “pinchos”, idéia compartilhada pelo amigo Benedito Filho. O “top” é um 2007 de maravilhoso nervo e paladar muito seco (imaginem um cruzamento de um Riesling jovem com um Jerez Fino!)

Albariño D’Fefiñanes 2010: aromas frutados a lima, limão, excelente acidez, certo “picote” nas papilas (R$123,00)

PAUL MAS (Languedoc – França): este é um caso especial, já que valorizo extremamente o Languedoc como fonte inesgotável de boa relação custo-benefício! Brevemente dedicarei um texto específico a várias apelaçoes regionais deste vinicultor.

Château Paul Mas Clos des Mûres Coteaux du Languedoc 2007: exemplo de excepcional valor, este vinho com o tradicional corte GSM, aqui com dominância de Syrah (as outras, claro, Grenache e Mourvèdre) mostra muita fruta, tostado elegante, sedosidade e final prazeroso (R$101,20)

BODEGAS PEIQUE (Bierzo – Espanha): fica cada vez mais claro que a uva Mencía, outrora de vinhos um tanto austeros e rugosos, se mostra “apetitosa” em boas mãos. Os brqancos da casta Godello também merecem atenção.

Viñedos Viejos Bierzo 2007: coloração rubi densa, aromas potentes a frutas escuras, notas animais e de torrefação de café, paladar concentrado, tânico, porém de boa textura (R$109,25)

CASA PIEROPAN (Veneto – Itália): referência na denominação Soave, á base das uvas Garganega, também apresentou tintos interessantes, um Valpolicella e um Amarone elegante, além do doce Recioto di Soave, licoroso que traz à memória a imagem de um doce de mangas. Os três “Soaves” são sensacionais.

La Rocca Soave Clássico 2008: um vinho espetacular, com camadas de sabor, notas minerais, abacaxis em calda, frutas secas e final longuíssimo deixando um rastro de especiarias delicioso. Para mim, um dos grandes destaques da feira! (R$211,15)

REICHSRAT VON BUHL (Pfalz – Alemanha): fundada em 1849, no Palatinado (Pfalz), também trabalha o conceito de viticultura sustentável. Mostrou desde o espumante alemão, Sekt à base de Pinot Noir (Spärtburgunder) e diversos Rieslings secos e meio-secos.

Riesling Grosses Gewächs Forster Ungeheuer 2009: elegante, profundamente mineral, com um açúcar residual inferior a 4g por litro e acidez de 7,2 é fresco e com notas típicas de petrolado e também pêras, maçãs, floral e ervas secas (R$270,25)

SIM?I? (Goriska Brda – Eslovênia): um dos stands mais procurados até pela intensa curiosidade sobre um terroir que não nos é familiar, embora guarde relações com os vizinhos italianos do Friuli, inclusive nas varietais Pinot Grigio e Ribolla Gialla (Rebula), apresentados pelo proprietário Marjan em inglês ou italiano.

Rebula 2010: a uva conhecida na Itália como Ribolla Gialla mostra-se com frutas brancas, notas amendoadas e algo de especiarias. Cultivo orgânico (R$89,70)

VILLA RAIANO (Campania – Itália): um produtor já bem conhecido há tempos dos fregueses da Decanter, porém não pude resistir à tentação da prova de seus grandes brancos e alguns dos melhores tintos de Aglianico disponíveis, sem contar o Taurasi. Os brancos de terroirs especiais de Fiano di Avelino (apenas 3 mil garrafas produzidas por ano) e Greco di Tufo são fabulosos.

Aglianico Campania IGT 2008: muito gastronômico e prazeroso, pleno de frutas, paladar macio e bastante fresco, clama por pratos à base de molho de tomates frescos (R$87,40)

CONCLUSÕES FINAIS

Para encerrar, é preciso ressaltar novamente a excelente qualidade dos vinhos, muitos deles, em números cada vez mais notáveis diga-se, voltados para a cultura orgânica ou biodinâmica, gerando caráteres únicos que podem levar alguém a gostar ou não, mas são literalmente a melhor tentativa de expressão de seus respectivos terroirs louvando a multiplicidade de sabores da bebida, o que é fundamental na preservação de sua história.

Vinhos não podem ser todos parecidos entre si, não podem ser tomados como produtos de escala industrial. E é assim que a Decanter vem estendendo seu portfólio dando real valor à magia que reside no microcosmos de alguns defensores da terra.

Santé!

André Logaldi

2 Responses to
Decanter Wine Show 2012 – segunda parte

  1. Guilherme Corrêa

    Caros André e Jeriel,
    Excelente cobertura, como sempre! Técnica mas mostrando bem o espírito da nossa feira, a qualidade da nossa seleção!
    Grande abraço e muito obrigado!!!

  2. André Logaldi

    Guilherme, para nós é uma benção poder colher os frutos que vocês plantaram com muito carinho, dedicação e competência!! Obrigado pela luta constante de valorização do mercado!! Abraço!!

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