Vinho & Tipicidade parte 3: Crozes-Hermitage

Hoje falo sobre um tipo de vinho cuja base é a uva Syrah, em um terroir de enorme expressão, o norte do vale do rio Rhône (também chamado de rio Ródano), na França. Esta uva é dotada de grande personalidade e traços característicos como a intensidade de cor e fruta, uma boa carga tânica e aromas empireumáticos (tostados, defumados, minerais). Geralmente, não se esquece a primeira garrafa de Syrah (no Novo Mundo, Shiraz).

Há vinhos brancos também, feitos das castas Marsanne e Roussanne resultando em bebidas muito agradáveis, porém a serem consumidos jovens. Os tintos também se expressam melhor sendo consumidos até 5 anos, dependendo das safras. Dica: nunca deixe de baixar no Google uma tabela de safras, não custa nada andar com uma no bolso! Atualmente, a safra mais recomendável é 2009.

O NORTE DO RHÔNE

A grande estrela do firmamento rodaniano, ao norte, é a denominação de origem (ex-AOC, hoje AOP) Hermitage cujos vinhedos são circundados pelos cerca de 1300 hectares da apelação Crozes-Hermitage, nascida em 1937 no sistema francês de demarcação, mas com séculos de história.

Aqui, como de praxe em se tratando de França, há necessidade de se conhecer bons produtores para melhores escolhas. No caso dos tintos, o pior que pode te acontecer é provar um vinho de médio corpo, frutado com algum toque de especiarias e na melhor das hipóteses, em produtores paradigmáticos como Alain Graillot, terá um vinho mais estruturado, tânico e de grande complexidade aromática (notas florais, de alcaçuz, sous-bois além da fruta/especiaria).

Os brancos tem aromas de amêndoas, florais e frutas tropicais. Sua relativamente baixa acidez não compromete sua refrescância na juventude, mas limita a sua longevidade.

O QUE ESCONDE UMA GARRAFA DE CROZES-HERMITAGE?

Os tintos exibem uma razoável amostra do potencial de um Syrah do Rhône (a máxima expressão pede um Hermitage). São em geral distintos dos Shiraz australianos: apesar de similaridades como rico frutado, boa concentração de cor e sabor, os rodanianos podem ter mais toques esfumaçados e herbáceos (mas não é defeito!).

Coloração densa e frequentemente violácea nos tintos e brancos de amarelo-palha claro.

Tintos rico em aromas de frutas silvestres bem maduras (amoras, framboesas, cerejas); especiarias, defumado, tostado (uso criterioso de madeira), notas florais, de ervas frescas ou secas e ás vezes minerais. Os brancos já foram descritos acima (maracujá é frequente).

Os tintos tem de médio a bom corpo, carga tânica de média a relativamente alta, em geral bem domados. Brancos frescos quando bem jovens.

Considere um Crozes-Hermitage tinto com frios e embutidos, carnes de caça (javali ou cordeiro temperados com sal e alecrim) e brancos com entradas frias e peixes de água doce (uma boa truta sem muito molho).

Texto de André Logaldi

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