Daily Archives: 02/08/2012

Botalcura “El Delirio” Sauvignon Blanc Reserva 2011

A Viña Botalcura é, desde seu início, um projeto construído graças à decisão de dois homens. Juan Fernando Waidele, empresario chileno e amante do vinho sempre se sentiu ligado aos encantos de Botalcura no vale do Maule. Philippe Debrus, enológo francés, chegou ao Chile em busca de algo novo; seu desafio não  era somente trazer  sua experiência na produção artesanal de vinhos, mas elaborar o0 próprio vinho, através de criatividade e dedicação. O encontro destes dois homens no ano 2000 selou a criação e o caráter do que hoje conhecemos como Viña Botalcura, cuja formação não somente tem o  propósito de produzir os melhores vinhos do Chile, senão, aplicar toda esta mesma paixão no que está sendo feito e assim, repartir o resultado do amor pelo trabalho, por nosso povo e por nossos vinhos. Fonte: portal www.botalcura.cl

Degustação

Botalcura “El Delirio” Sauvignon Blanc Reserva 2011 – álcool: 12,9% – região: Vale Central (parte expressiva das uvas provém do Maule) – importador: Supermercado St. Marché – São Paulo – preço: R$ 29 (promocional) – Palha  bem claro com reflexo esverdeado. Aromas pouco intensos com notas de frutas brancas (pêra principalmente), arruda e notas vegetais típicas da casta no Chile. Na boca a sua entrada revela um vinho de acento mineral, médio frescor proporcionado pela acidez que poderia ser um pouco maior. Corpo bom, álcool integrado, pouca fruta e final com alguma persistência, sem amargor. Avaliação: 85/100 pts.

Flávio Faria lançou seu livro em São Paulo – Guia de Vinícolas Chile

Flávio Faria lançou seu livro em São Paulo, na loja franqueada da Grand Cru na Alameda Nhambiquaras 614, com quase cem pessoas presentes, o que demonstra o interesse na sua obra que expressamente recomendamos por sua praticidade e caráter didático.

 O livro engloba mais de sessenta vinícolas chilenas que são descritas no guia, com avaliações  que abrangem desde o site dos locais até suas lojas de vinhos. O livro também traz mapas, endereços e horários de funcioamento. O livro é editado pela Casa da Palavra, possui 224 páginas e custa R$ 54,90.

 

Flávio Faria autografando seu livro

Zemlia Malbec 2010, vinho elaborado sob a consultoria de Roberto de la Mota

Algumas linhas sobre a Bodega Zemlia

A Bodega Zemlia é um projeto focado nos diversos terroirs mendocinos, a saber: Los Sauces (Alto Tunuyan – Vale de Uco) e Altamira (San Carlos - Vale do Uco). É uma bodega especializada em varidades tintas: Malbec, Cabernet Sauvignon e blends (Cabernet Franc, Tannat, Petit Verdot e Merlot). Os Malbecs e blends são reconhecidos pela crítica. Os vinhedos são todos próprios cultivados em diversas altitudes e o foco são vinhos Premium, Super Premium e Ícones.

Dois enólogos de prestígio na Argentina.

Nicolás Raby (Alto Las Hormigas) é o enólogo responsável e Roberto de la Mota (Mendel) é consultor da vinícola, que teve sua centenária bodega totalmente restaurada e modernizada com equipamentos modernos, de última geração e seus vinhos já conseguiram reconhecimento internacional: Vinalies, Decanter, international Wine and Spirits Competition, Las Vegas Wine of the World, Finger Lakes International Wine Competition, Terravino, etc. Os vinhos Zemlia já estão em mercados importantes como EUA (Califórnia), Canadá (Alberta), Dinamarca, Bulgária, República Tcheca são alguns exemplos.

Alguns vinhos produzidos:

Zemlia Rosado de Malbec

Zemlia Malbec

Zemlia Cabernet Sauvignon

Himno Gran Malbec

Zemlia Evolucion I

Zemlia Evolucion II

Degustação

Zemlia Malbec 2010 – álcool: 14,3% – região: Vale de Uco/Mendoza – vermelho rubi intenso, brilhante. Nariz aberto,  típico com notas florais (violetas), ameixa madura e especiarias. Boca macia, taninos de boa qualidade, acidez na medida, fruta presente,  leve toque de chocolate, sem arestas, vinho redondo, final limpo. Avaliação: 88/100 pts.

Jerez Emilio Lustau Solera Reserva PX

Sobre Emilio Lustau

Emilio Lustau foi fundada em 1896 por Don José Ruiz-Berdejo. Desde o início até os dias de hoje, é reconhecida por sua tradição, qualidade e inovação no segmento de vinhos Jerez. O nome Emilio Lustau não só se tornou sinônimo de Jerez da mais alta qualidade, como transcendeu o mercado tradicional para estabelecer uma nova categoria de bebida sofisticada. Lustau significa elegância, intensidade, complexidade, harmonia, equilíbrio e persistência. Robert Parker caracterizou Lustau como impressionante em termos de qualidade e acrescentou “Jerez como estes permanecem entre os últimos grandes negócios de vinhos desconhecidos do mundo. Devem ser provados para acreditarmos”.

Degustação

Jerez Emilio Lustau Solera Reserva PX – álcool: 17% – uva: Pedro Ximénez – importador: Ravin – preço: R$ 159 –  cor topazio brilhante. Aromas complexos de fruta madura, figos secos, caramelo e torrefação. No paladar, exibiu bom equilibrio entre doçura e acidez formando um conjunto doce, aveludado, longo, fresco  e muito persistente. Cresceu na harmonização com queijo Grana Padano. Avaliação: 90/100 pts.

Encontro Mistral 2012 – a boa tipicidade dos vinhos uruguaios Pisano

O Encontro Mistral de 2012 ocorreu nos dias 16, 17 e 18 em São Paulo e reuniu mais de 90 produtores e cerca de 600 vinhos entre espumantes, champagnes, brancos, rosados, tintos, fortificados, etc..  Quem escreve escolheu o último dia para provar os vinhos de alguns produtores, a saber: Pisano (Uruguai), Castelo di Ama (Toscana), Catena (Argentina), Pol Roger e Bollinger (Champagne). A seguir nossas impressões sobre os vinhos Pisano:

Cisplatino Torrontés 2012 – palha claro brilhante. Aberto nos aromas com notas  florais (jasmim), lavanda e algo vegetal. Na boca é um vinho intenso e ao mesmo tempo delicado. Termina limpo, sem amargor. Ótima tipicidade por preço acessível (US$ 18,90).

Pisano não é só Tannat: todos seus vinhos possuem tipicidade.

Rio de los Pájaros Tannat/Syrah e Viognier 2008 – Daniel afirmou que este vinho é muito vendido na Suécia. A Tannat participa com cerca de 80%, a Syrah com 15% e a Viognier com 5%.  Um vinho equilibrado em tudo: aromas, álcool, taninos e acidez. Muito gostoso com notas de framboesa e chocolate. Custa US$ 23,50 e vale o preço.

Torrontés Pisano: nada haver com o estereótipo aromático-amargo. Aqui provamos um vinho de gostosos aromas confirmado no paladar macio e equilibrado. Custa pouco e entrega muito pelo que se paga por ele!

RPF Pinot Noir 2008 – provavelmente um dos melhores Pinots do Uruguai. Leve, fluído, redondo, com muita fruta vermelha no nariz e acidez típica da casta no paladar. Taninos leves, final sem amargor.

Daniel Pisano com uma garrafa do Axis Mundi 2002, seu vinho top que ainda tem uns dez anos de guarda pela frente!

RPF Petit Verdot 2007 – outro vinho Pisano de ótima tipicidade. Aqui os taninos são os característicos da casta, volumosos e intensos sem no entanto agredir o paladar. Boa fruta e final intenso, marcante. Um bom exemplar da casta.

Blend de Tannat, Syrah e Viognier – sucesso de vendas na Escandinávia agora no Brasil. Vale à pena experimentá-lo.

Pisano Arretxea 2006 – aqui subimos um degrau. Elaborado com Tannat, Cabernet Sauvignon e Merlot em proporções iguais, este delicioso vinho de perfil gastronômico exibiu a estrutura típica dos bons tannats uruguaios sem invasão da madeira que, como nos vinhos anteriores, atua apenas como coadjuvante e nunca como protagonista. Um vinho suculento, profundo, cujo triângulo álcool, acidez e taninos está integrado. Custa US$ 64,50 e vale o capricho.

Etxe Oneko Licor de Tannat 2007 - retinto na cor, aberto nos aromas e poderoso no paladar, não só por conta de seus 16,5% de álcool, mas também em razão da Tannat. A sua profundidade gustativa é digna de nota. O equilíbrio entre álcool, açúcar e acidez é paradigmático. Não custa barato (US$ 59,90), mas provavelmente é o melhor vinhouruguaio na modalidade.

Pisano Arretxea Tannat, CS e Merlot, Etxe Oneko e Axis Mundi – vinhaços representativos do que melhor se produz no Uruguai

Axis Mundi 2002 – US$ 139 - este autêntico Tannat já conta com 10 anos e ainda é um vinho muito jovem. Sua cor retinta, profunda, não reflete o peso dos anos. Os aromas são convidativos e inebriantes com geléia de framboesa, ameixa e figos em calda. Na boca a força de vides velhas de Tannat fazem a diferença tamanha a maciez de seus taninos um pouco adocicados. O estilo em alguns momento chegar librar um Ripasso ou mesmo Amarone, porque exibe camadas sobre camadas de frutas negras. Acidez na medida certa e o álcool na casa dos 15% está integrado. Numa hipotética degustação de grandes vinhos da América do Sul, não consigo vê-lo fora como representante do Uruguai, assim como Catena a Argentina, Don Melchor o Chile e talvez o Miolo Sesmarias representando o Brasil. Um vinho intenso, profundo,  com mais 10 ou 15 anos de garrafa pela frente. Não costumo pontuar vinhos em feiras, mas este daqui estaria entre 91/92++ .

Gabriela e Daniel Pisano no Encontro Mistral 2012

CONCLUSÃO

Degustar os vinhos Pisano é um exercício de prazer por preços acessíveis (quase todos os vinhos). Daniel Pisano é prova inconteste de que o Uruguai não é só Tannat. Todos seus vinhos, sem exceção, procuram obedecer os estritos cânones das cepas utilizadas. Mesmo a Pinot Noir, uva de pouca tipicidade fora de sua terra natal, a Borgonha, agradou. Até agora não conseguimos entender porque alguns produtores cisplatinos insistem no cultivo dessa uva, eis  que os resultados não são nada alentadores. A maioria dos vinhos que já tivemos oportunidade de provar do Uruguai dessa casta, tropeçou decididamente na tipicidade, todavia, o Pinot  Noir de Pisano é palatável, fresco e redondo. Não pode ser apontado como paradigma da casta, mas seu nível de qualidade não está abaixo do que se produz na Argentina e no Chile, por exemplo. Enfim, neste Encontro Mistral pudemos degustar com alguma tranquilidade todos os vinhos Pisano e obtivemos a confirmação daquilo que já sabíamos. Pisano não é só Tannat, Pisano é sinônimo de vinhos bem feitos, com utilização judiciosa da madeira, álcool integrado, boa acidez e principalmente fruta. Vale a pena experimentar, comece pelo Torrontés, muito diferente de alguns exemplares argentinos e prove todos RPF. Se puder, continue subindo  e termine com o delicioso Licor de Tannat Etxe Oneko. Tenho certeza de que você vai gostar!