Vinho & Tipicidade parte 8: Barossa Valley

Estava com ideias para escrever sobre a Cabernet Sauvignon, mas quis voltar a falar de regiões e além disso, estabelecer uma comparação, já que no terceiro texto desta série escrevi sobre os vinhos de Syrah, do norte do Vale do Rhône. Então volto com uma nova região, antípoda funcional da primeira, onde reina a mesma casta: Shiraz (na grafia novomundista)!

A AUSTRÁLIA

O país, atualmente o 9º maior produtor mundial (já foi 6º), se estabeleceu como uma fonte de vinhos de primeira grandeza, com a fama baseada sobretudo em vinhos tintos à base de Shiraz, Cabernet Sauvignon ou um corte de ambas, marca registrada da região.

A área conhecida como “South Australia” responde por quase a metade de toda a produção nacional. As principais sub-regiões, para os tintos, são Barossa Valley (onde reina a Shiraz) e Coonawarra (a estrela é a Cabernet).

BAROSSA VALLEY

A região está na sexta geração de vinhateiros de origem silesiana (alemães), é quente e um tanto seca (chuva escassa), clima dominante do tipo mediterrâneo e solos limo-argilosos (limo é uma argila menos fina).

Comparados aos Shiraz de Coonawarra, que são elegantes e de corpo médio em geral, os de Barossa são mais concentrados e opulentos (sem ser pesados necessariamente). A região produz vinhos de Cabernet Sauvignon, mas a descrição abaixo visa esclarecer algo sobre as garrafas de Shiraz!

Lembrando sempre que o grande vinho australiano de todos os tempos veio de lá, o Penfold’s Grange!

O QUE ESCONDE UM SHIRAZ DE BAROSSA VALLEY?

O Shiraz de Barossa é do tipo concentrado, violáceo.

Aromas a frutas negras, especiarias, chocolate, madeira elegante com notas de caixa de charutos (cedro).

Normalmente são vinhos densos, de bom corpo, porém com taninos que embora muito marcantes, tem textura aveludada. O equilíbrio entre acidez e álcool é razoável, mas com alguma tendência a se mostrar “quente”.

No quesito harmonização, os Barossa por serem encorpados, frutados, tânicos e alcoólicos, sugerem um casamento com carnes, que podem ser ao ponto ou mal-passadas, sejam carnes vermelhas altas, churrasco ou caças como avestruz e pato, que tradicionalmente tem de ser servidas apenas muito bem seladas, sem cozimento excessivo (experimentem um “magret de canard” acompanhado de um molho à base de geléia de frutas vermelhas!).

Até a próxima! Cheers!

Texto de André Logaldi

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