Giro pela Espanha – Ribera del Duero: visita à Aalto Bodega y Viñedos

Na viagem que fizemos à Espanha recentemente, o amigo Kiko (Francisco Javier Camarero Bajo, excelente enólogo que também produz vinhos que estão no Brasil através da Hannover) providenciou-nos uma visita, no dia 19.10, a qual simplesmente denominamos “espetacular” –  a moderníssima Bodega AAlto, que produz dois vinhos do mesmo nome – AALTO e AALTO PS. Lá fomos recebidos por Arantxa Herranz (Marketing) e pelo enólogo Antonio Moral Gonzáles. A vinícola fica em Valladolid (Quintanilla de Arriba), próximo à Peñafiel, região de Ribera del Duero. Produz 250.000 garrafas anuais. Pode aumentar essa produção cerca de 20%, mas não faz isso porque não quer sacrificar a qualidade, eis que toda sua produção já possui compradores certos, inclusive o Brasil através de seu importador – Península. A visão de longe impressiona por sua arquitetura, concebida sob inspiração numa obra de um arquiteto islandês do século XIX. AALTO significa “onda do mar” e produz vinhos de vinhedos de 60 anos de sete municípios (Aguillera e Moradillo de Roa são dois exemplos) no seu entorno e só três são próprios.  As uvas são colhidas em caixa de 15 quilos; utiliza-se gravidade; remontagem de 30 minutos a cada 8 horas; a fermentação maloláctica ocorre em  madeira e barricas da “Tonnellerie Rousseau”, num percentual de 60%. O restante são de origem norte-americana. A bodega possui cerca de 2.000 barricas, que são utilizadas por cinco anos apenas nos dois vinhos produzidos. Também são utilizadas piletas de concreto que são limpas com frequência e possuem controle de temperatura. Aliás, a limpeza da adega chama atenção dos visitantes. Os vinhos são exportados para 45 países, com destaque para Suíça (mercado mais importante), EUA, Brasil e brevemente China.

Arantxa Herranz, Jeriel e o vinicultor José María C. Bajo

Mais informações sobre a Aalto

Mariano Garcia fundou a Aalto com Javier Zaccagnini, ex-diretor do Conselho Regulador de Ribera del Duero e um grupo de investidores em 1999. Em pouco tempo, os vinhos ganharam fama internacional. O objetivo da empresa é fazer a melhor seleção de Tinto Fino da região.  Essa proposta para elaborar cortes é o contrário da abordagem mais voltada para os vinhedos ou para o terroir, a exemplo do que fazia o antigo empregador de Garcia, a Vega-Sicilia. O Aalto é feito à partir das melhores vinhas velhas em vaso (em arbustos) de uma seleção de vinhedos; o Aalto PS – Pagos Seleccionados é a seleção especial. Esses e os vinhos que Mariano produz nos vinhedos da família – Mauro (Tudela del Duero) e Maurodos (Toro) e em outras consultorias lhe garantem a consagração como enólogo-líder na Espanha. Fonte: O Grande Livro dos Vinhos – Publifolha – 1a edição – 2012

Cubas tronco-cônicas, pioneirismo na Espanha da Aalto

Safras recentes

2011 – O vinho está a amadurecer nas barricas para depois ser mesclado com barricas de vinhos de diversos pequenos produtores da região, todos escolhidos criteriosamente.

2010 – AALTO e AALTO PS ambos 2010, ambos engarrafados há menos de 30 dias (vide avaliações abaixo), demonstram o caráter do terroir local e da qualidade esmerada do produtor.

Enólogo Antonio Moral González

A seguir degustação de amostras de barricas de três regiões – AALTO 2011

AALTO 2011 (prova de barrica) – uva: Tinto Fino –  uvas de Moradillo de Roa – vermelho rubi com reflexo púrpura intenso. Frutas negras e baunilha predominam nos aromas. Na boca a sua entrada revela um vinho potente de taninos aveludados. Álcool elevado integrado ao conjunto sem sobrar/incomodar. Madeira presente sem no entanto encobrir a fruta. Vinho estruturado, de boa acidez.

Vinicultor José María Camarero Bajo

AALTO 2011 (prova de barrica) – uva: Tinto Fino – uvas de Aguillera de Roa – vermelho rubi com reflexo púrpura intenso. Aromático com notas florais (violetas) e especiarias. Na boca a sua entrada revela um vinho delicado,  de taninos de fina textura. Álcool elevado integrado ao conjunto sem sobrar/incomodar. Madeira presente sem no entanto encobrir a fruta. Acidez na medida. Enquanto o primeiro é um colosso de vinho, este se impõe por sua finesse.

AALTO 2011 (prova de barrica) – uva: Tinto Fino – uvas de La Horra – Além cor intensa, as notas tostadas se destacaram, fruta negra e algum mentol. Na boca revelou potência, estrutura e  boa camada de fruta sobre chocolate. Boca impactante, com finesse. Fica num meio termo entre os dois exemplares anteriores, com um final longo e marcado pela fruta.

AALTO 2010 (engarrafado há menos de 30 dias)  – uva: Tinto Fino – álcool: 15% – vermelho rubi intenso profundo com reflexo púrpura. A fruta (copiosa) já está presente nos aromas intensos com notas de groselha, cereja e framboesa sobre baunilha e algum tostado. Na boca a sua entrada revela um vinho rico, complexo e de grande extração. Taninos presentes de fina textura, acidez na medida e álcool na casa dos 15% integrados dando solidez ao conjunto que também se destaca por seu frescor. Acento mineral e fruta doce caminham lado a lado sem conflito. Longo potencial de guarda pela frente, enfim, um vinho muito significativo e elaborado com todo capricho.Avaliação: 91/100 pts.++

AALTO PS 2010 (engarrafado há menos de 30 dias)  – uva: Tinto Fino – álcool: 15% – vermelho rubi intenso profundo com reflexo púrpura. Sua descrição é muito semelhante à do vinho anterior, mas o que se pôde notar que este “Pagos Seleccionados”, elaborado com vinhas centenárias, demonstrou mais concentração, delicadeza e persistência no paladar. Não é um vinho para ser bebido já, mas sim para aqueles dotados da virtude da paciência porque necessita no mínimo de cinco ou mais anos em garrafa para poder ser desfrutado em toda sua plenitude. Mas, bom destacar, quem bebê-lo agora não irá se decepcionar. Avaliação: 93/100 pts.++

 

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