A desmistificação do Valpolicella

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Tendo participado de uma recente degustação com alguns dos principais vinhos italianos importados aos EUA pela Folio Wine, me pareceu adequado comentar sobre esse evento e ao mesmo tempo incluir abaixo uma resenha traduzida sobre os mais exclusivos, mais caros e melhores vinhos italianos, a qual vem a seguir.

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Mas a razão do título vem de um preconceito, de que vinhos da região do Veneto, principalmente os Valpolicella, são vinhos simples, servidos comumente em cantinas e pizzarias, muitas vezes baratos e de qualidade inferior, apesar da fama dos melhores amarone. Acontece que tive a oportunidade de degustar um dos maiores de todos os Valpolicella, produzido por Dal Forno Romano, um Valpolicella Superiore 2009 que estava simplesmente divino a ponto de imediatamente pôr a baixo o antigo preconceito que eu tinha. Que maravilha! Esse vinho tem obtido notas Parker 91 a 95 desde 1995 e para quem não conhece, recomendamos fortemente a compra por US$ 99.99 a garrafa de 750 ml. Pelo preço afirmo que experiência será bem guardada em vossas memorias sobre os prazeres que a vitis vinífera pode propiciar.

Do mesmo produtor experimentamos em seguida o Amarone 2006, um verdadeiro néctar dos deuses, infelizmente é para poucos sortudos uma vez que seu preço nos EUA ultrapassa os R$ 700 e no Brasil deve beirar os R$ 2.000 por garrafa. Mas é um dos vinhos mais soberbos e soberanos que já tomei, uma experiência única que deve estar na pauta de qualquer connoisseur. Levemente adocicado em virtude de sua preparação através da tecnologia de secagem das uvas por meio de ventiladores, o que faz concentrar os açúcares, o indico para ser degustado sem comida, ao lado de uma boa lareira, depois de decantado por duas horas, em um momento singular de paz ao lado de boa companhia, deverá ser um momento inesquecível.

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Na mesma prova tivemos oportunidade de degustar o supertoscano de Bolgheri, o Ornellaia 2010, da edição de 25 anos da agora mundialmente famosa Tenuta dell’Ornellaia, que produz entre outros o mais caro dos vinhos italianos, segundo o artigo abaixo. Os supertoscanos são vinhos produzidos à semelhança dos Boredeaux, feito com blends Cabernet Sauvignon e Merlot, de vinhedos plantados a partir da década de 70 que se adaptaram magnificamente aos terroirs dessa região da Toscana, e agora passam a rivalizar com seus primos franceses. Desde a safra 2006, Parker pontuou os mesmos com cinco 97/100 pts. e um 93/100 pts., esse excelente 2010 obteve 97+ e sua faixa ótima para consumo fica entre 2016 e 2030. Infelizmente não pudemos provar o Ornellaia Masseto, um vinho pontuado 98/100 pts. em 2010, um puro Merlot que rivaliza os mais famosos Pétrus de Bordeaux, mas que custa de US$ 500 a US$ 900 no mercado americano, três a quatro vezes menos que o Pétrus.

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Para finalizar degustamos dois vinhos de um dos mais importantes de todos os produtores italianos de vinhos finos, o Bruno Giacosa Barbaresco Santo Estéfano 2009 e o Bruno Giacosa Barolo Falletto 2008, ambos 100% Nebbiolo do Piemonte. O Santo Estéfano foi pontuado 89/100pts. pelo Parker, o que não deve diminuir sua exuberância a meu entender, um grande vinho que nessa safra 2009 não mostra as mesmas qualidades das safras 1996 a 2007 (que obtiveram pontuações 92 a 95/100 pts.) nem dos Riserva 1978 e 1989 que obtiveram 98/100 pts., mas que assim mesmo nos fez querer provar diversas vezes durante a noite. Por outro lado o Barolo Falletto estava espetacular apesar de não tão encorpado como de costume, quase um top em sua elegância por assim dizer, um vinho que obteve apenas 88/100 pts. pontos nessa safra (comparado a diversos 96 e 94/100 pts. em safras anteriores e em 2009) mas que impressionou por sua delicadeza e aromas de cerejas, ameixas pretas, flores, menta e especiarias, um vinho que é vendido nos EUA por US$ 190.

No mesmo evento provamos da Espanha os Artadi Pagos Viejos e Artadi El Pison, bem como o Alvaro Palacios Propriedad, de excelente preço-qualidade,  da Itália o Frescobaldi Mormoreto IGT (os Frescobaldi são hoje os proprietário da Ornellaia), esse um supertoscano de blend à semelhança dos Bordeaux, à base de Cabernet Sauvignon e Merlot, o Luce (Frescobaldi) que é um blend Sangiovese e Merlot supreendente, outro Ornellaia, o Poggio alle Gazze, um branco 100% Sauvignon Blanc, delicioso, também o Le Serre Nuove dell’Ornellaia, digamos que é o segunda linha do produtor, outro blend tipo Bordeaux, e dos EUA um grande Cabernet Sauvignon, da série M do Michael Mondavi, todos vinhos muito bons mas que não se destacaram tanto quanto os reis da noite, os Valpolicella do Dal Forno Romano e o Barolo do Bruno Giacosa.

Mas a minha conclusão é que, em minha modesta opinião, os Valpolicella dos grandes produtores como Dal Forno Romano, Tommaso Bussola, Quintarelli, Allegrini e Cesari, não podem faltar às adegas dos colecionadores mais exigentes, vinhos únicos tanto em sua tecnologia de produção quanto em seu resultado final. A seguir o artigo da Diana Goodman para o Wine-Searcher.

© Bruno Giacosa | Vilarejo de Neive, onde vive Bruno Giacosa, no Piemonte

© Bruno Giacosa | Vilarejo de Neive, onde vive Bruno Giacosa, no Piemonte

“OS DEZ VINHOS MAIS CAROS DA ITÁLIA”

Por Diana Goodman | Postado quarta-feira, 30-out-2013

Editado e traduzido por Lucio Martins Rodrigues 30-nov-2013

Como os colecionadores de vinho estão olhando além de Bordeaux e Borgonha, sua atenção está se voltando para o melhor da Itália.

Clássicos de Barolo a Brunello e Bolgheri – sem esquecer os vinhos de uvas secas de Valpolicella – têm estado nos lábios dos amantes do vinho em todo o mundo. Mas com os preços das principais seleções da França subindo além dos bolsos de muitos, os melhores vinhos da Itália oferecem bom valor. E isso não escapou aos comerciantes de vinho do mundo: em agosto, vinhos italianos representaram um recorde de 10 por cento de todas as negociações feitas na bolsa de vinhos finos Liv-ex.

Se o foco em 2012 foi no esquecimento dos Bordeaux, o foco em 2013 tem vindo do aumento de interesse em outras regiões”, disse a Liv-ex em seu relatório de mercado de setembro.

A reputação estelar das principais propriedades da Itália, a escassez dos vinhos de um só vinhedo mais cobiçados, e o aumento da demanda só vai servir para empurrar os preços para cima – como o fará as elevadas opiniões dos críticos.

O lançamento das pontuações de 2010 e 2011 por Antonio Galloni coloca os holofotes sobre a Itália, mas apenas “cimentou o que muitos compradores já sabia: a qualidade dos vinhos italianos geralmente está em ascensão”, disse a Liv-ex.

Jamie Ritchie, CEO e presidente das Américas e Ásia da Sotheby’s Wine, relata que “Nova York é o mais importante dos centros de leilão para vinhos italianos, e temos visto o aumento da demanda para Supertoscanos, Barolos e Barbarescos dos melhores produtores.”

Ele acrescenta: “O mercado secundário e o valor percebido conduzem o preço.” Ritchie acredita que vinhos italianos são vistos como oferecendo “valor excepcional para o dinheiro”, uma vez que os preços de Bordeaux e Borgonha aumentaram.

Marc Smoler, gerente de marketing da Hart Davis Hart de Chicago, também está vendo aumentos de preços em leilão das safras mais antigas dos principais vinhos italianos, acrescentando que “os raros vinhedos únicos e riservas tem tido o maior ganho.”

Como Ritchie, Smoler acredita que “os aumentos de preços são impulsionados pelo mercado secundário – fornecimento limitado dos principais vinhedos individuais e demanda global crescente para a categoria. Safras recentes foram liberadas a preços muito elevados e, a partir daí eles tem estado relativamente estáveis.”

Aqui estão os 10 melhores produtores da lista dos mais caros vinhos italianos, compilado pela Wine-Searcher em 31 de Outubro de 2013. * A distribuição é ordenada por produtor em vez de vinhos individuais, vários têm mais de uma etiqueta na Premier League dos vinhos finos.

© Paolo Tenti/Ornellaia | E-D: Um vinhedo Ornellaia; um Magnum da edição de 25 anos; Leonardo Raspini

© Paolo Tenti/Ornellaia | E-D: Um vinhedo Ornellaia; um Magnum da edição de 25 anos; Leonardo Raspini

N ° 1 . Na pole position vem a Tenuta dell’Ornellaiade Bolgheri, cuja edição limitada Vendemmia d’Artista Special Edition Bolgheri Superiore está em primeiro lugar. Fixado o preço em média de US$ 978 por garrafa de 750 ml, cada safra desde 2006 teve um tema diferente, com artistas famosos contratados a projetar os rótulos para as garrafas de grande formato.

Para a safra de 2010 – lançado para o 25 º aniversário da Ornellaia em 2013 – o top artista contemporâneo Michelangelo Pistoletto criou um projeto que caracteriza o design espelhado. A garrafa Salmanazar na coleção foi adicionalmente envolvida por uma escultura em espiral e foi vendida em leilão por US$ 121.925. Garrafas regulares do Ornellaia Bolgheri, carro-chefe dos tintos da propriedade, tem um preço médio de US$ 199.

Tenuta dell’Ornellaia foi fundada em 1981 por Lodovico Antinori, que contratou o “pai dos Califórnia Cabernet”, André Tchelistcheff, como seu consultor.

O gerente geral da propriedade, Leonardo Raspini, disse ao Wine-Searcher: Ornellaia é a expressão por excelência de Bolgheri e seu terroir.” Na sua opinião, isso “representa predisposição fantástica de Bolgheri para blends tipo Bordeaux que tornaram esta área famosa em todo o mundo.”

Tenuta dell’Ornellaia também produz o quarto mais caro vinho italiano em nosso banco de dados: Masseto IGT Toscana (US$ 692). De acordo com Raspini, é “a expressão máxima de um único vinhedo plantada com uma única variedade [merlot].”

Jamie Ritchie da Sotheby’s diz que o Masseto tornou-se “um muito procurado cem por cento merlot, com um culto de seguidores. Ele ocupa um nicho único, como um Screaming Eagle ou Petrus.

© Paolo Tenti | E-D: Bruno Giacosa, o "homem com o paladar de ouro," e dois de seus famosos vinhos tintos

© Paolo Tenti | E-D: Bruno Giacosa, o “homem com o paladar de ouro,” e dois de seus famosos vinhos tintos

N ° 2 . Bruno Giacosa, Piemonte

Famoso por sua modéstia, Giacosa tem, no entanto, sido apelidado de “o homem com o paladar de ouro”. Um dos produtores mais respeitados da Itália, ele foi um dos primeiros no Piemonte a produzir vinhos de um só vinhedo.

Seu Collina Rionda Barolo DOCG (US$ 963) fica em segundo lugar na nossa “lista dos mais caros”. Giacosa parou de produzi-lo após a vindima 1993 porque o produtor que lhe forneceu as uvas começou a fazer os seus próprios vinhos. Mas ele ainda tem um culto de seguidores, alimentado por sua raridade.

Giacosa possui duas marcas: Azienda Agricola di Falletto de Bruno Giacosa (vinhos de vinhedos únicos de sua propriedade), e Casa Vinicola de Bruno Giacosa (vinhos de uvas provenientes de uma rede de produtores). Seu Falletto di Bruno Giacosa “Falletto” Riserva Barolo DOCG (US$ 669), de vinhedo único, é listado em quinto lugar, enquanto o Bruno Giacosa Villero di Castiglione Falleto Barolo DOCG (US$ 331) fica no número 20. No total, os seus vinhos são responsáveis por sete dos 50 classificados dentre os de preços mais altos.

No final de julho, o exigente Giacosa em controversa entrevista revelou que a propriedade não estará engarrafando seus principais tintos da vindima de 2010, optando por vender os vinhos a granel. Sua filha, Bruna, disse ao Wine- Searcher: “2010 foi uma boa safra, mas meu pai não os apreciou o suficiente para engarrafa-los.” Uma decisão semelhante em 2006 provocou a ira de outros produtores locais que disseram que tal medida iria prejudicar as suas vendas.

© Giuseppe Quintarelli/Giacomo Conterno | E-D: O saudoso Giuseppe Quintarelli; vinhedos de Giacomo Conterno; o produtor Roberto Conterno

© Giuseppe Quintarelli/Giacomo Conterno | E-D: O saudoso Giuseppe Quintarelli; vinhedos de Giacomo Conterno; o produtor Roberto Conterno

No. 3 . Giuseppe Quintarelli, Veneto

Descrito pelo principal importador dos EUA – Kermit Lynch – como “o falecido, grande Maestro del Veneto “, Quintarelli faleceu em 2012 com a idade de 84. Como o “pai do Amarone”, ele foi uma inspiração para jovens enólogos de Valpolicella, incluindo Romano dal Forno (ver n º 6), que o descreveu como “o meu caminho, a minha iluminação.”

Amarone della Valpolicella Classico Riserva DOCG da Quintarelli (US$ 807) leva o terceiro lugar na nossa lista, com Alzero Cabernet Veneto IGT (US$ 490), em oitavo e Amabile del Cere Passito (US$ 474) em nono.

Ritchie relata que os preços dos vinhos “têm aumentado na sequência da morte de Giuseppe Quintarelli, e ao fato de que não haverá mais vinhos feitos em sua vida.”

vinícola Quintarelli, nas colinas acima da cidade de Negrar, agora é dirigida pela filha mais velha de Giuseppe, Fiorenza. Seu marido, Giampaolo, e os filhos Francesco e Lorenzo também trabalham na vinícola, juntamente com o veterano enólogo Luca Fedrigo.

“Manter os padrões de alta qualidade que nosso avô definiu para os seus vinhos é para nós uma responsabilidade que queremos honrar”, disse Francesco ao Wine-Searcher.

Isto significa seguir as regras do Giuseppe: “baixa produtividade nos campos, respeitando a natureza tanto na vinha quanto nos vinhos, mantendo elevada acidez, e compreendendo quando não é o caso de chamar um vinho de Amarone. Em algumas safras menores nos os engarrafamos como Rosso del ‘Bepi’ [o apelido de Giuseppe].”

O carro-chefe Giuseppe Quintarelli Amarone Riserva é envelhecido por 10 anos no barril e produzido apenas nas melhores safras, em média, duas a três vezes em uma década, por isso tem que ser muito especial.

Como crianças, Francesco e seu irmão ajudaram nas vinhas e na adega. “Lembramos que Giuseppe era muito doce de coração com a gente, mas também muito exigente e rigoroso com a qualidade do seu trabalho. Ele fazia coisas muito lentamente e da forma mais perfeita que conseguia, de modo que fomos induzidos a fazer o mesmo.”

Na parede da sala de degustação está pendurado um cartaz declarando “Quintarelli Giuseppe la tradizione che dura nel tempo” (a tradição que dura ao longo do tempo).

Francesco acrescenta: “incluída em nossa história também está a convicção do avô de que cada frasco contém anos de trabalho longo e um ‘pedaço de coração.’ Por esta razão, ele nunca considerou os seus preços em demasia elevados”.

Também dentre os top 50 estão os Recioto della Valpolicella Classico DOCG (n º 15 / US$ 382) e Giuseppe Quintarelli Amarone della Valpolicella Classico DOCG (n º 16/ US$ 380).

N ° 4 . Giacomo Conterno, Piemonte

Barolo Riserva DOCG Monfortino (US$ 592), em sexto lugar, é a joia da corôa do espólio de Giacomo Conterno. Ritchie atribui o alto preço ao aumento da demanda.

O especialista em vinhos italianos, Nick Belfrage MW (Master Wine, NT), escreveu em seu livro de 1999 ‘Barolo a Valpolicella’ : “Se me fosse dada a escolha de uma garrafa de Barolo antes de morrer (eu tenho afirmado mais de uma vez que Barolo será a minha bebida alcoólica no leito da morte) eu escolheria Monfortino.”

Esta não é a única propriedade de Monforte d’ Alba a levar o nome de Conterno. Depois que seu pai, Giacomo, entregou as rédeas a seus dois filhos, Giovanni e Aldo, na década de 1950, os irmãos seguiram caminhos separados. Aldo passou a dirigir o separado Poderi Aldo Conterno, cujo Granbussia Barolo Riserva DOCG (US$ 313) está em número 22.

Barolo Riserva Monfortino é feito apenas em safras excepcionais, a partir de uma seleção das melhores uvas cultivadas em Cascina Francia, vinha da propriedade. O enólogo Roberto Conterno emprega longos tempos de maceração, seguidos de anos de envelhecimento em barris grandes. Segundo o crítico Kerin O’Keefe, isto produz Barolos “de incrível profundidade e complexidade incomuns.”

Roberto luta timidamente a fazer quaisquer mudanças radicais, como o uso de barricas ou fermentadores rotativos. “Basicamente, eu faço o vinho da mesma forma que meu pai fazia”, disse ao Wine-Searcher.

© Biondi Santi | O saudoso Franco Biondi Santi examina uma garrafa do seu Tenuta il Greppo Riserva

© Biondi Santi | O saudoso Franco Biondi Santi examina uma garrafa do seu Tenuta il Greppo Riserva

N ° 5 . Biondi Santi, Montalcino

Quando Franco Biondi Santi, neto do inventor do Brunello, morreu no início deste ano, homenagens o chamaram de “enólogo mais emblemático da Itália”, quem tinha feito os vinhos da região de Montalcino serem valorizados em todo o mundo.

De Biondi Santi, o Tenuta il Greppo Riserva Brunello di Montalcino DOCG leva o sétimo lugar na nossa lista, com um preço médio de US$ 541.

Kerin O’Keefe, que foi o autor de uma biografia de Franco Biondi Santi, diz que a lenda Montalcino “recusou todas as técnicas de vinificação que mudariam a tipicidade de seus amados Brunellos – por isso não utilizava leveduras selecionadas, e não envelhecia em barricas ou madeira nova. Seus vinhos expressam muito bem o melhor da varietal Sangiovese e o melhor de Montalcino”.

Biondi Santi era extremamente orgulhoso de sua herança, dizendo O’Keefe: “Um século antes de ser uma prática aceita em outras partes da Toscana, meu avô Ferruccio começou a fazer vinhos encorpados exclusivamente de Sangiovese”. Os celebrados riservas da propriedade são feitos apenas em safras excepcionais e somente a partir de plantas mais de 25 anos de idade.

© Romano dal Forno | Ramano dal Forno (direita), com sua familia

© Romano dal Forno | Ramano dal Forno (direita), com sua familia

No. 6 . Romano dal Forno, Veneto

Este produtor do Veneto não está sozinho entre os viticultores ao afirmar que ele foi inicialmente relutante em trabalhar a terra. Mas quando a alternativa foi estar dirigindo um ônibus, ele mudou de ideia.

Dal Forno agora tem 27 hectares de vinhedos, produzindo vinhos que incluem Vigneto di Monte Lodoletta Recioto della Valpolicella DOCG (US$ 470), na décima posição e Vigneto Monte Lodoletta Amarone della Valpolicella DOCG (US$ 414), em 13* lugar. Ele diz que o Recioto é “mais próximo ao meu coração”, embora alguns amantes do vinho são confundidos pelo fato de que é doce. Quando abriu uma magnum de 1994 podia “ouvir os anjos cantando.” Recioto só é produzido em safras excepcionais: seis nos últimos 30 anos.

A produção de Amarone de Dal Forno mudou nos últimos anos. A duração do tempo de secagem de uvas (appassimento) foi reduzida para diminuir o risco de oxidação, e a uva Molinara já não é incluída na mistura numa tentativa de aumentar a qualidade. O resultado? “Sublime”, afirma Dal Forno.

No. 7 . Miani Calvari. Friuli-Venezia Giulia

O comerciante líder de Londres, Berry Bros & Rudd, descreve o enólogo Enzo Pontoni “indiscutivelmente o melhor enólogo da Itália, responsável pelos intransigentemente tensos e mineralmente precisos, vinhos de Miani.” O crítico Antonio Galloni afirma que os vinhos de Pontoni são “profundos e monumentais”.

Anteriormente um engenheiro, Pontoni voltou-se para a terra em 1985 para assumir os 10 hectares de vinhas em encosta de sua família em Friuli. Os rendimentos deste enólogo recluso são surpreendentemente baixos e ele produz menos de 700 caixas de vinho por ano, de uma adega notavelmente despretensiosa.

Miani Calvari Refosco Colli Orientali del Friuli (US$ 446) está colocado em 11*, mas o seu Miani Merlot Colli Orientale del Friuli (US$ 328) não está incluído na lista porque tem menos de 20 ofertas.

A combinação de reputação e escassez gera preços elevados para os vinhos. De acordo com Sergio Esposito da comerciante de vinhos italianos Wine Merchants, de Nova Iorque “a demanda sempre supera a oferta para esses cultuados vinhos do Friuli”. Ele acrescenta: “Pontoni não apenas cresce suas uvas organicamente, ele as cresce com mania. É justo dizer que ele conhece cada videira com uma base em seu primeiro nome e os seus vinhos ilustram essa intimidade em sua pura beleza.” 

© Case Basse | E-D: Gianfranco Soldera; o depósito de barris onde um antigo empregado descontente abriu as torneiras

© Case Basse | E-D: Gianfranco Soldera; o depósito de barris onde um antigo empregado descontente abriu as torneiras

No. 8 . Caso Basse di Gianfranco Soldera, Montalcino

Brunello di Montalcino Riserva DOCG da Soldera (US$ 435), assume o 12 º lugar na lista dos vinhos italianos mais caros.

Este enólogo controverso sofreu um ataque à sua vinícola no ano passado, quando um ex-funcionário descontente abriu as torneiras em seus tanques. Soldera perdeu 62 mil litros de vinho e ficou com apenas pequenos volumes das safras 2007-2012.

Outros produtores em Brunello di Montalcino ofereceram suas próprias adegas para ajudar a repor os seus barris vazios, mas ele recusou. Soldera então renunciou abruptamente do consorcio da denominação, acusando seus membros de tentativa de fraude.

Houve especulações de que sua saída já estava prevista, na esteira do caso Brunellogate, em que alguns produtores foram investigados sobre o uso de variedades de uvas internacionais, como Cabernet Sauvignon e Merlot (vinhos Brunello devem ser 100 por cento Sangiovese). Soldera era firmemente contra a inclusão de castas internacionais em vinhos da região e alguns suspeitavam que ele era um delator.

Na primavera de 2013, lançou o Soldera 2006 Sangiovese, engarrafado antes do ataque.

Casse Basse normalmente produz cerca de 15 mil garrafas, com toda a produção designada como Brunello Riserva em anos bons. O contribuinte da Wine- Searcher, Paolo Tenti, diz que seus “luminosos” Brunellos oferecem “uma volúpia contida, mais floral do que frutada.”

 

© Giuseppe Mascarello | Berry Bros. & Rudd E-D: A família Mascarello em seu deposito de barris; a vinícola Giuseppe Mascarello e sua modesta aparência

© Giuseppe Mascarello | Berry Bros. & Rudd E-D: A família Mascarello em seu deposito de barris; a vinícola Giuseppe Mascarello e sua modesta aparência

No. 9 . Mascarello Giuseppe e Figlio, Piedmont

Esta propriedade remonta a 1881, quando o primeiro Giuseppe Mascarello comprou terras na aldeia de Monforte d’ Alba. Seu bisneto, Mauro Mascarello, está agora no comando, enquanto a próxima geração – os filhos Giuseppe e Elena – estão ambos envolvidos a trabalhar na adega.

Monprivato Cà d’ Morissio Riserva Barolo DOCG (US$ 409), feito a partir de uma parcela de um hectare na vinha Monprivato, situa-se em no. 14, enquanto Giuseppe Mascarello e Figlio Barolo DOCG (US$ 247), fica na posição de número 28.

A safra de estréia do Monprivato Cà d’ Morissio foi em 1993 com produção plena a partir de 1995. Apenas 2.500 garrafas de vinho são produzidas e somente em safras consideradas boas o suficiente, tornando-se um item de colecionador. Entre 1998 e 2002, o fruto não foi condizente com a qualidade dos Mascarello.

Seus altos padrões são recompensado com o ex-crítico da Wine Advocate, Antonio Galloni, dando pontuações de seus vinhos tão altas quanto 97.

Stephen Bitterolf, comprador da Crush Wine & Spirits sediada em Nova York descreve-o como um dos grandes Barolos, os equiparando com os produzidos por Conterno e Giacosa. “Os vinhos compartilham um espírito semelhante: Intensamente aromático – flores se transformando em fogos de artifício – uma pureza de frutas combinada ao couro e `a terra, e um paladar que é ao mesmo tempo estratificado e tracionado.

Bitterolf acrescenta: “Mascarello Cà d’ Morissio está finalmente começando a obter o seu reconhecimento justo como um dos grandes vinhos do Piemonte, e os preços estão subindo em conformidade.”

Barolo foi dividido entre os tradicionalistas e modernistas, quando se trata de produção de vinho na região. Enquanto os modernistas adotaram pequenas barricas novas de carvalho, Mascarello manteve-se um verdadeiro tradicionalista, envelhecendo o Cà d’ Morissio por volta de quatro anos e meio em grandes formatos de carvalho.

“Nós trabalhamos da maneira mais tradicional: o maior cuidado nas vinhas, com macerações leves e os vinhos envelhecidos em grandes barricas de carvalho eslavo no porão, para obter vinhos elegantes e capazes de expressar da forma mais autêntica o grande terroir de onde eles vêm,” disse `a Wine-Searcher.

© Gaja | Gaia Gaja, com seu pai Angelo

© Gaja | Gaia Gaja, com seu pai Angelo© Gaja | Gaia Gaja, com seu pai Angelo

No. 10 . Gaja, Barbaresco e Barolo, Piemonte

Angelo Gaja é uma das personalidades vinícolas mais famosas e extrovertidas da Itália e já ganhou inúmeras premiações de “homem do ano”.

Sua vinícola de 154 anos no Piemonte desponta ao final da lista dos produtores top 10, com três vinhos representados: Sori San Lorenzo Barbaresco (nº 17 /US$ 374) Sori Tildin Barbaresco (18 /US$ 371) e Costa Russi Barbaresco (19 / US$ 356). No total, a empresa tem oito vinhos na lista dos top 50 mais caros.

Em 1967, o vinhedo Sori San Lorenzo – em homenagem ao santo padroeiro de Alba – teve o primeiro engarrafamento de vinhedo único de Gaja, que logo foi seguido por Sori Tildin em 1970.

Sori San Lorenzo é visto como o mais poderoso e austero de todos os vinhos Gaja de vinha única, levando muito tempo para se desenvolver plenamente – 20 anos ou mais. Feito a partir de 95% Nebbiolo com 5% Barbera, é envelhecido em barricas por 12 meses, seguido de outros 12 meses em grandes barris de carvalho.

Tem ademais um livro dedicado ao vinho: ‘The Making of a Great Wine: Gaja e Sori San Lorenzo’ que segue a safra 1989 da uva ao vidro.

Angelo Gaja ganhou as manchetes da mídia no início deste ano, avisando que a Itália poderá em breve enfrentar escassez de vinho. A produção da Itália caiu 8% em 2012, após um verão muito quente e seco. O povo “ignora o fato de que o vinho é um produto natural e que o céu é o teto do vinhedo”, disse Gaja.

* Compilado a partir dos preços médios de vinhos que tenham sido produzidos ao longo de cinco safras consecutivas, e que tenham um mínimo de 20 ofertas diferentes no Wine-Searcher.

Este artigo não pode ser copiado, integral ou em parte, sem autorização expressa do tradutor.

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A seguir os preços de alguns vinhos desses produtores encontrados na ExcepTTional Wines & More, em Miami:

2010 Ornellaia, Bolgheri DOC, edição de 25* aniversário

US$ 194.99 – 97 pontos The Wine Advocate

2008 Bruno Giacosa Falletto Barolo DOCG

US$ 199.99 – 96 pontos The Wine Spectator

2009 Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano DOCG

US$ 154.99 – 91 pontos The Wine Spectator

2009 Bruno Giacosa Asili Barbaresco DOCG

US$ 154.99 – 93 pontos The Wine Spectator

2006 Dal Forno Romano Amarone dela Valpolicella

US$ 359.99 – 93 pontos The Wine Advocate

2007 Dal Forno Romano Valpolicella Superiore

US$ 99.99 – 94 pontos The Wine Advocate

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